Unexpected Love - Dramione

5 Capítulo 04 - Primeira ronda


Notas iniciais
Boa Leitura!!!

[...]

Draco escutou quando Snape solicitou em tom ameno que o loiro esperasse, pois gostaria de falar com ele em particular e apesar de ponderar se deveria ficar percebeu que alguns alunos da Grifinória escutaram o pedido e para não levantar suspeitas optou por esperar.

Sufocado era eufemismo para descrever como Draco sentia-se, cada canto do Castelo parecia a ele uma enorme prisão que o encarcerava, tentava a todo custo manter-se concentrado para que se necessário conseguisse evitar qualquer tentativa de invasão em seus pensamentos pelo professor, mas perdia o rumo em poucos segundos quando lembrava-se do cheiro que a Poção do amor exalava para ele, a muito tempo havia sufocado qualquer indício desse sentimento e não entendia o que motivo de não conseguir se controlar.

Se antes ele não tinha a menor chance com a garota, agora que a Marca Negra manchava sua pele e até mesmo sua alma, ela sequer o olharia caso descobrisse, mesmo tendo sido parcialmente obrigado, mesmo que tenha tido que escolher entre morrer junto com sua mãe ou juntar-se a causa de Voldemort.

Para Draco pareceria que muitos minutos haviam se passado e por isso encarou o professor que o olhava compenetrado.

— Apesar de saber que cada segundo será precioso para que você consiga desempenhar a tarefa que Lord das Trevas lhe designou, receio informar que você é o novo capitão do time de Quadribol da Sonserina e não precisa me olhar assim. – Draco fuzilava o mais velho, mas não conseguiu retrucar. – Minerva me perguntou na frente do Diretor por que não você já que é o mais antigo no time, não tive escolha Draco. – Snape concluiu com tranquilidade, apesar do olhar que recebia e após alguns segundos voltou a falar.

— Aqui está o Distintivo. Ouça bem, estamos do mesmo lado e você precisa manter a discrição, treine sempre que possível e nos faça ganhar, não deixe que ninguém perceba que você não queria o cargo, pois pode levantar suspeitas e não precisamos de holofotes em cima de você.

Obviamente aquela competição não tinha peso algum para Draco, não diante da situação atual, na qual não sabia se veria sua mãe novamente ou se continuaria vivo por muito tempo, porém o que o irritava é que acabará ganhando mais uma coisa que lhe tomaria tempo.

Os dois se fitaram por longos segundos, nos quais Draco manteve-se sempre vigilante e alerta, para que o professor não tentasse ultrapassar as barreiras de sua mente.

— Precisa me falar mais alguma coisa ou já posso ir? – Draco perguntou irritado.

— Pode ir Draco, tenha cuidado e não esqueça que estou aqui para ajudá-lo.

Talvez fosse uma piada de mal gosto, no ano que mais precisava de tempo conseguiu mais responsabilidades como monitor e seria capitão do time da Sonserina.

Apesar da proximidade do jantar, Draco seguiu diretamente para as masmorras, onde localizava-se o Salão Comunal da Sonserina, parou de costas para uma armadura e dirigindo-se a parede de concreto disse a senha.

“Pureza de Sangue”.

A parede logo deu lugar a uma passagem, pela qual Draco adentrou no Salão Comunal da Sonserina ou Masmorras da Sonserina como também é conhecido.

O salão tem uma aparência rústica, teto baixo, luminárias que exalavam uma luz esverdeada, uma grande lareira no centro, sofás verdes e confortáveis e bancos de couro preto espalhados ao longo salão, assim como mesas que são usadas para estudos, uma estante enorme que cobria uma parede inteira com diversos livros. Há também um quadro do Grande Salazar que fica em cima da lareira, enquanto que a esquerda da estante de livros existe uma grande escada que leva aos dormitórios duplos, dos quais o loiro divide um com Blásio Zabini.

Os dormitórios da Sonserina são espaçosos, com dois ambientes, o primeiro são banheiros e segundo são os quartos, todos mobiliados com duas camas Dossel, luminárias que emitem uma luz esverdeada igual às do salão principal, dois armários, dois criados mudos, duas escrivaninhas e duas poltronas confortáveis de couro preto.

Draco dirigiu-se até o seu dormitório, vendo que alguns estudantes, principalmente do primeiro ano já estavam acomodados nos sofás, mesmo tão cedo, já dentro de seu quarto puxou pela cabeça a longa veste preta a jogando na poltrona, limitou-se a tirar essa peça de roupa ali, entrou no banheiro que dividia com Blásio, com calma trancou a porta e pode ver que o amigo já havia tomando uma das prateleiras a enchendo com seus produtos, seguindo o exemplo, com bastante organização dispões seus objetos de higiene pessoal, o perfume caríssimo que usava ficou em cima da bancada que continha um espelho oval.

