Unexpectedly Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Faltava pouco para o almoço e ela chegara lá. O interior do Jolly Roger tinha todas as mesas cobertas com toalhas brancas e vasos de flores no centro, e arte abstrata cobria as paredes. O centro da sala era tomado por um imenso aquário iluminado.
Emma mentalizava o que havia planejado dizer enquanto esperava por ele.
A porta da cozinha abriu-se e ele surgiu vestido em jaleco branco de chef, que lhe enfatizava os cabelos escuros e os ombros largos.
Ela suspirou. A única coisa que não pudera planejar era como ele reagiria ao vê-la. Com raiva, amargura, decepção ou indiferença?
Em vez disso tudo, ele estava sorrindo.
– Swan — murmurou, o tom mais caloroso do que ela esperava.
– Sinto muito, Killian — começou diretamente. — Tirei conclusões precipitadas e o acusei sem ouvir sua versão da história. Você é inocente. A culpa foi toda minha.
Encostado no aquário com o sorriso amplo, ele disse:
– Quantas vezes você ensaiou isso? Parece um texto de livro.
– Algumas vezes. Mas, ainda assim, é sincero.
– Tenho certeza. — ele se aproximou. — Você não sabia que ele era repórter, sabia?
– Não.
– É preciso tomar cuidado. Uma vez joguei dardos com um sujeito num pub e li minha conversa, palavra por palavra, no jornal, no dia seguinte.
– Bem, não estou no seu ramo de negócios e nunca pretendo estar, mas isso foi uma coisa tola a fazer. E eu não devia ter dito tudo aquilo para você.
Ele deu de ombros.
– Talvez não, mas não dou um passo atrás com publicidade há alguns anos.
– Você está agindo como se não se importasse, mas deve estar zangado.
– Estive. Porém, não mais. — Ele encurtou a distância entre ambos, e tocou-lhe o queixo de leve. Estou muito feliz em vê-la. Passei um bom tempo ontem tocando a campainha de seu apartamento.
Ela deu um passo atrás.
– Preciso de sua ajuda, Hook.
– Qual é o problema?
– A escola já ligou para você?
– Não. — Ele puxou uma cadeira para ela e se sentou também.
– Eles querem que você pare de trabalhar com Elsa e Henry.
Ele soltou um suspiro profundo.
– Bem, suponho que os dois alunos estejam quase prontos. Se quiserem praticar mais…
– Não é somente de prática que precisam. Precisam de estabilidade e de uma rotina. Se mudarmos tudo agora, Elsa perderá a confiança, e quem sabe o que Henry decidirá fazer? Eles precisam de você.
Killian ficou pensativo por um momento.
– Eles podem vir aqui. Cancelarei as reservas para as poucas noites que faltam. As crianças estarão numa cozinha profissional. Quando se acostumarem com ela, isso ajudará.
– Obrigada. Ligarei para os pais deles a fim de pedir permissão.
– Contanto que você esteja aqui com eles, não vejo problemas.
– Eu gostaria de estar tão segura quanto você. Os pais das crianças podem não concordar quando descobrirem que fui suspensa da escola.
Killiam a fitou, perplexo.
– Você foi suspensa da escola?
– Apenas por uma semana. Até a poeira assentar. Isso me dá tempo de pôr minhas leituras em dia.
– Que coisa, Emma. Isto não está certo.
– Entendo as razões do diretor. Ele está colocando os alunos acima de tudo, e isso é correto.
– Você os está colocando acima de tudo também? Como se sente em relação a isso?
Ela viu o aquário escurecer diante dos olhos.
– Sinto-me péssima. A escola inteira está falando de mim às minhas costas. Minhas aulas terão uma substituta. Sou uma história, e não uma pessoa.
Killian levantou-se, pegou-lhe a mão e ajudou-a a fazer o mesmo. Então passou os braços em torno dela.
– O que importa — sussurrou, beijando-lhe a testa — é que estamos juntos outra vez. Tenho de lhe contar uma coisa.
– Não podemos ficar juntos novamente, Hook. — disse ela. — Não é culpa sua, mas meus sentimentos me levam a fazer tolices quando estou a seu lado. Arrisquei as chances de Elsa e Henry. Meu emprego corre risco. E você — ela teve de desviar os olhos antes de prosseguir: — Feri você também. Isso tem de parar.
– Tudo isso vai se resolver. As crianças se sairão bem. Você voltará para a escola logo. — Ela sentiu as mãos fortes em seus ombros, puxando-a mais para si.
–Não. — Ela o empurrou. — Não é somente isso. Desde o momento em que conheci você, perdi o controle.
– Mas não se preocupe com mais nada. Relaxe. Seja minha. Confie em mim.
Emma fez não com a cabeça.
– Não posso — murmurou. — Preciso entender o que está acontecendo dentro de mim. Tudo isso — ela fez um gesto com a mão — é demais. Você é tão intenso, Killian, seu mundo é tão aberto para todos e todas as coisas. Não posso mais competir com isso.
Ele não disse nada. O semblante era sério e os olhos pareciam sombrios.
Meu Deus, como ela queria abraçá-lo.
– Acho que você é uma pessoa incrível. E é um homem muito bom. Adorei estar com você, e também o respeito demais. — ele recuou levemente diante daquelas palavras.
Ela sabia que estava dizendo palavras inadequadas, as quais não diziam a verdade inteira. Mas, se dissesse a verdade, jogaria tudo para o alto e voltaria a ficar com ele. E não deveria.
– Foi divertido — disse ela. — Mas agora terminou.
– Divertido? — ecoou ele, sentando-se na cadeira com ombros caídos. — Vou precisar comprar mais sorvete.
Ela pensou em perguntar o que ele quisera dizer, mas isso a levaria a mais conversa e, quanto mais tempo passasse a seu lado, mais difícil seria deixá-lo.
– Vou embora e entrarei em contato com os pais dos garotos, então — concluiu Emma. — Quando deverei dizer que você os receberá?
– Amanhã, às cinco. — Ele olhava para o tampo da mesa e parecia nem ouvir o que ela dizia. — Faremos isso na terça e na sexta, também.
Três noites de serviços do restaurante cancelados para ajudar dois alunos.
– Obrigada. Você é realmente extraordinário.
Ele assentiu e de repente a olhou.
– Você estará aqui também, é claro.
– Eu…
– Alegou que eles precisam de estabilidade e de rotina.
– Sim. — Aquilo significava mais três ensaios com Killian, e depois a competição no sábado. — Está bem — concordou ela. Então se inclinou e deu-lhe um rápido beijo no rosto. — Vejo você amanhã — acrescentou e deixou o restaurante antes que o beijasse mais, antes que perdesse o controle outra vez. Porque, se perdesse, estava certa de que jamais o recuperaria.
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