Undertale - True Reset
16 Sem despedidas
Notas iniciais
— SAAAAAAAAAAAAAAAANS! SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANS!
Eu estava saindo do meu laboratório quando escutei gritos chamando o meu nome, eu nunca tinha ouvido aquela voz, mas de onde ela vinha, eu sabia exatamente quem era. Teleportei para o quarto onde ela estava, eu a via tremendo, vulnerável, chorando. Minha magia queimava, eu sentia uma ameaça, não a mim, mas a ela. A abracei, ela tremia, ela apertava minhas roupas, como se certificando de que eu realmente estava aqui. Eu ficava tentando acalmá-la.
— Tá tudo bem, eu estou aqui... Me desculpe, tive que te deixar sozinha um pouco...
— Você está vivo! Que bom que você está vivo! — Fiquei em choque ao ouvir a voz dela, aquela voz me despertou tantas sensações, eu jurava que lembrava daquela voz, aquela voz, quase me fazia lembrar de algo, algo que parecia ser muito importante.
— O que foi que você sonhou?
— Sonhei que você estava morrendo. — Um arrepio passou por mim.
— Isso não vai acontecer, eu vou sempre estar aqui. — Ela me olhava nos olhos, deuses, como ela era bonita, como ela me atraía, como ela tinha uma voz bonita. — Você... você está falando!
Ela fez uma cara de espanto, como se ela não tivesse percebido o que tinha feito até o momento, depois de uns segundos, ela sorriu, meu corpo se moveu sozinho, guiado por um sentimento que eu mal entendia, por um desejo que me dominava. Eu a beijei.
De início sua reação foi de surpresa, mas aos poucos seus olhos fecharam, os meus também, mas ela ainda não estava reagindo ao beijo, comecei a sentir lágrimas escorrer de seus olhos, molhando nossos rostos, eu a estava machucando, o que se confirmou logo em seguida, ela me empurrou, nos separando daquele beijo.
Eu fiz tudo errado, eu estraguei tudo, eu sou somente um monstro, somente seu amigo, como pude me aproveitar de um momento de fragilidade dela para fazer isso? Ela nunca mais vai confiar em mim. Ela poderia pensar que eu me aproveitava dela todo esse tempo. Eu senti meus sentimentos sendo quebrados pouco a pouco, eu me precipitei. Eu estraguei tudo.
— Pirralha... me perdoe... foi um erro, não vai voltar a acontecer! — E sem olhar para trás, eu saí do quarto, a deixando sozinha novamente.
Eu não sei o que deu em mim, nunca tinha pensado em tomar essa atitude, ela era uma humana e eu apenas um monstro. Eu saí andando sem rumo, indo parar em Waterfall, lá era o meu refúgio, fiquei horas andando por lá, tentando entender o que esses sentimentos eram, eles eram meus mesmo? Eles eram de um Sans de outra linha? Continuei pensando no que eu realmente já senti durante esses 2 anos, cheguei a terrível conclusão, eu amava aquela pirralha, mas por sua reação, eu jamais seria correspondido, não a culpo, afinal, ela só deve me ver como amigo. Preciso saber o que fazer.
Eu a senti quando ela teve os pesadelos, eu queria tanto ir protege-la, mas agora que ela sabia que era eu que afastava esses pesadelos, ela iria querer minha ajuda? Isso me impediu de ir acalmá-la. Eu vi quando ela saiu de seu quarto, e foi para o quarto do Papyrus, ela preferiu pedir a ajuda dele, ela realmente não queria a minha ajuda. Quando ela olhou para mim, eu vi seus olhos se encherem de lágrimas, eu não pude suportar encará-la. Ela não confiava mais em mim.
Eu estava no sofá, largado como sempre, quando escutei Frisk falando com Papyrus, sobre ir embora amanhã, isso quebrou o meu coração, ela me odiava tanto assim? Eu estraguei tudo tanto assim? Queria ter o poder que ela tem de resetar, pois eu voltaria antes desse momento, e evitaria de acontecer. Eu perdi a convivência, o sorriso, a amizade dela. Eu imediatamente senti uma vontade de sair daquele lugar.
Andei pela noite toda, fui para Waterfall, voltei aquele corredor de flores, e invejei aquele casal que se declarava perto das flores eco. Achei uma flor que só escoava o som da agua, para quem eu confessei:
— Eu te amo Frisk... me perdoa.
Eu te amo Frisk... me perdoa.
Eu te amo Frisk... me perdoa.
Eu te amo Frisk... me perdoa.
Eu te amo Frisk...
Eu te amo...
Ela continuou ecoando enquanto eu me afastava.
