Notas iniciais
Então galera , faltam pouquíssimos capítulos para acabar a fanfic , menos de cinco ! Altas emoções , muito suspense e ... enfim , não direi mais nada . Boa leitura !

Sentia as pernas estranhamente doloridas , o corpo enfraquecido e minha cabeça não parava de doer , como se ouvessem mil elefantes dançando tango em cima dela ao mesmo tempo . Quando recuperei os sentidos , aos poucos , percebi que não conseguia movimentar os membros inferiores e os superiores . Estava amarrada com cordas , que davam voltas em torno da cadeira na qual eu estava amarrada . Ao olhar ao redor , percebi que estava presa num quartinho cinza , muito pequeno , e a única forma de iluminação era uma pequena lâmpada que estava quase queimando , fazendo com que eu tivesse pouco foco . Não havia móvel algum no lugar .

Na minha frente , uma porta de aço se abriu , era Jason , segurando um grande pedaço de madeira que , em seguida , o jogou num canto qualquer . Deve ter sido com isso que ele me batera .

–- '' Que bom que você acordou '' -- Ele disse , muito sério , com as mãos cruzadas em volta do peito . -- '' Eu sinceramente não queria chegar a esse ponto , Marlena . Mas você já xeretou o suficiente . Estão na minha mira e ... por mais que você seja bonitinha, não quero que você me denuncie . ''

–- '' Ar .. onde ... onde eu estou ? '' -- Perguntei , ainda muito zonza , mas sentindo que aos poucos meus sentidos estavam voltando para mim .

–- '' Na mesma casa . Estamos em outro quarto que está para alugar . Essa casa , '' -- Ele disse , olhando ao redor , sem mudar sua posição . -- '' Essa casa pode abrigar mais uma pessoa . Mas não foi pra isso que dopei a Senhora Shapiro . Não , não foi . ''

–- '' Jason , como você pode ? Você matar todas essas pessoas ... elas podem não ser melhores do que você . Mas isso não quer dizer que você tenha que ser um assassino . Eu confiava em você e amava você . Amava muito . Mas você me decepcionou . O que você fez à essas pessoas não tem perdão . '' -- Balancei a cabeça negativamente , fazendo com que , finalmente , minhas lágrimas rolassem pelo rosto e pingassem no chão , como uma chuva triste .

–- '' Não tem perdão ? NÃO TEM PERDÃO ? -- '' Ele berrou comigo , de uma forma que eu nunca tinha ouvido antes . Ele estava com o rosto cada vez mais vermelho , com as veias da testa se expondo e com os olhos brilhando em um tipo de fogo mau . '' Eu passei a vida toda sofrendo , Marlena . Todas essas pessoas me fizeram um mal terrível . E você ainda quer que eu as perdoe . Depois de tudo o que fizeram para mim ? Você só pode estar de brincadeira . Há. -- Ele soltou uma risada fria . -- '' Não venha falar de piedade comigo . Não rola .''

–- '' Mas porque, Jason ? Porque ? '' -- Eu ficava cada vez mais triste e confusa com aquela situação . Tentei me mecher , mas meus esforços eram vãos .

–- '' Me deixe fazer uma pequena viagem pelo tempo com você , minha querida . '' -- Ele colocou as mãos atrás do corpo , e caminhou ao meu redor , como um gato se preparando para dar o bote em um camundongo . '' Vamos lembrar do dia em que nos conhecemos . Você se lembra que me defendeu de uma menina que estava dizendo coisas ... digamos não muito legais da minha família . Sim , era Helena . Mas ela não morava na nossa vizinhança , no nosso bairro . Não , não . Ela estava passando as férias em Ohaio . Sei disso porque ela estava hospedada na casa ao lado da minha , casa de uma empregada ou não sei o que . Não me lembro '' . -- Ele parecia perdido em pensamentos ,e como eu não tinha escolha , continuei a ouvir . -- '' Então , um dia , eu ouvi uma discussão saindo daquela casa. Era a minha mãe . Sim , minha mãe . Estava traindo meu pai com o pai dela . Eu vi tudo , tudo , tudo da minha janela . Mas não contei ao papai . "