Após a organização puxou uma toalha felpuda de dentro de uma das gavetas e tirou toda a roupa, olhando com atenção para seu braço esquerdo, o feitiço que usou de manhã para que a marca desaparecesse estava perdendo o efeito, aos poucos a marca negra tomava forma, as laterais da mesma estavam muito vermelhas, pois a pele do jovem sempre foi muito sensível e gravação da Marca feriu muito a pele translúcida, ainda sentia dor no local, mas recusava-se a tomar qualquer Poção que aliviasse, precisava sempre se lembrar no que havia se transformando e do que em um futuro breve teria que fazer.

O banho foi longo e Draco evitou pensar em qualquer coisa que não envolvesse aquele momento de paz e tranquilidade e ao fim do banho olhou ao redor e percebeu que não pegou roupas limpas para se trocar e agora a marca estava totalmente visível, mas graças a Merlin o loiro havia adquirido o hábito de sempre carregar sua varinha, pois mesmo dentro de sua casa poderia ser atacado.

Nunc Evanescet.* – Draco conjurou aquela magia antiga em voz baixa e imediatamente viu a Marca Negra desaparecer.

Surpreendeu-se quando Severo Snape o ensinou tal encantamento, duvidava que outro comensal o usasse ou que soubesse de sua existência, mas Draco fez questão de aprender, seria suspeito não poder levantar a manga da camiseta, logo ele que sempre foi tão displicente.

Os feitiços mais simples de revelação não conseguiam revelar a Marca e isso deixou Draco ainda mais confiante para voltar a Hogwarts e fingir normalidade.

Penteou-se rapidamente e vestiu apenas uma calça de linho leve e uma camiseta sem mangas, não pretendia sair do dormitório pelo resto da noite, sabia que deveria começar a tarefa suicida a qual fora designado, mas acreditava que merecia um descanso, aquela era a primeira noite que poderia dormir relaxado, sem preocupar-se que sua tia pudesse invadir seu quarto e sua mente, era a primeira noite em muito tempo que sentia-se em paz e mesmo que ainda fosse tão cedo optou por não descer para jantar.

Fez toda a atividade passada por Snape, praticou rapidamente feitiços não verbais tendo êxito em todas as vezes que com o Feitiço Accio, conseguiu que a gaiola agora vazia de sua coruja Ádria voasse até sua mão nas três vezes que usou o encantamento, leu dois capítulos do livro de Poções e iria a ler o primeiro capítulo do livro de Transfiguração quando Blásio entrou no dormitório, cumprimentou o loiro e seguiu para o banheiro.

Blásio era o mais próximo que Draco tinha de amigo, Goyle e Crabbe eram sua sombra, o ajudavam a fazer travessuras, mas não eram muito inteligentes, Nott era arrogante demais, porém também seguia todas as ordens do loiro, mas Blásio não, o Sonserino de pele morena e olhos castanhos era questionador, batia de frente com Draco, divertia o loiro com suas conquistas e falas inusitadas, era Sangue Puro, mas não arrogante como Draco estava acostumado a ser, não exibia isso como um Troféu, mas resguardava uma distância de traidores de sangue e nascidos trouxas, Draco tinha quase certeza que para manter as aparências e não por preconceito.

— Isso quer dizer que finalmente teremos um capitão com cérebro? – O moreno disse empolgado, puxando Draco de seus pensamentos que riu ao perceber que Blásio apontava para o Distintivo que estava à vista em cima de seu criado mudo.

— Obviamente Blásio. Acho que Snape não tinha outra opção. – Comentou presunçoso, mesmo que não estivesse realmente satisfeito com o cargo.

— Já imaginava que você seria o capitão, de todos os que restaram você jogou mais partidas pela equipe e é o melhor jogador. Enfim, não pretendo ficar alimentando o seu enorme ego. Quando fará a seleção de novos jogadores? – Draco riu com vontade com a fala do amigo, mas preferiu não comentar nada sobre sua insatisfação com o posto.

Ficou até mesmo impressionando com o quanto Blásio o conhecia, Crabbe e Goyle haviam jogado no time no ano anterior, apesar de não serem tão bons o capitão à época prezava pelo tamanho e não pela qualidade, então a maioria do time era muito forte e pouco veloz, Draco era o jogador mais franzino do time, não que fosse magérrimo e sem músculos, ao contrário beirava um metro e oitenta centímetros e tinha músculos tonificados pelo Quadribol.

