Undertale - True Reset
23 Lembranças Parte 5 – Presa
Notas iniciais
Eu fiquei lá, deitada por um tempo, processando onde eu estava, o buraco acima de mim, por onde eu havia caído, o túnel a minha frente, tudo igual. Teria dado certo?
Eu congelei, eu tentei me levantar, eu não conseguia me mover, eu sentia o meu corpo, mas não tinha nenhum controle sobre ele.
Comecei a entrar em pânico, mas nem assim meu corpo reagia, minha respiração que deveria estar se alterando, continuava calma e serena, eu sentia os machucados da queda, eu sentia cada nervo do meu corpo, mas eu era incapaz de movê-lo. Eu fiquei tentando me mover, gritar por socorro, mas era tudo em vão.
Eu senti, meus músculos se mexerem, fiquei aliviada por um tempo, acreditando que finalmente tinha conseguido me mover, mas meu alívio foi rapidamente substituído por medo, pois quando eu parei de forçar meu corpo a se mexer, ele continuou se movendo, lentamente se sentou, olhou ao redor, e se levantou, caminhando até o final do corredor. Não era eu que estava me movendo. Não era eu que estava no controle.
Por que eu não conseguia controlar o meu corpo? O desespero e o pânico tomando conta gradativamente de mim.
Eu encontrei Flowey, sabia o que aconteceria, ele falou tudo exatamente igual, exceto que uma frase, ele deu a entender de que lembrava de já ter me conhecido.
Ele fez tudo novamente, invocou suas bolinhas brancas brilhantes e tentou me atingir, mas ao contrário do que na minha vez, meu corpo de desviou facilmente, ao invés de se manter no lugar, meu corpo avançou, agarrou a pequena flor, ele praguejou, mas ao olhar em meus olhos, o que tinha meus olhos? A senti tremer, se debater, e finalmente fugir.
Encontrei Toriel logo em seguida, eu queria chorar de felicidade por ver minha mãe cabra. Tentei mover minhas mãos para abraçá-la, para me comunicar, mas foi tudo inútil. Eu não senti o meu rosto mudar, poderia dizer que a olhava com uma expressão vazia e indiferente.
Sua expressão só ficou mais gentil, provavelmente pensando que eu estaria com medo ou coisa parecida. Ela me guiou pelas ruínas, exatamente como fez da primeira vez comigo, meu corpo somente acompanhou, apático, como se estivesse ligado no automático. Me debati novamente, esperando que agora que meu corpo se movia eu conseguisse alguma resposta, e novamente eu consegui um monte de nada. Meu corpo não reagia a suas instruções, ele só fazia alguma ação quando lhe era pedido, automático, estranho, não era eu.
Toriel me apresentou ao Dummie, para treinarmos como reagir em caso de um monstro me atacar, antes que ela terminasse de explicar, meu corpo simplesmente atacou, transformando o Dummie em cinzas rapidamente, eu novamente me debati para reaver o controle, aquilo estava errado, eu nunca faria isso. Toriel estava tão chocada quanto eu. O que eu estava fazendo?
“Mãe... me desculpa... não fui eu...”
A cada passo que ela me guiava, eu lutava para controlar o meu corpo, eu me cansava, e tentava novamente, me debatia, gritava e nada, eu era uma grande espectadora de um corpo apático, automático, incapaz de pará-lo.
Fechei minha consciência do mundo, eu não podia mais ouvir ou ver o que estava acontecendo, e fui procurar em meu corpo o que havia de errado comigo. O pânico me atingiu quando senti uma presença em meu corpo, que tentava se manter oculta, mas como ignorei o mundo externo, pude percebê-la. Me assustava saber que eu não estava sozinha em meu corpo.
Quando voltei a observar o mundo externo, percebi que Toriel não estava por perto e que eu me encontrava sozinha neste momento, senti meu rosto abrir um enorme sorriso, eu nunca sorri desta maneira e isso me deixava incomodada.
