Unexpectedly Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
E ela não teve apenas vontade de tocá-lo. Queria que ele a tocasse. Queria que uma daquelas mãos a agarrasse pelo quadril. Que a outra deslizasse pela cintura, sob a blusa… Que suas mãos lhe tocassem os seios. Tudo bem. Ou os genes caprichosos de seus pais tinham, de repente, feito efeito nos seus 28 anos de idade, ou perdera o juízo. Não conhecia aquele homem. Tampouco já experimentara uma de suas receitas. E estava numa sala de aula cheia de crianças. Precisava se controlar.
– Foi Belle quem lhe arranjou para falar com a classe dela? — perguntou Emma, mantendo o tom profissional. — É uma ótima oportunidade para esses estudantes conhecerem alguém que obteve tanto sucesso nesta profissão — então ela sorriu friamente. — Onde está Belle, a propósito?
– Eu mesmo arranjei esta visita. E Belle saiu por um momento. Assegurei-lhe que poderia manter o controle da classe até que ela voltasse. — Os olhos faiscaram. — É claro, não previ sua aparição, que transformou tudo num caos.
– Não transformei… — Ela parou quando percebeu que a frase dele fora pura provocação. — Bem, vou procurar Belle e deixar que continuem com isso. Prazer em conhecê-lo, Sr. Jones.
– Igualmente, Srta. Swan
Vou procurá-la se precisar de algumas aulas de inglês. — Ele estendeu-lhe a mão.
Aquele meio sorriso e os olhos azuis fixos nos seus fizeram com que Emma soubesse que ele zombava dela. Provavelmente porque estava agindo como uma professorinha interiorana. Ou talvez porque tivesse detectado seu sotaque canadense. Talvez porque estivesse flertando. Oh, e ela queria tocar aquela mão máscula. É apenas um aperto de mãos, Emma. Não é sexo. Engolindo em seco, estendeu a mão e apertou as mãos de Killian. A mão era quente e grande, e, embora ela mantivesse uma expressão fria, sentia-se confortável. Queria ser maleável sob aquelas mãos fortes. Então, quando notou que Killian a olhou dos pés à cabeça, soube que ele estava flertando.
Oh, o homem era muito seguro de si. Estavam numa sala repleta de crianças e, mesmo assim, ele pensava que podia ter o que quisesse. Emma puxou a mão de volta, assentiu um leve cumprimento para Killian Jones e deixou a sala, antes que se esquecesse onde estava e quem era, e fizesse uma bobagem.
Um conversível prateado parou diante de Emma assim que ela ultrapassou os portões da escola.
– Vou levá-la para um passeio — disse Regina através da janela aberta do carro. — Precisamos conversar. — Ela pegou alguns livros do assento a seu lado e atirou-os no banco traseiro.
Emma entrou no carro, apertou o cinto de segurança e enfrentou o pânico que sentia toda vez que se sentava ao lado de Regina no carro. Quando se mudara para Storybrook, havia descoberto que a maioria das pessoas não se importava em dirigir. Além de caro, era perigoso. Mas a cansativa amiga de Emma, Regina Mills, que desde a recente promoção era responsável pelo curso superior da Escola Primária de Storybrook, parecia considerar dirigir um carro seu um esporte favorito
– Sobre o que precisamos conversar?
– Sobre isso. — Regina jogou um panfleto no colo da amiga. Depois ligou o motor, afastou-se da calçada sem checar os espelhos retrovisores. Emma olhou para o panfleto e leu em voz alta.
– Encontro virtual. Problemas para conhecer pessoas compatíveis do sexo oposto? Deixe nosso computador de alta tecnologia encontrar seu parceiro perfeito! Sucesso garantido. Uma cliente satisfeita escreveu: "Encontrei o homem dos meus sonhos. Vou me casar dentro de duas semanas!"
– Isso não parece genial? Alta tecnologia e tudo o mais. — Regina tirou os olhos da estrada e sorriu para a amiga. — Você pode estar casada em duas semanas!
– Eles escreveram a palavra compatível errado — observou Emma.
– E daí? Você os contrata para serviços de encontro amoroso, não para corrigir palavras. Quem se preocupa com ortografia quando pode encontrar sua alma gêmea?
– Se meus alunos cometerem este erro faria com que escrevessem a palavra certa cinquenta vezes no quadro-negro.
– Não, não faria. Você riria e então mostraria a eles uma maneira de se lembrar como soletrar a palavra certa. Esta é a razão pela qual é uma boa professora e confio em você para ensinar a todos os meus alunos difíceis. — Regina tirou as mãos da direção para desembrulhar uma barra de chocolate.
– Você está apenas tentando me bajular para que eu faça o que quer. De onde tirou essa ideia, afinal?
Regina ofereceu o chocolate a Emma, que recusou.
– O panfleto veio com os jornais ontem. Dei uma olhada e pensei em você.
Emma não acreditava em serviços de encontros por computador. Nem em almas gêmeas. O que dizia aos alunos era exatamente aquilo em que acreditava: sua vida é controlada por você, pelas escolhas e erros que faz. Não era baseada em computadores, sorte ou carma. Seus pais acreditavam em carma e viviam de modo estranho. Morando no meio dos bosques canadenses, dançando nus ao luar, sem nenhum conceito de segurança ou de futuro.