— Em breve, espero que você finalmente tenha nos achado dignos de ter a sua presença ilustre no time. – Draco falava com uma voz amena e relaxada, debochava do amigo que riu, pois sabia que era verdade.

Blásio nunca fez questão de entrar para o time, não quando sabia que o esquema tático era deficiente e qualquer time que pensasse um pouco poderia os derrotar, uma vez que os capitães dos anos anteriores se valiam de tamanho e força, mas com Draco como capitão o moreno via uma oportunidade de finalmente jogar por sua casa, acreditava no potencial do loiro, o viu jogar por muito tempo e quando ele não estava sendo soberbo ou desdenhando de alguém era um ótimo jogador, o melhor da Sonserina.

— Estou pensando se você realmente merece a minha presença no time Malfoy, apesar de saber que você sofre sem a minha presença.

— Não seja presunçoso Zabini, precisarei de você para uma equipe tática e que tenha chances de ganhar. Você será o primeiro a saber o dia da seleção, mas obviamente por mera formalidade, você já faz parte do time. – Um riso de puro contentamento surgiu nos lábios do moreno.

Por longas horas os dois sonserinos conversaram sobre diversas amenidades, passaram de Quadribol para a aula de Defesa Contra a Arte das Trevas, revisaram as atividades que os dois já haviam feito, Blásio contou de uma Corvina do terceiro ano que o interceptou para dizer que estava apaixonada e encenou a cara de constrangida dela ao ouvir um sonoro não, fazendo Draco cair na gargalhada.

Naquela noite Draco lembrou-se de como era bom está na companhia do amigo, como eles eram cúmplices sozinhos, sem máscaras, mas igualmente sarcásticos e desdenhosos, após muito tempo estava em paz e dormiu com tranquilidade.

[...]

Na manhã seguinte do outro lado do castelo Hermione enfrentava uma frieza estranha de Ronald, desde o comentário que escutaram de Parkinson o ruivo vinha agindo estranho, evitando a castanha que fazia de tudo para não demonstrar como estava chateada, Harry tentava conversar com os dois, incluir Hermione nas conversas, mas sem sucesso.

Na noite anterior o ruivo pouco falou com ela, sempre ignorando qualquer coisa que ela falasse, depois foi fazer a ronda com Pansy Parkinson e essa manhã estava ainda mais irritado, nem sequer olhava para a amiga, que sentia-se frustrada e magoada.

Os três seguiram juntos para a aula de Transfiguração, Harry sempre tentando incluir Hermione na conversa e Rony fazendo de tudo para não trocar nenhuma palavra com a castanha, aula toda transcorreu daquela forma, ao final da aula a garota decidiu não tentar mais falar com o amigo, não iria se humilhar, seguiu para a biblioteca a fim de começar o trabalho de Transfiguração aproveitando a uma hora que tinha antes do almoço começar, quando o concluiu decidiu-se por ler algo relacionado a feitiços mudos, apesar de ter conseguido uma Accio na noite anterior, achou demasiado difícil e gostava de ler as teorias e como o professor Snape deu a entender que a definição do livro que usavam era demasiada simplista, por isso decidiu buscar um livro apenas desse assunto.

Quando se deu conta o almoço já devia estar na metade e por isso recolheu suas coisas e saiu em direção ao Salão Principal em passos largos, só naquele instante percebeu o quanto estava com fome, ao adentrar o local não encontrou Harry ou Rony e sentiu-se aliviada, pois não aguentaria ser ignorada ou maltratada sem motivos pelo amigo.

Comeu sentada ao lado de Neville que faltava quicar no banco, já que a próxima aula era de Herbologia, os dois conversavam um pouco sobre o que esperavam da matéria, a garota gostava da companhia de Neville, achava os comentários dele sobre a matéria muito inteligentes e pertinentes.

Os dois seguiram juntos para a saída do salão principal e por uma infeliz coincidência chegaram juntos com Draco Malfoy, Blásio Zabini e Pansy Parkinson, os dois garotos nem olharam para os dois Grifinórios, mas a Sonserina abriu um riso debochado e encarou Neville de cima a baixo.

— Você já foi mais seletiva sangue-ruim. – O rosto de Neville e o da própria Hermione adquiriam um tom de vermelho vivo.

— Com certeza minhas escolhas não são da sua conta Parkinson, mas pelo menos as minhas opções são melhores que as suas. – A Grifinória se arrependeu no instante que as palavras deixaram seus lábios.

