Undertale - True Reset
29 Tempestade
Notas iniciais
Eu praticamente me joguei na cabine de vigia, mas assim que a alcancei, notei que tudo não tinha passado de uma ilusão causada pela tempestade de neve. Tudo estava vazio e cheio de neve, ninguém esteve ali naquele dia.
Decepcionada voltei a caminhar, meio sem rumo, pois nesse momento, me dei conta de que eu não sei quase nada sobre o Sans, não sabia quais lugares ele frequentava, o que gostava de fazer, entre essas coisas. Talvez ele estivesse em outra cabine de vigia, haviam muitas cabines de vigia ao longo do caminho, fui caminhando e checando todas, Sans não se encontrava em nenhuma.
Depois de algumas horas caminhando na tempestade de neve, eu estava morrendo de frio, mas cheguei até a porta das ruínas, me encostei na porta para descansar, eu senti saudades de Toriel, eu sabia que ela tinha dito para eu não voltar, mas eu esperava muito poder vê-la novamente. Sentada lá, foi quando eu percebi que eu era uma idiota.
Peguei o meu celular no bolso do meu short, e procurei pelo número, apesar de nunca ter ligado para ele, eu tinha seu número, Papyrus tinha salvo em meu aparelho, caso eu precisasse falar com ele ou com Sans.
Eu fechei os meus olhos e segurei minha respiração enquanto o telefone chamava, e se ele não me atendesse? E se ele não quisesse falar comigo?
Houve um som de click, que interrompeu o som da ligação chamando.
— Hey!
Eu soltei um suspiro profundo, soltando todo o ar que fiquei segurando em minha respiração, ele me atendeu, mesmo depois de todos os meus pensamentos horríveis.
— Eu não pensei que fosse atender. — Deixei escapar um pensamento.
— Sinto te decepcionar pirralha. — Sans disse, com uma risada que me parecia um tanto forçada. — Isso iria contra minha natureza.
Sans parecia querer soar engraçado, mas eu percebia que em sua voz, havia tristeza?
Ficamos por quase um minuto assim, em silêncio, eu não sabia o que dizer a ele, e ele não sabia o que me dizer.
— Er... Você saiu sem mais nem menos.
— É...
— Tem algo errado?
— Pirralha, tá tudo bem, eu só precisava de um ar...
— Sans, você não precisa de ar...
— Ow! Isso foi golpe baixo!
Ele conseguiu me fazer soltar um riso, mas isso não era hora para ficar feito uma idiota babando por ele, eu tinha que saber o motivo pelo qual ele estava agindo de forma estranha.
Antes que eu pudesse dizer algo, Sans suspirou, como se estivesse tomando coragem para dizer algo.
— Então... você está partindo em breve?
Como? Partindo? Por que ele pensaria que eu partiria assim? Ou pior, será que ele não me queria mais por perto? Provavelmente deveria ser isso, eu devo ter dado muito trabalho, eu tinha que deixar de ser uma preocupação para ele. Algo nas palavras dele, fazia algo se quebrar em meu coração.
— Sans... — Eu disse, não podendo disfarçar a tristeza em minha voz. — Você me odeia agora?
Eu poderia viver com ele não correspondendo aos meus sentimentos, eu poderia viver com ele me oferecendo somente a sua amizade, eu poderia viver com ele fingindo que era meu amigo, eu só não poderia viver com o seu ódio.
— O quê? — Sua voz ficou alta, como se ele tivesse tomado um susto. — Pera um pouco...
— Eu vou embora! — Eu disse, tentado disfarçar que eu estava chorando nesse momento. — Não precisa se preocupar, assim que você voltar para sua casa, eu já terei partido.
— Onde você está?
— Quê?
— Porra Frisk! Onde você está?
Ele praticamente gritou comigo, eu mal enxergava pelas lágrimas e pela tempestade de neve.
— Eu estou...
— Te achei! — Ele me disse aparecendo na minha frente, desligando o aparelho em seguida, enquanto eu estava com o aparelho na orelha, como uma idiota olhando para ele.
Sans parecia ter uma respiração cansada, como se ele estivesse correndo ou algo do tipo, apesar de eu saber que ele não correu, ele simplesmente apareceu ali, diante de mim.