'' E a desgraçadazinha estava atrás da porta , olhando tudo e sorrindo ,não fazendo absolutamente nada . Ficou observando o próprio pai se furnincando com a desgraçada da minha mãe . No dia seguinte , quando perguntei a ela sobre o que tinha acontecido , sabe o que ela me disse ? Disse que meu pai merecia . Que meu pai era um corno, vagabundo , que não devia ter a mulher que tinha . E ainda disse que eu era tão inútil quanto o meu pai . Mandei ela calar a boca. E sabe o que ela fez depois ? Ela começou a bater em mim , mas não pense que eu deixei barato , ela apanhou também . Passei as semanas todas com a cena da traição na minha cabeça . Por isso eu te empurrei naquele dia , Marlena . Eu estava quase explodindo de tanta raiva e infelizmente você apareceu na hora errada e no momento errado . Hum , aonde eu estava , ah sim ! -- '' Ele disse , e sua empolgação ao me contar aquelas coisas era tanta que parecia que ele tinha acabado de descobrir que o Natal chegara mais cedo . Ele estava completamente fora de si . '' Enfim , o tempo passou e ir para aquela escola foi a oportunidade perfeita para eu me vingar . Eu pesquisara e sabia que Helena e mais ... alguns que eu precisava acertar as contas estudavam na mesma escola que você , e , com um pouquinho de audácia eu descobri aonde Helena morava . Escrevi uma carta anônima para ela , me passando por um admirador secreto e convidando-a para se encontrar comigo em frente à escola , de madrugada . E a burra da garota , que achava que o mundo tinha que girar em volta dela , caiu como um patinho . Foi a chance que eu precisava para , digamos , tirar ela do mapa . ''

''-- Jason , como você pode ser tão frio ? '' -- O desafiei , meu rosto também ficando vermelho , tamanha ira que eu estava sentindo , ao mesmo tempo em que eu tinha vontade de me matar por ter me apaixonado por tanto tempo por um cara psicopata como ele era . '' -- Cara, eu sei que traição é uma coisa muito ruim , mas realmente a Helena não tinha que se meter nesses assuntos de adulto . Sim, Jason , ela foi errada em dizer essas coisas da sua família, mas se você parar para pensar ela não tinha obrigação de contar nada para ninguém .

Meu Deus, cara , ela só deveria ter uns oito anos ! Somos quase da mesma idade !''

'' -- Ah pelo amor de Deus você , Marlena , cala essa boca . '' -- Ele disse , dando um forte tapa no meu rosto . '' -- Uma coisa leva à outra . Anne Parkins , a loira da festa , era a melhor amiga de Helena . Ela nunca me dava uma chance porque a vadiazinha da amiga espalhou para todas as outras crianças o que tinha acontecido . Ela disse que nunca namoraria um cara problemático como eu . Que eu e a minha família erámos todos do mesmo sangue ,um sangue que ela dizia que era nojento . Ah Marlena , ela não devia ter seguido à risca as ideias da amiguinha . Aquela festa não aconteceu porque eu gostava de todo mundo , aliás nunca gostei de ninguém . Foi só uma maneira de distrair todos os alunos para que eu pudesse acabar com a raça dessa desgraçada . '' -- Jason soltou uma risada doentia , eu já passara a temer não pelo que ele pudesse fazer comigo , mas sim a sua sanidade mental . Ele estava totalmente louco . Como pude ser tão cega e burra ?

'' -- Mas há uma coisa que não entendo . Porque você deixou Andrew bater em você ? Afinal de contas , esse tempo todo , quem é o '' maioral '' não é você ? '' -- Fiz questão de enfatizar a palavra '' maioral '' .

'' -- Oh , minha querida , mas será que você não entendeu nada ainda ? Será que nenhuma palavra do que eu lhe disse penetrou na sua cabeça ? Eu podia muito bem acabar com a raça daquele playboyzinho de merda . Mas não o fiz porque não queria me delatar na frente de todos . A mesma faca que usei para matar Parkins estava no bolso da minha calça . As vezes , na vida , a gente deve provar o gosto amargo de certas coisas para enfim ... dar a volta por cima . E foi o que aconteceu . Ele está morto agora . ''

'' -- Mas sua mordomia acabará mais cedo do que você pensa . A polícia está a caminho . A casa caiu , Jason e não há nada mais que você possa fazer . Você conhece as leis da Georgia . Assassinos ganham pena de morte . Como você não tem medo disso ? '' -- Eu começara a chorar , mais uma vez , tentando ver algum resquício de arrependimento nele . '' -- Jason , por favor , não faça mais nada , eu amava você . ''

E o pior aconteceu . Ele se aproximou de mim lentamente , colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e sussurrou lentamente : '' -- Marlena , querida , deixa eu esclarecer uma coisa : você pode até ser bonitinha . Mas eu nunca , eu repito , nunca senti nada por você . Nada . Eu armei tão bem o teatro e você ai , suspirando , achando que eu gostava de você . Por que acha que marquei esse encontro ? Porque eu gostava de você ? Porque achou que eu ia chegar em sua casa com um buquê de flores e uma caixa de chocolates ? Não Marlena , eu precisava colocar você fora do meu caminho . Ou você acha que eu não percebi que você , aos poucos , estava descobrindo tudo . Nunca gostei de você , nojentinha . ''

Aquelas palavras frias , calculistas e sem um pingo de sentimento terminaram de acabar comigo . Aquele era o pior dia da minha vida . Uma ira , uma fera enfurecida despertara dentro de mim . Minhas lágrimas de tristeza se misturavam às de raiva e meu corpo todo tremia de tanta cólera , como uma esquizofrênica .

