Unintentionally (HIATUS)
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Oi Ka. — o garoto sorri e vai até ela.
– Cobra! E aí? — ela faz um gesto de toque masculino, mas ele a beija no rosto.
– Beleza e você?
– Melhorando. — ela sorri empolgada. — Pai será que posso conversar com ele em paz?
– É... — o mestre cruza os braços.
– Por favor pai. — a garota implora.
– Tudo bem, mas com uma condição.
– Qual?
– Não faça nada com ela e nem a deixe nervosa. — o mestre chega perto e aperta de leve os ombros de Cobra.
– Pode deixar Gael, não vou.
– Então tudo bem. — o mestre sai.
– O que é isso Cobra? — ela aponta para o presente.
– É pra você.
– E o que é?
– Abre. — ela abre a caixa e vê uma foto dela com ele no dia do campeonato antes dela se inscrever ilegalmente e sair dali para o hospital.
– Cobra...é lindo. Obrigada. — ela o puxa para um abraço. — Você realmente é o único amigo que eu tenho.
– Você também Ka. — eles se soltam.
– Pega aquela cadeira e senta aqui perto. — ele pega e a ajuda a sentar na cama.
– Então eu só vim mesmo te ver e ver como você estava, fiquei preocupadão.
– Obrigada. — ela sorri. — Se pode por ali? — ela aponta para a mesa ao lado e ele coloca a foto dos dois em pé lá.
– Ka.
– Oi.
– Eu quero dizer que sempre vou estar aqui. — ela pega na mão dela.
– É bom ouvir isso Cobra, eu também.
– Amigos?
– Amigos!
Os dois amigos conversam durante um bom tempo até uma enfermeira dar uma passada para ver como Karina estava se saindo e recuperando a queda de pressão e o desmaio, depois continuaram a falar sem parar. Ela estava com saudades de lutar e poder se dedicar aquilo que tanto amava, mas sabia que seu pai não iria deixá-la fazer isso no dia que saísse e sim alguns dias depois. Cobra garantiu que falaria com Gael, mas não prometeu que se sairia bem nisso.
– Ei, quando eu sair daqui... — ela parou de falar de repente.
– Daqui... — ele olhou nos profundos olhos azuis da menina.
– Nada, deixa pra lá. — ela desviou o olhar.
– Fala Ka, tudo bem.
– Quando eu sair daqui... — tempo. — luta comigo?
– Luto. — ele sorri e ela também.
– Obrigada Cobra.
– De nada. — eles dão um soco na mão um do outro.
– Mas e aí como vai a academia?
– Vão bem.
– E a Jade, Cobra? Se não falou o que aconteceu.
– Eu terminei com ela, não quero mais vê-la.
– E por que?
– Porque eu falei para ela não contar a droga do segredo. — ele levanta irado e poem as mãos na cabeça.
– Pera aí, você sabia? — algumas lágrimas rolam.
– Karina, não quero que pense que trai sua confiança também porque não trai.
– Como não? Você sabia e nunca me contou, sai daqui.
– Não, eu vou falar a verdade?
– Que mais ter a me dizer? Estou cheia de tantas mentiras.
– Ka. — ele senta de novo e pega a mão dela.
– Eu ia te falar, mas eu estava apaixonado pela Jade.
– Eu sei, mas o que custava?
– A sua felicidade. — ela o olha fixa e surpresa.
– A minha...felicidade?
– Sim Ka, não tinha o direito de fazer isso.
– Mas você o quanto eu tava sendo enganada?
– Sim, eu sei mas estragar algo assim. Não pude. — ele se levanta e vai até os pés da cama e se vira de costas a ela.
– E por que não?
– Porque a sua felicidade...
– A minha felicidade o que? — ela se vira na cama e tenta se levantar.
– Não, não levanta. — ele vai até ela e ficam cara a cara.
– Responde agora.
