Underneath It All
12 Dois anos depois
Notas iniciais
2 anos depois
Por León:
Passaram-se dois anos desde que eu e Roxy, ou melhor, Violetta, terminamos. Aquela foi a última vez que nos vimos.
Nos últimos dois anos, evitei qualquer coisa sobre ela. Não chegava perto de revistas e tablóides, não via vídeos, não queria saber de notícias. Eu queria mantê-la longe de mim. E consegui. Não fiquei sabendo de musicas novas, de turnês, de nada. Ou melhor, até sabia por altos que a algum tempo atrás ela havia saído em turnê, mas foi só. Não me ligava em rádios, TV, revistas, nada. Não queria ter o mínimo contato com alguém como a Roxy/Violetta.
Com o término, mudei de vida. Voltei para o México, e comecei a me entregar ao trabalho.
Nos últimos tempos, havia gravado um novo disco. Estava em turnê mundial, e a última parada antes de voltar ao meu país seria Buenos Aires, onde eu faria cinco shows. Estava nervoso. Desde o dia que deixei a Argentina, nunca voltei. Eu sabia que um dia voltaria, mas a perspectiva de regressar ao país onde tantas coisas tinham acontecido me deixava enjoado. Tudo ia voltar.
Eu previa repórteres fazendo entrevistas e perguntando sobre a Roxy, se íamos nos ver, se éramos amigos, se íamos voltar, se tínhamos amigos em comum, se existia alguma chance de fazermos um dueto. Iam perguntar sobre o término do namoro. O assunto mais comentado provavelmente seria a forma como sai do país logo após terminar com a popstar do cabelo rosa. Buenos Aires ia ser a parada mais dura de toda a turnê.
Eu não queria encontrar a Roxy, não pretendia encontrar a Roxy, simplesmente não conseguiria. Eu não queria saber nada dela. Mas aparentemente seria impossível fugir da garota pra sempre.
Eu tinha que encarar aquele desafio.
—---------
Chegando em Buenos Aires eu já tinha uma ideia bem clara do que gostaria de fazer: como eu havia cortado laços com a Violetta, iria atrás de Fausta, ou, como eu descobri, Francesca. Ia perguntar pra ela como estava a Vilu, e depois perguntaria um número de telefone ou endereço. Ia encontrá-la, falar com ela o mínimo possível, só pra combinar o que falaríamos caso essas perguntas fossem feitas, esse tipo de coisa, não sairíamos do profissional.
Era o certo
Era o que devíamos fazer
Não tinha como dar errado
Ou tinha?
Não, não podia ter
Afinal, não éramos mais nada, éramos? Não, não éramos. Então não tinha por que a situação ficar constrangedora.
Estava tudo certo, era exatamente isso que eu ia fazer.
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Era meu primeiro dia na cidade. Acordei cedo, quando pouca gente estaria na rua, e fui correndo até a casa de Fausta, ou melhor, Francesca. Respirei fundo algumas vezes. Eu não sabia se teria coragem de encará-la depois de tanto tempo. Ela também tinha mentido para mim. E ela era a melhor amiga da Roxy. Devia ser como ela. Talvez a apoiasse. Fora que a Violetta podia ser cínica. Eu não sabia que história ela tinha contado. Talvez essa menina, Francesca, achasse que eu era o vilão da história. Ou até soubesse da verdade, mas simplesmente não ia querer admitir. Afinal, ela também era parte dessa história, e ela tb estava errada.
Eu não precisavas falar com ela, precisava?
"Não seja covarde" eu pensei "seja homem, é só uma garota, e nessa história a errada era ela, não você"
Bom, na verdade ela não estava completamente errada, ela estava ajudando uma amiga. A errada da história era a Roxy, só a Roxy.
Não, não a Roxy.
A Roxy era um personagem.
A errada da história era a Violetta. Eu tinha que começar a chamá-la pelo verdadeiro nome
—Violetta, Violetta, Violetta — eu repeti algumas vezes, até me acostumar
Presidirei fundo e bati na porta. Pouco depois, Fausta, ou melhor, Francesca, apareceu. Ela era bastante diferente do que eu lembrava. Sem a peruca, tinha cabelos negros, e não muito longos. Não usava nenhuma maquiagem no rosto, o que era novidade para mim. No lugar daqueles exagerados conjuntos de calça e blusa que usava antes, hoje estava simples: legging e camiseta, ambas pretas, a parte de cima com uma estampa branca, no lugar de cabelos extremamente lisos e com duas mexas presas atrás, hoje ela tinha os cabelos presos de forma bagunçada. Estava simples. E bem mais bonita
Ela me olhava com certa incredulidade. Também, devia estar muito surpresa. Eu a entendia. Também estava chocado de reencontrá-la depois de tanto tempo.
—L-León? — Ela gaguejou, surpresa.
—Oi... Francesca ne?
—é.... Ó-oq faz aqui?
—Bom, eu..., estou de turnê, aqui era a última parada, e... Bom, eu achei que seria bom ver como estavam as coisas.
—Ah.... Que bom
—e então, como vc Ta?
—Bem, e.... E você?
—Bem...
—Conseguiu superar?
—Superar o que? — Perguntei, agindo como se não estivesse sabendo do que ela estava falando, mas óbvio que sabia: Violetta
—Não se faça de tonto, você sabe o que eu estou falando.
—Não, não sei
—sim, você sabe. León.... Se apaixonou duas vezes pela mesma pessoa
—Ok, Ok.... Sim, estou bem, estou me virando mas.... Acho que sempre vou levar um pouco dela comigo. Da Violetta, não da Roxy. Estou tentando ainda assimilar que a Rosa nunca existiu. Quero me lembrar dela como Violetta
—Era isso que eu ia te dizer. A Violetta, ela...
—Não, não, não vim aqui pra falar dela
—Mas...
—Sério, não quero saber nada dela. Ou melhor, quero sim, mas não novidades
—Como assim?
—Queria saber um endereço dela, quero um número de telefone, sei lá
—Tem muitas coisas que você não sabe León... Muitas mentiras
—Dela eu não duvido de nada. No que ela mentiu dessa vez?
—Tem muitas mentiras ao redor de quem é Roxy, León.
—Não quero ver a Roxy, quero ver a Violetta.
—É isso que eu estava tentando te dizer o tempo todo!
—isso o que?!
—não vai encontrar a Violetta!
—Como assim? ela não quer me ver?
—Nao é isso....
—Então o que é?!
—León... A Violetta está morta.
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