A noite vai prosseguindo e Gael dentro de casa com Bianca e Duca, cada vez fica mais nervoso e apreensivo. Não sabia onde a filha mais nova, Karina estava e nem como estava. Sentia medo e preocupação por ela. A poucos minutos descobrira que tudo não se passou de uma mentira da mais velha com o namorado da sumida. Não sabia de quem sentia mais raiva ou ódio, queria matá-los mas sabia que não poderia, então decidiu procurá-la para aliviar a cabeça.

– Karinaaaaaaaa. — Gael gritava tarde da noite.

– Gael? O que aconteceu? — Dandara ia saindo da fábrica com Lucrécia e Edgard.

– A Karina. — ele coloca as mãos na boca e na cabeça.

– Que foi? — Dandara chegava mais perto.

– Ela sumiu. — os três professores se olharam assustados.

– Como sumiu?

– Não sei, depois daquele papelão na Ribalta não vi para onde ela foi e nem o que aconteceu.

– Gael, calma. Quer ajuda para procurar? — ela se solidariza e passa suavemente a mão em seu rosto.

– Se você puder, claro.

– Está bem.

– Ed, Lú vão indo. Até amanhã. — ela se despede dos amigos.

– Até Dandara. — eles se abraçam, e o casal de professores vão embora.

– Gael, pra onde ela pode ter ido?

– Não sei Dandara, sinceramente não sei. Droga! — ela se vira e da de cara com o QG.

– E lá? Já viu? — ela aponta.

– Já, ela não tá.

– Vamos sair procurando então? O João pode ficar com a Delma.

– Tá certo, tá certo.

Enquanto Gael e Dandara saem procurando a filha mais nova dele, Bianca e Duca discutem na sala sobre o que viria a dar e deu a mentira dela. Ela tenta se explicar frustada também, mas não se arrepende.

– Eu paguei ele sim e quer saber deu certo, olha como eles eram felizes. — ela esbraveja.

– Eram. Falou bem, porque agora Bianca. Já era.

Enquanto isso no QG Cobra tenta animar e melhorar o humor de Karina que ia de mal a pior. Ele tentava de tudo e até dar um refrigerante para ficar alerta deu, mas de nada resolvia. Ela nada aceitava ou queria, tudo jogava no chão foi então que teve a ideia de deixá-la treinar e lutar junto dele, mas logo no primeiro golpe Ka cai desmaiada no meio do chão.

– Karina? Karina fala comigo. — ela não respondia e a pressão dela baixava cada vez mais. — O que eu vou fazer agora? — ele colocava as mãos em seu pescoço e tentava acordá-la mas de nada adiantava.

Cobra decide ir até Gael e chamá-lo para ver o que estava acontecendo com a garota, mas ao mesmo tempo tinha medo de deixá-la sozinha e temer que algo acontecesse, porém o instinto de amigo protetor da menina fala mais alto e ele vai atrás do mestre que estava com Dandara procurando ruas depois de onde estavam. O garoto foi correndo até os dois que naquele momento só restavam-lhes desespero.

– Gael. — ele gritou quando chegou perto, colocou as mãos nos joelhos e olhou para o mestre.

– Cobra? — o mestre se surpreende em vê-lo. — O que você quer?

– Eu...

– Você o que? Fala.

– Eu sei da Karina, mas ela não está nada bem.

– Como é que é? — o mestre corre até ele e Dandara vai atrás para que não avançasse no garoto.

– É isso mesmo, ela tá mal.

– Disso eu já sabia, você viu e ouviu o que a Jade disse.

– Não é disso que eu estou falando.

– E do que é então?

– A Karina desmaiou, não sei o que fazer. A pressão dela só cai.

– E onde a minha filha tá?

– No QG. — o mestre empurra Cobra e sai correndo até onde a menina estava.

– Karina? Minha filha. — ele a pega nos braços.

– Gael? Karina? — Dandara se surpreende.

– Tá fazendo o que Cobra? — o mestre o vê mexendo no celular.

– Chamando a ambulância, o que mais?

– Não, eu vou levar ela de carro, vou buscar. Dandara se pode ficar com ela?

– Claro, pode ir. — ela sorri e ele ia colocá-la no chão, mas Cobra a pega.

– Solta ela. — o mestre ordena.

– Não é hora de discutir Gael, vai logo.

– Tudo bem. — o mestre sai e deixa os três.

– Cobra.

– Ã?

– Obrigada.

– Pelo que?

– Pela Karina, você não sabe como o Gael ficou.

– Eu e Karina...somos amigos. Me preocupo com ela. — Dandara sorri.

Gael chega transtornado e sai do carro para pegar a filha.

– Não precisa eu vou com vocês, levo ela.

– De jeito nenhum, quem vai é a Dandara.

– Gael, por favor né? Ele te ajudou, tá ajudando a Karina. — eles se olham e o mestre deixa.

