Unintentionally (HIATUS)
1 Capítulo 1
– Como você pôde Pedro? Me enganar tanto tempo, mentir assim? — Karina o encara cheia de lágrimas nos olhos.
– Ka, escuta. — ele tenta pegar em seu braço, mas ela o puxa com força.
– Não me toca, não quero te machucar.
– Ka, me desculpa, mas antes era sim mentira mas hoje é verdade. Eu te amo.
– Ama nada, se me amasse ou sentisse alguma coisa teria me falado desde o começo.
– Karina eu não consegui, me sentia fraco e tinha medo da sua reação.
– Não conseguiu ou nunca quis?
– Karina eu sempre quis, mas nunca consegui. Você me conhece.
– Será que conheço mesmo? — ela sai correndo até a praça.
– Karina, volta aqui. — ele grita e vai atrás dela, mas é impedido por Gael.
– Pedro escuta aqui, você não vai mais ver a Karina. Decorou? — Gael o segura pelo braço.
– Não e eu vou atrás dela. — Pedro se solta e sai correndo.
– Karina, volta aqui. — eles se encontram na praça, mas a menina está de costas chorando muito.
– Pedro, qual o seu problema? Me esquece.
– Nunca faria isso, eu te amo.
– Eu te odeio. — ela segue até sua casa onde bate a porta na cara de Pedro e cai chorando atrás dela.
– Ka, eu te amo e você vai acreditar.
– Vai embora daqui, nunca mais quero te ver. — ela bate o pé na porta e sobe até seu apartamento.
Pedro se senta no meio-fio onde começa a chorar igual a Karina agora em sua cama desesperada pelas coisas que acabara de ouvir em meio a centenas de pessoas da estreia da peça de sua irmã Bianca, ou nem tanto assim. Sentia raiva, ódio e não conseguiria mais falar por um bom tempo com ela ou com ele. Estava desolada, mas o que ela ainda não sabia ou contava era que todas as pessoas que confiava e conhecia também sabiam desse segredo.
Quando Pedro vai embora para sua casa, Ka o observa pela janela tentando secar as lágrimas que escorriam pelo rosto enquanto Cobra ia passando transtornado depois de terminar tudo com Jade e avista a menina mais que mal. Ele a olha por um tempo até que ela volta para dentro e desce as escadas para conversar e pedir alguma ajuda ao amigo.
– Karinaa? — Cobra chama pensando que ele voltaria a janela.
– Cobra. — ela abre a porta da rua e dá de cara com ele enquanto mais lágrimas corriam pelo rosto branco.
– Ka, eu sinto muito pelo que aconteceu. — ele vai até ela, mas mantém uma certa distância.
– Sente muito?
– Sim, sinto muito. — ele poe a mão no bolso e abaixa a cabeça.
– Como assim?
– Karina, eu não vou ser mais um a enganar você. Não tenho motivos para isso. — ele a olha.
– Mais um? — ela com o braço direito coçava o olho.
– Eu sabia desse segredo.
– Sabia? — ela começa a tremer.
– Sim Ka, eu descobri a poucos dias.
– E por que não me contou? Você disse que pudíamos ser amigos.
– Porque eu não queria ver você sofrer, como agora.
– Cobra, eu confiei em você.
– Eu também, mas não podia te contar achei que seu namorado faria isso sozinho.
– Não me fale naquele idiota por favor.
– Tudo bem desculpa. — enquanto isso a peça quase terminava.
- Fica longe de mim você também.
- Karina, só me deixa falar uma coisa.
- Não, vai embora. — ela se vira mas ele a pega pelo braço e a puxa para si.
- Eu estarei sempre aqui não importa o que você disser ou fazer. — ele a abraça enquanto ela tenta se soltar.
- Me solta Cobra. Agora.
- Não. — ela então cede a força bem maior que a dela e cai no choro em seu ombro. — Calma, Ka. Calma.
Quando a peça finalmente termina ouve-se os aplausos e gritos de dentro da Ribalta, os dois se soltam e se olham então decidem ir até o QG para conversarem melhor e Ka poder não lembrar de nada do que aconteceu minutos atrás lá dentro. Cobra vendo sua fragilidade tenta a pegar no colo, mas ela o dá uma cotovelada e eles vão indo devagar, mas lado a lado.
