Undertale
3 Desabando em lágrimas
Notas iniciais
As ruínas onde se encontra o atual humano caído é um grande labirinto de antigos puzzles ativos — puzzles esses que foram introduzidos pelos monstros para defesa contra os humanos que acabassem caindo por ali. A temida raça que os baniu para o subterrâneo de uma montanha —, todos os monstros daquele local sabem como resolve-los, mas Frisk não, e agora vaga só entre os corredores.
Distraída, a criança chama atenção de alguns dos moradores. Um monstro semelhante a um sapo cruza seu caminho a fim brigar por reconhecer que é um humano.
— Ai, cuidado...! — Frisk cai no chão pelo susto que o enorme sapo causou com o seu salto.
Froggit, o monstro sapo, ele é um pouco maior que um sapo comum e tem um desenho que lembra o “teste do borrão de tinta” em sua barriga onde dois pontinhos pistam as vezes como se fossem um par de olhinhos. Froggit e Frisk se encaram momentaneamente depois do susto, nenhum dos dois faz nada até que um deles se move.
O monstro está visivelmente nervoso com aquela presença miúda e, numa súbita tentativa de ataque, Frisk evade e foge. Sai correndo e dá de frente com um outro monstro que está totalmente imóvel no meio do caminho, tropeça nele caindo sobre o mesmo. É meio gelatinoso e balança irritado por ter sido atropelado.
— D-desculpa... hã? O que é você?
Moldsmals é o monstro da vez, tem o tamanho semelhante ao da criança e lembra muito uma gelatina daquelas preparadas em fôrmas para sobremesa. Ao responder, Moldsmals faz um barulho de gosma tirando a criança de cima de si. Frisk acha a criatura interessante e inofensiva por nem ao menos se mover direito e a imita, deita-se quieto junto a ele e sente que entende um pouco mais do mundo.
Moldsmals lembra um estereotipo: cheio de curvas, mas sem cérebro.
Sem tardar muito ali, continua com a sua exploração. Andando a esmo entra num pequeno corredor com um novo puzzle, o chão suspeito devido as suas trincas indica logo de cara que quem pisasse nele, cederia. Mas Frisk não se abala com isso e tenta passar com cuidado. O desmoronamento é inevitável. Em queda livre para o andar de baixo afunda num monte de folhas cuidadosamente acamadas. Talvez Frisk não seja o primeiro a cair ali... sai do meio delas com pouco dificuldade e se dirige para a única porta presente naquele quartinho. Como única saída, ela provavelmente, ou até óbvio, leva à frente da armadilha. Assim que se aproxima algo nela puxa Frisk para dentro bruscamente, fazendo com que voltasse para o andar de cima, saindo por uma abertura de tamanho médio da parede e assim, como previsto, ficando à frente da armadilha.
— Own... desculpa, desculpa! — Um pequeno monstro alado fala em prantos para Frisk. Esse tinha topado de frente com a criança assim que saíra da parede e parecia muito amedrontado, murmura alguns pedidos de desculpa enquanto tremia. Por parecer uma “fada”, Frisk nem dá atenção ao que o monstro dizia e tenta se aproximar dele, Whimsun, como é chamado, fica muito nervoso com isso e foge.
— Poxa, por que ele está assim? — suspira.
Sem sinal de qualquer outro monstro pelo corredor agora, Frisk segue por ele quando o celular começa a tocar. A ligação é atendida.
— Olá? Aqui é a Toriel. Sem nenhum motivo em particular, o que você prefere? Canela ou caramelo? — Frisk responde prontamente que prefere caramelo. — Oh, entendo. Muito obrigada!
Andando mais um pouco o celular volta a tocar, e Frisk mal o tinha guardado em seu bolso.
— Olá, sou eu de novo. Err... você não desgosta de canela, não é? Eu sei o que você prefere, mas... você torceria o nariz se encontrasse canela no seu prato? — Frisk responde que não se importa. — Certo, certo, eu entendo. Obrigada pela paciência. — Toriel desliga na sequência.
