Undertale - True Reset
11 Estabilidade
Notas iniciais
Quando acordei, Sans não estava mais no meu quarto, será que eu também tinha sonhado com isso? E por que diabos eu sonharia que ele estaria no meu quarto? Como ele sabia do que aconteceu comigo no outro save, teoricamente não era para ninguém saber o que aconteceu quando eu carregasse um save, melhor não pensar nisso, um dia eu perguntaria tudo para o Sans. Tentei falar, já que eu tinha conseguido gritar, mas minha voz ainda não saía, talvez tenha só sido o momento de desespero, nesses sonhos eu pareço conhecer tão bem eles, o que é estranho.
Terminei de me arrumar para sair, olhando no celular que a Toriel me deu, vi que seria meu aniversário em 2 semanas, eu estaria fazendo 15 anos. Ia ver se conseguia um bolo, mesmo que fosse para comemorar sozinha. Saí do meu quarto encontrando Sans na porta do hotel, ele parecia estar me esperando.
— E aí pirralha? Dormiu bem? Sem mais pesadelos? — Então tudo foi real.
Eu balancei a minha cabeça em sinal negativo. Ele me olhou, esperando que eu falasse.
— Ué? Ainda não consegue falar? Mas ontem você gritava a plenos pulmões... Bem, mas isso não é da minha conta. Já tomou café da manhã?
Balancei a cabeça, ele sorriu.
— Bem, vamos ao Grillby’s? — Ele me disse estendendo a mão.
Eu peguei em sua mão e no segundo seguinte já estávamos dentro do Grillby’s, eu o olhei perguntando como isso seria possível.
— Heh pirralha... eu tenho os meus atalhos.
Todos cumprimentaram Sans, ele parecia muito popular, ouvi também uns cochichos a meu respeito, mas para minha surpresa nenhum dos comentários eram hostis. Será que realmente achei um lugar para ficar? Tomamos nossos lugares, onde Sans pediu 2 sanduíches, enquanto esperávamos, o olhei para Sans tomando coragem de perguntar, segurando o bloquinho em meu bolso.
Abri a boca e Sans me olhou, esperando que eu falasse algo.
— Você quer falar sobre a noite passada?
Concordei, pegando o bloquinho e escrevendo:
“Como você chegou ao meu quarto?”
— Bem, eu estava no hotel, e ouvi gritos me chamando, eu imediatamente fui até as fontes dos gritos. — Eu sento que ele não estava sendo totalmente sincero, mas não ia pressionar.
“Por que você mencionou eu ter me jogado da ponte?”
— Sabe pirralha... as vezes eu tenho a impressão de viver algumas coisas mais de uma vez, com algumas diferenças, eu evito falar sobre isso, pois nunca observei ninguém reagir a esses episódios, bem, mas você reagiu.
Ele era muito mais perceptivo do que eu pensava.
“Reagi, pois você estava falando coisas que não tinham acontecido.” Menti.
— Oh, entendo, me desculpe ter te assustado pirralha. — Ele bagunçou o meu cabelo, eu sorri.
Nossos pedidos chegaram, enquanto comíamos ele me perguntou outra coisa, na verdade, acho que ele queria mais era desabafar suas suspeitas.
— Bem, eu quero te perguntar uma coisa... Já ouviu falar de uma flor falante? — Imediatamente eu lembrei de Flowey e que ele pode estar me seguindo esse tempo todo, não pude deixar de olhar pelos cantos procurando por ele. Concordei com a cabeça. — Então, você as conhece, as flores de eco. — Okay, acho que não estávamos mais falando da mesma coisa. — Bem, Papyrus me disse algo interessante outro dia, depois daquela armadilha mortal, às vezes, quando não tem ninguém por perto, uma flor aparece e sussurra coisas para ele. Elogios... avisos... encorajamento... previsões. Estranho né? — Eu estava suspeitando realmente que fosse o Flowey. — Alguém deve estar usando uma Flor Eco para pregar uma peça nele, fique de olho okay? Ele me disse que a ideia daquela armadilha, foi dessa flor...
Agora eu tinha certeza, era do Flowey que ele estava falando, mas Sans parecia não ter ideia do que se tratava, e eu não queria que ele me achasse louca.
— Então pirralha, o que planeja fazer agora?
“Acho que ficarei um tempo aqui em Snowdin, tirando o seu irmão que quer me capturar, ninguém me trata com hostilidade, tenho um lugar para dormir, tenho lugar para comer, tenho lugar para aprender, vou aprender linguagem de sinais, só preciso de um lugar para trabalhar.”
— Ora, mas acho que isso pode ser solucionado. Grillby? — Veio o garçom, uma pessoa feita de chamas, vestindo um uniforme de garçom. — Você não estava precisando de uma ajudante? — Ele concordou com a cabeça. — Então, deixe-me te apresentar a minha amiga Frisk, ela está procurando um trabalho.
