– Ka você sabe que eu não posso. — Cobra se levanta e passa de leve a mão nos cabelos loiros da menina.

– E por que não? — ela o puxa.

– Do que está falando? — ele fica confuso.

– Quero que cuide de mim. — ele arqueia as sobrancelhas.

– Eu estou cuidando, mas cuidarei até aqui. Tenho que ir agora.

– Tudo bem. — ela limpa as lágrimas.

– Tchau Ka, fica bem.

– Vou tentar.

Cobra sai do quarto de Karina e a deixa na cama sozinha olhado para o fundo dele. Ele fecha a porta e sai do apartamento dela em direção as escadas do segundo andar onde encontra Gael subindo-as. Eles apenas se cumprimentam e o amigo da garota continua descendo até chegar ao térreo. Cobrelou atravessa a rua e vai direto ao QG onde começa a espancar o saco de pancadas tentando aliviar o estresse com a amiga e eliminar aquela conversa confusa.

– Karina? — Gael bate na porta do quarto da filha.

– Entra pai. — ela senta na cama limpando as lágrimas.

– Ô filha, sinto tanto pelo que aconteceu não queria que fosse assim.

– E você acha que eu queria? — ela se levanta furiosa.

– Claro que não.

– Então, por que eles fizeram isso pai? Por que? Ainda mais...comigo. — ela volta a chorar e Gael abraça a filha.

– Não sei minha filha, mas eles vão ter de se explicar.

– Explicar? — ela se solta. — Eu quero eles bem longe de mim pai, bem longe.

– Karina, deixe pelo menos eles falarem o que aconteceu.

– Não pai, eu não quero. Já basta o que eu passei.

– Tudo bem, tudo bem. — ele abraça a filha de novo. — Descanse antes que outra coisa te aconteça.

– Tá. — ele a solta e ela deita na cama.

Karina volta a deitar na cama, mas quando o pai sai de seu quarto ela se levanta e vai até a varanda ver se Cobra ainda estava por ali, mas não estava a sua visão. Ainda ficou um tempo apreciando a brisa quando Pedro, seu ex-namorado passou em frente a sua janela. Ele a olha e a garota apenas respira fundo e bufa, com medo de fazer algo ou começar a despencar de chorar outra vez.

– Desculpa Ka, eu te amo. — ele apenas mexe a boca para que ela entendesse.

– Eu te odeio. — ela grita. — Eu te odeio. — ela entra para o quarto e bate a porta da varanda. — Eu te odeio. — ela repete e chora.

– Filha? O que foi? — Gael entra correndo no quarto da filha.

– Nada pai, era só um idiota passando. Só isso.

– Ah, sei. Tá tudo bem Karina, tudo bem.

Gael sai do quarto de novo e desce até a rua para falar com Pedro.

– Capiroto, qual é a sua? Olha o que você fez. — ele chega autoritário.

– Eu sei Gael, mas eu amo a sua filha. — ele fala nervoso. — Eu amo a Karina. — ele grita.

Karina vendo a discussão no andar de baixo resolve descer também as escadas para dar a sua opinião sobre o que estava acontecendo e Cobra que estava socando o saco de pancadas decidiu observar o que se passava de longe, mas quando viu a amiga descer prestes a fazer algo com Pedro ele corre até ela, porém Gael é mais rápido e contém a filha.

– Ama nada, você é um mentiroso. — ela grita nos braços do pai.

– Karina, eu te amo. Desculpa.

– Desculpa nada, você sabe que eu odeio mentira. Você me traiu pelas costas. — lágrimas escorrem dos olhos claros de Karina.

– Não, não foi isso.

– Ah não? E o que foi então?

– No começo foi de bobeira, mas eu me apaixonei por você. De verdade.

– De verdade? Se apaixonou? Larga de ser mentiroso Pedro, chega de mentiras. — ela se solta de Gael e avança em cima de Pedro. — Eu te odeio.

– Mas eu te amo, quer queira ou não. — Cobra e Gael tentam soltá-la de Pedro mas parecia impossível.

– Karina, solta ele. Solta. — Cobra dizia.

– Não, ele merece. — ela tentava enforcá-lo, então Cobra começou a fazer cosquinhas na menina que soltou Pedro.

