Undertale - True Reset
13 Aniversário
Notas iniciais
Eu acordei, era um dia feliz, ou pelo menos deveria ser, era meu aniversário, eu estava fazendo 15 anos, mas não teria ninguém para comemorar comigo, apesar de ter ficado amiga de todo mundo na cidade, e nos últimos dias Papyrus não deixar eu comer as besteiras do Grillby’s (apesar de eu ainda comer lá), eu almoçava e jantava espaguete, as vezes eu ajudava no preparo, enquanto Sans ficava jogado no sofá, ou sentado na cadeira nos observando da mesa.
Dei início a minha rotina, quando estava de frente para o espelho eu a vi, tão diferente e ao mesmo tempo tão semelhante a mim, seus olhos arregalados e de um vermelho mortal me olhavam através do espelho, eu me assustei tanto em ver seu reflexo ao lado do meu, que eu me virei para ver se ela não estava lá mesmo. Ela gargalhava com o meu pânico, eu não sabia o que me fazia ficar tão apavorada com sua presença, sentia que eu deveria lembrar de algo, eu sabia que estava esquecendo algo.
“Não vai me dar bom dia amiguinha?”
“Você não existe, você é só uma projeção dos meus pesadelos.”
“Felizmente não, sou tão real quanto você, exceto que sou menos... como dizer? Material.”
“O que você quer?”
“Quero te fazer companhia, aquele lixo tem conseguido me manter longe em seus sonhos, então tenho que juntar determinação o suficiente para te lembrar da minha existência quando você está acordada.”
Eu não respondi, eu queria ignorá-la, esquecer da sua existência, ela sempre me fazia ver coisas que eu não aguentava ver.
“Estamos ligadas, quer você admita ou não, mesmo que você nunca mais me deixe tomar o controle, eu nunca vou sair do seu lado, pois minha determinação me permite isso, e eu sei que você vai resetar tudo, de novo, quando perceber que nada vai sair do jeito que você espera.”
“Chara... Vai para o inferno!”
“Mas eu já estou no inferno, no seu inferno!”
Ela gargalhava, sua risada era cruel e perturbadora.
“Eu não vou resetar, nem deixar você tomar conta da minha alma.”
“Veremos.”
Eu me foquei em afastá-la, me concentrando na sensação que sentia quando aquela magia azul me mantinha longe dela, quando olhei no espelho eu estava sozinha novamente.
“Você não vai estragar o meu aniversário, você não vai estragar a minha vida!”
Terminei minha higiene matinal, e segui para a biblioteca, encontrando Sans na porta do hotel como sempre.
— E aí pirralha? Tudo bem?
Ele era tão perceptivo, percebi seus olhos ficando mais atentos, eu acho que tinha algo errado com minha expressão, pois em segundos, seu rosto mostrava certa preocupação.
— Está tudo bem? Teve outro pesadelo?
“Está tudo bem, não tive nenhum pesadelo, dormi muito bem.”
— Então por que você parece que viu algo que te deixou apavorada?
“Não foi nada, só que hoje era pra ser um dia especial, mas parece que o meu dia começou meio tumultuado.”
Ele pareceu não entender o que eu disse, mas não fez mais nenhuma pergunta, quando chegamos em frente da biblioteca, onde iríamos nos despedir, ele pegou minha mão e começou a me puxar.
— Quero te levar a um lugar.
No segundo seguinte, estávamos em um lugar escuro, que possuía um céu estrelado, eu estava sentindo a tontura resultado da magia dos “atalhos” de Sans, havia uma espécie de lago, e algumas plantas, mas o chão todo parecia feito de pedra.
“Estamos na superfície?”
— Na verdade não, estamos em uma parte de Waterfall. É uma grande caverna.
“Mas aqui podemos ver o céu.”
Eu sinalizei apontando para cima.
— Ah! Isso não é o céu, mas nós vemos como se fosse, existem umas pedras no topo da montanha que parecem produzir luz própria, o que ilumina tudo aqui.
Eu tirei o cachecol, e as botas e arregacei a calça, quando ele me convidou para me sentar à beira do lago, ambos sentamos com os pés na água, que era fresca. Aquilo me fez me sentir bem, aquele lugar, me trazia bons sentimentos.
— Eu gosto muito daqui, me acalma, me faz esquecer a minha paranoia de que eu estou esquecendo algo.
Ficamos lá, deitados na pedra, olhando o teto da caverna, eu comecei a imaginar que seria o céu, e minha alma ficou feliz em ter este momento.
Sans me contou sobre os pesadelos que tinha, pedaços de imagens de cenas horríveis, mas também que ele via pedaços de imagens felizes, e um vazio, como se algo estivesse faltando nele, me contou como ele meio que existia fora da linha temporal, e por este motivo ele tinha tomado conhecimento do meu poder, do poder do save, que sempre que eu usava esse poder, todos esqueciam o que tinha acontecido, menos ele, e que ele nunca gostou de manter esse conhecimento somente para ele, e que depois de muito pensar, ele queria dividir essa informação comigo.
Ficamos ali por um bom tempo, uma boa parte dele em silêncio, as vezes Sans soltava alguma piada, e nós dois riamos.
— Você quer ir para a superfície? — Ele me perguntou de repente.
“Não sei.”
— Como assim?
“Eu sinto que minha jornada não acabou, mas não sei se é para a Superfície que devo ir, não me resta muito lá.”
— Não tem ninguém te esperando lá?
“Não.”