Grillby se virou para mim:
— Se quiser, será bem-vinda! Preciso de uma ajudante para as tardes.
Sorri para ele, concordando, eu consegui um emprego, bem, na verdade o Sans conseguiu para mim.
“Obrigada!”
— De nada pirralha. Bem, eu terminei aqui e vc? Grillby, coloque isso na minha conta. — Concordei. — Para onde vai daqui?
“Biblioteca”
— Hum, vai estudar um pouco?
“Sim, quero estudar um pouco sobre os monstros, e saber se tem algum que seja tipo, um anjo azul.”
Saímos e estava nevando um pouco forte, eu coloquei o meu cachecol cobrindo boa parte do meu rosto, e Sans cobriu sua cabeça com o capuz de sua jaqueta.
— Nunca ouvi falar em um tipo de monstro desses, por que procura um assim?
Me senti corar, ele me olhava curioso. Parei um pouco no percurso enquanto escrevia.
“Bem, pode parecer estranho, mas tenho tido uns pesadelos, mas quase sempre eu sinto uma magia, uma energia azul, me confortando, e me tirando dos pesadelos, assim eu consigo dormir bem, se tiver algum monstro assim, e for o que eu estou procurando, eu gostaria de agradecer.”
Notei Sans puxando ainda mais o capuz, a ponto de cobrir quase todo o seu rosto, mas pude ver uma pequena parte, havia aquele rubor azul, que eu tinha visto antes.
— Entendi, você pode sentir a magia do monstro então. Espero que possa achar a resposta que você procura.
Sorri e seguimos caminho, chegando na Biblioteca, eu pesquisei, e realmente não havia nenhum registro de monstro da maneira que eu imaginei, mas descobri como funciona os relacionamentos entre monstros, descobri que monstros acreditam em alma gêmea, que eles criam uma ligação de alma com a alma gêmea, onde um pode sentir o outro. Isso explicaria muita coisa, se não fosse o fato que eu não sou apaixonada por ninguém, e não sou um monstro, e sim uma humana. Eu tive minhas primeiras aulas de linguagem de sinais, e aprendi a dizer algumas coisas básicas, espero que isso facilite as coisas.
Durante a tarde eu comecei a trabalhar no Grillby’s.
***
[EXTRA: Presenças Estranhas]
(Trecho sob o ponto de vista de Sans)
Eu estava me acostumando a cuidar do sono da pirralha, de alguma forma também me prevenia de ter os meus próprios pesadelos, mas agora ela estava segura, no hotel, nenhum monstro a atacaria, e acredito que as melhores condições, como uma cama quentinha, podem afastar os pesadelos dela. Por via das dúvidas eu decidi, checar, somente dar uma olhada se ela estava bem, assim que eu me certificasse que ela estivesse bem, eu iria embora.
Me teleportei para seu quarto e a vi dormindo, ela abraçada e apertava um travesseiro, mas não dava para saber se ela estava tendo um pesadelo, quando eu ia usar minha magia para acalmá-la um pouco, senti uma presença, uma presença ameaçadora, um sentimento que parecia de certa forma familiar, e fui tomado pelo medo e desespero. Imediatamente senti meu olho queimar e minha magia se elevar, eu estava alerta. Quando ouvi seus gritos:
— SANS! SOCORRO! PAPYRUS! NÃO!
Levei uns segundos para saber de onde vieram aqueles gritos, me fazendo tentar acordar a humana, sem sucesso, eu via que escorriam lágrimas de seus olhos, o que me fez lembrar da cena onde ela se jogou da ponte, por medo da armadilha que meu irmão tinha preparado, apesar de eu não saber se aquilo tinha realmente sido ideia dele, aquele tipo de atitude assassina era muito mais condizente com a Undyne.
Senti a presença ficar mais forte, e ouvir os gritos de Frisk me fizeram ficar mais desesperado ainda.
— SANS! SANS? SANS ME PERDOA? SANS... PAPYRUS... SANS!!!
— FRISK! Acorde! É só um sonho, NÃO é real! — É estranho como eu me sinto quando a chamo pelo nome, melhor continuar a chama-la de pirralha ou criança, pois é isso o que ela é.
Quando a vi abrir os olhos, por um momento vi que ela sentiu medo de mim, isso me cortou o coração, mas eu compreendo, já que ela nunca deve ter visto meus olhos do jeito que estavam, eu a segurava pelos ombros, quando notei que ela percebeu, a soltei, depois de alguns segundos, ela pareceu aliviada de ser eu que estava ali ao seu lado.
— Calma pirralha! O que aconteceu? Você estava gritando o meu nome e o do Papyrus. O que foi estranho, pois achei que você não podia falar.
