Undertale - True Reset
32 Cartas na Mesa
Notas iniciais
[Frisk]
— Frisk, isso já passou de todos os limites, precisamos conversar e vai ser agora.
Sans ali diante de mim, com a mão estendida, era tão convidativo, mas seus olhos me diziam que a conversa não seria nada agradável.
Eu peguei sua mão e ele nos teleportou, quando chegamos levei uns momentos para reconhecer o lugar, devido a tontura causada pela magia de Sans. Ele soltou a minha mão e saiu andando em direção as fores eco, eu reconheci aquele lugar, era onde eu me declarei para Sans na primeira timeline. Eu andei por elas, escutando todo o diálogo, com minha mente me mostrando imagens do mesmo episódio, era tão emocionante, ao terminar de escutá-las, eu me virei para Sans, meus olhos estavam marejados, e norei que Sans também olhava para as flores de uma maneira gentil, talvez carinhosa até, eu desviei o olhar e disse:
— Sans... será que o casal que se declarou aqui teve um final feliz?
Sans ficou me olhando, como se elequisesse falar algo, depois de mito pensar ele finalmente falou:
— Acredito que esse casal deve estar fazendo de tudo para se reencontrar... Frisk... precisamos falar sobre as outras timelines.
Eu o olhava, sem reação, ele sabia, ele lembrava, eu sabia que era esse o motivo que ele sempre evitava ficar por perto de mim.
— Sans... eu entendo, eu vou seguir o meu caminho, sei que deve ser doloroso ficar por perto de mim, principalmente com tantas lembranças ruins.
— Frisk, você está tirando conclusões precipitadas novamente. Eu quero a sua ajuda, quero que me conte tudo o que aconteceu, nas outras timelines, eu tenho lembranças fragmentadas, e para você querer tanto ficar longe de mim, eu preciso que você me conte, depois, estará livre para fazer o que quiser.
Eu estava sem reação, ele queria saber tudo? Então ele não se lembrava de tudo? Deve ser por isso que ele estava sendo atormentado por aquele pesadelo.
— Okay, eu vou contar o que eu lembro. — Eu me sentei no chão e Sans sentou ao meu lado, me dando um sorriso incentivador. — Eu cheguei aqui com 12 anos, fui resgatada pela Toriel, fiquei com ela por 5 anos, ela me ensinou, eu lia muito, devido ao trauma, eu não conseguia falar, eu li muito sobre a guerra, e lembrei de coisas que meus pais falavam. Sobre os monstros.
— Seus pais humanos sabiam sobre os monstros? — Sans parecia curioso.
— Não muito, eles só contavam o que meus antepassados falavam, que houve uma guerra, e que minha família ficou ao lado dos monstros, por causa disso, quando os monstros foram derrotados, os humanos passaram a excluir a nossa família, era horrível, até que eu vim parar aqui.
— Deve ter sido difícil mesmo.
— Depois de muito ler, eu decidi que queria ajudar, ajudar a libertar os monstros, mesmo que isso significasse quebrar o coração da Toriel, que me tratava como uma filha, e só queria me proteger, eu a enfrentei e saí, foi quando eu te conheci pela primeira vez.
— Disso eu lembro, almofada de pum na mão, piadas, você se divertiu.
— Sim, eu fui criando amizades ao longo da minha jornada, fui conhecendo Papyrus e você melhor ao longo do tempo, e fomos nos aproximando, até o dia, que nesse mesmo lugar, eu confessei os meus sentimentos.
— E eu confessei os meus.
— Aquele foi um dia muito feliz para mim, depois que eu descobri que eu era a última alma que faltava para libertar a todos, eu senti que saberia o que fazer, mas esses sentimentos por você me deixavam em dúvida, eu me mantive no que eu achava que era certo, e entreguei a minha alma para Asgore. Eu tinha libertado a todos, mas eu não me sentia feliz. Eu vi que todos estavam felizes, mas também estavam de luto por minha causa, e você estava sofrendo, eu não suportei. Foi quando eu a escutei pela primeira vez. Chara.
— Quem é Chara? Eu vi você mencionar o nome dela, mas também esse nome me dava muitas sensações ruins.
— Bem, Chara me disse que eu poderia voltar e fazer tudo de novo, que eu poderia conseguir uma maneira de salvar a todos e ainda ter um futuro com você, meu egoísmo me fez cometer o pior erro da minha vida. Eu resetei, mas para minha surpresa, não era mais eu que comandava o meu corpo, Chara havia se aproveitado do momento para tomar controle do meu corpo, eu fui torturada ao ver que todos que eu amava, que não se lembravam de mim, morrerem nas mãos dela, você parecia ter percebido algo, mas nunca deixou muito claro, eu me debatia, queria muito que você me escutasse, que você visse que a minha alma estava presa dentro do corpo.