– Isso não é para mim — disse ela. Regina colocou a mão sobre a sua e a fitou seriamente, para variar.
– Emma, você é uma amiga querida, uma grande profissional e uma excelente companhia. Está me matando vê-la levar essa vida de freira. Você precisa conhecer pessoas novas. Divertir-se.
– Divirto-me o tempo inteiro. Você devia ter visto minhas alunas do ensino fundamental representando "A Carga da Brigada Ligeira" hoje. Quase morri de rir.
– Estou me referindo à sua vida fora da escola — Ela pensou.
– Bem, você e eu bebemos todas aquelas margaritas na semana passada e assistimos a Moulin Rouge. Foi divertido.
– Quero dizer divertimento com um homem. Diversão com um homem. — disse Regina.
Certo. August oferecera-lhe diversão, e ela enganara-se redondamente. Garota tola.
– Há mais do que diversão num relacionamento, Emma. Como compromisso. Como compartilhar metas e valores. Sei que August foi um tolo. Mas há outros homens no mundo. Com quantos saiu no ano passado?
– Quatro.
– Quatro — repetiu a amiga — E foram estes quatro homens ardentes que a levaram para cama e realizaram as suas fantasias mais selvagens?
– Saí para jantar com Eric, o analista de sistemas, saí para um café com Graham, o advogado da corporação, assisti a uma ópera com Phillip, o curador do museu e, dois meses atrás, fui ao teatro com… — Ela franziu o cenho. — Nem me lembro o nome dele, acredita?
– Aposto que se lembra da peça.
– Romeu e Julieta. Foi maravilhosa.
Regina se irritou.
– Você assistiu à mais romântica peça do mundo com um homem e não consegue lembrar-se do nome dele. Acho que suas escolhas para encontros deixam muito a desejar.
Emma olhava, distraída, as vitrines das lojas que passavam.
– Eles eram todos inteligentes e responsáveis.
– E você não voltou a vê-los. Detesto contradizê-la, amiga, mas não está procurando por alguém decente e responsável. Se estivesse, teria visto um desses quatro homens outra vez. — Regina engoliu o resto da barra de chocolate e passou com o semáforo vermelho. — Você precisa conhecer alguém. Alguém que faça seus ouvidos zunirem, que mexa com seu ponto G.
– Não sei o que vem a ser ponto G — mentiu Emma. Sabia muito bem o que era o ponto G de uma mulher. Até agora estava sentindo os efeitos que o Sr. Jones lhe causara. Conhecia o zunido que a amiga mencionara.
E isso era o que amedrontava. Porque, mesmo com August…. o homem para o qual perdera o coração e o corpo, o homem que a fizera esquecer seus princípios morais e todas as coisas que valorizava… não se sentira tão atordoada quanto há poucos minutos com Killian Jones.
– Não vou ter nenhum encontro computadorizado — disse firmemente.
– Tudo bem, a perda é sua. — Regina deu de ombros — Que tal um anúncio pessoal?
– Não. Decididamente não, amiga.
–Que tal se eu arrumasse um encontro seu com meu primo? Ele é fogoso. Emma suspirou.
– Amiga, será possível que o exagero de açúcar que você vem consumindo a tenha enlouquecido?
Regina aproximou-se de uma rotatória e, como de costume, brecou no último momento, deixando Emma apreensiva.
– Não sou louca. Estou apenas preocupada com o seu futuro. Ouça, se não gostar do meu primo, conheço outro sujeito que trabalhava comigo…
– Pare com isso – interrompeu-a, mas agora rindo. Regina vivia um estilo de vida livre e prazeroso, apesar de solteira: carro esporte, roupas bonitas, um novo homem a cada semana. Emma a admirava pela determinação, pois aquilo a fazia feliz. Sabia, contudo, que não era seu estilo de vida. Então deixou de pensar naquilo tudo quando a amiga virou uma esquina com tanta afobação que a atirou contra a porta do passageiro.
– Está querendo me matar?
– Não tenho culpa se este carro escorrega como se estivesse sobre trilhos. Mas gosto que ele seja tão veloz. Ouça-me, Emma, tenho um favor a lhe pedir.
– O que é?
– É sobre a escola.
Na escola, Regina era a diretora do curso superior, com alunos de quatorze a dezesseis anos e, apesar de ser mais baixa do que quase todas as garotas e até mesmo que os garotos, os trezentos alunos pelos quais era responsável respeitavam-na. Apesar de rígida na escola, era uma pessoa amistosa. Emma se perguntava o que os alunos diriam se soubessem que a terrível diretora era uma garota tresloucada em seu tempo livre. Mas Regina era escrupulosa ao manter sua vida pessoal separada da profissional.
– É algo que acho que realmente valerá a pena — disse ela.
– Fale logo — murmurou Emma, mais interessada agora.
– Preciso que você trabalhe com Killian Jones. Você o conhece, não? O chef de cozinha da TV.
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