Notas iniciais
E das cinzas ao autora retorno. Gente perdoem minha demora. Faz séculos que não entro no Nyah que até desaprendi de como mexer. Enfim voltei e aqui tá o cap.

Seus pés inchados, assim como suas costas protestavam com seu incessante caminhar. Com movimentos compulsivos acariciava sua barriga, algo que em vários momentos a acalmava, mas agora só poderia deixa-la mais preocupada, com o perigo eminente que se aproximava de seu bebe.

Faziam-se dois dias — ou o que ela achava que seria dois dias- desde que chegará a Thorens. A partir da conversa que tivera com seu tio, permanecera presa no quarto que ele intitulara com seu, o conforto do cômodo era quase inexistente. O colchão era desconfortável-principalmente para seu estado atual-, os cobertores eram finos e mal a esquentavam no frio da madrugada, a comida que recebia era escassa e intragável. Os últimos dias eram sem duvidas os piores dias de sua vida.

Arrependia-se arduamente por ter concordando com Robin nesta ideia mirabolante em sair do reino. Estavam completamente enganados em pensar que o perigo está em Sherwood. Agora Regina se pergunta quanto tempo passara até que Robin perceba que algo está errado, quando ela não escrever as cartas dando noticias.

Sua têmpora martelava com uma incomoda dor, estava tão estressada e preocupada. Queria chorar, gritar, demostrar sua frustação e ódio com toda esta situação. Conhecia seu tio desde que estendia por gente e apesar de nunca ter tido certa proximidade com ele, não esperava que ele se revelaria de tal maneira.

Deixando-se cair na cama, lagrimas embasavam sua visão. Era duro digerir a noticia de que seu pai fora assassinado. Por seu próprio irmão. Um dor incontrolável a toma e soluços sôfregos escapa por seus lábios. Nunca tivera ao certo um momento para lamentar a morte de seu pai.

Toda a dor que reprimia nos últimos anos a dominava e a quebrava.

Nunca estivera tão só.

As portas do quarto são abertas e dois guardas entram, pegando-a pelas mãos como se fosse um saco de trouxas sujas. Não entedia com este homens poderiam ser tão frios e impiedosos como uma mulher gravida e sofrendo. Não era de se esperar que servissem a Leopold.

**

Conhecia cada canto daquele castelo, o caminho em que era conduzida pelos guardas, apesar da decoração estar diferente da que antes ladeava os corredores, sabia que daria para o salão principal. Onde muitas vezes ocorreram os bailes e banquetes reais.
Como um empurrão dos guardas as grandes e pesadas portas de magno são abruptamente abertas revelando o interior da sala.
Mesmo que não quisesse Regina não conseguia controlar a fome que sentia ao olhar para a farta e esplendorosa mesa ao centro. Para quem comerá da pior maneira nos últimos dias, olhar para aquele basquete com gansos, guisados, bolos, tortas, sucos e vinhos. Regina sentia-se como no céu e até poderia dizer que o roncar de sua barriga era audível.

“Olha se não é nossa convidada de honra!” Estava tão absorta na mesa posta a sua frente que não prestará atenção em mais nenhum detalhe presente na sala, mas ao ouvir o som daquela voz toda a fome que antes tomava seu ser é substituída por uma ânsia, devido à presença da outra pessoa que estava na sala.

“Zelena!” Virando-se para o canto da sala, encara a ruiva que olhava para a rainha com deboche.
“Oh querida, surpresa em me ver?”.

“Nem um pouco! Não é de se esperar que você e Leopold estejam juntos nesta.”
Encarrando seriamente a rainha, Zelena anda até ela com passo lentos, olhando-a minuciosamente da cabeça aos pés, demorando seu olhar na colisão que Regina colocava os braços protetoramente.

“Olhe para você, está absurdamente gorda. Não surpreende que Robin tenha a mandado embora.” A ruiva provoca, enquanto rodeava Regina.

“Não ouse falar o nome do meu marido.” Regina ameaça sentindo seu sangue ferver com a proximidade da mulher.

“Ou o que? Ele não está aqui Regina, ele não está aqui para protegê-la.” impetuosamente a mulher golpeia o rosto da morena, que apesar de desequilíbrio que sofre não cai.
Uma fúria incomum se apossa de Regina que estava pronta para avançar na ruiva, quando as portas são abertas novamente e dois homens adentram.

“Você?” Regina exclama surpresa ao ver o cunhado ao lado do tio. Tinha conhecimento da divergência existente entre Jefferson e Robin, mas jamais esperou que chegasse a este nível.

“Surpresa cunhadinha?” O moreno, pisca para a rainha.
Regina extasiada, não pronunciando uma palavra. Foi neste momento em que tivera consciência do que capaz a família de Robin e a sua poderia.

“Zelena, vejo que já deu boas-vindas a nossa convidada.” Leopold sorri cruelmente ao ver o filete de sangue no canto dos lábios de Regina.

Este só poderia ser o inferno, porque nenhuma definição poderia ser mais plausível do que esta ao estar na mesma sala que este três seres repugnantes.

“Por favor, querida não se acanhe e venha sentar-se conosco.” Jefferson fala em falsa cordialidade enquanto os três tomam assentos à mesa.

Mesmo que por despeito Regina quisesse ficar em pé, suas costas estavam doloridas. Contrariada ela se senta o mais distante possível deles ao que não era impossível devido à extensão da mesa.

O cheiro da carne cozida era inebriante, estava tão faminta.

“Está com fome? Por que não serve-se de alguma coisa?” Os três olhavam para ela como se estudando-a.

