Undertale - True Reset
12 Justiça e Amigos
Notas iniciais
Nos dias seguintes, Sans sempre me esperava na frente do Hotel e íamos andando até a biblioteca, geralmente conversando, ele mais falava do que eu, eu ia testando as lições da linguagem de sinais, que ele entendia perfeitamente. Durante a tarde eu ia para o Grillby’s, onde Sans aparecia umas 3 vezes até o meu turno terminar, depois que meu turno terminava, eu preparava um lanche, que era o meu jantar, e retornava para o Hotel.
Um desses dias, Sans me contou sobre a caverna que dá acesso a Waterfall, disse que lá tem muitas pedras brilhantes que se parecem estrelas, e que ele me levaria lá, pois sabia que eu sentia saudades do céu da superfície. Mas de certa forma ele me deixou curiosa, e logo eu queria ir, logo em seguida que ele me deixou na Biblioteca eu fui em direção a Waterfall, a diferença de temperatura fazia as proximidades da caverna ser tomada por uma neblina bem densa, onde depois de alguns passos sem saber para onde estava indo, vi uma silhueta, quando reconheci de quem se tratava, eu congelei no lugar onde estava.
A pessoa deu alguns passos em minha direção, e finalmente falou:
— Humana! Permita-me falar sobre sentimentos complexos, como por exemplo a alegria de encontrar outro amante de massas, a admiração pelas habilidades de resolução de quebra-cabeças de outra pessoa, o desejo de ter uma pessoa legal e inteligente te achando legal, esses sentimentos... devem ser os que você está sentindo no momento. — Que? Eu não entendi onde ele quer chegar. — Eu mal posso imaginar como é se sentir assim, até porque, eu sou realmente grandioso. — Eu entendia cada vez menos onde ele queria chegar, mas resolvi ver onde isso iria parar. — Eu nem sei como é ter um monte de amigos, humana solitária... não se preocupe, você não será mais solitária! — Eu podia ver seu sorriso em meio a neblina, ele queria ser meu amigo, então ele não queria mais me entregar. — Eu, o Grande Papyrus serei o seu... — Vi que ele arregalou os olhos, como se tivesse percebido que iria cometer um grande erro. — Não... Está errado! Eu não posso ser o seu amigo! Você é uma humana! Eu tenho que te capturar! Então, poderei realizar os meus sonhos.
Me senti triste, eu ainda era uma peça de troca para ele, não passava de um degrau para seus sonhos. Queria poder resolver esse problema, eu não o odiava, sentia uma certa ternura por ele, por sua inocência. Eu sentia que ele não queria machucar as pessoas.
— Serei Poderoso! Popular! Prestigiado! Este será Papyrus! O novo membro da Guarda Real!
Eu o vi empunhar dois ossos, ele iria me atacar.
Ele me atacou com ossos, o que não era difícil de início, eu me esquivava com facilidade, com toda a desenvoltura que desenvolvi durante esses anos, algo que já parecia natural para mim. Ele mudou de ataque, a coloração dos ossos era azul agora, imediatamente lembrei do que o Sans disse, e me mantive parada, os ossos passaram por mim sem me ferir. Papyrus aumentou o ritmo, eu segui desviando dos ossos brancos e me mantendo imóvel nos ossos azuis. Foi uma das batalhas mais desafiadoras que tive, eu não conseguia escapar ilesa de todos os ataques, eu sorria orgulhosa de como eu estava me saindo.
— Flertando em uma luta? Então você está demonstrando os seus sentimentos verdadeiros? Eu sou um esqueleto com padrões muito altos. — Espera, ele estava achando que eu estava flertando com ele? — Mas você atende a todos esses padrões. — Eu não acreditava no que ele estava dizendo. — Acho que eu tenho que ter um encontro com você.
O que? Um encontro? Eu já não entendia nada do que ele estava falando, talvez fosse uma estratégia para me derrotar, mas ele estava corado de verdade, enquanto falava do encontro.
Ele sorriu, e eu senti uma magia poderosa entrar em meu corpo, senti a luz da minha alma que pulsava em vermelho, ressoar em azul, e me senti pesada, como se a gravidade agisse mais e mais em mim, cada movimento exigia muito de mim, e eu saberia que seria levada à exaustão em pouco tempo.
