Undertale - True Reset
31 Trauma
Notas iniciais
[Sans]
— Ah não, de novo não!
Eu me encontrava naquele corredor do julgamento, novamente, quando a vi chegando diante de mim, eu estava preparado para começar a atacar novamente. Mas eu vi, por um milésimo de segundo, a imagem daquele demônio, se transformando na imagem que eu conhecia e amava, para voltar para sua imagem demoníaca. Eu rapidamente a joguei no chão com a força da gravidade aumentada, ela rapidamente pulou, mesmo com dificuldade, desviando dos ossos que fiz surgir do chão, mas quando ela parou no chão novamente que ela olhou em minha direção, ela foi atingida por um dos disparos dos Gasters Blasters. A imagem rapidamente se transformou e eu não estava mais no corredor do julgamento e sim na sala da minha casa, com um Blaster ao meu lado, o chão a minha frente levemente queimado, e uma figura, que eu confundi com a demônia, mas aos poucos, minha visão foi se acostumando, e a imagem da garota demoníaca, foi se transformando na imagem de Frisk, ela me olhava chorando, segurando o braço, que eu levei uns segundos para perceber que estava ferido. O Blaster abriu a boca para disparar, ele não erraria a esta distância, ela simplesmente se encolheu, esperando o golpe fatal, enquanto ela murmurou.
— S-Sans... Por favor... Não é a Chara... Sou eu....
Aquilo me desmontou, o que diabos eu estava fazendo, e a menção àquele nome, ele me fazia sentir uma dor no peito. Pelos deuses, o que eu ia fazer.
— Ai meu deus... Frisk...
Ela tremia, ela ainda estava esperando o golpe, eu me aproximei, eu sentia o seu medo, eu me abaixei, mas quando eu a toquei, ela estremeceu ainda mais, se levantou e saiu correndo, desagasalhada, na neve, de noite. Eu a decepcionei, ela nunca mais confiaria em mim.
No mesmo momento Papyrus apareceu, olhando sem entender de Frisk que saía pela porta para mim, ali, caído no chão, ele não sabia o que fazer, apontei para a porta, indicando que ele deveria ir atrás de Frisk, e ele assim o fez. Eu teleportei para o meu quarto e chorei, como nunca antes, em meu lugar seguro onde ninguém poderia me alcançar.
[Frisk]
Eu estava na superfície, com Sans, observando o céu noturno, Sans parecia maravilhado com a vista, eu via felicidade genuína em seu rosto. Ele me olhou, e disse:
— Da próxima vez, vamos trazer o Papyrus aqui. Olha isso! É lindo! E nós conseguimos, juntos!
— Sim, traremos Papyrus da próxima vez.
— Tudo isso graças a sua determinação.
Sans se aproximou e me beijou, quando deitamos na grama eu ouvi sua voz na minha mente, não a de Sans, mas sim a de Chara.
“FRISK ACORDA AGORA!”
Sua voz me acordou a tempo de me jogar do sofá, a ponto de desviar por muito pouco de um disparo de um Gaster, um pouco do laser pegou de raspão o meu braço, o que me fez gritar de dor. O disparo destruiu parte do tapete que ficava na frente do sofá.
“Você tem que correr!”
“Não! Ele tem que acordar e ver que sou eu.”
“Ele vai te matar antes disso!”
“Não!”
— S-Sans... Por favor... Não é a Chara... Sou eu....
Eu disse, encolhida da maneira que me encontrava, não sei se ele pode escutar, eu não conseguia olhar para ele, aquela posição de ataque, aquele olho esquerdo brilhando, me traziam péssimas lembranças, eu simplesmente não conseguia olhar para ele.
“Vamos! Corra!”
“Não!”
“Ele vai te matar!”
Eu senti algo tocar em meu ombro, e saí correndo, porta afora, a neve congelava minhas pernas, o vento gelado me fazia tremer de frio, mas eu só continuei correndo.
Quando cheguei na saída de Snowdin, na neblina, aquilo me atingiu novamente, todas aquelas imagens tão reais, Papyrus ali diante dela, Chara andando em direção a ele, e o matando sem piedade. Aquilo me machucava tanto, eu caí de joelhos, na neve que me congelava, chorando, com aquelas imagens se repetindo de novo e de novo diante de meus olhos.
— Papyrus... corra... não a deixe te matar...
“Essas memórias estão tão vivas em vocês, agora você sabe que não pode conviver com eles, você sempre vai se lembrar de como os feriu, Sans sempre vai lembrar de como ele sofreu.”
— Chara... por favor... me deixe ser feliz... eu não quero ver ninguém mais morrer...
“Frisk... você precisa seguir em frente... me deixar te ajudar a acabar com o sofrimento deles.”
