Notas iniciais
Cada capítulo será focado em uma personagem e nas relações desta com as outras. O de hoje é da Escorpiana Érica Prepon.

Érica entrava na nave com um certo receio. Apesar da Universidade garantir uma infra-estrutura sem falhar e todo o conforto e segurança, para que os alunos sentissem como se estivessem em seu tão estimado planeta natal, havia sempre a insegurança de deixar tudo o que conhecia para trás.

A garota com apenas 19 anos não conhecia nenhum dos outros estudantes. Aquele seria o primeiro ano de funcionamento da universidade, ninguém sabia como era morar naquele lugar e estudar por tanto tempo. Seria certamente uma aventura.

Olhou para trás e viu uma garota completamente diferente de si. Parecia pouco sociável. Com toda certeza só uma primeira impressão ruim, que seria irrelevante para qualquer um , menos para ela. Sua vida era baseada em primeiras impressões.

Na verdade, ficou realmente incomodada com a bota de salto que a garota usava. Não que a outra estivesse super produzida, na verdade não estava. Usava calças jeans pretas e uma camisa azul, mas o salto foi suficiente para Érica querer se afastar da menina de pele bronzeada, cabelos cumpridos com californiana, lábios grossos e olhos amendoados.

“No ano que vem isso não será um problema” pensou ela “Roma estará de braços abertos me esperando”. De fato, se ela pensava que a garota era seu problema, Roma seria a solução, pois estava a quilômetros de distância de NY.

Colocou as vestes de segurança com as mãos um pouco tremulas. Estava nervosa, tinha que admitir ao menos para si. Toda uma vida nova, convivência apenas com pessoas que passaram pelo mesmo tipo de preconceito que ela... Parecia promissor até demais.

Foi para a cabine com seu nome. Érica Prepon.

Uma cama de casal, uma mesa com duas cadeiras, uma poltrona e uma TV. Provavelmente para que ela pudesse ver as últimas notícias sobre o planeta em que morou por tanto tempo, antes de perder por completo a conexão com este. Não pretendia ficar no quarto, de qualquer forma. Apoiou suas coisas em cima da cama e foi se olhar no espelho.

Ah, o espelho. Com Érica sempre chegamos nele. Por mais que não suportasse pessoas fúteis que colocam roupas e detalhes desnecessários em suas vidas, a menina não conseguia ignorar o espelho. Se olhou. Cabelos cumpridos negros caindo até a altura do busto, sobrancelhas que pareciam brincar com as emoções das pessoas, irônicas e desafiadoras, olhos esverdeados e ressaltados pelo habitual delineador, lábios rosados médios e pele bem branca. Era uma garota realmente bonita, que esperava que ninguém percebesse seu sutil narcisismo quando estava na frente de um espelho.

Saiu de seu quarto e olhou o monitor pendurado no teto “faltam 20 min para o encontro das naves.” O que com toda a certeza significava muita gente falando no refeitório. Ela teria que ser rápida.

E com esses pensamentos, Érica foi seguindo as placas. Era tudo muito confuso lá dentro, pouca gente nos corredores para ajudar- E foi nesse momento que ela e um garoto de cabelos azuis se derrubaram.

– Vai com calma, avatar! – falou rindo, mas com um pouco de tontura.

O garoto deu um sorriso tímido.

–Chase, prazer – estendeu a mão.

–Érica. – ela sorriu – Será que pode me ajudar a levantar? Eu sei que é estranho, mas tenho um pouco de pressão baixa e ela aparece nas piores horas.

Chase a ajudou e os dois caminharam juntos para a refeitório da nave.

–Onde nasceu? – ele perguntou com um olhar genuinamente curioso.

– Atenas, Grécia. Mas infelizmente não fui criada lá e, sim, em uma cidade próxima. E você?

–Aqui mesmo – Ele respondeu e viu Érica arqueando as sobrancelhas – Quero dizer... lá. Nova Iorque.

– E que aulas pretende fazer, Avatar?

Ele riu.

