Unexpectedly Love
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Emma bateu na porta duas vezes, tomo fôlego e entrou.
– Emma — disse ele e ela sentiu uma ponta de apreensão. Ele era um homem afável e brincalhão nos assuntos do dia-a-dia, mas tinha pontos de vista definitivos em relação à sua escola. — Obrigado por ter vindo. Por favor, entre e sente-se.
Regina deixou-os à vontade e saiu, fechando a porta. Ela sentou-se à frente de Whale e logo viu o jornal com a matéria da escola, aberto sobre a mesa.
– Desculpe-me por não ter ligado mais cedo — murmurou. — Desliguei meu telefone.
– Realmente tentei ligar para você, mas precisamos conversar pessoalmente, de qualquer modo — disse ele, brincando com a ponta do jornal. — Fiquei muito surpreso ao ler essa história. Pensei que tivéssemos concordado sobre o nível de exposição na mídia.
– Sei disso e acredite-me: estou tão preocupada em ver Elsa e Henry no jornal quanto você.
– Não tenho nada a ver com sua vida pessoal, é claro. E sabe que é uma professora valiosa para esta escola. Mas já recebi diversos telefonemas de pais, sem mencionar os de jornalistas. O pai de Elsa está infeliz com esta história, e os pais de Henry estão preocupadíssimos com o quanto isso poderá afetar o filho. Especialmente quando os nomes das crianças estão ligados a uma história sobre a vida amorosa da professora deles.
– Sinto-me horrível sobre isso, Whale. Se ajudar, posso lhe garantir que não verei mais o Sr. Jones em situações privadas.
– Como falei, Emma, não tenho nada a ver com sua vida particular, contanto que não envolva a escola.
– Obrigada, Whale.
– Contudo, não posso deixar isso ir mais longe. O envolvimento de Killian Jones com a escola tinha a condição de que as crianças não fossem identificadas. Devido ao que aconteceu, prefiro que ele interrompa suas atividades aqui.
– Mas… e quanto a Elsa e Henry?
– Ainda poderão competir. Ouvi dizer que fizeram um grande progresso. As crianças representam um crédito para a escola. Raquel Baron pode assumir o cargo e ajudá-los.
Emma revoltou-se. Whale não poderia impedir as chances de Elsa e Henry daquela forma.
– Eles fizeram um grande progresso, mas apenas por causa de Killian. Sabe como estes dois alunos eram antes. E o último ensaio deles foi um desastre. Sem ele, podem perder a confiança. E a competição é no sábado.
– Sinto muito, Emma. Não podemos correr o risco de manchar a reputação da escola. E, de qualquer forma, nosso acordo com o Sr. Jones foi violado.
Pálida de raiva, ela se levantou.
– Se esta é sua decisão final, terei de aceitar. Mas espero que você reconsidere.
– É minha decisão final. E, por favor, sente-se. Ainda temos outro assunto a discutir.
Ela franziu o cenho e sentou-se.
– Sim, Whale?
– Por que você deu uma entrevista ao jornal?
– O quê?
– Devo dizer que fiquei surpreso. Você sempre teve um comportamento profissional excelente. Por que concordou em falar com um jornalista?
Ela olhou para Whale, que parecia estar falando sério.
– Não falei com nenhum jornalista. Estive, sim, evitando-os.
– Então, de onde eles tiraram estas citações? — disse ele, entregando-lhe o jornal.
A mesma manchete. As mesmas fotos. Ela não tinha lido além do primeiro parágrafo. Acabou de ler o artigo e ficou boquiaberta.
"Numa entrevista exclusiva, Emma Swan contou ao jornal que Killian, considerado o quinto homem mais sexy do Reino Unido, conquistou seu coração. Apesar de Jones ter tido muitas mulheres no passado, Emma parece estar mantendo-o compromissado. É cedo para pensar em casamento, disse ela, mas quero ter filhos um dia. E o célebre chef parece estar apaixonado pela atraente professora, que obteve grau máximo em Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge. Ele é muito talentoso, a bela loira nos contou com um sorriso."
– Oh! — exclamou ela, chocada.
Whale estava claramente esperando que ela dissesse alguma coisa.
Ela perguntou-se como o jornal conseguira aquelas citações, as quais pareciam um pouco familiares. Então olhou no final do artigo e viu: Clive Jones.
