Unexpectedly Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Emma parou diante da porta fechada da sala de aula de tecnologia alimentar.
Lá dentro o silêncio era completo.
Consultou o relógio. Dez e meia. A aula estava na metade do tempo regulamentar. Havia passado por ali na semana anterior, durante o intervalo entre as aulas, e o local estava completamente barulhento. O estranho silêncio agora a perturbou.
- Por favor, Deus, que não haja sangue ou fogo — murmurou e colocou embaixo do braço os papéis que levara para Professora Belle assinar. Inclinando-se, escutou atentamente. Então ouviu o burburinho das crianças. O som de uma cadeira rangeu ao fundo. E então, um cacarejo.
Um cacarejo?
Aquilo era muito estranho. Emma abriu a porta. Aproximadamente trinta alunos de doze anos estavam sentados em círculo, os olhos fixos no centro da roda. Ela ouviu outro cacarejo.
Um homem estava em pé no centro do círculo, de costas para ela. Era alto, cabelos escuros, pernas longas, usava uma calça social e uma camisa azul-marinho que lhe moldava os ombros largos. Um belo homem, por assim dizer. Emma não o reconheceu. O que estaria fazendo ali no lugar da professora Belle?
Um homem estranho, numa sala de aula sem a professora… cacarejando?
Talvez devesse investigar, mas, por mais estranho que aquele homem fosse, parecia ter todas as crianças sob controle. Estava imóvel, as mãos erguidas, como se estivesse prestes a reger uma orquestra. Da porta de entrada, ela notou que ele tinha mãos fortes e bem feitas. Os dedos eram longos, e as unhas limpas e bem cortadas. Mãos que pareciam boas para fazer coisas incríveis.
Emma sentiu vontade de tocá-las.
O pensamento foi tão inesperado que se apoiou na porta, fazendo-a ranger. E então a sala explodiu. O barulho se tornou infernal e diversas penas brancas espalharam-se pelo chão, entre as pernas das crianças. Os alunos pularam, batendo nas cadeiras, gritando:
- Está lá!
- Olhem, está correndo!
- Lá, pegue!
Baelfire, um dos alunos, saiu de sua cadeira e abriu os braços para agarrar sua vítima emplumada. A coisa branca, com bico longo e cacarejando, movimentou as asas e fugiu, batendo o bico nas botas de Emma , antes de correr para a área dos armários.
Era uma galinha branca.
A ave meteu-se por baixo de um dos equipamentos da cozinha. Imediatamente, seis crianças a rodearam, tentando cutucá-la com colheres de pau que pegaram nas gavetas. A pobre ave parecia em pânico e tentava bicar seus malfeitores.
Era apenas uma questão de tempo até alguém perder um olho.
Emma entrou na sala de aula, respirou fundo e abriu a boca para falar.
- Voltem para os seus lugares. Agora.
Ela não dissera aquilo. A ordem fora dada por uma voz masculina, profunda e grave. Os alunos que circulavam a ave atenderam ao comando e afastaram-se da galinha.
- Crianças — ordenou Emma -, voltem para os seus lugares.
- Quem é você?
O homem estava diante dela agora, encarando-a. Era muito alto. Tinha olhos azuis, uma covinha no queixo e um leve aroma de limões frescos.
A atração atingiu-a em cheio. Sentindo o coração disparar, ofegou suavemente. A boca ficou seca e, de repente, parecia que o mundo não fazia mais sentido.
- É a Srta. Swan, que ensina inglês — disse o pequeno Bealfire, que agora estava ao lado de Emma.
- Prazer em conhecê-la, Srta. Swan, que ensina Inglês. — Os lábios do homem curvaram-se num sorriso matreiro e os olhos azuis brilharam. — E se quiser voltar para o seu Shakespeare, tenho a situação sob controle aqui.
Emma engoliu em seco. Não deveria sentir-se tão abalada, as pernas tremendo, o coração disparado. Não deveria sentir-se daquele jeito jamais, e certamente não por causa de um homem.
Meneou a cabeça. Lembre-se de onde você está, disse a si mesma. Escola. Seu mundo.
