Todo mundo encara Bia se postar ao lado da filha, nada menos que intimidadora, com um de seus olhos rutilando na já familiar labareda avermelhada.

BETTY: destruíram minha fonte de poder (risadinha maníaca) sem problemas. Ainda tenho bastante guardado. O suficiente para terminar de destruir vocês!

AUTORA: (vincando a testa imperiosamente) você vai pagar por ter destruído minha parte monstra, pirralha. Tudo bem que ela era meio pervertida e impulsiva (rosna) mas fazia parte de mim,

SANS: (falando com Betty, terminando de eliminar algumas gosmas) aí, garota. Acha que qualquer um pode ser uma boa pessoa… se apenas tentar? (berra) ENTÃO POR QUE VOCÊ NÃO TENTA, VIADA?

CALIBRI: Toriel já falou pra você ser legal com as crianças, tio.

SANS: pois é (shrug face) foi mal, velhota. Por isso que eu odeio fazer promessas.

ASRIEL: (já recuperado do seu luto de cinco minutos) TU CHAMOU MINHA MÃE DE VELHA?

TODO MUNDO: ASRIEL!

BETTY: BASTA! (ergue sua lança cor-de-rosa, fazendo Akumu cercá-la, e quase que duplicando a quantidade dos clones gosmentos que já rareavam) terminaremos isso de uma vez!

AUTORA: (se entreolhando com Asria, antes de conjurar novamente suas espadas) está bem. Afinal, está um dia lindo lá fora. Flores cantando, pássaros desabrochando. Ah, merda (tosse)

ASRIA: (vendo Sans com cara de quem quer se matar) deixa que eu faço, mamãe (sibila) mas como minha mãe dizia… em dias como esse… pimpolhas que nem você…

Os leitores se dispersam, voltando a ajudar os demais, enquanto Bia e Asria se dispõem lado a lado.

AUTORA E ASRIA: (em uníssono tenebroso) DEVERIAM QUEIMAR NO ACRE!

Dando um guincho de ódio, Betty dispara contra as duas, recomeçando o duelo. Enquanto isso, monstros e leitores voltam a dizimar as bolinhas rosadas.

RUBY: (escorregando numa das amoebas, e metendo a nuca no chão) AI, MEU HP!

SMYLE: (fazendo o extremo contrário, saltitando em cima das gelecas) eeee… hora de brincar de Mario.

PAPYRUS: deu vontade de jogar Mario agora… (abaixa a tempo de não levar um clone na cara) só tenho que tomar cuidado pra não entrar pelo cano.

A batalha até paralisa por alguns segundos, com todos se virando para Papyrus.

SANS: ai meu Deus (os olhos viram estrelinhas) a primeira piada espontânea do Paps.

PAPYRUS: (parecendo envergonhado) não acredito. Finjam que não ouviram isso!

Passado um hilário silêncio, do tipo “ai-meu-Deus-o-fim-dos-tempos-está-próximo”, a batalha volta ao seu ritmo normal.

BETTY: vocês deveriam estremecer de medo! Ainda posso usar minha rhabdophobia, e roupar novamente seus poderes para mim!

Asria hesita, mas Bia balança a cabeça.

AUTORA: está blefando. Precisa de uma alma para isso. E você não a tem mais.

ASRIA: então tá (conjura um novo Blaster, que atinge Betty na bunda, ao que a pequena demônia sai rolando pelo chão com um som de pneu se arrastando)

TODO MUNDO: EEEEEE… É CESTA!

Pegas de guarda baixa, Asria e Bia levam uma tremenda rasteira do emputecido Akumu, enquanto Betty volta a se erguer.

AUTORA: (ainda emborcada no chão) Asria… tive uma ideia.

Bia gesticula na própria direção, fazendo surgir um pequeno e brilhante coração de cor vinho, atirando-o nas mãos de Asria, rápido o bastante para Betty não perceber o movimento.

ASRIA: (sussurrando) ficou maluca, mãe? Você acabou de ressuscitar!

AUTORA: (dando uma piscadela) vai por mim… absorva ela, filha.