– É porque a sua felicidade é a minha felicidade. — ela se afasta.
– Como assim Cobra?
– Tudo que eu mais quero é você sendo feliz, não importa como. Você é a única amiga de verdade que tenho mesmo a gente não se falando tanto ou tendo uma relação de amizade mais forte.
– Cobra. — ela pega seu queixo. — Obrigada. — ela sussurra.
– Não chora.
Cobra então abraça a amiga o mais levemente que pôde e escuta o choro da garota bem perto de sua orelha e algumas lágrimas deles também caem, mas ela não as viram. Depois que ele a soltou limpou seu rosto com um lenço que estava na mesa ao lado da cama e sorriu para que entendesse que estava tudo bem e que estaria ali para o que quer que fosse, até mesmo nos piores momentos como agora.
– Sra. Karina Duarte. — um médico entra no quarto.
– Sim, sou eu. — ela limpa as lágrimas do rosto com raiva.
– Você vai ser liberada hoje.
– O que? Sério? — ela olha para Cobra e ele para Ka.
– Sim, está tudo normal com você.
– Obrigada.
– De nada, só um enfermeira irá tiras as agulhas e o soro de você e levará para tomar um banho, aí sim, depois poderá ir embora.
– Obrigada, mesmo. — ela abraça o amigo e sorri, ele apenas devolve o abraço e levanta a cabeça.
– Sra. Karina. — a enfermeira entra.
– Sim.
– Vamos tirar isso e tomar um banho antes de ir?
– Sim, vamos. Agora?
– Isso.
– Tudo bem.
A enfermeira vai até Karina e começa a tirar as agulhas e o soro da menina que a deixavam mais forte para superar o desmaio e o mal-estar enquanto Cobra recolhia o presente da menina e deixava em cima da mesa. Quando a enfermeira terminou pediu que ele se retirasse e esperasse na recepção junto com o pai dela. Cobrelou pega a foto e a caixa, dá um soco de leve na mão da garota e sai dizendo que a esperaria.
– Vamos? — a enfermeira ajuda Karina a se levantar.
– Sim. — ela sorri.
A enfermeira levou Karina até um dos banheiros do corredor do grande hospital e a deixou tomar banho sozinha, já que ela pedira e foi buscar as roupas que Gael havia deixado. O resto guardou na bolsa que o pai trouxera e deixara para qualquer problema e levou a que escolheu para a menina. Deu-a as vestimentas e esperou-a se trocar, assim como o mestre e Cobra na recepção.
– Cobra, sabe de uma coisa. — o mestre olha para o ex-aluno.
– O que?
– A Karina realmente gosta de você.
– Somos amigos Gael, gosto dela também.
– Eu sei, mas você foi o único que ela aceitou receber.
– Sério?
– Sim, de todos somente quem a viu foi eu, Dandara e você.
– Hum.
– Cobra, você sente alguma coisa pela minha filha? — o mestre se vira mas logo volta a encará-lo.
– Karina?! — Cobra a vê chegando junto com a enfermeira que carregava sua bolsa.
– O, filha. Tudo bem com você? — Gael vai até ela, mas ela se recusa a aceitar sua ajuda.
– Tudo pai. — ela sorri para Cobra que deixa um sorriso fraco no rosto. — Cobra, se pode ir com a gente? — ela vai até ele.
– Eu to de moto Ka, mas obrigada.
– Ah, tudo bem. Quando chegarmos podemos conversar mais um pouco?
– Acho melhor você descansar um pouco, melhor outro dia. — ele desconversa e entrega o presente a ela. — Vou indo, nos vemos por aí.
– Tudo bem, tchau amigo.
– Tchau. — ela faz um gesto de abraço mas ele apenas dá a mão para apertarem.
Karina fica meio tristona e aperta a mão de Cobra, mas quando ele dá as costas e vai embora ela percebe que algo aconteceu entre o tempo que saiu do quarto e foi para a recepção dos hospital, mas não sabia o que poderia ter acontecido. O garoto dá partida na moto e segue seu caminho até o QG, já Gael e a filha vão para casa deixá-la descansar.