Na manhã seguinte, vi ao longe Papyrus se despedindo dela, a vi olhando para os lados agoniada, ela estaria me procurando? Ou se certificando de que eu não estaria por perto quando ela partisse. Eu queria me despedir dela, mas julguei não ser uma boa ideia, então eu a vi partir.
Pouco tempo depois vi Papyrus entrar em Waterfall, e resolvi seguí-lo, encontrei ele conversando com Undyne, eu não pude ouvir a conversa, mas parecia que Papyrus estava dando informações sobre a pirralha. Será que Papyrus ficou magoado com a pirralha, e resolveu entregá-la? Duvido muito, ele pode ter ido tentar convencer a Undyne a deixar a criança em paz.
Quando Papyrus chegou em casa, ele veio falar comigo.
— Sans... Por que não foi se despedir da humana.
— Não sei se ela queria se despedir de mim.
— Não seja bobo! Ela gosta muito de você!
— Você acha mesmo isso?
— Eu diria que ela te considera como um irmão, o que me faz irmão também da humana. Só não sei o motivo pelo qual vocês ficaram tão distantes.
— Um dia eu te explico...
Não pude deixar de sorrir, eu não queria ser só o “irmão” dela, mas se fosse assim que ela se sentia, eu iria colocar tudo de lado para ser o que ela precisasse.
— Papyrus, o que você foi fazer em Waterfall?
— Er... Undyne me chamou, para saber como eu estava em capturar a humana.
— E o que você falou? — Um pânico tomou conta de mim.
— Eu disse que infelizmente ela escapou, mas que eu iria reunir mais informações e passaria essas informações para ela. Ela disse que entende o meu esforço, afinal a humana escapou de minhas mãos por 2 anos. Sans, eu me senti mal de mentir para ela.
— Vai ficar tudo bem Papyrus, tudo vai se resolver.
Passei o dia todo preocupado, estava quase anoitecendo, eu esperava que ela voltasse para casa, eu iria me desculpar por tudo, eu iria contar tudo o que sentia, e se ela realmente não quisesse mais minha amizade, eu entenderia.
A noite caiu, ela não voltou. Eu iria procurá-la.
Quando eu estava saindo de casa, eu senti, algo estava muito errado.
Por favor... esteja bem...
Eu nunca teleportei tantas vezes seguidas, eu sentia minha magia oscilando, pelo excesso de uso, pelas minhas emoções descontroladas.
Por favor... esteja bem...
Eu procurei em boa parte de Waterfall, como ela poderia ter andando tanto em tão pouco tempo. Será que ela estava bem? Continuei procurando, até que vi uns buracos feitos por magia, nas paredes da caverna e no chão. Será que Undyne tinha atacado ela? Se tivesse, eu temia que ela estivesse muito machucada.
Por favor... esteja bem...
O sentimento de urgência crescia em meu peito, eu sentia que precisava encontra-la e rápido.
Eu encontrei sua mochila em uma ponte, que estava quebrada, abrindo um enorme precipício, e eu sabia exatamente onde aquele lugar ia parar. Um enorme buraco negro, feito de magia, para engolir todo o lixo que produzíamos aqui.
Por favor... Esteja Bem...
Se ela caiu no buraco negro, provavelmente ela pararia em outra dimensão, onde não sei se o seu poder de save funcionaria. Eu desci até o depósito de lixo e a procurei, até que vi um corpo caído entre flores que cresceram na água, com metade do corpo submerso, meu corpo congelou ao ver aquela cena, corri até ela, seu corpo estava fraco, ela mal respirava, ela estava morrendo, percebi que meu rosto estava úmido, até me dar conta de que eu estava chorando. Teleportei até minha casa, onde a deitei na cama.
— Por favor... fique bem...
Por um momento seu coração parou, eu entrei em desespero, comecei a enviar grandes ondas de magia através de seu corpo, para que ela não morresse, mas parecia não ter dado resultado, eu já começava a ver a luz de sua alma saindo de seu corpo.
— Frisk... Não me deixe... lute... não se deixe vencer....
Eu fiz algo impensável, mandei uma quantidade de magia tão forte, que qualquer pessoa normal teria morrido, mas eu sentia que a minha Frisk não, ela era forte, a pessoa mais forte que já conheci. O sorriso voltou ao meu rosto quando eu vi, que seu coração, e sua respiração, voltaram ao normal, mas ela ainda não acordava. Eu fui sentindo o meu mundo escurecer, enquanto perdia os sentidos pelo excessivo gasto de magia.
Fui mergulhado na escuridão, mas ela estava viva.
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