Unintentionally (HIATUS)
6 Capítulo 6
– No QG? — Bianca funga e limpa as lágrimas.
– Sim. — o mestre baforeja.
– E o que vamos fazer mestre? — Duca se intromete.
– Eu não sei, não sei mesmo.
– A gente tem que ir lá pai.
– Eu sei que temos, mas ela já sofreu demais por hoje. Ela e o Cobra tem uma relação de amizade difícil de explicar mas eles se entendem.
– Então você está dizendo que vai deixá-la com aquele marginal? — Bianca grita.
– Ele pode até ser Bianca, mas foi ele que salvou a vida da sua irmã.
– Salvou a vida da Karina? Pai, pelo amor de Deus.
– Bianca chega. — o mestre perde a paciência. — Duca, vai dar uma volta com ela antes que eu faça uma besteira.
– Tudo bem mestre, vem Bi.
– Não eu não vou, eu só saio daqui se for para ver minha irmã.
– Bianca, por favor vem. — Duca ia puxando-a pelo braço.
– Me solta Duca. — ela sai correndo e gritando escadaria abaixo o nome da irmã.
– Ai meu saco! — Gael e Duca vão atrás de Bianca.
– Karina, me ouve. Sou eu a Bianca, abre. — a atriz chorava batendo na porta do QG.
– Cobra se ta ouvindo? É a Bianca. — Karina se levanta de um dos colchões do QG.
– Sim eu estou, deixo ela entrar? — Cobra olha a amiga sentada e respira fundo.
– Não. — Karina fecha a cara e volta a se deitar.
– Tudo bem, eu cuido disso. — Cobra vai até a porta, a abre e empurra levemente Bianca dali.
– Se tá louco? Eu quero falar com a minha irmã.
– Ela não quer te ouvir.
– Mas ela vai, dá licença Cobra.
– Bianca para. — Duca a segura pelo braço.
– Duca não se mete, ela é minha irmã.
– Eu sei, mas ela tá magoada, nervosa, fora de si. Deixa ela pelo menos por hoje.
– O Duca tá certo Bianca. Deixa ela pelo menos hoje.
– Até você pai? — Bianca começa a limpar as lágrimas de tristeza.
– Bianca por favor vai pra casa. — ela fica possessa. — Agora. — a atriz vai bufando para casa.
– Vai com ela Duca.
– Tem certeza?
– Sim, vai.
– Tudo bem. — o lutador sai e deixa Cobra e Gael sozinhos.
– Cobra, deixa eu falar com a Karina.
– Claro. — os dois entram no QG e Karina vira rapidamente quando vê Gael ali.
– Pai?
– Sou eu filha, vamos pra casa. — ele se agacha.
– Não pai, eu não vou. — ela chora.
– Ei, vamos sim. Você é menor de idade não pode ficar aqui.
– Posso e vou pai. — ela olha fundo nos olhos do pai e se vira de costas, Gael então se levanta.
– Cuida dela Cobra, por favor. Pelo menos essa noite. — Gael aperta ombro do ex-aluno.
– Eu não preciso que cuidem de mim pai. — Gael bufa, repete a frase e vai embora.
– Ka, tá tudo bem ele e todos já foram. — Cobra tenta chegar perto da amiga, mas leva um fora.
– Obrigada Cobra, agora eu posso dormir?
– Claro.
– Obrigada.
– Eu vou treinar qualquer coisa me chame.
– Ok, obrigada.
Cobra então deixa a amiga deitada em um dos colchões do chão e vai até a frente da loja de suplementos para treinar golpes e chutes enquanto a observa pelos vãos das cadeiras e mesas que ficavam na frente de sua visão. Karina se sentia com frio e se espremia para tentar reter algum calor do próprio corpo ao mesmo tempo que tentava segurar o choro e ficar calma, mas as duas coisas que tentou fazer foram em vão.
O amigo vendo o que estava acontecendo pega um dos cobertores que tinha e coloca em cima dela que automaticamente se cobre por inteira e passa a tremer menos do que antes. Cobra a observa calmamente tentando dormir com as lágrimas no rosto e resolve tirar as lutas e ataduras para consolá-la e ver se precisava de algo, porém leva mais um fora e é obrigado a se afastar.
Com o cair da noite e a escuridão tomar conta do QG, Karina acorda assustada de um pesadelo e começar a chorar muito e a fungar. Seu coração passa a bater muito rápido e ela vê sua respiração ficar frenética e o ar se tornar escasso dentro de sia. Ela cutuca como podia o amigo e ele rapidamente pergunta o que ela estava sentindo e se queria alguma coisa e recebe como resposta um simples copo d'água que prontamente recebe.
– Karina, tá tudo bem agora. Calma, foi só um pesadelo. — Cobra passa a mão pelos cabelos da menina.
– Eu sei, mas parecia tão real. — ela tremia.
– Calma, respira. — Cobra fazia-a imitá-lo na respiração. — Isso, respira.