O olhar gélido que recebeu de Malfoy e Zabini secou até mesmo sua alma, ela não podia negar a beleza dos dois, altos, quase da mesma altura sendo Malfoy menos de dois dedos mais baixo que o amigo, não eram inteiramente magros, pois a menina conseguia ver os braços musculosos e podia apostar que os dois teriam abdomens musculosos. Hermione sentiu seu rosto ficar ainda mais quente, pois os dois sonserinos perceberam que ela os secava, Zabini curvou seus lábios em um sorriso cínico enquanto Draco crispou os seus em um olhar ainda mais gelado, mas apenas por alguns segundos, pois logo desviou o olhar.

— Me poupe Granger, tenho certeza que até uma idiota de sangue-ruim como você pode ver que isso é mentira. – Bradou Pansy.

— Vamos logo. – Zabini chamou com impaciência, sem dar chance para Hermione ou Neville responderem.

Hermione respirou fundo com Neville ainda ao seu lado, sentia que o garoto estava constrangido, mas não teve tempo chance de falar com o garoto, estava perdida em pensamentos, pois pela primeira vez Malfoy não a insultou na verdade só a olhou por alguns segundos e repleto de nojo e indiferença, não que ela não estivesse acostumada a ser maltratada por ele e seus amigos, mas essa indiferença era novidade.

Naquele dia só voltou a ver Rony e Harry no jantar, onde encontrou um Ronald mais alegre, que até estava brincando sem sequer ignorá-la, ele falava sobre alguém que fez algo ridículo e arrancava risadas de Lilá e a cada riso escandaloso o garoto crescia mais, enchia o peito sentindo-se importante, o que arrancou da castanha um riso de escárnio um balançar de cabeça que beirava a incredulidade.

Envolveu-se em uma conversa tranquila com Harry, sobre como foi o dia dos dois e ao término do jantar os três subiram juntos, mas Hermione deixou os dois no salão comunal fazendo algumas atividades enquanto subia para tomar banho e ficar minimamente apresentável, mesmo que não soubesse o motivo, já que apenas faria ronda com Malfoy.

Desceu pouco antes do horário informado pela professora, aguardou próxima a entrada direita do sexto andar e poucos minutos sentiu um perfume amadeirado que tomou conta do corredor, ao se virar deu de cara com um Draco completamente sério, os dois não trocaram nenhuma palavra, não se cumprimentaram e silenciosamente monitoraram os dois andares.

Hermione estava completamente reatestada, com a coluna reta e a varinha em mãos ao lado do corpo, enquanto Draco parecia tão reatestado quando ela, mas não segurava sua varinha, pelo menos a castanha não conseguia ver.

Fois a hora mais longa da vida de Hermione, não viram ninguém, mas conseguiam escutar e ver através das janelas corujas sobrevoando o Castelo e ainda ouviam seus passos ecoarem através do corredor, a castanha olhava através das vidraças para a Orla da Floresta Proibida quando ouviu um suspiro de Draco e um sussurro. “Finalmente”.

O horário da ronda havia acabado e ainda em completo silêncio ele deu as costas a menina e caminhou na direção oposta a ela, sem deixar-se abalar Hermione seguiu em direção ao Salão Comunal da Grifinória e surpreendeu-se ao ver que Harry e Rony a esperavam.

— Como foi? Ele te insultou? – Harry perguntou assim que a menina entrou pelo quadro da Mulher Gorda.

— Foi silencioso, ele nem falou comigo. Fique tranquilo Harry, mantive a varinha sempre à mão. – Ela respondeu com tranquilidade mesmo estando exausta.

— Fique sempre alerta Hermione. – Rony falou com certa hostilidade.

A castanha sorriu para os dois amigos, sentindo-se querida, subiram os três para seus dormitórios, despediram-se a porta do dormitório feminino, onde Harry despediu-se com um beijou a bochecha de Hermione e Rony com um sorriso amarelo e um desejo de boa noite.

Ela estava exausta e um pouco intrigada, nunca havia sido ignorada por Draco daquela forma, já havia preparado seu psicológico para passar a noite sendo atacada ou insultada, mas isso não aconteceu e ainda sentiu-se atraída pelo o perfume que ele exalava, franziu o cenho confusa, pois tinha certeza que já o havia sentido, mas não sabia onde, por isso vestiu seu pijama e se entregou aos sonhos.

Notas finais
* Feitiço de minha autoria, para que o Draco não possa ser identificado com facilidade através da Marca Negra. Espero que tenham gostado, me deixem saber as opiniões de vocês. Até logo Xoxo