Undertale - True Reset
10 Chegada a Snowdim
Notas iniciais
Acordei, salvei como de costume, e segui meu caminho, encontrei um lugar cheio de esculturas inacabadas, com cachorros de pescoço enormes.
Depois de passar por uma placa de gelo escorregadiça, onde eu tomei uns belos tombos (pude jurar que ouvi alguém rindo), cheguei a uma descida, onde fui, explorar, ver se achava o caminho. Encontrei o Sans encostado em uma pedra, ele sorriu quando me viu.
— E aí pirralha? Perdida?
Eu balancei a cabeça, ele sorriu e eu continuei, perto de uma entrada de uma caverna, eu o encontrei novamente. “Mas que merda é essa?” pensei, e ele olhou para mim como se nada estivesse acontecendo.
— Piralha, você está me seguindo?
Balancei a cabeça novamente, olhei para trás, dava para ver a pedra onde ele estava inicialmente, e estava vazia, eu me senti confusa, ele parecia se divertir com a minha confusão.
Suspirei e segui em frente, entrei na caverna, era sem saída, na verdade tinha uma porta, mas estava trancada, quando saí de lá, Sans não estava mais por perto.
Segui em frente, voltando ao caminho original, que me levou a uma pequena ponte de madeira, onde eu pude ver Sans e Papyrus na outra ponta. Talvez Papyrus não me deixasse passar.
—Humano! Esse é o seu desafio final e o mais perigoso! Contemple o desafio do terror mortal!
Nesse momento surgiram canhões, tochas, lanças, bolas de espinhos e até um cachorrinho. Eu queria correr dali, e juro que por um segundo vi de relance uma ponta de preocupação na feição de Sans.
— Quando eu disser o comendo, ele vai ativar totalmente! Canhões irão atirar, espinhos vão balançar, as lâminas vão cortar, cada parte irá se ativar violentamente! A chances de passar por isso são quase nulas! Está preparado? Pois estou a ponto de ativar.
Lágrimas apareceram em meus olhos, em um impulso eu me joguei da ponte, escutando o grito de Sans e Papyrus ao fundo.
—FRISK!!!
— HUMANOOOO!!!
Tudo ficou preto, imagens começaram a se formar eu estava de volta na entrada das ruínas, na cama de flores, onde caí, onde tudo começou, mas estava diferente, não era eu que estava lá, eu só observava, tinha outra pessoa chegando lá.
Eu o vi deitar na cama de flores, olhando para o buraco onde caí, o vi chorar, vi o sol confortá-lo, vi a chuva molhar... Eu chorei por não poder tocá-lo. Eu estava preparada para partir agora. Era minha “determinação” que me mantinha ali, mesmo sem alma.
“Você vai morrer e morrer... sempre cometendo os mesmos erros... até que você vai desistir...”
“Nunca!” respondi.
“Ele vai lembrar do que você, ou melhor, do que eu fiz a ele... ele nunca vai te perdoar... seu erro nunca vai ter volta.”
“Eu não vou deixar você conseguir o que quer... Chara...”
Acordei onde eu tinha salvado da última vez, e depois disso tudo foi igual, tombos no gelo liso, Sans aparentando estar em dois lugares ao mesmo tempo, e finalmente a ponte, depois de todo o discurso, percebi que Papyrus estava hesitante em relação a ativação de todas aquelas armas, e eu estava determinada a passar, depois de um tempo nesse impasse Sans suspirou, não sei se de alívio ou de tédio.
—Bem? Por que a espera?
— Espera? Que espera? — Respondeu Papyrus. —Eu... Eu estou prestes a ativar tudo agora!
Eu fechei meus olhos esperando tudo ser ativado para eu sair correndo, mas nada aconteceu.
— Não me parece muito ativado. — Debochou Sans.
— Bem, este desafio parece talvez... muito fácil para derrotar o humano. É, não podemos usar este. Eu sou um esqueleto com princípios! Meus quebra-cabeças são bem justos e minhas armadilhas especialmente cozidas, mas esse método é muito direto, não possui classe nenhuma.
Papyrus deu um suspiro, esse sim, com certeza de alívio. Eu poderia ver que ele não queria me machucar, eu sorri, pude ver uma leve mancha laranja aparecer em suas bochechas ósseas, esqueletos coravam?
— O que você está olhando? — Eu desviei o olhar e desfiz o sorriso. — Esta foi outra vitória decisiva para o Grande Papyrus!
E assim ele foi embora. Terminei de atravessar a ponte, e fui até Sans que permanecia na outra ponta. Ele me olhou, e disse:
— Eu não tenho ideia do que o meu irmão vai fazer agora. Se eu fosse você, me certificaria de aprender tudo sobre os ataques azuis.
Depois disso ele foi embora, antes que eu pudesse perguntar como ele fez o que ele fez mais cedo.
E finalmente cheguei em Snowdin. Uma pequena cidade, bem acolhedora, nenhum monstro me atacou, muito pelo contrário, fui muito bem recebida. Consegui um quarto no Snowed Inn, foi tão bom tomar um banho bem quente e não só me limpar com a agua da neve derretida, consegui umas roupas na loja que fica do lado do hotel, na biblioteca, arrumei uma professora que vai me ensinar língua de sinais, vai ser melhor para me comunicar. Vou ver se arrumo um lugar para trabalhar por aqui, para pagar o meu hotel, comida e as necessidades, acho que ficarei um tempo aqui.