O que será que ela está fazendo? Frisk se pergunta. Termina o corredor num salão bem amplo e lê uma plaquinha presa a parede onde tem escrito: Três a cada quatro pedras cinzas recomendam que as empurre. Na sala tem apenas uma pedra, e essa é empurrada até um interruptor mais a frente, desativando os espinhos que bloqueava o caminho. Passando deles, o mesmo puzzle do chão frágil, mas esse é bem maior. Depois de um tempo caindo em camas de folhas secas no andar de baixo, Frisk compreende o caminho seguro a ser feito e passa pelo local. Na sala seguinte... mas pedras cinzas, agora são três. Uma delas vai negar ser empurrada? Sim, uma delas nega e se arrasta por conta própria até onde Frisk pede, e em meio a esses pedidos para que se mova, a pedra quase perfura Frisk ao sair de cima do botão que desativa a mesma armadilha de espinhos de muitos puzzles dali.
— Hm? Você queria que eu ficasse ali? Você está me dando muito trabalho, hein.
Como a pedra se comunica não se sabe ao certo, mas assim que ela volta para o botão, Frisk sai depressa antes que resolvesse sair novamente, reativando os espinhos da ponte por onde queria passar. Ofegante e suando frio, a criança só para de correr quando chega a uma nova sala, uma menor e dividida igualmente em duas, dividida por uma estreita passagem com mais folhas secas no meio dela, mas agora com um monstro deitado ali.
— Zzzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... — O monstro se assemelha a um fantasma de lençol, do tipo que você faz furos para os olhos e se cobre com ele.
— Com licença... você está mesmo dormindo? — Frisk percebe que o fantasma apenas estava repetindo em voz alta continuamente “z” fingindo estar dormindo e tenta empurra-lo a força para o tirar da frente.
— O quê? Achou isso engraçado? — O fantasma não parece ter muito senso de humor e se irrita com o gesto. — Vou mostrar que também sou muito divertido.
O fantasma derruba suas lágrimas sobre Frisk que depois de sentir a primeira queimando sua pele, desvia das outras. O fantasma deseja que aquela criança não estivesse ali.
— Aii... você está bem? Está chorando... — Frisk tenta um sorriso paciente para animar o fantasma. O fantasma dá um sorrisinho, mas logo torna-se relutante.
— Eu realmente não me sinto bem para isso agora. Desculpa.
Mais lágrimas caem sobre Frisk, mas mesmo saindo do lugar e evitando-as, essas os perseguem pelo chão, fazendo a criança dar uns pulinhos para trás. O fantasma parece se sentir um pouco melhor depois do novo choro. Algo o perturba, mas prefere manter apenas para si.
— Ei, err... o que disse uma bolha de sabão à outra? — Frisk que nunca foi de brigar e que, por causa de Toriel, não estava mais temendo tanto assim os monstros, começa uma piadinha para o fantasma que cede os ataques para prestar atenção. — “Vamos arrebentar!”
O fantasma sorri e derrama mais lágrimas que perseguem Frisk pelo chão. O humor do fantasma é melhorado um pouco mais. Apesar do que parece, Frisk se diverte já tendo o fantasma como amigo e, no meio daquela confusão, acaba piscando uns dos olhos para o fantasma que nota e pensa ser outra coisa.
— Não, eu serei um peso para você — fala com drama e ainda com suas lágrimas escorrendo pelo seu corpo de lençol, mas sem ser torrencial e atingir a criança. — Ei, hã... deixe eu te mostrar uma coisa. — Suas lágrimas caem novamente, mas agora para cima, aos poucos cada gota aos se juntarem formam uma pequena cartola sobre sua cabeça. — Eu chamo de “Blook elegante”, o que você acha?... — aguarda ansioso pela resposta.
Frisk dá um “like” para o fantasma. Esse sorri, mas sussurra algo como “oh não...” antes de ficar transparente.
— Volte aqui, eu ainda nem sei o seu nome... eu me chamo Frisk.
— Eu sou Napstablook... eu geralmente venho para as ruínas porque não tem ninguém aqui. Mas hoje encontrei alguém legal — Frisk sorri com o comentário —, oh, não... estou falando muito de novo... vou sair de seu caminho...
Napstablook some de vez, desbloqueando o caminho que antes tomava.
...
Ter melhorado o humor de Napstablook antes que fosse embora, te encheu de determinação.
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