Notas iniciais
Desculpem o capítulo longo, mas estava escutando a música Your Window Pain e fiquei inspirada demais rs. Boa leitura, xo

– Oi Ka. — o garoto sorri e vai até ela.

– Cobra! E aí? — ela faz um gesto de toque masculino, mas ele a beija no rosto.

– Beleza e você?

– Melhorando. — ela sorri empolgada. — Pai será que posso conversar com ele em paz?

– É... — o mestre cruza os braços.

– Por favor pai. — a garota implora.

– Tudo bem, mas com uma condição.

– Qual?

– Não faça nada com ela e nem a deixe nervosa. — o mestre chega perto e aperta de leve os ombros de Cobra.

– Pode deixar Gael, não vou.

– Então tudo bem. — o mestre sai.

– O que é isso Cobra? — ela aponta para o presente.

– É pra você.

– E o que é?

– Abre. — ela abre a caixa e vê uma foto dela com ele no dia do campeonato antes dela se inscrever ilegalmente e sair dali para o hospital.

– Cobra...é lindo. Obrigada. — ela o puxa para um abraço. — Você realmente é o único amigo que eu tenho.

– Você também Ka. — eles se soltam.

– Pega aquela cadeira e senta aqui perto. — ele pega e a ajuda a sentar na cama.

– Então eu só vim mesmo te ver e ver como você estava, fiquei preocupadão.

– Obrigada. — ela sorri. — Se pode por ali? — ela aponta para a mesa ao lado e ele coloca a foto dos dois em pé lá.

– Ka.

– Oi.

– Eu quero dizer que sempre vou estar aqui. — ela pega na mão dela.

– É bom ouvir isso Cobra, eu também.

– Amigos?

– Amigos!

Os dois amigos conversam durante um bom tempo até uma enfermeira dar uma passada para ver como Karina estava se saindo e recuperando a queda de pressão e o desmaio, depois continuaram a falar sem parar. Ela estava com saudades de lutar e poder se dedicar aquilo que tanto amava, mas sabia que seu pai não iria deixá-la fazer isso no dia que saísse e sim alguns dias depois. Cobra garantiu que falaria com Gael, mas não prometeu que se sairia bem nisso.

– Ei, quando eu sair daqui... — ela parou de falar de repente.

– Daqui... — ele olhou nos profundos olhos azuis da menina.

– Nada, deixa pra lá. — ela desviou o olhar.

– Fala Ka, tudo bem.

– Quando eu sair daqui... — tempo. — luta comigo?

– Luto. — ele sorri e ela também.

– Obrigada Cobra.

– De nada. — eles dão um soco na mão um do outro.

– Mas e aí como vai a academia?

– Vão bem.

– E a Jade, Cobra? Se não falou o que aconteceu.

– Eu terminei com ela, não quero mais vê-la.

– E por que?

– Porque eu falei para ela não contar a droga do segredo. — ele levanta irado e poem as mãos na cabeça.

– Pera aí, você sabia? — algumas lágrimas rolam.

– Karina, não quero que pense que trai sua confiança também porque não trai.

– Como não? Você sabia e nunca me contou, sai daqui.

– Não, eu vou falar a verdade?

– Que mais ter a me dizer? Estou cheia de tantas mentiras.

– Ka. — ele senta de novo e pega a mão dela.

– Eu ia te falar, mas eu estava apaixonado pela Jade.

– Eu sei, mas o que custava?

– A sua felicidade. — ela o olha fixa e surpresa.

– A minha...felicidade?

– Sim Ka, não tinha o direito de fazer isso.

– Mas você o quanto eu tava sendo enganada?

– Sim, eu sei mas estragar algo assim. Não pude. — ele se levanta e vai até os pés da cama e se vira de costas a ela.

– E por que não?

– Porque a sua felicidade...

– A minha felicidade o que? — ela se vira na cama e tenta se levantar.

– Não, não levanta. — ele vai até ela e ficam cara a cara.