Meu corpo passou pela porta e não demorou muito para encontrar o primeiro monstro, um Froggit que se aproximou curiosamente, meu estômago embrulhou com o frio repentino da intenção que eu senti, a intenção assassina, não era eu. Lutei contra o meu corpo, lutei com todas as minhas forças, sem sucesso.
Senti minhas mãos aplicarem o golpe no Froggit, eu vi a confusão em seus olhos antes de se tornar cinzas, eu gritei, eu chorei, mas nenhum som saiu de meus lábios, exceto um macabro sorriso, doente e cruel.
Meu corpo ficou horas e horas explorando os túneis e passagens secretas das ruínas, como se conhecesse cada canto daquele lugar, e eu conhecia. Matei cada monstro que encontrei, eu tentava com todas as minhas forças retomar o controle sobre mim, mas eu não conseguia, eu via todos, que um dia foram meus amigos, se tornarem cinzas.
Eu cacei todos, em cada canto, cada túnel, cada passagem, encontrei e destruí todos os monstros que encontrei, minhas roupas ficaram sujas de cinzas, eu comecei a ficar com nojo do meu corpo. Depois de matar todos, me dirigi a casa de Toriel, limpando as cinzas de minhas roupas, para que ela não desconfiasse.
“O que há de errado comigo? Eu não sou esse monstro...”
Toriel correu para me dar as boas-vindas, sem nem desconfiar do que eu havia feito, eu não, meu corpo, mas desde que era meu corpo, lógico que a culpa seria minha. Ela me conduziu até o interior da casa, exatamente como eu me lembrava, o cheiro de torta de canela e caramelo, me enchia de boas lembranças, ela me mostrou o quarto, meu quarto, tudo exatamente igual.
“Que saudades senti deste quarto.”
Tomei um banho, agradeci por meu corpo me dar pelo menos essa satisfação, troquei de roupa, e deitei na cama, onde meu corpo finalmente adormeceu.
Teoricamente eu não adormeci, mas sim fiquei perambulando pela minha consciência, aproveitei e procurei pelo que ou quem estava me impedindo de controlar o meu corpo, parecia que meu corpo era um labirinto, onde eu corria por salas e salas em um eterno jogo de pega-pega, onde eu escutava umas risadas travessas, mas sem nunca alcançar.
Quando meus olhos se abriram, o quarto estava escuro, havia um pedaço de torta em uma mesinha, o qual meu corpo pegou e o guardou em uma mochila, ele colocou a mochila nas costas, e eu sabia que ele pretendia ir embora. Ele abriu a porta e saiu em direção ao corredor, parando no espelho, o que eu vi me fez gritar.
O rosto que vi não era meu, bem, era meu, mas distorcido, meus olhos estavam arregalados, e uma luz, um brilho vermelho manchava o verde de meus olhos, meu rosto exibia um sorriso doente, distorcido.
Foi a primeira vez que a ouvi.
“Você pensou que tinha salvado a todos? Tolinha... Nunca pensei que você cederia tão fácil a mim. Você arrancou de todos eles o seu final feliz, como se sente?”
Uma risada ecoou em toda minha mente, uma risada malvada, doentia.
“Você cometeu um grande erro em ter resetado, eu não podia deixar de aproveitar essa oportunidade, você estava tão frágil e triste, mas ao mesmo tempo dona de uma determinação que eu jamais vi igual. Durante muito tempo, tudo foi silêncio e quietude, fiquei adormecida por nem sei quanto tempo, mas os seus atos, sua determinação, eles me despertaram, e eu vi, você ficando em dúvida se tinha feito a melhor escolha, você me deu todas as cartas, eu só joguei, e ganhei.”
“Quem é você?”
“Ora, vai dizer que não sabe que sou?”
“Chara...”
“Exatamente! Vamos nos divertir muito juntas! Vamos matar a todos!”
Meu rosto se contorceu em uma felicidade doentia, era ela, Chara que estava no controle do meu corpo, lutei para assumir o controle, mas de alguma forma ela parecia mais forte do que eu.
