– Gael? Então, como ela tá? — Dandara pega as mãos do namorado.

– Ela tá bem Dandara, ela tá bem. — o mestre a abraça.

– Ah que notícia boa meu amor, a gente pode vê-la?

– Pode, pode sim. — ela sorri.

– Mas e a Bi e o Duca? O que vamos fazer?

– Não sei, a Karina ainda não quer ver e nem falar com eles.

– Então né. — eles pensaram muito até que os dois voltaram conversando pelos corredores.

– Pai? — a garota corre até ele.

– Filha.

– Mestre, como a Karina está?

– Ela tá bem, melhorando aos poucos. A pressão baixou muito e por pouco não teve uma parada cardíaca. — Bianca chora desesperada e Duca a consola.

– A culpa é minha, minha.

– Calma Bi, a Karina tá melhorando. Ela vai ficar bem. — Dandara vai até a menina, senta de seu lado e a abraça.

– Dandara, se quer ir comigo até lá?

– Sim, Gael. Quero vê-la, vocês vão ficar bem?

– Sim, eu vou ficar com a Bianca. Podem ir.

– Não, eu quero ver a Karina também. — Bianca levanta e limpas as lágrimas que caíam.

– Bi, acho que agora é melhor não. Sua irmã ficou muito mal, ela pode piorar se tiver algo que a faça ficar nervosa.

– Mas, é a Ka.

– Eu sei Bi, mas agora acho que não. — Dandara abraça a garota.

Dandara depois de consolar Bianca, ela levanta e vai com Gael até o quarto em que Karina estava hospitalizada. Passaram por salas com muitas e poucas pessoas, corredores gelados e com ar de muita tristeza. Ele pegou a mão dela e depois a beijou para tentar amenizar a dor que sentia e a angústia que o corroía, mas nem tudo estava passado. O medo de algo acontecer com a filha mais nova era sua única e exclusiva preocupação.

– Ka? Tudo bem minha flor? — Dandara entra no quarto depois que Gael abre a porta.

– Dandara? Oi, estou melhorando. Obrigada. — Karina fala com um pouco de dificuldade.

– Ô minha linda, sinto muito mesmo. — ela beija a cabeça de Karina que sorri fraca.

– Pai, se sabe quando vou sair daqui? — ele olha para o mestre com aqueles olhos azuis que agora estavam dilatados.

– Não sei filha, depende da sua melhora. — ele chega mais perto das duas.

– Hum. É...cadê o Cobra?

– Ele foi embora Ka. — Dandara entrega.

– Embora?

– Sim, Ka.

– Mas por que?

– Ele tava nervoso, preocupado e teve uma encrenca.

– Encrenca? Com quem? — ela se senta na cama macia.

– É... — ela olha para Gael, que apenas abaixa a cabeça em sinal de que poderia ser dito. — Com o Duca.

– Duca? O que ele quer aqui?

– Ele e a Bi estão na entrada dos hospital. Queriam te ver, mas achamos melhor não.

– Ainda bem, não quero ver eles por um bom tempo. — ela solta um gemido de dor, quando se mexe.

– Filha, fique quieta. — o mestre ajeita a filha.

– Pai, o que realmente aconteceu antes deu vir para cá?

– Karina, você tava no QG mesmo eu indo lá e verificando se você estava, mas o Cobra falou que não. Depois que fui embora não passou muito tempo e ele foi atrás de mim desesperado porque você tinha desmaiado e sua pressão tava baixando demais.

– O Cobra?

– Sim Karina.

– E ele me trouxe até aqui?

– Sim, ele veio com a gente. — Gael abraça Dandara pela cintura.

– Ka, minha linda. Ele gosta de você, mesmo.

– O Cobra? Não, somos só amigos.

– E por que nunca me contou? — Gael se intromete.

– Porque você nunca deixaria. — ele concorda.

– Não quero você com ele.

– Gael, por favor. — Dandara se vira e faz cara de incrédula.

– Desculpa, desculpa. Não vamos falar sobre isso.

Enquanto Dandael estava no quarto conversando com Karina, Duanca estava na frente do hospital. A menina ainda chorava muito, mas o quase namorado acalmava-a como podia, não resolvia muito porém era uma forma de ajudar. Já Cobra que acabara de chegar no QG entra e vai treinar um pouco para tirar todo aquela noite da cabeça, entretanto só consegue pensar em Karina e no quase acidente com a garota quando fazia companhia a ela.

– Droga. — Cobra soca o saco de pancadas e tranca a porta do QG.