Ele caiu de joelhos ali diante de mim, ficamos na mesma altura, olho no olho, ele deu um sorriso leve.
— Oi.
— Oi. — Respondi tentando disfarçar minha voz de choro.
Ele tirou gentilmente o telefone da minha orelha, o qual eu ainda segurava lá, como uma idiota, ele me fazia agir como uma idiota, meus sentimentos ficavam uma bagunça, eu não era mais a mesma, ter revivido aquelas lembranças, fez algo ser adicionado ao que eu já sentia por ele. Eu era uma idiota que confundia os sentimentos de outras timelines.
Ele colocou a mão em meu rosto, limpando as lágrimas, o toque dele fazia com que eu estremecesse. Ele sorria, de uma forma gentil, eu não sentia mais frio.
— Eu nunca te odiaria, você devia saber disso.
— Você não quer que eu vá embora? Não está se sentindo incomodado com a minha presença?
— Claro que não pirralha! Você não é um Froggit pra sair pulando pra conclusões loucas!
— Mas você perguntou se eu já estava partindo.
— Sim, achei que iria, pois você ficou semanas desacordada, e antes parecia tão determinada a seguir sua jornada, e você mencionou sua jornada assim que teve oportunidade, e eu achei que você não queria conviver comigo mais, por isso eu saí para te deixar sozinha, e ainda tinha todo aquele papo de fingir ser seu amigo... e...
— Quem está tirando conclusões precipitadas agora? — Eu perguntei interrompendo-o. — Puta merda Sans, desde que eu acordei você tem agido estranho, como se estivesse distante, o que você quer que eu ache? Sendo que você nem fica por perto para que eu possa te perguntar diretamente?
— Primeiro: Olha a boca! Segundo, peço desculpas por isso.
— Sans, não é hora pra você ficar corrigindo o modo como eu falo.
— Eu sei. — Sans sorriu. — Frisk, eu só queria deixar as coisas claras.
Oh não! Eu senti que viria um discurso de rejeição. Eu me encolhi, pensando em que isso poderia me ajudar.
— Sabe Frisk, eu sei que você pode estar irada comigo, ou até chateada por aquele acidente, eu quero que saiba que nada mudou entre nós, eu nunca fingiria ser seu amigo, e eu não quero que você me odeie.
— Sans. — Eu disse pegando em sua mão enquanto ele me levantava, nessa hora eu senti como eu estava gelada e o quanto eu precisava me aquecer. — Eu nunca pensei isso, eu só pensei que você estava chateado, ou incomodado comigo.
— E eu pensei que você que não queria mais a minha companhia.
— Eu quero, não tem lugar no mundo que eu me sinta mais segura do que ao seu lado.
Seu sorriso me dizia como ele parecia aliviado com isso, talvez tudo isso teria sido um mal-entendido, e poderíamos voltar a ser amigos.
— Criança, você não tem ideia de como eu me senti quando te vi quase morta, eu pensei que fosse minha culpa.
— Não era, nunca foi, eu só tinha que continuar o meu caminho.
— Então você está determinada a voltar para a superfície? — Eu senti uma pontada de decepção em sua voz, mas eu não podia contar meus planos.
— Sim, mas isso pode esperar, quero que você me leve ao Grillby’s muitas vezes ainda.
— Sim! Haverá uma próxima vez, e muitas outras, sempre que você quiser. — Sans me olhou nos olhos, seu olhar era tão gentil, era quase como um carinho. — Isso se você ficar.
— Eu vou ficar, pelo menos por um tempo. E quando eu for, não irei como eu fui da outra vez, eu me despedirei, e apreciaria muito que você me acompanhasse, ou me visitasse em meu trajeto.
— Eu vou ficar de olho em você. — Sans sorriu, mas em seguida ele notou que eu estava vendo como minhas pernas estavam tremendo e minhas mãos estavam geladas. — Mas temos que ir antes que você morra de hipotermia.
— O que você sabe sobre hipotermia?
— Sei que pode matar humanos. Vamos eu conheço um atalho. — Eu já podia ver o sorriso de sempre no rosto de Sans.
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