— Você está azul agora. — Ele me disse o óbvio.
Eu via a magia azul me envolvendo, me lembrava da magia que me envolvia me tirando de meus pesadelos, mas eu não sentia da mesma maneira, não era a mesma magia, só uma muito parecida. Isso me levou a pensar.
Mesmo com muita dificuldade, e com muitos pensamentos brotando em minha mente, eu estava ficando melhor em desviar dos ataques, apesar dos que me atingiam, os quais me machucavam muito, eu sentia a dor em meu corpo e em minha alma.
— Você é determinada, mas isso não funcionará comigo, pois sou mais persistente ainda.
Eu o olhava, basicamente implorando para que ele parasse de lutar comigo, eu não ia revidar. Um esforço, eu sentia meus músculos quase implorando por descanso. Um ataque me acertou em cheio e eu fui arremessada, batendo com as costas em uma árvore, caindo com força no chão, devido a magia que me deixava mais pesada.
Imediatamente vi o terror que passou pela face dele, ele veio correndo me socorrer.
“Eu não quero lutar com você” sinalizei para ele.
— Okay... Eu vou aceitar minha derrota... Eu não posso derrotar nem um humano fraco como você. — Um sorriso apareceu em seu rosto, e não pude evitar de sorrir também. — Undyne ficará desapontada comigo, nunca serei capaz de entrar para a Guarda Real... e... continuarei com a mesma quantidade de amigos, zero.
Eu pude ver a tristeza em seu olhar, eu coloquei a mão em seu rosto, para tentar confortá-lo. Eu mal percebi que eu não estava mais envolta a magia dele, que fazia com que eu me sentisse pesada, e agora estava envolta em uma magia que estava curando os meus ferimentos.
“Eu quero ser sua amiga”
— Sério? Você quer ser minha amiga? — Ele abriu um largo sorriso e eu sorri concordando. — Bem, então... eu acho... eu posso fazer uma exceção para você. — O jeito dele me divertia. — Mas ainda teremos o nosso encontro. Você me ensinou muito.
Eu sorri e ele me acolheu enquanto me curava.
— Eu vou te dar as direções para chegar na barreira. Continue até chegar ao final da caverna, então quando você chegar na capital, você vai atravessar a barreira, é o selo mágico que nos mantém presos aqui; qualquer coisa pode entrar, mas nada pode sair, exceto pessoas de alma forte, como você. Por isso o Rei quer a alma humana. Ele quer abrir a barreira, para nos libertar, você terá que passar por ele, pelo Rei de todos os monstros. Todos o amam, se você o conquistar com esse jeito que conquista a todos, ele te deixará ir.
Ele terminou de me curar e me levou para o meu quarto no hotel, onde eu fiquei descansando.
— Estarei em casa sendo um bom amigo, amanhã teremos o nosso encontro, então descanse bem.
E assim ele me deixou sozinha em meu quarto. Eu dormi como uma pedra, não sonhei com nada, nem sonho, nem pesadelo, nem a Chara me perturbando.
No dia seguinte, depois de toda a minha rotina, no final da tarde eu o encontrei em frente à sua casa, ele me disse que queria me levar a um lugar onde ele se sente bem, onde ele passa muito de seu tempo, ele me guiou pelo caminho, eu estava muito curiosa para saber onde ele me levaria, até que ele se virou e fez o caminho de volta, e eu caí na gargalhada quando paramos de volta em frente à sua casa.
A casa era bastante acolhedora e agradável, com muitas curiosidades e pegadinhas quais ficam difíceis de saber quem foi o autor, Sans ou Papyrus. O mais curioso era o quarto de Sans, onde apareciam certas luzes por baixo da porta, mas não havia nenhum sinal de movimento dentro dele. Papyrus e eu terminamos o nosso encontro e estreitamos nossa amizade, o encontro em si não deu em nada, não que eu esperasse que desse. Depois do encontro, ele me levou até o meu quarto no hotel, onde eu depois de um longo banho quente, dormi; sentindo a volta da magia do meu anjo azul, que me protegia toda noite. Me lembrei mentalmente de tentar descobrir quem era.
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