– Responde agora.

– É porque a sua felicidade é a minha felicidade. — ela se afasta.

– Como assim Cobra?

– Tudo que eu mais quero é você sendo feliz, não importa como. Você é a única amiga de verdade que tenho mesmo a gente não se falando tanto ou tendo uma relação de amizade mais forte.

– Cobra. — ela pega seu queixo. — Obrigada. — ela sussurra.

– Não chora.

Cobra então abraça a amiga o mais levemente que pôde e escuta o choro da garota bem perto de sua orelha e algumas lágrimas deles também caem, mas ela não as viram. Depois que ele a soltou limpou seu rosto com um lenço que estava na mesa ao lado da cama e sorriu para que entendesse que estava tudo bem e que estaria ali para o que quer que fosse, até mesmo nos piores momentos como agora.

– Sra. Karina Duarte. — um médico entra no quarto.

– Sim, sou eu. — ela limpa as lágrimas do rosto com raiva.

– Você vai ser liberada hoje.

– O que? Sério? — ela olha para Cobra e ele para Ka.

– Sim, está tudo normal com você.

– Obrigada.

– De nada, só um enfermeira irá tiras as agulhas e o soro de você e levará para tomar um banho, aí sim, depois poderá ir embora.

– Obrigada, mesmo. — ela abraça o amigo e sorri, ele apenas devolve o abraço e levanta a cabeça.

– Sra. Karina. — a enfermeira entra.

– Sim.

– Vamos tirar isso e tomar um banho antes de ir?

– Sim, vamos. Agora?

– Isso.

– Tudo bem.

A enfermeira vai até Karina e começa a tirar as agulhas e o soro da menina que a deixavam mais forte para superar o desmaio e o mal-estar enquanto Cobra recolhia o presente da menina e deixava em cima da mesa. Quando a enfermeira terminou pediu que ele se retirasse e esperasse na recepção junto com o pai dela. Cobrelou pega a foto e a caixa, dá um soco de leve na mão da garota e sai dizendo que a esperaria.

– Vamos? — a enfermeira ajuda Karina a se levantar.

– Sim. — ela sorri.

A enfermeira levou Karina até um dos banheiros do corredor do grande hospital e a deixou tomar banho sozinha, já que ela pedira e foi buscar as roupas que Gael havia deixado. O resto guardou na bolsa que o pai trouxera e deixara para qualquer problema e levou a que escolheu para a menina. Deu-a as vestimentas e esperou-a se trocar, assim como o mestre e Cobra na recepção.

– Cobra, sabe de uma coisa. — o mestre olha para o ex-aluno.

– O que?

– A Karina realmente gosta de você.

– Somos amigos Gael, gosto dela também.

– Eu sei, mas você foi o único que ela aceitou receber.

– Sério?

– Sim, de todos somente quem a viu foi eu, Dandara e você.

– Hum.

– Cobra, você sente alguma coisa pela minha filha? — o mestre se vira mas logo volta a encará-lo.

– Karina?! — Cobra a vê chegando junto com a enfermeira que carregava sua bolsa.

– O, filha. Tudo bem com você? — Gael vai até ela, mas ela se recusa a aceitar sua ajuda.

– Tudo pai. — ela sorri para Cobra que deixa um sorriso fraco no rosto. — Cobra, se pode ir com a gente? — ela vai até ele.

– Eu to de moto Ka, mas obrigada.

– Ah, tudo bem. Quando chegarmos podemos conversar mais um pouco?

– Acho melhor você descansar um pouco, melhor outro dia. — ele desconversa e entrega o presente a ela. — Vou indo, nos vemos por aí.

– Tudo bem, tchau amigo.

– Tchau. — ela faz um gesto de abraço mas ele apenas dá a mão para apertarem.