Quando Betty finalmente recupera o controle de Akumu, é quase cegada pela luz que surge diante dela. Todos, finalmente livres de quaisquer clones, encaram o mesmo ponto, espantados. Erguendo um imenso e reluzente espadim, erguendo duas longas asas negras contra a redoma, Asria – cuja alma absorveu a de Bia – ruge violentamente na direção da garota, que está completamente incrédula.

BETTY: não… não devia ser possível…!

ASRIA: (dando uma risada imponente e ameaçadora) você nem faz ideia, Bete Noire.

Há um estrondo quando a arma de Asria imobiliza Betty contra a parede. Akumu tenta ajudá-la, mas é igualmente preso pelas ferpas mágicas do Blaster que a chabina conjura.

BETTY: (sibilando enfurecida) você sabe que nunca vai me destrur, não é? (ri insanamente) não há nada que possa me derrotar! Nada é mais poderoso do que o medo!

Asria inclina a cabeça, entreabrindo o focinho, finalmente articulando uma resposta. Porém, perplexos, todos percebem que não é ela que fala.

AUTORA: nós temos esse poder, Bete Noire. A única coisa que nos manteve lutando té agora. O único motivo que não permite que desistamos da vitória. O que foi forte o bastante para me trazer de volta, a fim de garantir que minha filha, e este mundo, tenham o futuro que merecem. Não é algo que precisa ser em grande quantidade. Não é algo que necessita ser épico ou extraordinário. Por que a única coisa mais forte que o medo… é a esperança.

BETTY: (se debatendo) não… você não..!

Contra qualquer ataque imaginado pelos espectadores, Asria baixa a mão, segurando gentilmente o rosto de Betty.

ASRIA: basta de ter medo.

A expressão de Betty se anuvia, e a garota fecha os olhos, ficando subitamente inconsciente, como se algo tivesse se dissipado de dentro dela, enquanto seus cabelos ficam completamente castanhos. Asria a solta da parede, deitando o pequeno corpo no chão – e, logo em seguida, virando-se para um ensandecido Akumu.

UNDYNE: mas o que…

ASRIA: agora você, alma do Medo…. (num único gesto, abre um portal ao lado de Akumu) como punição por invadir este lugar, e drenar por tanto tempo a vida de uma criança… vou te mandar para um lugar onde jamais poderá fazer mal a alguém outra vez!

O portal se dilata, engolindo completamente a parede em que Akumu s encontra imobilizado. Emitindo um terrível grito, a pequena e maligna alma é devorada pela passagem, que se fecha logo em seguida.

TODO MUNDO: CONSEGUIMOS! CONSEGUIMOS! CONSEGUIMOS!

Exausta, Asria ergue os braços, liberando a alma de Bia – que reaparece logo a seguir, parecendo um bocado tonta.

AUTORA: se vocês começarem a fazer a Dancinha Feliz da Dora… eu termino de matar vocês…

Todos riem, se juntando nu enorme abraço grupal. Asriel agarra Bia, enchendo-a de beijinhos aflitos, deixando-a completamente sem graça.

MICHELE: AEEE! LACRAMOS, GALERA!

Bia abraça Asria, sorrindo orgulhosa para a filha.

AUTORA: vai ser uma ótima rainha.

Asria sorri de volta, erguendo o olhar para Betty, ainda desacordada no chão.

ASRIA: então… não era ela? Esse tempo todo… era aquela alma independente… possuindo-a de longe?

AUTORA: sim. Vamos esperar que ela acorde.. se bobear, a coitada nem vai se lembrar do que aconteceu. Nunca pensei que uma alma pudesse parasitar a outra, em vez de ser absorvida…

SANS; só por curiosidade… pra onde você mandou o capetinha de gelatina?

AUTORA: (rindo) mandei ele pra um lugar onde ninguém precisa de medo… Esparta de Antes de Cristo. Ia mandar ele pra punta que pariu, mas imaginei que já deve ter gente demais lá.

Todo mundo gargalha, aliviado, comemorando finalmente a vitória. Ainda aproveitando sua forma de Deusa do Caos, Asria vira-se para a tela, conjurando seus poderes de senhora do Universo, fechando o capítulo e fazendo tudo desaparecer em meio a um nevoeiro mágico cintilante.