Gael entra na frente com Dandara e Cobra entra com Karina no colo na parte de trás do carro, mas esqueceu-se de trancar o QG então a professora fecha e trava as portas por ele, enquanto telefona para Bianca e Duca dizendo o que estava se passando e para onde estavam indo. Os dois se sentindo culpados e nervosos seguem os quatro com um táxi na cola do carro dos dois.

Quando chegam na porta do hospital Cobra se adianta antes que Gael fizesse algo, abre a porta e sai correndo até algum enfermeiro atender a menina e examiná-la. Logo alguns se aproximam e decidem levá-la para exames e ver o que se passava com Karina. O rapaz a coloca em uma maca e deixa que os médicos a levem, mas logo o mestre e Dandara chegam e o veem.

– Cadê a Karina, Cobra? — o mestre o interroga.

– Eles levaram para fazer exames nela. — o rapaz sai até fora dos hospital, se senta no meio-fio e chora pela amiga.

– Ele tá...chorando? — mestre se vira e olha Dandara.

– Sim Gael, ele tá e sabe por que? Porque ele se importa com a sua filha, se preocupa com ela e gosta dela de verdade. — Dandara vai até Cobra e deixa o mestre sozinho.

– Gostar da Karina? — o mestre fica confuso.

Bianca e Duca chegam logo depois e vão até o mestre passando por Cobra e Dandara do lado de fora.

– Pai? Cadê a Karina? — Bianca solta lágrimas.

– Mestre?

– Ela foi fazer exames nem eu sei como ela tá. — o mestre se senta em uma das cadeiras com força.

– Mas por que a trouxeram aqui? — Bi se ajoelha na frente de Gael.

– Porque ela desmaiou no QG e o Cobra disse que a pressão dela estava caindo demais.

– Cobra? Pera aí. — Duca se intromete.

– Ele mesmo Duca, ele tá ali. — o mestre aponta e Duca sai correndo até Cobra.

– O que você fez com ela seu bandido? — Duca empurra Cobra, e Gael tenta conter o aluno com Bianca.

– O que eu fiz? O que vocês fizeram? — Cobra limpa as lágrimas e se levanta.

– Vocês? Qual é a sua?

– A minha foi salvar a garota que vocêêês magoaram. — ele aponta para Duca e Bianca que fica calada.

– Pera aí, salvar? Chama aquilo de salvar?

– Ela veio atrás de mim Duca, de mim.

– De você? Justo você, Cobra?

– É, acha que só você aqui pode ser amigo dela.

– Amigo? Me poupe dessa de amigo, você não é amigo de ninguém.

– A é, então me explica por que entre tantos "amigos" que se dizem ser, ela me escolheu?

– Eu não sei, mas fica longe dela. Longe.

– Duca, chega. — o mestre ordena e solta o garoto.

– Chega? Ele quase matou a Karina.

– Não Duca, ele salvou.

– Salvou?

– Sim. — o mestre olha desconfiado para Cobra.

– Quem de vocês é parente próximo de Karina Duarte? — uma enfermeira loira dos olhos verdes, iguais de Karina se aproxima do pessoal.

– Eu, sou eu. Sou pai da menina. — o mestre se vira aflito para ela.

– Poderia me acompanhar?

– Claro. — ele se vira para o resto do pessoal, que concorda. — Claro.

Gael dá um beijo em Dandara e vai com a enfermeira até dentro do hospital. Os demais ficam aflitos com o que poderia acontecer e se unem para mandar mensagens positivas, menos Cobra. Dandara, Bianca e Duca ficam juntos, mas observam Cobrelou pelo canto dos olhos de vez em quando.

– Eu vou indo. — Cobra anuncia. — Não sou bem vindo junto com vocês.

– Não Cobra, fica. Tudo bem. — Dandara pega na mão do garoto.

– Tudo bem Dandara, depois eu visito a Karina.

– Cobra? — Bianca o chama com lágrimas nos olhos e ele a olha. — Eu sei que você tem seus defeitos e tudo mais, que te acusei de muitas coisas, mas eu quero te agradecer pelo que fez pela Karina, mesmo.

– Eu faria de novo se precisasse, porque ela diferente de você é verdadeira do início ao fim.

– Olha como você fala com ela. — Duca o ameaça.

– Deixa Duca, ele tá certo. — Bianca limpa as lágrimas.

– Bom, tchau. — Cobra vai andando até o QG.

– Já vai tarde. — Duca o provoca.

– Duca, ele fez uma boa ação pela Karina. Ele realmente gosta dela.- Dandara entrega.

– Nunca entendi a relação desses dois, mas isso que você falou pode ter fundamento sim.

Bianca, Dandara e Duca ficam do lado de fora até irem para dentro. Ficaram um tempo esperando notícias que nunca viam, então a filha mais velha do mestre decide ir ao banheiro e o aluno preferido ir beber água, a professora fica sozinha e telefona para João, mas ao olhar para frente com o celular em mãos dá de cara com Gael que chorava muito, e parecia inconsolável.