Unexpectedly Love
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Emma se sentia deitada na grama perfumada sob as árvores de uma floresta. As folhas acima se moviam, dando-lhe vislumbres de estrelas escondidas. Tudo a seu redor — a vida tranquila, a seiva dos troncos, o orvalho na relva, vaga-lumes cintilando — representava a luta de seus pais, unidos no amor. Algo como uma brisa cobriu-lhe o corpo. Ela abriu os olhos à luz do dia e acordou. Killian estava na cama, encaixado contra o seu corpo.
Podia sentir a respiração dele atrás de sua orelha e a mão tocando-lhe a pele. De modo prazeroso e leve como a brisa com a qual sonhara, a mão grande e quente percorria-lhe a barriga, depois subia para segurar-lhe o seio e provocar seu mamilo. Depois para o outro, e finalmente descendo para a linha da cintura e quadril, entre as suas pernas.
Uma manhã de domingo preguiçosa, fazendo amor. Emma emitiu um pequeno som para informá-lo de que já estava acordada. Killian afastou-lhe os cabelos e beijou-lhe a nuca, enquanto se aconchegava mais a seu corpo.
– Bom dia, meu amor — sussurrou ele. Excitada e deliciada de prazer, ela pressionou-se contra o corpo másculo que tanto adorava. Eles começaram a trocar carícias deliciosas e a fazer amor.
– Você desperta em mim o sentimento mais maravilhoso que já tive — murmurou ele.
Enquanto Killian a penetrava com lentidão e sensualidade, Emma fechou os olhos e imaginou-o na floresta de seu sonho.
Atrás de seus olhos fechados, tudo era verde, vibrante e vivo. Sentiu a respiração dele debaixo de sua orelha, seus mamilos intumescidos e sua pele tinindo. Seu corpo alcançando o orgasmo em ondas loucas e vagarosas.
Em poucos segundos, os dois alcançaram o mais pleno dos paraísos. Então, Killian a abraçou quase com desespero. Emma virou-se para beijá-lo e, quando abriu os olhos, notou os olhos azulados estudando-a misteriosamente. Ele a olhara daquela maneira diversas vezes. Como se estivesse avaliando-a. Ela virou a cabeça para o outro lado. Aninhada no abraço dele, deveria sentir-se segura, como se sentira um momento antes. Mas não se sentia.
– Que horas são? — perguntou.
– Quase oito.
– Você tem de trabalhar hoje?
– Humm. Acho que não. — A voz dele soava sonolenta.
– É minha vez de trazer o café-da-manhã de domingo na cama.
– Não o queime.
Ela sentou-se na cama e golpeou-lhe o ombro nu.
– Não é minha culpa se sou um horror na cozinha. Culpe meu professor.
– Eu me vingarei dele assim que encontrá-lo. — Killian segurou-lhe o pulso e puxou-a para mais um beijo.
Emma desvencilhou e vestiu o jeans e a camisa que Killian havia tirado na noite anterior, abotoando até um pouco abaixo dos seios. Com um sorriso doce, virou-se e desceu as escadas. A cozinha dele era tão ampla que ela duvidava de sua habilidade em preparar o café-da-manhã. Tudo era imaculado e impecável. Os utensílios estavam pendurados na parede, parecendo instrumentos de tortura. Havia tantos gabinetes, gavetas e armários que ela provavelmente levaria horas para encontrar o que queria.
Como havia assistido a um de seus programas culinários na televisão algumas noites atrás, acabara de reconhecer que o programa fora filmado naquela cozinha. Precisava conseguir ferver água sem quebrar nada. Com isso em mente, sorriu. A comida favorita dele: ovos quentes e torradas. Com isso, ela podia lidar. Abriu a porta da cozinha e dirigiu-se ao galinheiro. Ele lhe dissera que subornava os vizinhos com ovos frescos a fim de que eles não reclamassem do cacarejar das duas galinhas. Manter galinhas em plena Storybrooke era algo impraticável, especialmente para um homem que trabalhava todas as horas do dia.
Ela cumprimentou MacNugget e Kiev e colheu os ovos ainda quentes nos ninhos. E, de repente, entendeu por que ele tinha tanto trabalho em conservar as galinhas.
Alimento é emoção, Killian lhe dissera. Henry e Elsa adoravam comidas que os faziam se lembrar de momentos antes de seus problemas começarem.
Mas, se alimento era emoção, ovos quentes e torradas mostrariam como ela se sentia em relação a ele. Procurou uma torradeira e não conseguiu achar. Resolveu torrar fatias de pão com manteiga na frigideira. Vasculhou o freezer e encontrou apenas gelos e três caixas de sorvete de chocolate. Nem sombra de pão de forma e manteiga.
– O jeito é comprar — murmurou para si mesma. Felizmente, seus sapatos e bolsa estavam junto à porta de entrada, abandonados ali na noite anterior, e as chaves de Killian , no, aparador do hall.
Ela saiu para a rua sem estar certa de qual direção tomar, atrás de uma padaria ou coisa parecida. Decidiu virar à esquerda e dar uma volta.
O dia estava ensolarado. Havia uma brisa suave que desmanchava seus cabelos enquanto caminhava. A fileira de árvores da rua farfalhava suas folhas, como as árvores de seu sonho.
