Notas iniciais
Oi Oi Gente :) Último capítulo do ano hein' .. Nossa esse ano passou muito rápido, preciso confessar que estou ansiosa para esse novo ano, e entrar em uma nova fase da minha vida *--* Queria agradecer a todos que estão acompanhando a fic e dizer que ela já está em sua reta final. Quero desejar a todos uma ótima virada de ano pra vocês, e que esse ano que se inicia seja próspero para todos. Beijos e até 2015 amores

– Absolutamente genial.

A imagem de Killian na televisão sorria para a câmera e erguia seu cálice de vinho numa saudação, enquanto os créditos rolavam.

Aurora desligou a TV.

– Foi um dos seus melhores programas. Fantástico, Killian. Engraçado, sexy e com estilo. A câmera o ama. Este programa vai mandar a sua audiência à estratosfera.

O verdadeiro Killian estava afundado na sua cadeira com os braços cruzados sobre o peito.

– Não gostei.

Ela o olhou surpresa.

– Está brincando? Foi até mesmo melhor do que seu último programa. A produção está ótima, a comida parece apetitosa e o fundo musical foi muito bem escolhido. O que há de errado para não gostar?

Ele levantou-se, foi até a cafeteira e serviu duas xícaras de café.

– O programa está bem-feito, mas não gosto de mim mesmo.

– O que quer dizer com isso?

– Sempre fui assim? — Ele gesticulou para a tela branca da televisão. — Sempre sorrindo, falando depressa e terrivelmente superficial?

– É a imagem do seu público, Killian. É um programa de televisão, não uma anatomia de sua alma.

– Eu sei. — Ele entregou-lhe um café e sentou-se com o seu. — Acontece que não sei se há muita diferença entre o programa e quem eu sou realmente.

Aurora arqueou a sobrancelha.

– Você anda muito introspectivo ultimamente, Killian. Não está feliz?

Ele considerou. Seu restaurante era um dos mais populares de Storybrooke, ele era muito bom num trabalho que adorava, havia passado as últimas seis semanas ajudando dois adolescentes, e, nas últimas duas semanas, tivera repetidamente o melhor sexo de sua vida com uma mulher que achava maravilhosa de todas as maneiras. Deveria estar feliz. Consultou o relógio e levantou-se.

– Vou chegar atrasado para a aula dos garotos — Aurora o fitava com preocupação.

– Quer que eu faça alguma coisa sobre o programa?

– Não. — Ele pegou dois sacos pesados perto da porta. — O programa será bom. E você não pode fazer nada sobre quem eu sou. Obrigado, Aurora.

Do lado de fora do estúdio, Killian chamou um táxi para levá-lo à escola. Enquanto observava a paisagem do Piccadilly Circus, lembrou-se do que Emma dissera no dia do Café Luciano.

“Você quer tanto que gostem de você que escolheu uma profissão que dá prazer aos outros.”

Era isso realmente o que queria? Prazer? Tentava desesperadamente ser amado pelas pessoas?

Aquilo era como havia aparecido na TV, pensou. Fora um choque ver a si mesmo… sobretudo porque já havia se visto na televisão centenas de vezes, e nunca notara isso. Mas alguma coisa definitivamente mudara. Porque Emma Swan gostava dele e, nas últimas duas semanas, os dois haviam compartilhado mais prazer do que ele achava possível.

Mas aquilo não era o suficiente. Ele bateu o punho na porta do táxi. Fora feliz com Emma. Naquele primeiro fim de semana, ela se mostrara aberta, risonha, honesta. Fitando-o diretamente nos olhos toda vez que conversavam.

Contudo, nos últimos cinco dias, ela agia dessa maneira somente algumas vezes. Principalmente quando estavam fazendo amor. Nesses momentos, Emma era transparente e franca sobre seus prazeres e desejos.

Porém, em outras ocasiões, ele podia ver que ela estava na defensiva. Ou distante, perdida em algum pensamento privado, alguma dúvida particular, que não queria dividir. Uma espécie de muro havia sido erguido, e Emma não o havia derrubado desde então.

A culpa era sua? perguntou-se ele. Seria porque, no fundo, era exatamente como aparecia na TV? Um galanteador superficial? Quem eram seus amigos íntimos? Todos que o conheciam gostavam dele. Mas quem ia mais fundo do que isso?

Ele viu seu reflexo no vidro da janela do carro. Não tivera tempo para fazer amigos íntimos. Vinha trabalhando como louco desde que era aprendiz, aos dezesseis anos. Recusara o dinheiro de seus pais e começara de baixo.

O táxi parou no portão da escola de Emma. Ele consultou o relógio e viu que estava quase vinte minutos atrasado.

Praguejou e correu para a recepção, carregando os pesados sacos.

Naquele dia, Henry e Elsa fariam uma experiência para a competição, criando seus menus, e não poderiam começar sem os ingredientes que ele havia prometido.

Quando Killian entrou na sala de tecnologia alimentar, Elsa e Emma estavam conversando num canto da sala e Henry espalhara ingredientes sobre o seu espaço de trabalho.

– Olá, Killian! — cumprimentou o menino. — Você está atrasado!