- Você tem trinta crianças aqui, uma sala cheia de equipamentos perigosos e uma galinha viva, solta -disse Emma. — Não acho que isso esteja sob controle, Sr. …
- Killian Jones, Srta. Swan — completou
- Sr. Jones — repetiu ela, sabendo que ele não era um professor substituto. Por que então estava falando daquela maneira, dando ordens, invadindo o mundo dela? — Talvez você devesse apanhar sua galinha.
Ela encarou aqueles olhos azuis novamente, num desafio mudo.
- Tudo bem — disse ele com um sorriso tão amplo que iluminou a sala inteira, e fez Emma esquecer-se das crianças, da galinha, do próprio nome.
Mas finalmente o reconheceu. Com um rápido movimento, ele se dirigiu para onde estava a galinha.
- Venha aqui, MacNugget — murmurou, pegando a ave nos braços. Em segundos, ela estava trancada em uma gaiola de plástico sobre o balcão da cozinha.
- Killian Jones? — disse ela. Não. O homem não era um professor substituto.
- Ele é aquele famoso chef da televisão, Srta. Swan — contou-lhe Baelfire. — Minha mãe assiste ao seu programa todas as terças-feiras.
Killian Jones. Chef renomado, celebridade como autor de livros de culinária, dono de um dos mais caros e refinados restaurantes de Storybrooke. Ela assistira ao programa dele, algumas vezes. E havia notado que o homem era atraente, mas todo mundo na televisão parecia atraente.
Ali, ao vivo, ele parecia diferente. Muito mais… real. E um milhão de vezes mais sexy. Tentou respirar profundamente para se acalmar, mas a ação a fez sentir de novo o leve aroma de limões frescos. O que não a ajudou em nada.
- O que você está fazendo aqui, na Escola Primária? — perguntou. — E por que trouxe uma galinha?
- Até você assustar MacNugget, eu a estava usando para mostrar às crianças de onde vem o verdadeiro café-da-manhã.
Emma duvidava que muitas crianças daquela sala tivessem um ovo quente no café-da-manhã. Era mais provável que a maioria não tivesse nem mesmo leite.
Muitos dos alunos da Escola Primária vinham de famílias de baixa renda, das quais ambos os pais tinham de trabalhar, isso quando possuíam pai e mãe. Para muitas crianças, o almoço da escola era a principal refeição do dia.
O renomado chef estava agora lhe sorrindo com aqueles dentes brancos e perfeitos e olhos brilhantes. Emma cerrou os punhos porque o homem era maravilhoso e porque tudo nele esperava que ela lhe devolvesse o sorriso.
- Crianças — disse ela com firmeza -, voltem para os seus lugares.
Relutantemente, os alunos voltaram aos seus assentos enquanto conversavam entre si. Killian ficou onde estava, ainda sorrindo, ainda fitando-a. Uma celebridade da TV, esperando que o mundo desmoronasse a seus pés.
E, naturalmente, Emma queria isso. Porque sempre se empolgava por homens altos, com classe, seguros de si e com sotaque britânico. Mas o caos vinha dessa direção. Havia riscos e perigo. A vida inteira fora uma lição para resistir à vontade de seguir seus impulsos.
E o impulso de tocá-lo agora era o mais forte que já havia sentido na vida.
Ela cruzou os braços para garantir que as mãos não tremessem.
- Não assustei sua galinha – ela disse finalmente. — Entretanto, se ela se assusta com tanta facilidade, você não deveria trazê-la para dentro de uma escola.
- Assusta-se com facilidade. Isso é quase uma definição do dicionário para a palavra “galinha” — disse ele. — E tem de admitir que as crianças estão se divertindo — acrescentou. — Você não está?
Ela irritou-se.
- Suponho que este exercício tenha alguma espécie de valor educacional…
- Divertimento não é o suficiente, Srta. Swan? Precisamos de um objetivo educacional para tudo? Algo que possa ser testado e avaliado?
As palavras eram provocantes. Desde quando um cozinheiro era especialista em educação?
- Esse é seu ponto de vista — argumentou ela. — Talvez devêssemos acrescentar ”perseguir uma galinha” no currículo escolar.
Ele riu de um jeito tão sexy que ela teve de desviar o olhar antes que se entregasse. Mas os olhos pousaram nas mãos de Killian Jones novamente.
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