Unexpectedly Love
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Enquanto isso em outra aula de Killian Jones.
– Quero que vocês fechem os olhos e se recordem da melhor coisa que já comeram. Não importa se foi a mais fantasiosa ou a mais cara, e sim a melhor.
Sentado sobre o tampo de uma das mesas, Hook observou as três pessoas acomodadas nas cadeiras à sua frente, todas de olhos fechados. O rosto de Henry estava franzido, o rosto de Elsa, levemente oprimido. E Emma, como sempre, estava linda. Embora só a visse duas vezes por semana, ele vivia aquele rosto em sua mente por 24 horas, todos os dias, nas últimas seis semanas.
Não ficava tão entusiasmado por nada desde que descobrira que era capaz de cozinhar. E não sentia esse desejo ardente desde a adolescência.
Ela era terrivelmente sexy, mesmo que fizesse o possível para não demonstrar isso. Ele a cortejava quando os garotos não estavam olhando e ela nunca correspondia. E o jeito que atirava os cabelos para trás, o balanço dos quadris, os lábios sensuais e o desafiante brilhos dos olhos, tudo isso o excitava muito.
Hook continuou olhando-a, observando-lhe as feições, o nariz delicado, a pele acetinada. Um leve sorriso aflorou nos lábios dela e ele sabia que estava se lembrando da melhor coisa que já comera.
Esperava que tivesse sido o morango que lhe dera. Apesar de saber que ela não mencionaria isso na frente das crianças. Era uma profissional escrupulosa.
– Tudo bem, podem abrir os olhos — disse ele. — Henry?
Sempre começava por Henry. O menino tinha uma necessidade compulsiva de ser notado, um sentimento que Hook reconhecia em si mesmo. Na verdade, havia muito do menino que reconhecia em si.
– Eu tinha um amigo, Gabriel — disse Henry. — Uma noite, ele me convidou para jantar. A mãe dele era uma cozinheira maravilhosa. Fez cordeiro com arroz e lentilhas. Eu nunca tinha experimentado esse prato e, com os temperos, foi a coisa mais maravilhosa que já comi.
Emma murmurou:
– Conheço Gabriel. Não sabia que eram amigos.
– Deixamos de ser amigos quando vim para esta escola — replicou Henry com tristeza.
Killian entendeu logo. A comida favorita de Henry tinha gosto de inocência, dos dias em que era um garotinho e seus amigos podiam ser de qualquer raça, pertencer a qualquer grupo. De um tempo que lhe era permitido expressar-se livremente. Percebendo o olhar de Emma, viu que ela havia entendido também. Oh, céus, quando seria capaz de comunicar-se daquela maneira com uma mulher
– E você, Elsa?
– Canja. Com macarrão. Quando eu ficava gripada, minha mãe fazia canja para mim. Isso foi antes de ela morrer.
– E como era a canja? — incentivou Emma
– Deliciosa e dourada. Com macarrão e legumes. — Ela ergueu os olhos . — Só tomei essa canja duas ou três vezes.
– Deve ter sido realmente deliciosa — disse Emma, e Hook podia ouvir suas palavras não-ditas. “Você deve sentir muita saudade de sua mãe.”
Ele tinha de planejar o que iria dizer para adquirir a confiança das crianças. Uma espécie de estratégia. Contudo, ela parecia fazer isso com naturalidade. Tinha magnetismo pessoal para cativar as pessoas e entendê-las.
Meu Deus, como gostava dela. E gostava de quem era quando estava a seu lado. Por causa de Emma, estava dedicando seu tempo e empenho para conhecer Henry e Elsa, e pensar em como ajudá-los.
– Qual é a sua favorita, Emma? — perguntou ele.
– Biscoitos de aveia.
– Quem fazia os biscoitos?
– Srta. Wood, uma vizinha da época em que morávamos em Calgary. Eu tinha uns doze anos quando ela me pegou roubando seus lírios.
– Nossa! — exclamou Henry. Ela sorriu e deu de ombros.
– Meus pais acreditavam que apanhar flores no jardim alheio era roubo. Eu não achava que ela iria sentir falta de um ramalhete de lírios. De qualquer modo, a Srta. Wood pegou-me antes que eu pudesse cortá-los.
– Espero que você tenha ficado envergonhada — disse Killian, zombando com seriedade.
– Fiquei muito envergonhada, sim. Mas a Srta. Wood disse que me daria os lírios se eu lhe pedisse, depois do chá. E convidou-me para entrar. Mostrou-me os livros que possuía. Era professora de inglês aposentada, e era inglesa. Eu nunca tinha visto tantos livros na vida. Ela me contou que nunca tomava chá sem ler um pouco de Shakespeare. Assim, leu um trecho de Romeu e Julieta. Depois disso, deu-me biscoitos de aveia com legítimo chá inglês.
– Ela foi a razão de você ter vindo para a Inglaterra e tornar-se professora?
– Uma das razões. A Srta. Wood, seus biscoitos e Shakespeare. Lemos juntas todas as comédias e metade das tragédias antes de eu ter de me mudar outra vez.
Com essas palavras, ela consultou o relógio.
– Vamos cozinhar hoje? — perguntou, num claro sinal de que queria mudar de assunto.
– Talvez — respondeu Killian — Mas primeiro quero que Henry e Elsa comecem a escolher os menus que irão apresentar no concurso.
– Oba! — exclamou Henry feliz. — Então por que estamos falando? Vamos prepará-los.