– Desculpe-me, companheiro, eu estava assistindo ao meu próximo programa de TV e perdi a noção do tempo.

– Mal! — exclamou o garoto.

– Sim, foi irresponsabilidade. Eu devia ter chegado há mais tempo. Espero que a Srta. Swan não me puxe as orelhas. — Ele pôs os sacos sobre a mesa e entregou garrafas e pacotes para Elsa e Henry. — E é melhor começarem logo.

– Sim, chef — disseram os alunos e correram para os seus espaços de trabalho.

Emma aproximou-se e sussurrou:

– Você está em perigo.

– Pretendo ser punido — replicou ele. — Contanto que o castigo venha de você.

– Acha que eles terminarão a tempo? — perguntou ela. — Há somente uma semana até a competição.

– É um problema. Queremos que eles estejam seguros, mas não quero praticar a ponto de deixá-los estressados.

– Não acredito que Elsa pudesse ficar estressada. Ela tem muita disciplina, embora não demonstre isso.

– Henry ficaria. Ele é bom, mas perde a concentração se não tiver alguém a seu lado, e haverá muitas distrações na competição. — Ele observou os garotos checando os ingredientes. – A prática durante a próxima semana será útil, mas acho que estarão prontos no sábado.

– Isso é tão importante para eles.

– Sim, mas queremos que seja divertido também. Eles são crianças.

– Ninguém melhor que você para diverti-los — provocou Emma.

Ele pegou um timer e acertou-o para duas horas.

– Tudo bem, garotos, hora de começar a trabalhar. Lembrem-se, vocês vão fazer tudo isso sozinhos. A Srta. Swan e eu estaremos apenas observando-os. O show é de vocês, agora. Prontos?

– Sim, chef — responderam ambos.

Enquanto as crianças trabalhavam, Emma e Killian lavavam os utensílios utilizados.

– A clara em neve desandou — disse Elsa desanimada, após algum tempo.

Ele viu a expressão de Emma entristecer, como se soubesse exatamente a frustração que Elsa estava sentindo. E a amava por causa disso. “Amava?”, pensou ele. Distraído com esse pensamento, Killian acabou cortando o polegar esquerdo com a faca afiada que estava lavando. Praguejou quando a água ficou vermelha mais rapidamente do que esperava.

Henry, Elsa e Emma estavam em volta dele num segundo.

– Você está bem? — perguntou Emma quando viu a pia cheia de sangue.

– Sim. Henry e Elsa, voltem para o seu trabalho. Não lhes resta muito tempo.

– O kit de emergência está perto da porta. — Killian apontou e ficou observando-a.

Delgada, alta, bonita e com grande talento para melhorar a vida de outras pessoas.

Estava tão apaixonado por Emma que desistiria de todas as coisas que adquirira apenas para que fosse recíproco.

– Killian, sente-se — ordenou ela quando voltou com o kit. — Você está muito pálido. — Ela guiou-o pelo cotovelo até a cadeira. — Como se cortou assim?

– Deixei cair a faca afiada. Estou bem. — ele olhou para baixo e ficou surpreso em ver sangue gotejando de seu punho.

– Acho que precisamos levá-lo para um hospital — disse ela.

– Não há necessidade. Já me cortei pior do que isso. — Ele pegou um rolo de atadura da mão dela e enrolou-o fortemente em volta do polegar, dando-lhe a ponta para cortar.

Os movimentos dela eram cuidadosos, enquanto mordiscava o lábio, preocupada. Ele a amava e ela podia estar carregando um filho seu. Emma o olhou, franzindo o cenho.

– Você está me olhando de modo estranho. Acho que está em estado de choque.

– Um pouco — replicou ele. — Mas é uma boa espécie de choque.

A preocupação dela aumentou.

– Certo, mas vou levá-lo para o hospital. Não gosto do modo como está agindo.

Se ele não falasse rápido, acabaria explicando ao médico que estava doente de amor.

– Não. Estou bem, Emma. Já me cortei centenas de vezes antes, lembra-se? Não preciso de pontos e não vou desmaiar. Além disso, os garotos precisam de nós aqui.

Emma o amava? Poderia amá-lo? O que ele podia fazer para que ela o amasse?

– Tudo bem — concordou ela -, mas, se não parar de sangrar logo, vamos para o hospital.

– Adoro quando você fica autoritária comigo.

– Que dia, não? Primeiro, chega atrasado, e agora se corta.

– Preciso ser mais cuidadoso.

Teria de ser mais cauteloso no relacionamento deles também. Se confessasse seu amor por Emma de repente, ela não acreditaria e poderia perdê-la. Esperou até que os adolescentes estivessem concentrados na preparação de suas comidas para lhe acariciar a pele suave do rosto com a mão sã, e saboreou o modo que ela inclinou-se sobre a sua palma antes que a discrição exigisse que Killian afastasse a mão. Ela era tão preciosa. E ele nunca convencera ninguém a amá-lo antes. Tentara uma vez com os pais, mas não havia funcionado.

– Serei cuidadoso — disse ele. — Não quero mais cicatrizes.

Notas finais
Feliz Ano Novo amores *---*