'' -- ASSASSINO , ASSASSINO ! SEU GRANDE FILHO DA PUTA ! SEU DESGRAÇADO ! . SE EU PUDESSE VOLTAR NO TEMPO EU NUNCA SERIA SUA AMIGA . NUNCA SERIA ! VOCÊ É UM GRANDE FILHO DA PUTA E EU QUERO MAIS É QUE A POLÍCIA O PEGUE E QUE VOCÊ SE F ... '' -- Não pude terminar minha frase , ele tampara minha boca com um grande pedaço de fita adesiva cinza .

'' -- Shiiii ... quietinha , quietinha . '' -- Ele sussurrou para mim . --'' Eu só não lhe apago agora porque , por incrível que pareça eu consigo sentir algum resquício de pena por você . Estou indo embora do país , você vai ficar ai quietinha e peça a Deus que a Senhora Shapiro acorde da droga que pus na água dela , ouça seus gritos e venha soltar você . E mesmo que você ponha a boca no mundo estarei muito longe daqui . Agora vê se cala essa boca . '' -- Ele me deu um pontapé na coxa e pegando as grandes malas que eu havia visto , saiu correndo do quarto , sem fechar a porta .

Tentei lutar contra as cordas que me amarravam , mas ao me balançar , acabei caindo de lado , junto com a cadeira na qual eu estava atada . Me lembrara da lâmina escondida entre minha roupa intima. Mas como eu iria pegá-la com as mãos presas ?

De repente , percebi que num canto próximo à mim havia um enferrujado pé-de-cabra .Usando a perna esquerda , consegui chutá-lo e fazer com que tombasse ao meu lado . Então usando os dentes , consegui manipular o objeto e fazer com que ele entrasse por dentro da minha calça , usando a ponta curvada . Senti a pele se arranhar e ficar dolorida , mas , graças a Deus , lembra-ra que a lâmina era usada como chaveiro pelo meu padrasto e possuia uma argola na parte superior . E então , como um anzol fisgando um peixe de brinquedo de parque de diversões , consegui fisgar o pequeno objeto . Nessas horas , agradeci por assistir com tanta frequência as séries de investigação . Nunca pensara que podia aprender alguma coisa com isso . E então com todo cuidado , fui erguendo o pé de cabra aos poucos, tudo isso usando meus dentes , e coloquei a navalha no meu ombro e a fiz escorregar delicadamente até minhas mãos . E assim, mesmo atadas , consegui corta as cordas que prendiam meus pulsos . '' Oba , '' -- pensei . '' -- Agora é só soltar meus pés e cair fora daqui e ver se encontro a polícia . Ai, Deus , será que minha mãe está preocupada ? ''

Em rápida velocidade , consegui cortar as cordas que prendiam meus tornozelos e sai correndo dali . Cruzei um corredor e passei rapidamente pela sala , a velha senhora ainda estava desacordada.

Sai correndo pela rua , sem ter sequer noção de que horas eram , apenas sabia , calculando pelo céu escuro que deveriam ser mais de oito horas . Avistei , ao longe ,perto de um depósito de bebidas , um velho telefone público . A rua estava deserta , o que aumentava meu terror .

Vasculhei os bolsos à procura de moedas para conseguir ligar para a polícia , mas lembrara que eu só tinha notas no bolso . Nenhum táxi à vista e a delegacia mais próxima levariam horas de viagem à pé . Comecei a chorar e a entrar em desespero , com uma vontade louca de puxar meus cabelos . Então , tive uma ideia . Eu poderia ir para a casa dela e implorar para usar o telefone e ligar para a polícia e para a minha família , afinal a casa dela era a mais perto de onde eu estava .

Correndo pela rua , ao olhar para o lado , li em uma placa que me encontrava na Rua St. Cristopher . '' Ufa '' -- '' Comemorei baixo . '' -- Já cheguei aonde eu queria . Ai , garota , tomara que você esteja em casa . ''

Abri o pequeno portão verde e subindo pequenos degraus , bati na porta vermelha de madeira com toda a força e rapidez possível , não conseguia enxergar com facilidade a campainha , pois minhas lentes estavam embaçadas devido ao choro excessivo . E então , quem eu mais queria que me atendesse apareceu . Usava um roupão cor de rosa , uma toalha azul enrolada na cabeça e estava com rosto verde , devido à alguma máscara de beleza e com uma escova de dentes no canto da boca . Se eu não estivesse afobada , teria rido muito daquela cena , mas eu precisava muito de ajuda .

'' RÁPIDO, ELIZABETH , VOCÊ PRECISA ME AJUDAR ! LIZIE , VOCÊ PRECISA ME AJUDAR ! ''