Undertale - True Reset
9 Quebra-Cabeças
Notas iniciais
Eu acordei extremamente descansada, apesar de ter dormido em um lugar basicamente desconfortável, segui em frente, e fiquei feliz em saber que existia vários deles espalhados, e todos vazios, teria onde me abrigar para dormir.
Logo à frente em uma trilha estreita em meio as árvores congeladas, encontrei Sans junto de seu irmão, congelei, eu tentei voltar antes que eles notassem a minha presença, mas foi tarde demais, vi o irmão dar um largo sorriso.
— Sans! Meu Deus! É... Um humano?
Vi Sans olhar na minha direção, mas não necessariamente para mim, ele sorriu, piscou e disse:
— Hum... Na verdade, acho que isso é uma pedra.
— Oh! — Papyrus pareceu confuso.
— Ei! Mas o que é aquilo na frente da pedra?
— Deuses! — Ele gritou. Depois ele se aproximou e tentou falar mais baixo, provavelmente para que eu não ouvisse, mas foi em vão. — É um Humano?
— Sim.
— Sans! Eu finalmente consegui! Undyne vai... Eu vou... Serei tão... PPOPULAR!!! POPULAR!!! POPULAR!!!
Eu não pude deixar de rir com o que ele estava dizendo, ele só queria me capturar para poder ter reconhecimento.
— Humano! Você não passará desta área! Eu, o Grande Papyrus, irei te parar! Então, irei te capturar, você será entregue na capital! Então... Então! Eu não tenho certeza do que acontece depois. De qualquer maneira, siga... Somente se for capaz! — E ele foi embora rindo.
Sans veio e ficou ao meu lado, me olhando enquanto sorria.
— Bem, isso foi bom, não se preocupe pirralha. Eu vou ficar de olho em você. — Ele sorriu e piscou.
Segui em frente, até que achei uma das cabanas de vigia, que pensei estar vazia, mas não estava, quando eu menos esperava, um grande cachorro com lâminas pulou em minha direção.
— Algo se moveu? Foi minha imaginação? Apenas posso ver coisas que se movem. Se alguma coisa ESTAVA se movendo... por exemplo um HUMANO... me assegurarei de que NUNCA se mova novamente!
Droga, eu teria que enfrentá-lo. Me mantive imóvel enquanto ele passava sua espada próximo a mim, ele não conseguiu me achar, quando ele se distraiu, procurando por movimentos suspeitos, eu comecei a fazer carinho em sua cabeça, ele ficou eufórico, até que ele guardou as lâminas.
— Alguma coisa estava me fazendo carinho... Alguma coisa que não estava se movendo...
Ele foi embora, aproveitei que já estava ficando cansada de tanto andar, e fiquei naquela cabana mesmo, me aconcheguei e adormeci, não tive pesadelos, só aquela sensação boa de estar sendo envolvida por uma magia azulada.
Dia seguinte eu acordei e segui o meu caminho, para minha surpresa encontrei o Sans logo cedo.
— Bom dia pirralha.
Sorri dando bom dia para ele também.
— Bem... — Ele parecia meio sem graça de falar algo. — Tem algo que eu acho bom que você saiba, meu irmão tem um ataque muito especial. Se você ver um ataque azul, não se mova e ele não poderá te machucar. — O mais estranho, foi que quando ele falou em ataque azul, eu imediatamente lembrei dos sonhos de estar sendo abraçada por uma magia azul. —Tem uma maneira fácil de manter isso na memória: imagine uma placa de “Pare”, quando você vê esse tipo de sinalização, você para né? — Concordei com a cabeça. — Sinais de pare são vermelhos, então imagine-os, azuis, simples né?
E assim, apenas piscando para mim, ele foi embora. Segui para o norte, onde encontrei um boneco de neve, que me pediu para levar um pedaço dele o mais longe que eu pudesse.
Segui o meu caminho, logo em seguida, me deparei com um cachorro com vestes de cavaleiro, ele me olhou e abanou o rabo, eu estendi a mão para fazer carinho e ele já ficou todo feliz, e eu o acariciei, ele abanou o rabo mais rápido. Foi impressão minha ou vi o pescoço dele crescer? Sim, estava crescendo, depois de muito brincar e fazer carinho nele, seu pescoço estava enorme! Ele dava voltas e voltas ao meu redor, quando achei que era o suficiente, fiz mais um carinho e segui o meu caminho, e o cachorro foi embora, saltitante e feliz, com um enorme pescoço. Pouco mais adiante cheguei onde estavam Sans e Papyrus (Como Sans tinha ido parar lá, não sei, afinal ele seguiu em direção contrária logo de manhã.), eles pareciam estar discutindo, apesar dessa discussão parecer bem unilateral, já que só o Papyrus parecia aborrecido, e Sans tinha o mesmo sorriso despreocupado.