O dançarino de tango galês. Ele não aparecera depois do encontro. Ela dobrou o jornal e suspirou.
– Acho que cometi um grande erro.
– Está dizendo que não tinha intenção de dar essa entrevista?
– Pensei que estivesse tendo uma conversa em particular.
Whale assentiu.
– Entendo. Bem, isso torna tudo mais fácil. Deixe-me dizer, Emma, você é uma excelente professora…
Ele fez uma pausa e o estômago dela revolveu-se.
– Mas?
– Mas você é o foco da atenção da mídia, mesmo que não tenha tido a intenção de dar esta entrevista. Não sei até onde esta história irá, mas neste momento há repórteres do lado de fora da escola. Elsa e Henry são menores e podemos tomar providências para protegê-los de exposição pública. Você não é. Estamos em junho, Emma. Nada poderá desviar a atenção dos alunos que vão prestar exames públicos.
Ela viu o que estava por vir.
– Oh, Whale, não, por favor.
– Falei com o governador e decidimos que é melhor afastá-la da escola por algum tempo. Até que a poeira assente.
– Entendo — murmurou ela. — Isso é tudo?
– Sim — respondeu ele de forma empática. — Arranjei alguém para cobrir suas aulas por esta semana, e então reveremos a situação na sexta. Regina Mills tomará conta do grupo sob a sua tutela.
Então Regina sabia. Não era de admirar que estivesse tão preocupada.
– Peço licença para sair agora. — ela se levantou.
Whale fez o mesmo.
– Espero que tudo volte ao normal muito em breve. E é claro, mesmo que não esteja aqui, você deveria ir à Competição Culinária de Garotos no próximo sábado. Afinal, acompanhou todo o processo.
Quando ela saiu, a amiga a esperava no corredor.
– Emma, sinto muito. Tentei convencê-lo a desistir dessa postura.
– Fui tão tola — disse ela, meneando a cabeça.
– Eu disse a Whale que você não deu essa entrevista intencionalmente. Como eles conseguiram trapaceá-la? Ligaram para você ou coisa assim?
– Foi Clive. Sabia que ele era repórter?
– Quem é Clive?
– O dançarino de tango galés que você quis que eu conhecesse.
Regina arregalou os olhos.
– O dançarino de tango chama-se Dewi Thomas — declarou Regina — Pensei que, uma vez que você parecia gostar de Killian, não estaria mais interessada nele. Então tivemos uma gostosa brincadeira informal este fim de semana.
– Dewi? Ele não se chama Clive?
Emma encostou-se na parede do corredor, sentindo-se a maior tola do universo.
– O repórter era galês – disse ela. — Somente falei com ele porque havia prometido a você.
Regina parecia chocada.
– Oh, meu Deus, Emma. Sinto muito.
– A culpa não é sua. É minha. Sou muito burra.
– Você não é burra. Está apaixonada. Nada mais. — ela passou a mão no rosto.
– Acusei Killian de vazar a história para a imprensa. E fui eu quem deu a entrevista. Oh, como fui tola!
A sirene tocou e o corredor encheu-se de alunos em seus uniformes cor de cáqui. Todos olhavam para Emma quando passavam.
– Olá, professora, eu a vi no jornal! — gritou um deles.
– Recolha-se na sala dos professores — recomendou Regina. — Tenho de ir. Ligo para você mais tarde. — Deu um rápido abraço na amiga e desapareceu no meio da multidão.
Emma sabia como disfarçar uma dignidade que não possuía. Ergueu o queixo enquanto caminhava para a sala dos professores e cumprimentou cada aluno pelo nome, evitando, disfarçadamente, as perguntas sobre o artigo no jornal.
Logo, parou de ouvir comentários. É claro que aquilo significava que estavam falando do assunto nas suas costas. Sabia que as notícias haviam se espalhado.
O único consolo era que sabia que Whale era um profissional competente e discreto o bastante para não mencionar sua suspensão para os estudantes.
Portanto, possuía tempo suficiente para sair da escola antes que os rumores começassem a espalhar-se. Mas, antes disso, precisava dar um telefonema. Esperou até que o último professor deixasse a sala, antes de ligar para Killian.
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