Karina fica meio tristona e aperta a mão de Cobra, mas quando ele dá as costas e vai embora ela percebe que algo aconteceu entre o tempo que saiu do quarto e foi para a recepção dos hospital, mas não sabia o que poderia ter acontecido. O garoto dá partida na moto e segue seu caminho até o QG, já Gael e a filha vão para casa deixá-la descansar.

– Pai, você falou alguma coisa para o Cobra? — ela pergunta no banco de trás do carro.

– Não Karina, por que? — ele responde meio que olhando para o retrovisor e meio para o trânsito.

– Por nada.

– Fala logo Karina.

– Porque ele parecia feliz comigo no quarto, mas ali ele nem sequer me deu um abraço. — Gael para o carro ao lado do prédio onde moram.

– Ah Karina, deve ser por causa de mim. — ele ri, mas ela fica séria.

– Era para ser uma piada?

– Não, desculpa. — tempo. — Vamos?

– Sim.

Gael estaciona o carro direitinho ao lado do prédio para que Karina pudesse descer e entrar em casa, mas quando tem que sair e ir parar em outro lugar por não poder ser ali, ele pede que espere para ajudá-la a subir as escadas e ir até o segundo andar, porém quando vê Cobra no QG grita seu nome e o garoto vai de encontro a garota.

– Cobra, posso se pedir um favor?

– Pode.

– Me ajuda a subir?

– Mas onde foi seu pai? Ele não vai ajudá-la?

– Não quero esperar estou com uma das pernas dormentes.

– Tudo bem levo.

Nesse momento em que Karina abre a porta e deixa Cobra entrar, Pedro passa do outro lado da rua e vê os dois, logo lágrimas escorrem pelo seu rosto. A garota olha para ele e também chora levemente, mas se vira para o amigo e é ajudada a subir. O ex-namorado fica parado ali fingindo não estar vendo aquilo, mas a menina é dura e não se importa quando ele se aproxima.

– Ka, tá tudo bem? — Pedro chega perto dos dois.

– Vai embora daqui, não quero ver você nunca mais. N-U-N-C-A M-A-I-S. — a menina se vira e algumas lágrimas escorrem.

– Desculpa. — ele passa a mão para limpar o choro.

– Vai embora, agora. — ela se desespera e Cobra tenta acalmá-la.

– Pedro vai embora, por favor. A Karina não tá bem, por favor. Eu ajudo você a falar com ela depois.

– Tudo bem, tchau. — o menino vai para a Ribalta tristonho.

– Cobra eu odeio aquele menino, eu odeio. — ela chora desesperadamente e não consegue mais seguir.

– Eu sei Ka, mas fica calma.

– Eu não consigo, olha o que ele fez comigo, com a minha vida. Com o meu coração.

Cobra então decide pegá-la no colo mas ela reluta, ele diz que ficará tudo bem e que poderia confiar nele, Karina então cede mas continua chorando no peito do amigo. O garoto chuta para fechar a porta e sobe os dois andares de escadas com Ka nos braços até seu apartamento. A menina abre a porta ainda no colo e pede que a leve para o quarto para descansar, Cobrelou diz que acha melhor não porém acaba cedendo depois dos implores dela.

– Obrigada. — ela limpa as lágrimas então ele a poem na cama.

– De nada.

– Tenho que ir agora, tchau Ka.

– Não. Fica.

– Não posso, tenho mesmo que ir.

– Por favor, só um minuto.

– Um minuto então.

Ele se ajoelha na frente dela e ela solta cada vez mais lágrimas caindo pelo lindo rosto rosado.

– Calma Ka. — ele passa a mão no cabelo dela.

– Como calma? Eu amo aquele idiota, mas o odeio por fazer aquilo.

– Eu sei, mas você precisa se acalmar. Não queira voltar para o hospital.

– Eu não quero.

– Então se acalma.

– Tá, mas posso pedir um favor? — ela olha fundo com os olhos cheios de lágrimas.

– Hum. — ele desvia o olhar.

– Fica comigo? — ele a olha surpresa e ela desaba de chorar.