— Você é tão preguiçoso! Você estava cochilando a noite toda!
— Eu acho que isso se chama... Dormir.
— Desculpas, desculpas! — Ele finalmente notou minha presença, apesar de eu desconfiar de que Sans sabia o tempo todo que eu já estava ali, isso era intimidador. — Olhe, o humano chegou! Para te parar, meu irmão e eu criamos alguns quebra-cabeças! Eu acho que você vai achar esse um tanto... CHOCANTE! — Ouvi uma risadinha abafada do Sans. — Como pode ver, este é um labirinto invisível... Quando você tocar as paredes do labirinto, este orbe irá lhe administrar um choque elétrico! Parece divertido? — Não entendi o conceito de diversão dele, mas sinalizei um não com a cabeça. — Porque a quantidade de diversão que você terá provavelmente será bem pequena. Ok, você pode ir em frente agora.
Eu dei um passo para trás. Eu não queria levar choques.
— Ah, qual é? Não seja rude! Eu projetei esse quebra-cabeças especialmente para você!
Olhei para o Sans e ele assentiu com a cabeça, me incentivando a seguir em frente. Dei um passo para frente, Papyrus tomou um choque. Não pude evitar rir, nem o Sans.
— Sans! O que você fez?
— Eu acho que é a humana que tem que segurar o orbe.
Então ele veio, traçando o caminho na neve, eu não acreditei que ele não percebeu que estava me dando a resposta, ele me entregou o orbe e voltou pelo mesmo caminho, então eu segui seus passos. Ele me olhou incrédulo.
— Inacreditável, seu caracol escorregadio! Você resolveu tão facilmente! Fácil até demais!
Queria conseguir falar para dizer que ele que me entregou a resposta.
— Mas o próximo não será tão fácil! Foi projetado pelo meu irmão, Sans! — Sans piscou para mim, juro que queria saber de que lado ele estava. — Você se sentirá confuso! Eu sei que eu me senti.
E assim ele saiu rindo, Sans deu uns passos na minha direção sorrindo, me aproximei.
— Ei, muito obrigado... meu irmão parece estar se divertindo. Já viu a roupa que ele usa? — Concordei com a cabeça. — Nós a fizemos como uma fantasia para uma festa, mas ele gostou tanto, que não usa outra desde então... ele chama de “traje de batalha.” Meu irmão não é legal?
Eu fiquei sem resposta, mas no final sorri, ele parecia gostar muito do irmão. O deixei onde estava e segui o meu caminho. Pouco a frente eu salvei, fazia tempo que eu não salvava, se algo acontecesse, eu teria que percorrer um caminho muito grande.
Depois de um tempo andando, eu vi uma barraquinha de sorvete, onde eu comprei um Gentilvete, estava seguindo meu caminho, quando tomei um susto, Sans estava diante de mim, mas eu o deixei a mais de meia hora atrás.
— E aí pirralha? — Ele disse piscando.
Peguei o meu bloquinho e escrevi.
“Como você passou por mim sem que eu percebesse? Você ficou lá atrás!”
Ele leu e me olhou:
— Eu tenho os meus atalhos... Mas quero perguntar, você não fala?
“Eu falava, mas não consegui mais falar depois que caí aqui”.
— Hum... entendo, então você não sabe a linguagem de sinais?
“Não, nunca me ensinaram, eu também não tenho muito o que falar, estou sozinha nessa jornada”.
— Entendo. — O tom dele ficou um pouco estranho, decepção talvez? — Onde você vai passar a noite?
“Arranjarei algum lugar”.
Ele assentiu e se virou.
— Okay, te vejo por aí pirralha!
E quando eu dei por mim ele já tinha sumido.
Achei um lugar para dormir, onde eu descansei bem, protegida pelo meu anjo azul.
Acordei bem-disposta, foi um dia cheio, andei bastante, dia do novo quebra-cabeças do Papyrus, um papel com palavras cruzadas no chão, isso tinha cara de piada. Mas o Sans me disse que o Papyrus ficou horas tentando resolver o horóscopo. Depois de um dia cheio, dormir parecia uma boa pedida. Quando eu acordei, eu salvei.
No dia seguinte, próximo ao local onde dormi, tinha um prato de espaguete, com um bilhete do Papyrus: Humano, por favor, delicie-se com esse espaguete (Sabendo que ele é uma armadilha preparada para seduzir você!), você estará tão ocupado comendo, que não perceberá que não está progredindo! Terminei de ler e vi que o espaguete congelou por causa da neve, suspirei, realmente estava com um pouco de fome, mas só tinha uns trocados, o donut das aranhas e algumas balas de monstros, comi uma das balas, e segui em frente.