Karina em nenhum momento se quer parou de chorar e nem Pedro que agora trancara a porta do quarto e se enfiou na cama com as cobertas por cima dele. Só conseguir pensar nela e no que fez, mas sabia que se não fosse daquele jeito nunca teria amado sua esquentadinha ou conhecido o verdadeiro e o primeiro amor. Em flashbacks voltaram como se conheceram, as loucuras que fizera em troca de uma chance com a garota, os beijos, carinhos, as furadas da primeira vez e depois finalmente quando aconteceu e mais ainda quando falara "eu te amo".
- Pedro abre a porta meu filho. — Delma batia na porta, mas ele fingia não ouvir.
- Bianca isso é verdade? — Gael intimidava a filha na frente de todos depois do término da peça.
- Paizinho, não é bem assim. — ela tentava o enrolar.
- Paizinho nada Bianca, o que você fez é inaceitável. Brincar com os sentimentos dos outros.
- Desculpa pai, mas não tinha outra escolha.
- Escolha? Escolha de que?
- A Ka era afim do Duca e o Pedro...
- O Pedro nada, vamos embora.
- Gael, espera. Gael. — Dandara o chamava da primeira fileira.
- Desculpa Dandara mas hoje não.
- A Bianca brilhou nesse palco ela não pode ir embora assim.
- Pode porque ela é minha filha. — ele a encarou fundo.
- Tudo bem, então. Desculpa Bi, mas eu lavo minhas mãos.
Gael pega Bianca pelo braço e a leva para fora da Ribalta e logo depois da fábrica, Duca o segue mas logo é mandado embora pela garota. Eles seguem até em casa para conversarem melhor e não encontram Karina em lugar nenhum. Desceram de volta e não a acharam nos banheiros, academia de volta a escola de artes, então o mestre decide ir até o QG.
- Cobraaaa, abre essa porta. — o mestre gritava na porta quase a quebrando.
- Gael, o que foi? — ele fingia que não sabia onde Karina estava.
- Cadê a Karina? Ela tá aí não tá? — ele ficava cada vez mais bravo.
- Não, não está eu a vi indo para casa.
- Ela não tá em casa Cobra. — ele fazia cara de mal e de impaciente.
- Mestre vem ela não tá aqui. — Duca aparece e o puxa dali.
O mestre irado com Karina, Bianca, Cobra, Pedro e Jade solta um grito enorme de fúria no meio da praça. Todos que saiam se assustam, mas não se intimida com aquilo. Ele pega a filha mais velha e a leva de volta para casa e chama Duca para o acompanhar, que prontamente segue os dois.
- O que ele tá fazendo aqui? — Bianca olha com desdém para Duca.
- Ele é como um filho para mim, não vejo problemas estar aqui. — Gael defende Duca e deixa o garoto continuar ali.
- Tanto faz.
- Tanto faz nada, quero que me explique agora o que está acontecendo.
Enquanto Bianca explica tudo direito para Gael, Cobra observa pela porta de vidro do QG se alguém ainda o olhava de fora e quando ninguém mais passava ou suspeitava de Karina estar com ele, vai até ela que está sentada na cama dele de costas para quem entra. Cobrelou vai indo devagar até a menina assustada e nervosa e a abraça por trás, mas a agilidade dela o afasta.
- Me deixa Cobra. — ela limpava as lágrimas.
- Desculpa.
- Posso ficar aqui hoje?
- Pode.
- Obrigada.
- Nada, mas posso te dar um abraço pelo menos.
- Não Cobra, me deixa.
- Por favor.
- Não já disse, qual a sua em?
- Essa é minha cama.
- Tudo bem, eu vou para frente. — ela se prepara para levantar.
- Não, fica. — ela se senta novamente mas ainda de costas.
- Vai me deixar em paz?
- Vai me deixar te abraçar?
- Sim.
- Então sim.
Ele a abraça por trás de novo e ela segue chorando no braço do amigo.
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