A noite vai quase virando dia com todos do hospital vão embora para casa para voltar depois. Gael e Dandara se despedem de Karina e saem do quarto com a menina dormindo tranquilamente. Ela estava calma, tinha tomado um remédio que fizera dormir e ficasse tranquila. O casal sai, fecha a porta e vão se encontrar com Duanca que dormiam abraçados em dois dos bancos da recepção.

– Cof cof. — Gael acorda os dois que coçam o olho e se espreguiçam.

– Como ela tá paizinho? — Bianca abraça o pai que a afasta.

– Tá bem, está dormindo.

– Posso vê-la?

– Acho melhor não, a noite não foi nada boa para ela. Não queira piorar as coisas, por favor.

– Tá. — ela fica tristona, mas aceita.

Os quatro entram no carro e partem para casa. Deixam Dandara na porta de Delma para pegar João, depois Duca na dele e logo Gael segue com Bianca até o apartamento deles. A garota sai e vai até o quarto onde pega uma fotografia da irmã e fica a olhando por um tempo enquanto o mestre estacionava o automóvel e subia as escadas para o segundo andar onde morava.

– Desculpa Ka. Desculpa. — ela chorava com a fotografia nas mãos. — Eu sei que errei, mas você estava tão feliz. Se sentindo uma pessoa normal, viva, sabia que mentir era errado mas você tava tão feliz. — ela chorava sem parar.

– Bianca? — Gael bate na porta e entra para falar com a filha.

Eram mais ou menos cinco da manhã quando todos estavam em suas devidas casas e camas, mas não puderam dormir muito porque quando fosse as oito teriam de levantar e irem a Ribalta e academia para estudar e trabalhar. Cobra que vivia no QG foi o primeiro a levantar e lembrar de Karina, ele ficava lembrando da noite passada e se sentindo culpado por não ter avisado Gael antes e por ter colocado a vida da menina em risco.

Lobão aquela manhã foi visitar Cobra antes de ir para a Khan para saber o que havia se passado e se estava tudo bem com Karina. O aluno apenas confirmou que ela ficaria bem e logo estaria de volta o que fez com o seu mestre ficasse mais tranquilo e fosse para a academia. O rapaz ainda ficou lá dentro até tomar banho e se trocar, mas quando viu Gael passar se apressou e gritou seu nome.

– Gaeeel, espera. — Cobra foi até ele quando Gael parou de andar.

– Cobra?

– E a Karina, como ela tá?

– Ela está bem, está bem.

– Ah que bom.

– Cobra.

– Ã?

– Obrigado. — o mestre coloca a mão em seu ombro e o aperta levemente.

– Pelo quê?

– Por cuidar dela e tentar melhorá-la, agradeço mesmo sendo do jeito que você é e sabendo do que você é capaz.

– Gael, eu me preocupo com a Karina. Gosto dela. — o rapaz sorri.

– Eu sei, a Dandara me falou.

– Hum. — ele dá de ombros.

– Bom, eu tenho que ir.

– Tá, tchau.

– Tchau. — Gael se virara, quando Cobra o chamou novamente.

– Ah Gael, uma coisa.

– O que?

– Eu poderia visitar a Karina? — o mestre se vira rapidamente e demora a responder.

– Pode Cobra, você pode.

– Ah, obrigada Gael.

– De nada, só cuidado com ela e eu vou estar junto.

– Ótimo, pode ser essa tarde.

– Sim.

– Até então.

– Até.

Cobra fica feliz por demais e vai para o QG esperar seu amigo para cuidar de lá enquanto iria treinar na academia até ir encontrar com a amiga que nessa hora estava começando a acordar. A menina ainda estava um pouco tonta e enjoada, mas quando os médicos vieram e cuidaram dela, melhorou bem rápido.

Com o passar do tempo Cobra cada vez mais usava as técnicas e força com os amigos da academia que decidiram parar de lutar com ele e deixá-lo sozinho treinando em um canto, mas quando dá a hora de ir se encontrar no hospital com Gael, se apressa e sai rapidamente. Passa no QG toma banho, se troca e passa em um loja para comprar um presente a amiga.

– Oi Cobra. — Gael o vê quando ele entra no hospital sem ver seu ex-mestre.

– Ah, oi Gael.

– Vamos?

– Sim.

– Isso por acaso é para a Karina?

– Sim, é um presente.

– Hum, e eu posso saber o que é?

– Deixa ela abrir e ter a surpresa.

– Ok, então. — os dois partem lado a lado até o quarto da garota.

Ao chegarem lá a menina terminava de almoçar e fica desconfiada quando Gael a pede que feche os olhos e não abra antes que ele a peça.

– Pronto, pode abrir. — ela abre os olhos e aqueles lindos e azuis batem direto com os castanhos escuros de Cobra.

– Cobra? — ela se emociona e algumas lágrimas correm pelo seu rosto.