Pouco a frente, encontrei o Sans, ele tinha um pacote nas mãos.
— E aí pirralha? Preparada para mais um dia de quebra cabeças com o Papyrus? — Eu o olhei sem saber o que responder, ele se aproximou ainda mais, me entregando o pacote. — Você deve estar com fome, pegue, são muito boas. — Ele viu a minha hesitação. — Não se preocupe, são só batatas.
Eu peguei o pacote e o abri, o cheiro maravilhoso de batatas fritas, mas essas eram mais cheirosas, ou era a minha fome, eu as comi, Sans se sentou em uma pedra e ficou me olhando comer, sorrindo, eu achei aquilo estranho, por que ele estava me ajudando e ao mesmo tempo ajudando o irmão a me capturar? Terminei de comer, ele pegou o pacote vazio, piscou para mim e saiu andando, quando fui tentar segui-lo, vi que ele tinha sumido.
Andei um pouco, achei um mapa enterrado na areia, com o mapa em mãos achei o local onde tinha uma trava escondida na neve, puxei a trava e escutei o barulho, dei a volta e os espinhos que bloqueavam a passagem tinham desaparecido.
Andei um pouco e tive que enfrentar um casal de cachorros, mal tive a chance de sair da luta, eles me mataram em um ataque coordenado. Eu caí no escuro.
Vi o Rei pegar o meu corpo cuidadosamente, e o carregou, quando vi Sans entrando na sala, o vi correr e pegar o meu corpo, senti o meu rosto se molhar, eu estava chorando, estava doendo ver ele sentindo tanta dor. Ele chorava e gritava, gritava o meu nome, gritava que eu não podia tê-lo deixado.
Eu acordei onde tinha passado a noite, fiz tudo como o de costume, mas ainda pensando no sonho estranho. Mais à frente encontrei novamente com o Sans, e tudo se repetiu:
— E aí pirralha? Preparada para mais um dia de quebra cabeças com o Papyrus? — Eu o olhei sem saber o que responder, achando estranho a repetição, ele me entregou o pacote. — Você deve estar com fome, pegue, são muito boas. — Ele viu a minha hesitação. — Não se preocupe, são só batatas.
Eu já conhecia o cheiro das batatas, sentei na pedra onde ele sentou da outras vez e comecei a comer, ele me olhou, como se eu tivesse feito algo que ele não esperava e sentou-se ao meu lado, tirando um vidro de ketchup do agasalho dele.
— Também trouxe ketchup, caso você goste.
Eu fiquei olhando por alguns segundos, sem entender o que tinha acontecido, todas as vezes que eu usei o save nas ruínas tudo acontecia exatamente do mesmo jeito, a menos que eu mudasse alguma coisa, por que com ele era diferente? Terminei de comer, com aquilo na cabeça, quando Sans estava se preparando para ir embora, ele simplesmente disse:
— Se você tiver um cheiro estranho, os Dogami nem vão te dar chance, aja como um filhote, brinque na neve, quem sabe assim você consegue se aproximar.
Eu fiquei de boa aberta, sem saber o que dizer, o que pensar, ele simplesmente piscou e foi embora depois disso, as coisas estavam ficando muito estranhas, eu só queria que tudo voltasse ao normal.
Fiz tudo novamente, mapa, trava, passei pela barreira de espinhos, e antes de encontrar com eles, eu vi um lugar onde a neve estava bem fofa, e lembrei das palavras do Sans, eu deitei na neve, brinquei de fazer formato de anjos na neve, confesso que me diverti. Segui adiante, os dois cachorros me cheiraram, e me deixaram fazer carinho neles, me deixando passar.
Resolvi os quebra cabeças de X e O facilmente e bem rápido até, deu para adiantar bem o caminho, apesar de nem saber para onde eu estava indo, eu só sabia que tinha que chegar a algum lugar. No mesmo dia enfrentei um novo quebra cabeça do Papyrus, um chão que ficava todo colorido, e cada cor tinha uma função diferente, que eu não entendi o que cada um fazia, mas concordei com a cabeça, porque sabia que não ia entender mesmo. Para a minha sorte, o quebra-cabeças bugou, e eu passei sem problemas.
Finalmente cheguei em um lugar, onde eu poderia me abrigar e descansar.
Quando eu estava pegando no sono eu comecei a escutá-la:
“Agradeça o fato de que ele não lembra de você, nem você dele, pois se ele lembrar, ele nunca iria te perdoar, ele nunca te perdoaria.”
Tudo o que eu pedi mentalmente foi que o meu anjo azul chegasse para me proteger da Chara.
Fale com o autor