Undertale
2 A zeladora das ruínas
Notas iniciais
— Oi? Você está bem?
A voz de antes do desmaio ecoa pela cabeça de Frisk, que doía um pouco.
— Ei, diga algo...
Com a mente ainda confusa, Frisk se lembra do que aconteceu e se ergue rapidamente. Desejando ter sido só um pesadelo, vê o monstro ao seu lado e cambaleia para trás, alcançando um galho seco e coloca-o a frente do corpo para se proteger.
— Não tenha medo, pequena criança. Não lhe farei mal algum. — A criatura mostra um sorriso amigável para tentar confortar a criança.
Mas isso não acalma muito, Frisk acabara de passar por um fio nas pétalas de uma flor e não queria dar a chance de outro monstro fazer o mesmo. Ainda com o olhar desconfiado, apenas encara o novo monstro sem dizer nada.
— Ah, perdão... ainda deve estar com assombro, mas não se preocupe, eu cuidarei de você a partir de agora. — O monstro que estava sentado ao lado da criança até que essa acordasse, fica de pé para se apresentar. — Eu sou Toriel, a zeladora das ruínas. Venho aqui diariamente para verificar se alguém caiu. Você é o primeiro humano em muito tempo, sabe?
Toriel observa a criança com cuidado, nota alguns de seus machucados e tenta se aproximar, no qual tem como resposta outro alarme de Frisk. Toriel é um monstro feminino e peludo, seus pelos e curtos chifres no alto da cabeça são inteiramente brancos. Orelhas longas e caídas sobre seus ombros. Olhos expressivos e contornados por longos cílios. De roupa usa uma túnica roxa de comprimento até os seus pés descalços, em seu peito, símbolos de três pequenos triângulos, sendo o do meio mais abaixo e apontado para baixo, sobre eles tem uma esfera com par de asas. Da túnica sai mangas brancas que vão até suas mãos, camuflando-se aos pelos tão brancos quanto.
— Tente confiar um pouco em mim. Qualquer coisa e você tem esse galho para lhe proteger — ela dá um risinho —, vamos, eu vou te guiar através das catacumbas. Por aqui. Isso se... preferir ficar e esperar pelo retorno daquela maldosa Flor.
Ainda com desconfiança, Frisk decide segui-la. Olha para todos os lados com a testa super franzida de preocupação daquela flor ainda estar por perto.
Andando um pouco passam por um portal até uma sala grande e vazia. As paredes com algumas trepadeiras e o chão do recinto são de tijolos e concreto arroxeados, tudo muito fosco e sem muitas outras cores ou iluminação. A frente entre duas escadarias que seguem seus degraus para lados opostos até se unirem numa passarela a entrada de outro portal, tem um montinho de folhas secas e avermelhadas com um pequeno brilho entre elas para onde Frisk se aproxima e observa o melhor o local. As sombras do teto e o clima agradável do lugar conforta Frisk, que se enche de determinação.
Passando por esse outro portão, há uma sala menor, mas que em ambiente é como a anterior. Agora estão oficialmente dentro das ruínas.
— Bem-vinda ao seu novo lar, criança. Eu vou te ensinar como funciona as coisas nas ruínas. — Ela pisa em ziguezague em quatro dos seis botões no chão do lado direito da sala, e isso faz a primeira porta daquele lugar se abrir. — As ruínas são cheias de puzzles. Fusões antigos entre desvios e chaves de portas. Você precisa resolve-los para abrir os portões. Adapte-se a eles.
Frisk a segue enquanto ela explica mais sobre os puzzles e as ruínas. Passam de sala em sala destrancando portas e desativando armadilhas até ela parar para lhe dirigir a palavra frente a frente.
— Como um humano vivendo no subterrâneo, muitos monstros vão atacar você. Você precisa estar preparado para esse tipo de situação. — Dizendo isso, Frisk fica com o olhar um pouco tenso. — No entanto não se preocupe, o processo é simples. Quando algum monstro ameaçar te atacar, você pode simplesmente tentar resolver com uma conversa amigável, enrole até eu apartar. Venha, tente com esse manequim.