Aos poucos Karina conseguia reter mais oxigênio e se acalmar com a ajuda do amigo que ficou do lado dela até que pegasse no sono outra vez. Cobra a fez dormir falando como eram as lutas, os vencedores e tudo que envolvia aquilo que mais amava no mundo juntamente com carinho na cabeça da menina. Logo, Ka virou para o outro lado, deitou e caiu em um profundo e calmo sono.
– Ufa. — Cobra parou de mexer nela, levantou e foi pro outro colchão.
Cobra dormiu até umas quatro da manhã quando sentiu alguém lhe chamar e sacudir devagar. Era Karina que tivera outro pesadelo e estava com medo que mais alguns a rondassem. Ele se sentou na cama e passou a mão no rosto dela que tirou e disse que precisa de um pouco de ar e mais água. O amigo levantou, bufou e pegou mais um copo para amiga.
– Toma Karina. — ele estendeu a mão para ela com o copo nela.
– Obrigada. — ela sorriu torto.
– De nada. — ele passou a mão no rosto e nos cabelos.
– Desculpa Cobra, eu não queria te perturbar nem causar problemas para você.
– Relaxa Ka, eu tenho só você de amiga e já me ajudou bastante. Chegou minha vez. — ela sorriu de lado.
Karina continuou bebendo sua água e depois foi lavar o rosto para tentar voltar a pegar no sono pela sei lá qual vez, mas infelizmente quando voltou ao seu colchão só conseguiu virar de um lado para o outro. Cobra via a indefesa da amiga e resolveu conversar com ela para ver se conseguia fazê-la dormir sem pesadelos, mas quanto mais falavam mais Ka se despertava.
– Cobra eu posso te fazer uma pergunta? — Karina deitou no colchão ao lado dele e os dois olharam para cima.
– Já me fez. — ele riu e ela deu um leve soco em eu braço.
– Mas posso?
– Pode. — ele pôs os braços atrás da cabeça.
– Por que será que nos damos tão bem sendo que meu pai e todos a minha volta te odeiam?
– Não sei, me explica você. — ele deu de ombros.
– Não sei explicar. — eles riram.
– Então pronto, apenas nos damos bem.
– É talvez deva ser.
– Talvez.
– Cobra?
– Oi. — ele já se mostrava impaciente.
– Algum dia você vai perdoar a Jade?
– Algum dia você vai perdoar a Bianca e o Pedro? — ela se levanta rapidamente.
– Não.
– Então esta a minha resposta. — ele se senta e ela também.
– Mas é a minha. — ela soca o braço dele.
– Igual a minha. — ele sorri irônico.
– E por que não perdoaria?
– Por que você não perdoaria?
– Porque eles me enganaram da pior forma.
– Eu sei, mas algum dia você vai perdoá-lo.
– Não vou.
– Vai sim.
– Como sabe?
– Você se gostam de verdade, tem um amor lindo.
– E você e a Jade?
– Era diversão no começo, mas comecei a me importar com ela de verdade.
– Não a amava?
– Não. — ele engole saliva a seco.
– Hum, não sabia.
– Sabe agora.
– É.
– Você ama o Pedro não ama?
– Pior que amo. — ela abaixa a cabeça e algumas poucas lágrimas caem.
– Fica assim não, um dia essa dor passa. — ele levanta a cabeça dela e sorri.
– Eu sei Cobra. — ela tira a mão dele e se afasta. — Só não sei quando.
– Basta você querer.
– Eu quero, mas é quase impossível ele foi o único cara que amei de verdade e que me entreguei. — ela se levanta, se vira e coloca as mãos na boca.
– Eu sei Ka, mas você não pode condená-lo assim.
– Condená-lo assim? Cobra, ele mentiu durante todo esse tempo, me enganou. — ela se vira.
– Eu sei Ka.
– Ele traiu a minha confiança, nunca mais quero falar ou ver ele.
– Ka, me ouve.
– Hum.
– Você ainda vai se decepcionar muito na vida, vai chorar muito e não vai ser a primeira vez.
– Pera aí se tá dizendo que minha irmã vai pagar mais pessoas para namorar comigo.
– Não, não é isso.
– Então o que é?
– Que não vai ser a primeira vez que vai se decepcionar na vida.
– Eu sei, mas precisava ser tão cruel logo na primeira?
– Não, não precisava.
– Então Cobra. — ela se desespera.
– Calma Ka, calma. — ele sem medo e arrependimentos vai até ela a abraça e mantém em seus braços até que consiga ficar calma e passar a pensar racionalmente.
– Me solta Cobra, me solta. — ela se debatia e chorava.
– Só se você se acalmar.
– Tá bom, tá bom. Eu me acalmo. — ela parou de se mexer.
– Ok. — ele a solta e ela se senta na cama.
– Obrigada.
– De nada.
– Senta. — ela pede para que ele fique de frente para ela.
– Tá. — ele então se senta e eles ficam frente a frente. — Posso saber o porque disso?
– Sim.
– E o que seria? — ele responde irônico e logo depois olha para baixo para pegar o celular e olhar as horas.
– Eu quero ficar com você Cobra, essa noite para esquecer meus dias. — ela chega mais perto dele, pega sua mão e ele a olha limpando as lágrimas e sorrindo de lado.
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