— Nunca... Eu não vou deixar ninguém mais se machucar... eu vou até o Rei, e vou entregar a minha alma para ele... libertarei todos e deixarei esse mundo...
“Frisk... você sabe que não vai conseguir ficar longe dele...”
— Eu vou aprender... Agora eu sei que ele nunca vai poder me corresponder...
“Vai ser melhor se você aceitar o inevitável... se você os libertar, os humanos vão acabar com eles... São milhões de humanos lá fora... e apenas umas centenas de monstros aqui...”
— Não vou fazer o que você quer Chara...
“Vai ser um massacre... e vai ser sua culpa... de qualquer maneira... todas essas vidas... estarão em suas mãos...”
— Me deixa em paz! — Eu gritei. Enquanto via aquela cena de novo e de novo.
— hu-Humana?
Ouvi a voz de Papyrus, mas ela se misturou a das imagens diante de mim, eu já não sabia dizer o que era realidade ou não.
— Corra Papyrus... não a deixe te machucar... eu... eu não quero ver ninguém se machucar.
— Humana! — Senti algo me abraçando, completamente incapaz de olhar para quem fosse. — Você não está dizendo coisa com coisa. — Ele segurava os meus braços. — Você está congelando, precisa ir para um lugar aquecido.
[Papyrus]
Eu tentava tirar a humana da neve, mas ela se debatia, enquanto chorava e dizia coisas sem sentido, como não queria me ver morrer de novo.
— Humana... eu to bem... eu to vivo... ninguém me machucou... se você não parar de se debater, você vai congelar. Deixe o Grande Papyrus cuidar de você.
Ela parou de se debater, e finalmente olhou para mim.
— Papyrus, é você mesmo?
— Sim, humana... sou eu mesmo.
Ela me abraçou chorando, me pedindo desculpas, eu fiquei dizendo que estava tudo bem, que não havia o porquê se desculpar.
Eu a peguei no colo e a levei de volta para casa, Sans não estava mais na sala, deve ter ido para seu quarto, conhecendo o meu irmão como eu conhecia, eu sabia que ele não queria mostrar como ele se importava com a pequena humana.
Eu levei a pequena humana para seu quarto, e ela se encolheu na cama, me agradecendo por tê-la salvado.
[Frisk]
Fiquei dias naquele quarto, eu mal comia, mal dormia, eu ficava lá, pensando no que faria da minha vida, eu queria dar logo a minha alma para Papyrus, assim ele poderia se tornar um membro da Guarda-Real, e assim libertaria a todos, mas Chara logo me fez desistir dessa ideia, disse que ele não se perdoaria se eu morresse.
Papyrus sempre tentava me levar comida, na maioria das vezes eu o ignorava, algumas vezes eu só abria a porta, sem deiar Papyrus ver o estado deplorável no qual eu me encontrava, ele colocava a comida do lado da porta e eu pegava, depois de fechar a porta.
Eu ficava na maior parte do tempo na companhia da Chara. Ela tentava me convencer a seguir em frente, ou a que eu deixasse assumir o controle para que ela termiasse tudo do jeito dela, mas eu não podia deixar, não depois de ter visto tudo o que ela causou quando teve a oportunidade, ela destruiu a realidade, eu precisei da ajuda do Sans para arrumar esse grande erro, eu não podia deixar acontecer novamente, nunca mais.
“Chara... por que você é assim? Por que tem tanto ódio?”
“Eu não odeio os monstros.”
“Então por que quer matar a todos?”
“Porque sei que a humanidade vai destruí-los.”
“Por que odeia tanto a humanidade?”
“Porque a humanidade é podre, só sabe pensar em si, torturar e matar todos que pensem ou pareçam diferentes.”
De certa forma Chara estava certa, eu me lembrava de como fui tratada depois que meus pais morreram, simplesmente por antepassados, que eu nunca conheci, terem ficado do lado dos monstros na guerra.
“Eu não sou como eles, então a humanidade pode ter alguma esperança.”
“Você é uma idiota bugada, não sei o motivo que te leva a ser tão boazinha com todos, até comigo, você sempre tenta me entender, isso é irritante!”
“É porque acredito que a gentileza pode ser suficiente, às vezes gentileza é tudo o que precisamos.”
“Você é irritante!”
Chara desapareceu, eu continuei, sozinha, no quarto escuro, com meus pensamentos. Algumas horas depois, algo inesperado aconteceu, Sans apareceu no quarto, me olhando, parte dele parecia aliviado que eu estivesse bem, mas parte dele parecia estar revoltada com o fato de eu estar me isolando naquele quarto.
— Frisk, isso já passou de todos os limites, precisamos conversar e vai ser agora.
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