Sonhos, poesia, romances, todos tinham significados ocultos. Emma pensou no sonho daquela manhã, passado numa floresta fechada, e em como ele havia se transformado em Killian tocando-a, fazendo amor matinal.
Por que uma floresta?, perguntou-se, balançando chaveiro dele, e apreciando o tilintar das chave;
Não era uma memória. Havia passado muito tempo nas florestas canadenses, mas a floresta do sonho não era como aquelas. Era quieta, de um verde sobrenatural, mais amigável do que as do Canadá. Um lugar encantado. Como na peça que estava ensinando na escola.
Ela parou de balançar as chaves. A floresta de seu sonho era a floresta mágica de Shakespeare em Sonhos de uma Noite de Verão, na qual os mortais se apaixonavam.
Emma entendeu que aquele sonho decorria dos últimos acontecimentos. Apesar de todas as promessas de se manter segura, estava apaixonada por Killian.
O modo como se sentia deliciada com seus toques e sua presença, como queria passar todos os momentos com ele. Até mesmo esse simbólico café da manhã que queria preparar-lhe. E só reconhecera isso quando um sonho lhe revelou.
Vendo uma padaria na esquina, entrou, quase colidindo com uma mulher que estava saindo, com uma criança de aproximadamente três anos no colo. Emma imediatamente pensou: O meu filho teria esta idade agora.
Ele lhe assegurara que não faria o que August havia feito. Mas perder August não fora nada comparado à perda de seu bebê. Uma parte de si mesma que jamais veria novamente.
E ali estava ela, apaixonada mais uma vez.
Encontrou pão de fôrma nas prateleiras e a manteiga no refrigerador. Enquanto aguardava sua vez no caixa, notou uma pilha de jornais e, automaticamente, pegou um que costumava ler aos domingos. Então leu a manchete na primeira página: CHEF VOLTA PARA A ESCOLA!, e derrubou o pão. Embaixo da manchete, havia uma foto sua com Killian. E outra foto dele com Elsa e Henry, do lado de fora do Restaurante Chanteclér.
Emma era muito boa em lidar com crises. Afinal, era professora há muitos anos. Pegou o pão que havia derrubado e colocou-o sobre o balcão, juntamente com a manteiga, e começou a ler o jornal:
"O chef da televisão Killian Jones tem doado seu tempo a fim de ajudar dois alunos a aprenderem a cozinhar para uma prestigiada competição. E o chef tem sido esperto com a sexy professora Emma Swan."
Era demais. Emma pagou o jornal e colocou-o sob o braço. Voltou para a casa dele com as mãos trêmulas. Ali estava o que ganhara por se ter apaixonado.
Ela viu um homem com uma câmera do lado de fora da casa dele e imaginou se ele estivera lá quando saíra, e escondeu o rosto com o jornal. Abrindo a porta da casa, foi direto para o quarto dele. Killian ergueu a cabeça do travesseiro e sorriu.
– Não me diga que já preparou o café da manhã — murmurou, inalando profundamente. — Não sinto cheiro de queimado.
– Foi tudo uma brincadeira para você, não foi, Killian? Você não é engraçado? Não é esperto? Não é famoso?
Ele sentou-se na cama com o lençol em volta da cintura.
– Emma? O que aconteceu?
– Aconteceu que confiei em você. Contra o meu bom senso, porque você me disse que realmente se importava com as crianças, que não era um golpe publicitário. — Ela riu com cinismo. — Imagine minha surpresa quando li o jornal. Você iria me contar ou estava esperando que eu não notasse?
– Notasse o quê? — Ele jogou o lençol para os lados e sentou-se na beira da cama, nu e com aquela falsa inocência, o que fez a raiva dela aumentar.
– Os encontros com a sua assessora de imprensa. As chamadas telefônicas, as idas com as crianças a algum lugar onde os paparazzi pudessem fotografá-los. Isto. — Ela jogou o jornal sobre os joelhos dele.
– Vou matá-la — disse Killian
– Não pegaram seu melhor ângulo?
– Aurora vazou para a imprensa — murmurou ele e levantou-se. — Ouça, eu não esperava que isso acontecesse.
– Você não esperava que eu visse. Realmente acha que vou acreditar que desistiu de uma chance por publicidade por causa dos garotos? Ou por mim? Vamos lá, Killian. Pensou nessa coisa toda por publicidade. O que eu significo para você? Sexo?
– Emma. — Ele aproximou-se. — Juro que isso é um erro.
Ela afastou-se.
– O único erro aqui é você pensar que tocará em mim novamente. Adeus.
Ela deu-lhe as costas e desceu as escadas, ignorando o chamado dele. Ele a alcançou quando ela estava girando a maçaneta e colocou-se entre ela e a porta.
– Querida, sei o que está pensando, mas não é verdade. Não tenho nada a ver com isso.
– Saia do meu caminho — disse ela. Os olhos dele faiscaram de raiva.
– Você não trataria um de seus alunos desse jeito, trataria? E se fosse Henry, e não eu? Assumiria que ele era culpado sem ouvir sua versão da história?
Emma girou a maçaneta e começou a abrir a porta.
– Sugiro que se afaste da porta, a menos que queira ser fotografado nu — disse ela e saiu, cobrindo o rosto com a bolsa para se proteger dos fotógrafos. Pegou o primeiro táxi que passou.
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