“Para matar-me envenenada? Não obrigada!”

“Já tentamos uma vez e não deu certo.” Como se para provar para sobrinha, Leopold serve-se uma taça de vinho.

Tomada pela compreensão, Regina os olha com nojo. Descobrira os responsáveis por seu envenenamento.

“Então foram vocês! Assim como aposto que também foram vocês que mataram a serena e o meu cavalo.” Regina sentia tanta repulsa que chegava a ser difícil respirar o mesmo ar que aqueles três.

“Acredite gostaria muito de ter tido a ideia de matar aquele estupido corcel que tanto amava. Cora que lhe deu, não é mesmo? Aposto que sofreu ao vê-lo decapitado.” Leopold zomba. “É a bebe. Não tínhamos nenhum interesse naquela criança, talvez se fosse o caso de ser o seu filho, daria a te certo prazer em mata-lo.” A frieza no olhar de seu tio fora algo que nunca havia presenciado.

Leopold era o ‘cabeça’ de tudo isto, Regina não havia duvida disto.

“Agora resta a pergunta, se não foi nenhum de nos, quem será a pessoa que nutri tanto ódio contra você e Robin?” Todas as expressões e gestos do velho eram teatrais, espantava-se que ele não estivesse andando por ai com uma coroa sobre cabeça. “Estou tão curioso para conhecer essa pessoa, confesso que seu método medieval me é de muito agrado.”

Ele é um bastardo louco. Regina estava completamente chocada por nunca ter percebido isto.

“Você é doente. Vocês são doentes. Acha que demorar quando tempo ate que meu marido perceba que algo está errado?” Completa olhando para o clã de vilões renegados.

“Mesmo que ele perceba, acha mesmo ele arriscaria alguma coisa quando nos podemos machucar a você, seu bebe e a irmãzinha dele? Além do mais estaremos um passo a frente dele, não deixarei que ele saiba do que está acontecendo aqui. Por isso, resta a você sobrinha que escreva uma carta ao seu maridinho.”

“Você é completamente maluco se acha que eu escreverei uma carta a Robin. Fora de cogitação” É a vez da morena rir em zombaria.

“Acho que você não entendeu a situação. Isto não foi um pedido, foi uma ordem” O homem dava pequenos goles em seu vinho. Observando os cumplices, Jefferson e Zelena. Regina podia notar certa expressão de submissão, que era complacente com ambos que não se pronunciavam. “Guardas!” Inesperadamente Leopold grita assustando Regina que salta em seu lugar.

Após alguns segundos as portas são abertas e homens adentram arrastando as damas e cunhada da rainha.

“Emma, Tinker, Mary” Regina olha aliviada para as mulheres. Estavam preocupadas com elas, nãos havias visto-as desde o dia que chegaram e a julgar pelo estado das três, estavam em situações assim como a rainha (Se não pior).

Regina faz um impulso para se levantar, mas um baque a toma ao vê-lo adentra a sala.

Com uma postura rígida, cabelos negros peteados e trajando um uniforme detalhadamente rico em preto e prateado, Daniel entra e seus olhos azuis frios focam em Regina e um sorriso perverso estampa seus lábios.

“Olá amor!” Ele se pronuncia com sarcasmo parando a poucos passos de Regina que involuntariamente encolhesse na cadeira.

Diminuída pelo medo que sentia do homem que uma vez confiou, amou.

“Regina, acho que já conhece bem o meu general Daniel.” Leopold aproximasse dela estando os dois crápulas um em cada lado.

Ao som de seu nome o homem se aproxima ainda mais dela, aproximando a mão para tocar os cabelos dela.

“Não ouse tocar em mim.” Ela esbraveja.

Se toda a situação em si já estava péssima, ter Daniel ali tornava tudo ainda pior.

“Que isto, querida, não era desta maneira que se portava quando antes eu a tocava.” Daniel declara maliciosamente e ao longe pode ver o sorriso que ilumina o rosto de Zelena.

“Vá à merda!” Não era algo que uma rainha falaria, mas não importava-se mais com isto.

Uma fúria brilha nos olhos de Daniel, algo muito similar com a vez em que ele quase a estupra-la.

“Daniel!” Leopold alerta ao ver o homem se descontrolando.

Suspirando o moreno se afasta ainda possesso.

“Escreva a carta!” Leopold ordena.

“Eu não vou escrever!” A rainha debate.

“Escreva!” Ele grita.

E desafiando ao homem, Regina cruza os braços contra o peito.

Enraivecido o velho puxa com toda sua força toalha deposta sobre a mesa, derrubando no processo toda a comida que tinha sobre ela.

Com as bochechas vermelhas devido ao seu esforço e a cólera que o dominava ele joga sobre a mesa papel e um pequeno frasco de tinta acompanhado de uma pena.

“Você vai escrever sim, isto não é uma brincadeira Regina!” Leopold enfia sua mão por entre os cabelos longos de Regina forçando-a a ver Emma, Tinker e Mary cada uma agora com uma espada pressionada contra a garganta.

O olhar apavorado nos rostos das mulheres, Regina fica indecisa.

“Escreva, ou eu terei prazer em machucar suas ‘amiguinhas’.” Ele grita, puxando dolorosamente seus cabelos. Forçando-a agora olhar para o pedaço de papel em branco sobre a mesa.

Pressionada, Regina começa a escrever de maneira automática, palavras vazias e sem sentimentos que infelizmente iludiriam Robin sobre seu bem-estar.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até a próxima. Qualquer dúvidas me encontrem no Twitter @ParrillaSteff