“É inútil ficar tentando... você só vai se cansar, eu sou mais forte do que você, eu não tenho piedade de usar minha força para subjugar outra pessoa, você não tem essa força.”
Chara saiu de frente do espelho e eu agradeci por não ficar vendo meu rosto distorcido daquela maneira.
Chara não se preocupava em ficar com Toriel, ela não se preocupava que Toriel poderia descobrir que não havia nenhum monstro vivo nas ruínas, exceto ela mesma. Ela passou direto por Toriel que estava lendo um livro na sala e foi direto para a cozinha.
“Yuumy... Chocolate...”
Ela pegou um pedaço de chocolate na geladeira, e enquanto saboreava o doce, ela mexia nas gavetas, procurando algo.
“Onde estarão as facas? Preciso de brinquedos para brincar um pouco.”
Fiquei alarmada quando ela encontrou, uma faca, pontuda e afiada, eu já sabia de suas intenções, ela guardou a faca em sua calça, ela sabia como disfarçar uma arma.
Ela foi falar com Toriel, sabendo exatamente onde isso a levaria, ela estava acessando minhas memórias, tentei fechar a minha mente para ela, mas foi inútil, eu só escutava ela rindo na minha mente.
— Olá minha criança, bom dia, que bom que já acordou, espero que tenha gostado do pedaço de torta que deixei para você. Queria que soubesse o quanto estou feliz em te ter aqui comigo, há tantos livros velhos que quero compartilhar. Eu preparei um currículo especial para a sua educação. — Ela parecia tão empolgada, como da vez que era eu aqui, ela não tinha percebido, provavelmente ela não se lembrava de mim. — Eu sempre quis ser professora, e espero conseguir fazer o melhor por você. Mas me diga, você quer alguma coisa?
— Quero saber como faço para sair das ruínas?
Eu não gostei de como minha voz soou, era tão errado, tão distorcido, não era eu.
— Mas minha criança, esta é a sua casa agora.
— Como faço para sair das ruínas. — Chara insistiu novamente.
— Você gostaria de ver esse livro que estou lendo?
— Desculpe mamãe, não estou interessada, quero saber como posso sair das ruínas.
— Er... Eu tenho que fazer algo, fique aqui.
Toriel fechou seu livro, e colocou sobre o braço da poltrona enquanto se levantava, e saiu em direção ao porão, Chara a seguiu, mas antes a senti salvar, o que me deixou realmente incomodada, sua maneira de salvar era totalmente diferente as minha, ela não fazia a luz da determinação crescer em sua alma, e sim eu vi uma escuridão vazia e cheia de ódio tomar conta da minha alma, alimentando a minha determinação roubada.
Chorei de desespero quando vi Toriel diante da grande e pesada porta. Chara sorriu.
“Isso só facilita o meu trabalho.”
“Chara... por favor... não a mate... ela é minha mãe...”
“Ela já foi minha mãe também.”
“Como assim?”
“Não é da sua conta.”
Eu me debati, com toda a força que podia, tentando a todo custo tomar o controle, e impedí-la de matar Toriel. Tudo foi inútil, eu só me sentia estranhamente exausta. Percebi que minha tentativa de tomar o controle só estava deixando Chara mais e mais irritada, até que me senti sendo presa em uma espécie de escuridão, que me apertava, me forçando a ver tudo sem me mover, sem atrapalhá-la.
Andamos calmamente a frente, ignorando todos os avisos de Toriel, ela iniciou a luta, invocando suas magias de fogo, as quais Chara desviava com facilidade, usando, claro, as minhas memórias, eu me sentia usada, culpada, suja. Ela adorava que eu me sentisse assim.
Eu mal tive tempo de reagir quando vi a lâmina prateada descer sobre Toriel, ela também não esperava por isso. Eu gritei horrorizada pelo o que acabamos de fazer, sei que não era eu, mas eu sentia tanta culpa. Eu sentia todo o ódio que Chara sentia, era tanto ódio que eu nunca imaginei como alguém poderia sentir tanto ódio assim. Chara saboreou minha agonia.
— Vo-você me... odeia... tanto assim?