–Chase, Érica, Chase... – Ela não pareceu ligar – Farei matemática, história, autodefesa, mente produtiva e ambiente propício, seja lá o que forem essas últimas...

–Escolhi as cegas também. Farei cinema, artes cênicas e todas as especiais. – ele pareceu surpreso – Eu achei tudo incrível, mesmo que eu nem saiba o que elas são. Ouvi dizer que eles só explicam na hora porque...

Essa conversa poderia ter ido longe, não tem como saber. Uma música realmente alta começou a tocar (Beirut – The Rip Tide). Olhamos instintivamente para cima e lá estava o monitor “Junção das Naves Acontecendo”.

Com sorte Érica já estava com sua maça doce, então não teria que pegar a fila que estava prevendo. E, nesse momento, ela e Chase viram um tubo de vidro os envolver. Uma experiência realmente perturbadora, na opinião do garoto.

Viram o refeitório se transformando em um lugar nove vezes maior que o antigo. A loja de guloseimas onde Érica tinha acabado de comprar sua maça, virava um restaurante de comida Árabe e o lugar onde antes não havia nada, uma hamburgueria. Acontecia a mesma coisa com as outras oitos partes do novo refeitório, todas se transformavam em restaurantes típicos de algum país.

A música foi interrompida e uma voz feminina realmente aguda começou a falar “Sejam todos muito bem vindos à primeira parte da nave da UED. Este será o refeitório de vocês e os quartos onde vocês se encontravam serão trocados por vestiários e banheiros. Suas malas serão colocadas nos quartos oficiais de vocês quando chegarmos lá. Pedimos que não se distraiam ainda com as maravilhas produzidas nesses restaurantes, pois todos devem se dirigir ao anfiteatro.”

Uma voz masculina grave ocupou o silêncio deixado pelo fim do que a outra disse “ Tentem também não se perder e nem se entreter demais com seus novos amigos antes da reunião. Prometemos que esta será rápida e que acabará antes de chegarmos ao nosso destino.”

“Agradecemos” falaram juntos.

Ela olhou para os lados e não encontrou Chase, então começou a prestar atenção nas pessoas novas que chegavam. Era muita gente. Não como um ano novo na Paulista, é claro, mas gente perdida e procurando um auditório, o que foi suficiente para deixar Érica impaciente e fazê-la se mexer rápido demais, derrubando a única pessoa com quem não queria ter contato algum.

– Por que não olha por onde anda, garota? – perguntou a outra.

–Ei, relaxa aí, menina! Não estou com energia para ficar dando respostinhas para gente como você. – Érica rebateu.

– Primeiro, não é “menina”. Meu nome é Lola Bourne-

–Como se eu tivesse perguntado. – Érica a interrompeu – Mas já que quer saber, o meu é Érica Prepon.

– E segundo, você me deve desculpas, Prepon.

– A é? – Érica se aproximou da outra e disse sussurrando – Pois você não as conseguirá, Bourne.

Lola pareceu irritada. Não havia feito nada para a outra, afinal. Pretendia produzir uma bola de fogo, quando...

– Ei, ei, ei. Garotas, isso é realmente uma má idéia. – Um garoto alto, moreno e com um sorriso encantador apareceu – A não ser que queiram arrumar problemas antes mesmo de chegar lá.

– E você é...? – Érica perguntou com a sua habitual voz rouca, fingindo-se interessada.

– Jared Scaiton. Pode me chamar de...

– Eu pensarei em algo. – Érica falou e deu uma piscadinha – Quer me acompanhar até o auditório? Eu estava realmente perdida antes da Bourne entrar no meu caminho.

A outra parecia um pouco confusa com toda a situação, tanto que nem rebateu ou se defendeu, coisa que com certeza não fazia parte da sua personalidade. Estranho...

Érica virou para trás e deu uma piscadinha de deboche para Lola.

Notas finais
Espero que tenham gostado do início. Se sua personagem ainda não apareceu, não se preocupe, ela com certeza aparecerá no próximo. Espero que não tenham se ofendido com a velocidade de Érica para odiar pessoas, Escorpianos costumam ser assim. (digo por ser uma) Reviews, por favor?