Ao dizer isso, sem nenhuma palavra dela, ela simplesmente me abraçou, pude sentir que ela estava chorando, algo a tinha aterrorizado, e eu sabia que tinha relação comigo e com Papyrus. Correspondi ao abraço, acolhendo aquela criança. Tão independente e tão frágil. Pensei em como ia explicar o fato de estar no quarto dela, talvez ela se assustasse e se afastasse de mim.
— Calma... Foi só um pesadelo... Sonhou com aquela última armadilha do Papyrus? — Não tive resposta, provavelmente não foi isso, ou ela não quer falar sobre isso. — Ou sonhou com você se jogando da ponte de novo? — Droga! Como pude deixar isso escapar? Não seria bom pra ela saber que ela reseta quando morre, ou algo assim. Na verdade, nem sei se ela lembra. — Mas o que estou falando... Claro que você não se jogou da ponte, você está aqui, viva. Está segura. — Tentei concertar o meu deslize.
Eu comecei a me desfazer do abraço, eu ia arrumar uma desculpa para ir embora. Ela me olhou com uma expressão desesperada.
— Olha, vou te deixar dormir agora, que parece que está tudo bem.
Quando fui levantar, fui impedida por duas pequenas mãos que seguraram minhas roupas, me fazendo ficar no lugar onde eu estava. Pude ver o medo em seus olhos, ela não queria ficar sozinha.
— Você quer que eu fique até que você pegue no sono novamente? — Ela assentiu com a cabeça — Okay, pode dormir tranquila, eu só sairei daqui quando tiver certeza de que está tudo bem.
Me ajeitei na cama, ficando sentado, com as costas na cabeceira, ela deitou e ficou segurando minhas mãos, caindo logo no sono. Suas mãos eram macias e quentes, eu queria dormir com essa sensação.
— Não se preocupe pequena, eu não vou deixar que nada mais atrapalhe o seu sono.
***
[EXTRA 2: Sussurros na neve]
(Trecho sob o ponto de vista de Papyrus)
Eu estava treinando, para me aprimorar, quando meu grande amigo, Flowey apareceu para me ver treinar.
— Olá! Eu posso ver o Grande Papyrus treinar?
— Sim! Você é sempre bem-vindo!
— Me mostra o que você tem treinado?
Eu sorri e mostrei um de meus ataques, materializando ossos e ossos holográficos, tão velozes, que eram quase impossíveis de distinguir.
— Uaaaau! Isso foi incrível! Faz de novo?
— Claro! Faço, pois, minha plateia pede!
Repeti o ataque, eu podia ver a admiração que aquela pequena flor tinha por mim, e isso me deixava tão feliz. Depois que terminei, sentei ao seu lado para que pudéssemos conversar.
— Incrível! É muito melhor pela segunda vez! Você ficou muito forte Papyrus, não acredito como ainda não entrou para a Guarda Real, eles precisam de alguém como você!
— Sim, eles precisam, mas Undyne disse que eu ainda não estou pronto, que preciso de mais treinamento, ela quer que eu seja o melhor!
— Mas você já treina tanto! O quão melhor o Grande Papyrus pode ficar?
— Talvez ela esteja esperando o melhor momento para me aceitar, quando for o meu momento de glória!
— E quando isso vai acontecer?
— Em breve!
— Mesmo?
— Sim! Claro! Tenho certeza! — Eu não tinha tanta certeza assim.
— Papyrus, eu sou seu amigo, seu melhor amigo, e não gosto de ver a maneira injusta com a qual te tratam. Sendo sincero... Eu não acho que a Undyne vá te deixar entrar.
— FLOWEY, ISSO NÃO É VERDADE! — Eu não o queria dizendo essas coisas.
— A menos que. — Ele me interrompeu. — Ela possa ver de verdade, o quão forte você é! Aquelas aulas de culinária, não revelam o seu verdadeiro potencial.
— Bem, talvez não seja um treinamento convencional, mas como posso mostrar para ela que eu sou forte? Já mostrei todas as minhas técnicas.
— Bem, você fez o que eu te disse?
— Eu tentei, mas não deu certo, de alguma forma aquilo me pareceu muito violento, eu simplesmente não consegui.
— Você perdeu a chance de ouro! Se você levar a alma da humana, Undyne vai de deixar entrar pra Guarda Real com todo orgulho!
— Mas a Undyne não disse nada sobre a alma dela, só me disse para capturar o humano.
— Sim, pois os humanos nos prenderam aqui, e precisamos dos humanos para nos libertar, é uma questão de justiça!
— Você tem razão Flowey! É uma questão de justiça! Eu sei onde vou achar a humana e captura-la. Levarei ela para Undyne mostrarei o meu valor, mostrarei minha contribuição para a libertação dos monstros.
— Isso! Gosto de ver o Grande Papyrus motivado! Você é um guerreiro da justiça, faça a justiça cair sobre a humana! Agora tenho que ir, tenho outras coisas para fazer. Logo venho vê-lo novamente.
E se despedindo ele sumiu na neve.
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