— Eu lembro que eu vi seus olhos mudarem algumas vezes, e eu me recusava a acreditar que era você, depois de um tempo, eu comecei a achar que a primeira timeline era um sonho, ou uma alucinação. Você, quer dizer, Chara fez tanta coisa, que eu não conseguia processar que era você.
— Não era eu, bem, não até o final.
— E como você se livrou dela?
— Nos encontramos no corredor do julgamento, lá você foi implacável com a gente, nos matou sempre que teve a oportunidade, e eu agradeço por isso, alguém tinha que pará-la. Depois de milhares de mortes, uma mais dolorosa do que a outra, ela começou a perder o controle, pois estava frustrada, com raiva, ela queria muito te matar, ela queria destruir tudo, ela quase destruiu a realidade, na alegria de uma oportunidade, ela perdeu o controle, e eu aproveitei essa chance. Eu queria que você me matasse, mas você não o fez.
— Eu reconheci que não era a mesma pessoa.
— Sim, mas eu tinha tanto medo de que ela tentasse alguma coisa que me recusei a responder as suas perguntas.
[Sans]
Eu suspirei, aquilo estava me incomodando.
— ... Pois bem. E o que levou você a achar que eu não poderia ajudar nessa situação?
— Não é óbvio? Ela quase te matou uma vez!
— Sim, mas foi porque eu não estava ciente da real situação! Não sabia que você tava aprisionada.
— E isso faria alguma diferença?
— Tá me chamando de fraco pirralha?
— N-não! Eu não quis dizer isso!
— Mas soou como tal.
— Mas não foi isso!
— Por que você não confia em mim?
— Eu confio, mas tinha medo dela te enganar e te pegar com a guarda baixa.
— Tá achando que eu sou idiota? Que eu não saberia te reconhecer?
— N-Não! Eu só... eu só... eu só queria te proteger...
— E assim você não me deixou te proteger
— Pois isso tudo foi minha culpa, foi por minha culpa que Chara fez o que fez. Nada mais justo que eu tomasse a responsabilidade!
— Mas era um problema muito além de seu poder! Você mesma diz que ela quase apagou nossa timeline!
— Por isso mesmo!
— Pirou?
— É, pirei! — Frisk levanta seu tom de voz.
— Ela teria te destruído em dois tempos!
— Nao me importo!
— Você sabe que eu poderia lidar com ela!
— Mas não queria que você fosse!
— Por que??
Ela não respondeu, ela me olhava, com aqueles olhos, ela estava escondendo alguma coisa.
— Me diga o porquê!
— Eu me importo com você! Eu amo você! Se voce morresse, nada pra mim teria sentido mais!!!
Eu fiquei sem reação, ela estava dizendo aquilo mesmo? Sim, eu sabia que na primeira timeline nós nos amamos, mas e agora? Ela se referia ao sentimento do passado, o de agora, eu queria tanto perguntar, mas como?
— Eu também te amava! Eu teria feito de tudo para te salvar!
Eu me aproximei dela e a abracei, tudo o que eu queria dizer era que eu queria que ela ficasse comigo, que superássemos nossos traumas juntos, mas algo nela estava se segurando, algo nela estava determinado a outra coisa, eu sentia isso.
— Sans, eu realmente sinto algo muito forte por você, mas todos esses acontecimentos dessas timelines, me mudaram muito, e tenho medo de estar confundindo tantos sentimentos, todas aquelas Frisks eram eu, mas ao mesmo tempo elas tinham algo próprio, assim como eu tenho, eu achei que o sentimento que desenvolvi, era o meu algo próprio, mas já não tenho tanta certeza se é só um reflexo das coisas recém descobertas. Eu quero que você confie em mim, eu precisarei um dia seguir a minha jornada, mas não é para me afastar de você, e sim para concertar todos os meus erros, e eu espero, um dia me encontrar para poder te dizer, com toda a certeza, o que eu sinto, e se possível, que seja sob o céu estrelado de lá da superfície.
— O quê? Você planeja?
— Não posso dar detalhes agora, mas quero aproveitar esses dias com você e Papyrus, seria pedir muito?
Eu que estava abraçado com ela, me mantive assim, eu não queria deixa-la ir, mas eu sabia que ela estava determinada, ela queria concertar todos os seus erros, os erros de Chara, e eu daria todo o apoio que ela quisesse, eu aproveitaria cada segundo ao lado dela, quem sabe com paciência, ela correspondesse os meus sentimentos? Agora eu sabia que esses sentimentos estavam nela, eu só preciso ajuda-la a limpar a casa, limpar toda culpa, toda a tristeza, e ela o encontrará.
— Pequena, eu estarei sempre aqui, estarei sempre de olho em você.
— Obrigada Sans!
Eu queria beijá-la, saber de tudo isso tirou um peso enorme das minhas costas, aquele abraço, aquele contato, só me deixava com mais certeza do que eu sentia, eu só tinha que ser paciente e me controlar.
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