– No QG? — Bianca funga e limpa as lágrimas.

– Sim. — o mestre baforeja.

– E o que vamos fazer mestre? — Duca se intromete.

– Eu não sei, não sei mesmo.

– A gente tem que ir lá pai.

– Eu sei que temos, mas ela já sofreu demais por hoje. Ela e o Cobra tem uma relação de amizade difícil de explicar mas eles se entendem.

– Então você está dizendo que vai deixá-la com aquele marginal? — Bianca grita.

– Ele pode até ser Bianca, mas foi ele que salvou a vida da sua irmã.

– Salvou a vida da Karina? Pai, pelo amor de Deus.

– Bianca chega. — o mestre perde a paciência. — Duca, vai dar uma volta com ela antes que eu faça uma besteira.

– Tudo bem mestre, vem Bi.

– Não eu não vou, eu só saio daqui se for para ver minha irmã.

– Bianca, por favor vem. — Duca ia puxando-a pelo braço.

– Me solta Duca. — ela sai correndo e gritando escadaria abaixo o nome da irmã.

– Ai meu saco! — Gael e Duca vão atrás de Bianca.

– Karina, me ouve. Sou eu a Bianca, abre. — a atriz chorava batendo na porta do QG.

– Cobra se ta ouvindo? É a Bianca. — Karina se levanta de um dos colchões do QG.

– Sim eu estou, deixo ela entrar? — Cobra olha a amiga sentada e respira fundo.

– Não. — Karina fecha a cara e volta a se deitar.

– Tudo bem, eu cuido disso. — Cobra vai até a porta, a abre e empurra levemente Bianca dali.

– Se tá louco? Eu quero falar com a minha irmã.

– Ela não quer te ouvir.

– Mas ela vai, dá licença Cobra.

– Bianca para. — Duca a segura pelo braço.

– Duca não se mete, ela é minha irmã.

– Eu sei, mas ela tá magoada, nervosa, fora de si. Deixa ela pelo menos por hoje.

– O Duca tá certo Bianca. Deixa ela pelo menos hoje.

– Até você pai? — Bianca começa a limpar as lágrimas de tristeza.

– Bianca por favor vai pra casa. — ela fica possessa. — Agora. — a atriz vai bufando para casa.

– Vai com ela Duca.

– Tem certeza?

– Sim, vai.

– Tudo bem. — o lutador sai e deixa Cobra e Gael sozinhos.

– Cobra, deixa eu falar com a Karina.

– Claro. — os dois entram no QG e Karina vira rapidamente quando vê Gael ali.

– Pai?

– Sou eu filha, vamos pra casa. — ele se agacha.

– Não pai, eu não vou. — ela chora.

– Ei, vamos sim. Você é menor de idade não pode ficar aqui.

– Posso e vou pai. — ela olha fundo nos olhos do pai e se vira de costas, Gael então se levanta.

– Cuida dela Cobra, por favor. Pelo menos essa noite. — Gael aperta ombro do ex-aluno.

– Eu não preciso que cuidem de mim pai. — Gael bufa, repete a frase e vai embora.

– Ka, tá tudo bem ele e todos já foram. — Cobra tenta chegar perto da amiga, mas leva um fora.

– Obrigada Cobra, agora eu posso dormir?

– Claro.

– Obrigada.

– Eu vou treinar qualquer coisa me chame.

– Ok, obrigada.

Cobra então deixa a amiga deitada em um dos colchões do chão e vai até a frente da loja de suplementos para treinar golpes e chutes enquanto a observa pelos vãos das cadeiras e mesas que ficavam na frente de sua visão. Karina se sentia com frio e se espremia para tentar reter algum calor do próprio corpo ao mesmo tempo que tentava segurar o choro e ficar calma, mas as duas coisas que tentou fazer foram em vão.

O amigo vendo o que estava acontecendo pega um dos cobertores que tinha e coloca em cima dela que automaticamente se cobre por inteira e passa a tremer menos do que antes. Cobra a observa calmamente tentando dormir com as lágrimas no rosto e resolve tirar as lutas e ataduras para consolá-la e ver se precisava de algo, porém leva mais um fora e é obrigado a se afastar.

Com o cair da noite e a escuridão tomar conta do QG, Karina acorda assustada de um pesadelo e começar a chorar muito e a fungar. Seu coração passa a bater muito rápido e ela vê sua respiração ficar frenética e o ar se tornar escasso dentro de sia. Ela cutuca como podia o amigo e ele rapidamente pergunta o que ela estava sentindo e se queria alguma coisa e recebe como resposta um simples copo d'água que prontamente recebe.

– Karina, tá tudo bem agora. Calma, foi só um pesadelo. — Cobra passa a mão pelos cabelos da menina.

– Eu sei, mas parecia tão real. — ela tremia.

– Calma, respira. — Cobra fazia-a imitá-lo na respiração. — Isso, respira.

