Unexpectedly Love
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Killian estava sentado à mesa da cafeteria, preparando-se para saborear um delicioso café expresso. Tomou um gole. Aquilo era perfeito para relaxar os nervos. Fazia dez longas horas que tomara um café da brilhante máquina italiana de seu restaurante Jolly Roger, às seis horas da manhã. Havia tomado o café-da-manhã sozinho, examinando suas anotações sobre mudanças sazonais no cardápio, que queria discutir com seu subchef Daniel, antes dos preparativos para o almoço.
Mas então um acidente na estrada que levava a Dover havia bloqueado o trânsito, e a entrega das lagostas que Daniel programara para o almoço daquele dia atrasara completamente. Para piorar a situação, dois dos cozinheiros haviam faltado por causa de uma gripe. Como resultado, Daniel assumiu a cozinha, enquanto Killian pegava seu Jaguar e corria até Londres a fim de buscar as lagostas.
Quando tudo, finalmente, voltou ao ritmo normal, ele foi para o escritório do Jolly Roger e se sentou diante de um prato de sopa para almoçar. Com a colher a caminho da boca, ouviu o telefone.
Era Aurora, sua assessora de imprensa.
– Preciso falar com você sobre a Escola de Culinária para Crianças — disse ela.
Ele olhou para a sopa no prato. Gostaria de tomá-la ainda quente, mas o tom de voz de Aurora era muito urgente. Ele baixou a colher.
–Sim?
– Negociei com as três escolas que visitei. A Escola Santa Teresa está ansiosa para trabalhar conosco, mas fica do outro lado de StoryBrook. A Escola Gladstone é boa para tomadas das câmeras de TV, mas os alunos já tiveram aulas de culinária. A Escola Primária tem a espécie de garotos que estamos procurando, mas a diretoria está cautelosa. Dizem que é ótimo usar o nome da escola e filmar o concurso, mas não querem que os nomes dos alunos sejam divulgados. E outra condição é que você trabalhe com uma professora o tempo todo, que vai supervisioná-lo com as crianças.
– Eles acham que serei uma má influência para a juventude da nação? Talvez você seja responsável por isso, Aurora, com as histórias que conta à imprensa sobre mim e todas essas mulheres.
Aurora o ignorou.
– Então, a Escola Primária é a melhor opção e se situa perto do seu restaurante, mas não é a melhor escolha no que diz respeito à publicidade.
Jones suspirou.
– Vamos cancelar a coisa toda. Nunca quis ir a uma escola, de qualquer maneira. Meus anos de escola foram os piores da minha vida. Por que desejaria gastar mais tempo numa? – argumentou Killian.
– Para melhorar sua imagem. As pessoas adoram celebridades compassivas.
– Sou um chef — replicou ele. — Preparo coisas maravilhosas. Sou um sujeito bom, mas não tenho tempo para compaixão. Mal tenho tempo para me alimentar.
Ele mexeu a colher dentro do prato de sopa fria.
– Você quer ser famoso, não quer?
– Hum. — Como explicar isso? Queria ser bom no que fazia. Queria que as pessoas o conhecessem. Que seus rostos se iluminassem porque ele estava lá e era importante para elas. Nada disso estava acontecendo ainda. Mas a fama era o mais perto do que procurava. Fama e trabalho seriam excelentes para preencher o vazio que sentia há tanto tempo.
– Você realmente acha que é uma boa ideia? — perguntou.
– Sim. O mercado está inundado de chefs. Você é o melhor entre vários, mas precisa de algo mais para crescer. Ajudar crianças e trabalhar para caridade está no auge. E habilidade gastronômica não é tudo. Você não seria o melhor se eu não usasse sua aparência para fins promocionais. Mais publicidade seria um avanço importante na carreira — Ele suspirou.
– Tudo bem. Mas acho que poderemos descartar a Escola Primária, se eles são tão arredios acerca de publicidade e estão impondo regras. Quem é a professora com a qual querem que eu trabalhe?
– Emma Swan. Ela nem sequer ensina gastronomia. Ensina inglês.
Killian deixou cair a colher de sopa no colo.
Emma Swan. A professora de inglês com sotaque norte-americano. A pessoa que havia feito MacNugget entrar em pânico no dia anterior e o enfrentara na sala de aula. A bela e autoritária Srta Swan… com aquela postura correta e belos seios. A mulher que jogara os brilhantes cabelos loiros para trás, revelando um pescoço elegante. E melhor de tudo: a Srta. Swan de lábios sensuais que pareciam pedir para ser beijados.
– Trabalharei com a Escola Primária — disse, decidido.
– Mas as oportunidades publicitárias são…
– São boas o suficiente — interrompeu ele. — Marque um encontro com a Srta. Swan para esta tarde no Café Luciano.
Três horas depois, lá estava Killian, na cafeteria italiana, esperando por Emma. Tomou outro gole do café expresso e evocou o perfume dela. Laranja e canela, exótico e ardente. Os cabelos tinham aroma de caramelo. Se pudesse transformar o cheiro em sabores, jamais pararia de comer.
Ela tinha outra coisa que ele gostava numa mulher. Competência e autocontrole. Respondera à sua provocação com dignidade, embora tivesse corado quando ele lhe segurara a mão, revelando que sentia a mesma atração que o dominara.
Killian acenou para o garçom e pediu mais um café, enquanto pensava por que concordara com sua assessora de imprensa, se não tinha nem tempo nem interesse naquilo tudo.
Não era professor. Dera alguns treinamentos para aspirantes a chef em seu restaurante. Seus programas culinários na TV exibiam receitas e mostravam como preparar, o que era equivalente a ensinar, supunha, mas telespectadores não criavam confusão nem falavam todos ao mesmo tempo.
E, pela sua experiência na escola no dia anterior, sabia que, se desse às costas para os garotos por um segundo, poderia ser atacado. Não muito diferente de seus próprios dias escolares, pensou. Recordava-se de como se sentia encurralado. Sozinho, apavorado, vulnerável, sem sequer uma jaula para voltar. Meneou a cabeça. Onde estava se metendo? Cinco segundos naquele projeto e estava lembrando-se de coisas que pensava ter deixado para trás há muito tempo. Tudo porque sentira desejo por uma mulher. Mas também não tinha tempo para mulheres. Claro, conhecia muitas.
Bonitas, inteligentes e espirituosas, e as levava a restaurantes, exposições e festas. Os tablóides insinuavam que ele dormia com todas, e isso geralmente o fazia rir. Se pudessem ver sua agenda diária! As dezoito horas por dia no Jolly Roger e no estúdio, as horas que passava em casa escrevendo e planejando, as noites que virava trabalhando para então banhar-se, barbear-se e voltar ao restaurante.
Quando é que sobrava tempo para sexo? Tinha, talvez, tempo para uma prevaricação de cinco minutos num gabinete particular.
Para Killian, sexo era algo mais do que cinco minutos de apalpações. Sexo era como comida, como vinho bom. Algo para saborear vagarosamente, com todos os sentidos. Para sexo, você precisava dos ingredientes certos. O lugar certo e a mulher certa.
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