Eu me deitei e logo dormi, fui caindo no mundo dos sonhos, logo eu estava em um lugar familiar, estava em Snowdin, quando fui interceptada pelo Papyrus, mas eu não estava controlando o meu corpo. Chara estava.
— Parada humana! — Chara continuou andando. — Ei, pare de se mover enquanto eu estiver falando com você! Eu, o Grande Papyrus, tenho algumas coisas para dizer. — Chara deu mais um passo. — Primeiro, você é muito esquisita! Não só não gosta de quebra cabeças, mas da maneira que você vai de lugar para lugar... A maneira em que suas mãos sempre estão cobertas de cinzas. Sinto que sua vida está seguindo um caminho perigoso. Entretanto, eu, o Grande Papyrus, vejo grande potencial em você.
“Não, Papyrus, fuja!”
Eu gritava, mas não saia nenhuma voz de mim, eu não controlava o meu corpo, mas era obrigada a ver tudo.
“Chara, por favor... por favor... não o mate, eu te imploro...”
“Estou pensando se o poupo.”
Sua voz ecoava em minha mente.
— Todo mundo pode ser uma boa pessoa, se tentar! E eu tento, eu tenho que tentar! — Chara deu mais um passo, a senti pegar a faca que estava em nossos shorts. — Já disse, pare de se mexer! É exatamente sobre isso que estou falando. Humana, eu acho que você precisa de orientação, alguém que te ensine a se manter no caminho certo, mas não se preocupe, eu, Papyrus... serei seu amigo e tutor. Eu transformarei a sua vida! — Eu chorava com aquele discurso, eu amava tanto o Papyrus, ele era um dos meus mais preciosos amigos, e agora ele era alvo dessa sanguinária. Eu assistia ela se aproximar cada vez mais, eu sentia o instinto assassino dela. Eu queria impedir, mas eu não tinha forças.
— Vejo que você continua se aproximando. Você está oferecendo um abraço de trégua? — “NÃO! PAPYRUS NÃO! NÃO CHEGUE PERTO DELA!” — Meus ensinamentos estão funcionando? — Eu a sentia sorrir, ele provavelmente estaria interpretando errado esse sorriso, ele era ingênuo demais. — Eu, Papyrus, te recebo de braços abertos!
“NÃO!”
“SIM!”
E com um só golpe, ela o acertou. Eu vi a decepção em seus olhos, eu chorava em ver sua vida terminar assim, eu queria fazer tudo diferente.
Vi sua cabeça sair de seu corpo de esqueleto, enquanto ele dizia:
— B-Bem, isso não era o que eu esperava... Mas... eu ainda acredito em você... Você pode ser melhor do que isso, mesmo que não ache. Eu... Eu prometo...
E assim seu corpo virou cinzas.
“SANS! SOCORRO! PAPYRUS! NÃO!”
Eu sentia ela saboreando a minha dor, o meu sofrimento.
“Ele nunca vai te perdoar por isso... Ele nunca vai te perdoar... Ele vai te odiar para sempre... mesmo que ele não lembre de você, a dor que você trouxe para a alma dele, não é a do tipo que se esquece.”
“SANS! SANS? SANS ME PERDOA? SANS... PAPYRUS... SANS!!!”
Fui acordada por um Sans com olhar ameaçador, um de seus olhos parecia estar em chamas azuis.
— Calma pirralha! O que aconteceu? Você estava gritando o meu nome e o do Papyrus. O que foi estranho, pois achei que você não podia falar.
Meu impulso foi abraça-lo, não sei o que deu em mim, eu nem parei para perguntar o que ele fazia em meu quarto, eu só queria esquecer aquela dor, mas eu não poderia contar o que houve para o Sans.
— Calma... Foi só um pesadelo... Sonhou com aquela última armadilha do Papyrus? — Eu não respondi, só me afundei mais ainda no abraço dele, que por incrível que pareça, me acalmava. — Ou sonhou com você se jogando da ponte de novo? — Eu congelei, como ele sabia disso? — Mas o que estou falando... Claro que você não se jogou da ponte, você está aqui, viva. Está segura.
Ele começou a desfazer o abraço, eu o olhei nos olhos, o olho brilhante sumiu, estavam seus olhos normais. Ele me olhava com uma expressão preocupada.
— Olha, vou te deixar dormir agora, que parece que está tudo bem.
E novamente movida por um impulso eu apertei as laterais de suas roupas, ele se espantou por eu o impedir de se levantar.
— Você quer que eu fique até que você pegue no sono novamente? — Eu concordei com a cabeça, o que tinha dado em mim? Eu mal o conhecia. — Okay, pode dormir tranquila, eu só sairei daqui quando tiver certeza de que está tudo bem.
Ele se mexeu na cama de forma a se sentar encostado na cabeceira, ele mexeu no meu cabelo e eu dormi, segurando sua mão óssea, que ao contrário do que imaginava, eram mornas.
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