Aos poucos Karina conseguia reter mais oxigênio e se acalmar com a ajuda do amigo que ficou do lado dela até que pegasse no sono outra vez. Cobra a fez dormir falando como eram as lutas, os vencedores e tudo que envolvia aquilo que mais amava no mundo juntamente com carinho na cabeça da menina. Logo, Ka virou para o outro lado, deitou e caiu em um profundo e calmo sono.

– Ufa. — Cobra parou de mexer nela, levantou e foi pro outro colchão.

Cobra dormiu até umas quatro da manhã quando sentiu alguém lhe chamar e sacudir devagar. Era Karina que tivera outro pesadelo e estava com medo que mais alguns a rondassem. Ele se sentou na cama e passou a mão no rosto dela que tirou e disse que precisa de um pouco de ar e mais água. O amigo levantou, bufou e pegou mais um copo para amiga.

– Toma Karina. — ele estendeu a mão para ela com o copo nela.

– Obrigada. — ela sorriu torto.

– De nada. — ele passou a mão no rosto e nos cabelos.

– Desculpa Cobra, eu não queria te perturbar nem causar problemas para você.

– Relaxa Ka, eu tenho só você de amiga e já me ajudou bastante. Chegou minha vez. — ela sorriu de lado.

Karina continuou bebendo sua água e depois foi lavar o rosto para tentar voltar a pegar no sono pela sei lá qual vez, mas infelizmente quando voltou ao seu colchão só conseguiu virar de um lado para o outro. Cobra via a indefesa da amiga e resolveu conversar com ela para ver se conseguia fazê-la dormir sem pesadelos, mas quanto mais falavam mais Ka se despertava.

– Cobra eu posso te fazer uma pergunta? — Karina deitou no colchão ao lado dele e os dois olharam para cima.

– Já me fez. — ele riu e ela deu um leve soco em eu braço.

– Mas posso?

– Pode. — ele pôs os braços atrás da cabeça.

– Por que será que nos damos tão bem sendo que meu pai e todos a minha volta te odeiam?

– Não sei, me explica você. — ele deu de ombros.

– Não sei explicar. — eles riram.

– Então pronto, apenas nos damos bem.

– É talvez deva ser.

– Talvez.

– Cobra?

– Oi. — ele já se mostrava impaciente.

– Algum dia você vai perdoar a Jade?

– Algum dia você vai perdoar a Bianca e o Pedro? — ela se levanta rapidamente.

– Não.

– Então esta a minha resposta. — ele se senta e ela também.

– Mas é a minha. — ela soca o braço dele.

– Igual a minha. — ele sorri irônico.

– E por que não perdoaria?

– Por que você não perdoaria?

– Porque eles me enganaram da pior forma.

– Eu sei, mas algum dia você vai perdoá-lo.

– Não vou.

– Vai sim.

– Como sabe?

– Você se gostam de verdade, tem um amor lindo.

– E você e a Jade?

– Era diversão no começo, mas comecei a me importar com ela de verdade.

– Não a amava?

– Não. — ele engole saliva a seco.

– Hum, não sabia.

– Sabe agora.

– É.

– Você ama o Pedro não ama?

– Pior que amo. — ela abaixa a cabeça e algumas poucas lágrimas caem.

– Fica assim não, um dia essa dor passa. — ele levanta a cabeça dela e sorri.

– Eu sei Cobra. — ela tira a mão dele e se afasta. — Só não sei quando.

– Basta você querer.

– Eu quero, mas é quase impossível ele foi o único cara que amei de verdade e que me entreguei. — ela se levanta, se vira e coloca as mãos na boca.

– Eu sei Ka, mas você não pode condená-lo assim.

– Condená-lo assim? Cobra, ele mentiu durante todo esse tempo, me enganou. — ela se vira.

– Eu sei Ka.

– Ele traiu a minha confiança, nunca mais quero falar ou ver ele.

– Ka, me ouve.

– Hum.

– Você ainda vai se decepcionar muito na vida, vai chorar muito e não vai ser a primeira vez.

– Pera aí se tá dizendo que minha irmã vai pagar mais pessoas para namorar comigo.

– Não, não é isso.

– Então o que é?

– Que não vai ser a primeira vez que vai se decepcionar na vida.

– Eu sei, mas precisava ser tão cruel logo na primeira?

– Não, não precisava.

– Então Cobra. — ela se desespera.

– Calma Ka, calma. — ele sem medo e arrependimentos vai até ela a abraça e mantém em seus braços até que consiga ficar calma e passar a pensar racionalmente.

– Me solta Cobra, me solta. — ela se debatia e chorava.

– Só se você se acalmar.

– Tá bom, tá bom. Eu me acalmo. — ela parou de se mexer.

– Ok. — ele a solta e ela se senta na cama.

– Obrigada.

– De nada.

– Senta. — ela pede para que ele fique de frente para ela.

– Tá. — ele então se senta e eles ficam frente a frente. — Posso saber o porque disso?

– Sim.

– E o que seria? — ele responde irônico e logo depois olha para baixo para pegar o celular e olhar as horas.

– Eu quero ficar com você Cobra, essa noite para esquecer meus dias. — ela chega mais perto dele, pega sua mão e ele a olha limpando as lágrimas e sorrindo de lado.