Chara não respondeu, continuou olhando-a com indiferença.
“Mãe... me perdoa... me perdoa...”
Eu chorava.
— Agora eu sei... quem eu estava protegendo... te mantendo aqui...
Seu olhar passou para um desprezo sem tamanho. Eu me desesperava, não queria que ela pensasse isso de mim.
— Não você... mas todos eles...
Seu olhar de tristeza, desprezo, me destruiu, eu gritei como nunca pensei que fosse gritar enquanto assistia ela se tornar cinzas, sujando toda nossa roupa.
Saímos das ruínas e encontramos Flowey novamente, mas algo foi extremamente diferente do que quando estive aqui.
— hahahaha... você não é realmente humana né?
Flowey parecia saber que não era eu.
— Você é vazia por dentro, exatamente como eu, na verdade, você é Chara né?
Ele sabia que era Chara.
— Ainda somos inseparáveis, mesmo depois de todos esses anos... Escute, eu tenho um plano e vou te ajudar. Ficaremos mais poderosos do que você e sua alma roubada. Vamos destruir tudo nesse mundo podre. Tudo e todos nessas memórias sem sentido. Vamos transformar tudo em cinzas.
Chara ainda não mencionou nenhuma palavra, mas ela sorriu para ele, senti um arrepio em minha espinha.
— Hummmm isso é uma ótima ideia!
Ele não nos ameaçou, muito pelo contrário, nos ofereceu sua ajuda, Chara foi totalmente indiferente com ele, apesar de ele estar do lado dela, ele se enterrou no chão e desapareceu, nos deixando sozinhas novamente.
Saímos das ruínas sem olhar para trás, o frio tomou conta de mim, eu tremi, mas percebi que nem Chara, nem meu corpo pareciam notar o frio. Conversamos enquanto andávamos.
“Chara... Por que você está fazendo isso?”
“Ora, porque é divertido, tão cruel ter a vida de todos eles em nossas mãos.”
“Mas são vidas... Nenhum deles nos fez nenhum mal.”
“Isso é verdade, eles não tiveram tempo de nos machucar, prefiro que eles se machuquem primeiro.”
“Eles podem ser bons e se tornarem grandes amigos se nós deixarmos.”
“Pra quê? Pra você se sacrificar por eles de novo e de novo?”
“Eu me arrependo de ter te escutado.”
“Olha... Não é como se nada que estamos fazendo aqui seja permanente... podemos resetar de novo e de novo...”
“Não quero ver você fazer isso para sempre.”
“Ora... é simples... desista de tudo... Me deixe assumir o controle para sempre, você pode criar uma ilusão na sua mente de que tudo é perfeito, e todas saímos ganhando.”
“Chara... o que aconteceu quando você caiu aqui?”
“Já disse que não é da sua conta!”
“Mas eu só quero te entender.”
“Resumindo, eu caí, fiquei doente e morri.”
“Entendo...”
“Eu quis ajudar a libertar os monstros... mas quando vi que eles preferiam ficar presos a machucar essa maldita humanidade... desisti dos monstros também... e isso é tudo o que eu vou te dizer, agora cala a boca que eu estou ouvindo alguém nos seguindo.”
Continuamos andando, e escutamos o barulho de um galho se quebrando, Chara se virou pegando a faca, pude sentir o seu instinto assassino, eu sabia que se tratava de Sans. Eu queria tanto vê-lo, mas ao mesmo tempo eu não queria que Chara o encontrasse, eu não suportaria vê-lo sendo transformado em cinzas por minhas mãos.
Quando chegamos a pequena ponte cheia de barras de madeira, largas demais para impedir qualquer um de passar, escutamos passos atrás de nós, meu corpo não se moveu, uma alegria me encheu o coração. Sans com sua voz rouca baixa e assustadora, exatamente como eu me lembrava me pedindo para virar para cumprimentar um novo amigo, meu corpo se virou e apertou sua mão, o som alto, de peido, encheu o ambiente, eu ri, mas meu corpo não expressou nenhuma reação.