— Então, é por isso que você meio que se estabeleceu em Snowdin?
“Sim, estou sendo muito bem acolhida e fiz grandes amigos, como você, Papyrus, Grillby, a Bonnie, entre tantos outros.”
— Entendo. Eu não sei o que faria da minha vida se eu perdesse o Papyrus... — Imediatamente aquela imagem do meu sonho brotou em minha mente. — Deve ser estranho para você não ter ninguém para chamar de família.
“Sim, mas eu tive a oportunidade de ter uma mãe, e a desperdicei.”
— Como assim?
“Eu tive uma mãe nas Ruínas, mas tive que deixa-la quando segui o meu caminho, ela pediu para que eu nunca voltasse, acho que a magoei.”
— Acredito que ela estaria feliz, de saber que você está bem, que está seguindo em frente, e que possui muitos amigos.
“Espero que sim.”
Fazia meses que eu mal pensava sobre a Toriel.
“Preciso ir, tenho aula de linguagem de sinais, e ainda tenho que ir para o Grillby’s.”
— Tudo bem, eu te levo. Nos vemos no jantar em casa? Papyrus vai cozinhar, espaguete de novo.
Sorrimos, afinal era a única coisa que Papyrus sabia cozinhar, mas a cada dia o espaguete dele estava ficando melhor.
Sans me levou de volta, no segundo em que abri os olhos eu estava no mesmo lugar de onde ele me tirou anteriormente. Nos despedimos e eu entrei.
Tive minha aula, e ainda sobrou algum tempo para estudar, decidi estudar a história dos monstos, e comecei a ler um livro que falava de quando os monstros viviam em harmonia com os humanos na superfície, não tive tempo de terminar, então anotei a página onde parei, e em seguida fui para o meu dia de trabalho normal no Grilby’s, eu pedi para sair um pouco mais cedo, pois era meu aniversário, ele concordou de bom grado.
Quando deu a hora, eu saí, passei na loja da Bonnie, onde eu pedi que ela fizesse um bolo para mim, e o levei para o meu quarto, quando eu coloquei na mesa, percebi que era grande demais para uma pessoa só comer, provavelmente eu levaria para a casa do Papyrus e do Sans para que eles me ajudassem a comer.
Depois do longo dia que tive, fui tomar um banho relaxante, antes de cantar os “Parabéns”.
***
[Sans]
Papyrus me encheu tanto para buscara humana que acabei cedendo, ele teimava dizendo que ela estava atrasada para o preparo do espaguete, quando cheguei no Grillby’s, tive a surpresa de que ela não estava mais lá, que hoje era o aniversário dela e por esse motivo ela pediu para sair mais cedo. Voltei para casa e contei isso para Papyrus.
— Então vamos fazer uma festa de aniversário para ela. Eu vou chamar o pessoal, e convidá-los todos para o Grillby’s, enquanto você procura ela e a leva para lá.
Eu sabia onde ela estaria, o caminho era tão natural para mim como respirar, eu me teleportei para seu quarto, onde escutei o barulho do chuveiro, ela estava tomando banho, senti algo no meu estômago não existente.
Olhei para a mesa e vi um bolo, e pensei: “Perfeito! ”, peguei o bolo e levei para o Grillby’s deixando um bilhete, em seguida voltei para a porta do quarto dela, não queria que ela saísse do banho e me visse lá dentro do quarto dela.
***
[Frisk]
Depois de um longo banho quente, eu voltei ao meu quarto para terminar de me vestir, quando olhei para a mesa, onde deveria estar o bolo, para a minha surpresa o bolo não estava mais lá, em seu lugar tinha um bilhete que dizia:
Levei o bolo, se vista e me encontre na porta de seu quarto, estou te esperando, você não terá esse dia sozinha.
Eu sorri, somente o Sans para aprontar algo do tipo, de certa forma, isso me deixou feliz. Eu me vesti e quando eu abri a porta, ele estava lá, ele me olhou, com seu sorriso e me estendeu a mão. No segundo seguinte, estávamos na frente do Grillby’s.
Eu nunca vi tanta gente no Grillby’s, nunca pensei que tanta gente iria querer comemorar esse dia comigo. Foi uma noite maravilhosa, me diverti muito, quando acabou, Sans foi caminhando comigo até o meu quarto, quando chegamos na porta eu o abracei, pela primeira vez eu o abracei de felicidade e não por medo, como havia sido a outra vez.
“Muito obrigada! Esse foi o melhor dia da minha vida!”
— Imagina pirralha... não fizemos nada de mais.
Eu dei um beijo em sua bochecha, e o vi corar, ver aquele azul em suas bochechas, de certa forma me deixou feliz. Eu entrei e dormi muito pouco tempo depois. Foi uma noite de sonhos felizes.
No dia seguinte acordei com Papyrus sempre escandaloso na minha porta, quando eu abri ele me abraçou e perguntou:
— Humana! Acho que seria melhor você vir morar comigo e com o Sans, assim você nunca mais ficará sozinha.
Eu fiquei chocada com aquele convite logo cedo, levei um tempo para processar toda aquela informação, e no final acabei aceitando, Papyrus me ajudou com a mudança, o que não era nem necessário, uma vez que eu tinha pouca coisa.
E realmente eu não me sentia mais sozinha, os dias eram mais movimentados e divertidos. E Sans e eu ficamos cada vez mais próximos.
E assim foi os próximos 2 anos da minha vida no subterrâneo.
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