– Pai, você falou alguma coisa para o Cobra? — ela pergunta no banco de trás do carro.
– Não Karina, por que? — ele responde meio que olhando para o retrovisor e meio para o trânsito.
– Por nada.
– Fala logo Karina.
– Porque ele parecia feliz comigo no quarto, mas ali ele nem sequer me deu um abraço. — Gael para o carro ao lado do prédio onde moram.
– Ah Karina, deve ser por causa de mim. — ele ri, mas ela fica séria.
– Era para ser uma piada?
– Não, desculpa. — tempo. — Vamos?
– Sim.
Gael estaciona o carro direitinho ao lado do prédio para que Karina pudesse descer e entrar em casa, mas quando tem que sair e ir parar em outro lugar por não poder ser ali, ele pede que espere para ajudá-la a subir as escadas e ir até o segundo andar, porém quando vê Cobra no QG grita seu nome e o garoto vai de encontro a garota.
– Cobra, posso se pedir um favor?
– Pode.
– Me ajuda a subir?
– Mas onde foi seu pai? Ele não vai ajudá-la?
– Não quero esperar estou com uma das pernas dormentes.
– Tudo bem levo.
Nesse momento em que Karina abre a porta e deixa Cobra entrar, Pedro passa do outro lado da rua e vê os dois, logo lágrimas escorrem pelo seu rosto. A garota olha para ele e também chora levemente, mas se vira para o amigo e é ajudada a subir. O ex-namorado fica parado ali fingindo não estar vendo aquilo, mas a menina é dura e não se importa quando ele se aproxima.
– Ka, tá tudo bem? — Pedro chega perto dos dois.
– Vai embora daqui, não quero ver você nunca mais. N-U-N-C-A M-A-I-S. — a menina se vira e algumas lágrimas escorrem.
– Desculpa. — ele passa a mão para limpar o choro.
– Vai embora, agora. — ela se desespera e Cobra tenta acalmá-la.
– Pedro vai embora, por favor. A Karina não tá bem, por favor. Eu ajudo você a falar com ela depois.
– Tudo bem, tchau. — o menino vai para a Ribalta tristonho.
– Cobra eu odeio aquele menino, eu odeio. — ela chora desesperadamente e não consegue mais seguir.
– Eu sei Ka, mas fica calma.
– Eu não consigo, olha o que ele fez comigo, com a minha vida. Com o meu coração.
Cobra então decide pegá-la no colo mas ela reluta, ele diz que ficará tudo bem e que poderia confiar nele, Karina então cede mas continua chorando no peito do amigo. O garoto chuta para fechar a porta e sobe os dois andares de escadas com Ka nos braços até seu apartamento. A menina abre a porta ainda no colo e pede que a leve para o quarto para descansar, Cobrelou diz que acha melhor não porém acaba cedendo depois dos implores dela.
– Obrigada. — ela limpa as lágrimas então ele a poem na cama.
– De nada.
– Tenho que ir agora, tchau Ka.
– Não. Fica.
– Não posso, tenho mesmo que ir.
– Por favor, só um minuto.
– Um minuto então.
Ele se ajoelha na frente dela e ela solta cada vez mais lágrimas caindo pelo lindo rosto rosado.
– Calma Ka. — ele passa a mão no cabelo dela.
– Como calma? Eu amo aquele idiota, mas o odeio por fazer aquilo.
– Eu sei, mas você precisa se acalmar. Não queira voltar para o hospital.
– Eu não quero.
– Então se acalma.
– Tá, mas posso pedir um favor? — ela olha fundo com os olhos cheios de lágrimas.
– Hum. — ele desvia o olhar.
– Fica comigo? — ele a olha surpresa e ela desaba de chorar.
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