Frisk reluta um pouco em se aproximar do boneco apontado por ela a um canto, puxa seu galho para frente do corpo antes de ficar de frente para ele. O cutuca com cuidado para verificar, mas não tem reação nenhuma do mesmo.
— Bom, não é porque ele é um boneco para treinos que precisamos machuca-lo, certo? Não queremos nada disso por aqui.
Frisk absorve essas palavras e a conselho dela tenta conversar com o boneco, se apresenta a ele e dá um aceno antes de ir para frente de Toriel, sorrindo.
— Muito bem minha criança. Agora vamos avançar pelos corredores. — Toriel fala com um certo tom de orgulho na voz e faz um afago nos cabelos bagunçados de Frisk.
...
No restante do caminho tinha mais puzzles, sendo um deles um chão coberto de espinhos escondendo um caminho entre eles. Toriel ficou à frente o tempo todo com a criança atrás de si apenas acompanhando até pararem num longo corredor. Toriel faz um pedido difícil, pede para que atravesse o corredor sem a ajuda dela até o outro lado onde estaria esperando secretamente.
Frisk por um momento sente insegurança por ter ficado para trás. Impede a si para não acompanha-la no instante que sai. Sumindo de vista, fica um tempo sem fazer nada até finalmente dar seus primeiros passos só dentro das ruínas. Anda com cuidado para não fazer qualquer barulho que pudesse chamar a atenção de algum monstro, e a cada passo pelo longo corredor sua confiança é restaurada até que, enfim, chega do outro lado com segurança.
Dá vivas por seu grande feito.
— Foi muito bem, criança. Não se preocupe porque eu não tinha te deixado, eu estava te observando o tempo todo detrás daquela pilastra. — Ela aponta o pilar no canto do corredor. — Obrigada por confiar em mim. Contudo, tive um bom motivo para esse exercício... foi para testar sua independência.
Frisk se aborrece um pouco, realmente achou que estava só e que não precisava de tantos cuidados.
— Bom, mas agora... agora que eu sei que você é capaz de ficar só por um tempo. Tenho que fazer uma coisa antes de te levar comigo. — Ela olha para os lados, um pouco apreensiva com seus pensamentos. — Eu tenho que ir na frente para cuidar de umas coisas, por favor permaneça aqui, é perigoso demais explorar as ruínas por si mesmo.
Frisk já não parecia estar com tanto medo de ficar só depois do exercício. A observa esperando que termine tudo que tem para falar.
— Tive uma ideia, te darei um celular! Assim pode me ligar se precisar de alguma coisa — ela pausa — hã? Se eu ando por aí com dois celulares? Bom... deve ser a idade, fico preocupada de algum dia cair alguém por aquele buraco e precisar fazer tudo que fizemos até aqui. — Agora ela dá um risinho com a nova reação e a pergunta de Frisk. — Não, não é como se eu tivesse ensaiado isso. Bem... não exatamente. Bom, certo.
Ela se apressa em sair. Deixa Frisk novamente por conta própria, mas desta vez estaria realmente só. Sem Toriel atrás de pilastras ou qualquer tipo de coluna para vigiar seus passos.
A criança fica um tempo por ali, até mesmo fez uns desenhos no chão com um pedaço de pedra que achou, mas isso não dura muito tempo... como toda criança se entendia rápido, e logo já estava andando pelas ruínas batendo seu galho nas paredes.
O celular deixado com Frisk toca de repente, o tira do bolso e atende com ansiedade.
— Alô? Aqui é a Toriel. Só liguei para saber como você está. Não saiu de onde mandei ficar, não é? Ainda tem outros puzzles que não expliquei. — Frisk não responde por estar um pouco sem graça. — Acho que isso é um não, tudo bem, mas não vá muito longe e tenha cuidado. Não tente resolve-los por conta própria, podem ser perigosos... certo? — desliga.
Frisk continua seu caminho assim mesmo, e por onde adentrou encontra mais das folhas vermelhas espalhadas pelo chão.
...
Saber que Frisk agora é independente e brinca tranquilamente entre as folhas secas, te enche de determinação.
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