– Calma Ka, calma. — Cobra pega Karina pelos braços.

– Eu to calma Cobra, to calma. Me solta. — Gael ajuda Pedro a se levantar.

– Pedro vai embora por favor, não queira pior as coisas. — Cobra respira fundo com Karina nos braços.

– Tá eu vou, mas eu volto. — ele vira as costas, mas volta a olhá-la por alguns minutos.

– Ai meu saco viu? — Gael esbraveja.

– Gael? E a Karina? — a menina ainda chorava, mas procurava se acalmar.

– Eu to bem Cobra me solta.

– Eu levo ela, obrigada de novo Cobra. — o amigo a solta e ela entra bufando em casa.

– De nada. — tempo. — Gael?

– O que?

– A Karina me pediu uma coisa que não posso dá-la, fale com ela por favor.

– O que ela pediu?

– Ela vai te contar se você compreender, só fale com ela.

– Tudo bem. — Gael suspeita e Cobra vai andando embora.

Cobra ia atravessando a praça para ir de encontro ao QG quando Lobão o vê e o chama. Ele queria saber o que se passava e o amigo de Karina lhe conta, mas fica desconfiado de tantas perguntas de seu mestre. Gael do outro lado só observava os dois quando sua filha bateu a porta do quarto e a trancou com força que o barulho ouvia-se do andar de baixo.

– Karina? — ele grita do térreo, mas ela não responde.

Gael sobe as escadas e quando ia fechar a porta dá de cara com Bianca e Duca que queria ver como a irmã da atriz estava. Os três sobem as escadas mas o mestre já adianta que a menina não queria ver ou falar com eles. A filha mais nova ao ouvir quem estava chegando ao apartamento coloca os fones de ouvido no volume quase máximo e deita na cama.

– Karina, abre a porta. Deixa eu falar com você, por favor. — Bianca corre até a porta e bate freneticamente nela.

– Bianca, ela não quer falar com você. — Gael grita da sala.

– Eu também acho que não Bi. — Duca concorda com seu mestre.

– Mas ela precisa me ouvir. — Bianca começa a chorar.

– Não hoje Bianca, por favor.

– Mas pai, eu preciso explicar para ela o que aconteceu.

– Bianca por favor, deixa ela com o tempo dela. — Gael esbraveja.

– Karina, eu só fiz isso para ajudar. Eu juro. — Bianca vai até Gael. Karina que tirara os fones e escutou a frase da irmã, sai transtornada.

– Me ajudar? Se tá louca Bianca? — Karina empurra a irmã.

– Não Ka.

– Ka? Pra você eu sou apenas Karina.

– Karina, me ouve. — Bianca funga. — Me desculpa, eu nunca quis te machucar.

– Mas machucou.

– Desculpa, por favor. — Bianca chora acompanhando a irmã.

– Desculpa nada Bianca, eu quero que você suma da minha vida. Suma.

– Ka, me perdoa por favor.

– Perdão? Você vem me pedir perdão? Me poupe Bianca.

– Ka, calma. — Duca tenta chegar perto de Karina.

– Calma Duca, calma? — ela se vira rapidamente e Duca se afasta.

– Filha, por favor. — Gael fica mais perto das duas com medo de algo acontecer.

– Fica tranquilo pai, não vou bater nela. Sabe por que? Porque o machucado de fora cura e do de dentro não.

– O que? — Gael se surpreende com a frase da filha.

– É isso mesmo pai, não vou colocar um dedo nela. — Karina sai da sala e volta ao quarto transtornada.

– Mestre? Quer que eu fale com ela?

– Não Duca, não precisa. Deixa ela lá.

– Tudo bem.

– Cuida da Bianca. — Gael vai até o quarto das filhas e empurra Bianca para Duca. — Fiquem aí ou saiam.

– Tudo bem mestre.

– Pai, por favor. Me deixa falar com ela.

– Bianca chega. — Gael grita e a menina chora. — Karinaaaaaaa? — o mestre abre a porta mas não vê a filha mais nova.

– Mestre? — Duca e Bianca vão até ele.

– A Karina fugiu. — mestre esfrega o rosto nas mãos.

– De novo?

– Sim, mas eu sei onde ela está.

– Onde mestre?

– No QG. — Gael vira para Duca e os três se calam.