– Calma, companheiro. O que estivemos falando é importante. Cozinhar não é apenas técnica e ingredientes. Alimento é memória e experiência. Alimento é emoção. Portanto, se você estiver criando um menu, tem de captar o sentimento certo. Tem de doar-se a isso.
– Você quer que eu faça curry? — perguntou Henry.
– Quero que você faça o que gostar.
– Mas não sou indiano.
– Não faz diferença. Se você puser a si mesmo no que está fazendo, as pessoas lhe responderão. — Ele desceu da mesa e tocou o ombro do menino. — É mais fácil mostrar o que quero dizer do que explicar. Por isso, reservei uma mesa para nós quatro nesta sexta-feira, no Chanteclér.
– Chanteclér? — indignou-se Emma. — Não é um dos restaurantes mais caros de Storybrooke?
– E também um dos melhores — respondeu ele sorrindo. — O chef, Damien Virata, é meu amigo. Ninguém pagará nada. É por minha conta.
– Mas…
– Tenho condições de pagar, se é o que a preocupa.
– Não é isso. Apenas…
Ele adorava ver a professora sem palavras.
– Discuti isso com Regina e ela concordou que experimentar uma cozinha inovadora poderia ajudar as crianças a aprender. Ela já obteve permissão dos pais deles, contanto, é claro, que você venha também.
Killian a fitou, atônita.
Finalmente, depois de um mês e alguns dias tentando, ele havia agendado um convite que ela não podia recusar.
– Reservei a mesa para as seis horas. Regina disse que leva vocês. Terminaremos o jantar por volta das oito ou nove, no caso de você ter outros planos para depois — acrescentou ele, olhando-a significativamente.
– Sr. Jones, você é o homem mais teimoso do mundo.
– Obrigado, Srta. Swan.
Um pacote a esperava na soleira da porta de sua casa quando chegou da escola na sexta-feira à tarde. Emma reconheceu a caligrafia da mãe na etiqueta.
Não estava perto de seu aniversário, mas seus pais nunca haviam sido muito organizados acerca de datas. Se vissem um presente para ela, enviariam. Quando era garota, raramente tinha uma festa no dia de seu aniversário. Seus pais davam suas festas em qualquer ocasião, surpreendendo-a, de modo que ela não sentia falta de nada, exceto do prazer da antecipação, e de poder convidar as amigas. De qualquer maneira, nunca tinha muito tempo para fazer amigos antes que sua família se mudasse de cidade novamente.
Ela preparou uma xícara de chá e sentou-se com o pacote e o telefone, discando o número dos pais. Sua mãe atendeu ao primeiro toque.
– Como vai?
– Radiante! Recebeu o presente?
Era evidente que a mãe estava ao lado do telefone, esperando a ligação. Emma sorriu, apreciando o entusiasmo dela. Adorava aquela característica infantil da mãe e sua generosidade. Ela começou a desembrulhar o pacote.
– Aposto que está abrindo com cuidado, sem rasgar o papel, não está? — perguntou a mãe.
– Sim — respondeu ela com um sorriso.
– Rasgue-o. Rápido. Você vai adorar o presente.
Ela continuou desembrulhando o pacote com cuidado, porém mais rápido.
– Estou levantando a tampa agora.
Então encontrou um longo colar de contas de vidro. Cada conta num tom de verde, todas do mesmo tamanho. Brilhavam como luz através das folhas numa floresta.
Era um dos gostos que ela e a mãe compartilhavam… uma peça incomum de joalheria de extrema beleza. Fazia-a lembrar-se de um dos lugares onde haviam morado no Canadá. Resplandecia beleza e paz.
– É maravilhoso.
A mãe suspirou de prazer.
– Você não tem muita selva aí na Inglaterra. Precisa de um pouco de verde a seu redor.
– Realmente lembrou-me as árvores. Adorei o presente, mamãe.
– Eu costumava detestar que você me chamasse assim. Agora gosto. É peculiar.
– Bem, você é minha mãe — disse Emma, experimentando o colar.
– Sim. E me pergunto se no passado agi como mãe. Tratava você mais como amiga. Eu e seu pai estávamos tentando começar um novo mundo, sabe? Sem hierarquias, sem obrigações. Mas você foi embora. Está ajudando pessoas. Estamos orgulhosos disso.
Sim, ser professora era como a busca de seus pais para salvar o mundo, supunha. Não precisava se atirar diante de escavadoras de terraplenagem ou acorrentar-se a caminhões carregando mísseis nucleares, mas, ao ensinar, sentia-se importante. Especialmente nos dias em que trabalhava com Elsa, Henry e Killian. Era mais seguro fisicamente, mas não menos emocionalmente perigoso.
– Herdei isso de vocês — disse ela, e pela primeira vez sabia que era verdade. Sua louca educação dera-lhe algo mais que inseguranças e desejos selvagens. Dera-lhe algo precioso.
– Você está se saindo bem, criança. Será uma boa mãe, quando acontecer novamente. Melhor do que eu.
Ela brincou com as contas do colar para se distrair do que a mãe estava dizendo, e pensou na alegria simples de Snow em lhe dar o presente. Muitas alegrias de sua mãe eram simples. Seria tão tentador viver daquela maneira por uma vez, desistir de ver as implicações de tudo e apenas ser. Tentara fazer isso com August. No fundo, era muito parecida com os pais.
– Vocês dois me amaram, mamãe. Isso é o que conta.
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