“Comediante irritante, como você pôde gostar de uma criatura dessas?”
Ele imediatamente mudou sua expressão, ele percebeu algo, mas rapidamente disfarçou, não sei se Chara percebeu.
“Sans... sou eu... Não confie nela... Por favor...”
“Você sabe que isso é inútil, ele não pode te escutar.”
Ele observou que Chara mal reagia as suas travessuras e piadas, eu percebia que seu olhar mudava por muito pouco tempo, eu esperava que ela não percebesse, eu tinha esperanças que ele ficasse alerta com ela. Eu queria tanto falar com ele, tocá-lo, tentei me comunicar, tentei avisá-lo.
Mas eu não podia.
[Sans]
Eu estava em meu posto, lembrando de tudo o que tinha acontecido, a anomalia, minha memória aos poucos fazia tudo parecer um sonho, mas eu me prendi a tudo o que senti, e se eu estivesse certo, qualquer dia eu poderia encontrá-la novamente vindo da grande porta das ruínas.
Isso aconteceu muito antes do que eu esperava, uma garota, exatamente como eu lembrava saiu das ruínas, mas notei que suas roupas estavam um tanto sujas de cinzas, ou poeira, ela andava indiferente pela trilha na neve, apesar de estar mal agasalhada, não tremia de frio, a segui a observando, isso não era igual ao que eu me lembrava, ela estava diferente, mais nova talvez, seu nome me fugiu a mente, mas eu lembrava de tudo, quando a conheci ela já era uma adolescente, agora não passava de uma criança.
A segui, tomando todo cuidado para que não fosse notado, mas cometi um pequeno erro, pisei em um galho, quebrando-o, a reação dela chegou a me assustar um pouco.
Ela se virou e poderia jurar que seus olhos estavam em um vermelho vivo, ela segurou forte uma faca, eu senti seu instinto assassino. Aquela não era a garota que conheci.
Decidi olhar mais de perto, quando ela alcançou a pequena ponte, ela parou, provavelmente ao ouvir meus passos, preparei a almofada de peido em minha mão, iria “quebrar o gelo”, dessa maneira.
Me aproximei e disse com minha melhor voz ameaçadora, pedindo para que se virasse. Ela se virou, apertou a minha mão, mas inesperadamente não reagiu a pegadinha, eu ri, pois, o truque sempre era bom, mas estranhei sua falta de reação, ela só ficou lá, olhando para mim e para a minha mão, quando pude olhar em seus olhos, eu vi algo que não se encaixava, vi que ela tinha algo que eu não esperava que tivesse, seus olhos com um brilho vermelho não eram o que eu esperava.
Eu acordei com Papyrus grirando:
— SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANS!
Corri até o quarto onde Frisk se encontrava, para vê-la vermelha, e Papyrus com uma cara de preocupado.
— Sans! A humana... Frisk... Ela começou a ficar vermelha e vermelha... e a esquentar muito...
— Ah droga! Ela está com febre! Pegue uma toalha molhada com agua gelada, eu vou tentar acalmá-la.
Papyrus me obedeceu sem nem me questionar, eu me aproximei dela, a acolhendo enquanto tentava acalmá-la com a minha magia.
— Sans...
Sua voz fraca mal podia ser ouvida, só consegui identificar o meu nome, será eu ela estava sonhando, será que ela estava vendo o mesmo que eu?
— Calma... Frisk... Eu to aqui... Eu to lembrando de tudo... sabia que tivemos momentos lindos juntos? E tristes... Ainda sinto que tenho muita coisa pra lembrar... mas saber que já tivemos a oportunidade de ficar juntos, eu sei que vai ficar tudo bem, sei que você não é aquela Frisk... mas eu sei que vai ficar tudo bem.
Ela começou a se acalmar aos poucos, Papyrus voltou com a toalha molhada, e eu a coloquei em sua testa, para ajudar a baixar sua temperatura, fiquei feliz e agradecido quando ela finalmente parecia estar dormindo.
Já tem dias que ela está assim, espero que ela acorde logo.
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