Unconditionally
38 Take me back to the start
–Estou de partida-Derek murmurou da porta.
Ótimo, era isso que eu queria ouvir a mais de um mês atrás. Ele indo embora, ele parando de me estuprar, ele parando de me violentar, ele parando de me xingar, de me tratar como nada, sei que não era certo, mas eu só queria que ele morresse da pior maneira possível, queria que ele gritasse durante horas de dor até dar o último suspiro e apodrecer nas chamas do inferno.
–Tenha uma boa viagem meu querido-minha voz saia cortante e rasgada e baixa, isso era justificado por tudo que ele havia causado no meu rosto é evidentemente nos meus lábios. Odiava ser obrigado a tratá-lo bem.
Derek apenas fechou a porta com força, não olhei, apenas ouvi, e continuei olhando para a janela:
Damon estava vindo, Damon estava voltando, Damon estaria comigo por três dias, os três maravilhosos melhores dias da minha vida antes de eu voltar ao inferno, trataria de não dormir nenhuma das três noites e aproveitar o máximo possível de cada detalhe daquelas gloriosas setenta e duas horas para quando eu estiver passando pela dor e tortura eu lembrar que eu tive aquele curto tempo com ele.
Um carro preto chegou fazendo o amor da minha vida sair dele:
Jaqueta de couro, óculos de sol que não deixavam a mim ver seus olhos azuis, jeans velho e aliança no dedo. Ver nossa aliança no seu dedo era algo muito maior do que deveria, pelo simples fato de que eu tinha que esconder a minha atrás de minhas roupas já que havia colocado em um cordão, para não ser obrigada a tirá-la de mim. Sabia que Charlotte muito provavelmente havia mandado Damon tirá-la, não precisava ser muito experto para saber, mas lá estava ele, com ela em seu dedo.
Apertei minha aliança no cordão quando nossos olhares se encontraram e perdi o fôlego, senti que meu coração parará de bater, que por um momento nunca havia acontecido nada de ruim nas nossas vidas, que eu ainda era sua esposa e mãe de seus filhos, que vivia seu feliz para sempre naquele conto de fadas em que nada podia dar errado.
Sai correndo do quarto assim que Damon correu para as portas do palácio, entrando no mesmo, corri os inúmeros corredores até finalmente ver seu corpo a menos de cinco metros de distância.
–Você...-o sussurro saiu de seus labios enquanto um sorriso pequeno se formava.
Corri em direção a seus braços que a cada passo é degrau que eu dava ficava mais perto mas que aos meus olhos pareciam a milhares de quilômetros.
Não esperei, não consegui terminar todos os degraus, seus braços me pegaram assim que me joguei sobre eles e coloquei a cabeça em seu pescoço sentindo aquele cheiro maravilhoso de lar, aquele cheiro que achei que nunca mais sentiria.
Estava chorando de novo, com aquela saudade maluca preenchendo todo o meu corpo, o senti doer e pesar. Nunca senti tanta dor em toda minha vida, estava gravemente doente de um coração partido.
As lágrimas que caiam era jorradas com esforço, cheguei a um ponto que chorava tanto que doía, que meus olhos começaram a ficar pesados na medida em que eu chorava. Chorar já não era mais tão fácil quanto antes, mas por mais que doesse era algo que eu precisava, era algo que eu simplesmente não conseguia mais controlar.
Senti seus braços fortes e quentes ao meu redor e naquele momento era como se tudo tivesse se concertado, como se tivesse entrado nos eixos e nada mais faltasse, era estar em casa novamente, porque casa era onde ele estivesse, não importando a situação.
–Eu eu eu...-tentei falar alguma palavra mas não saia, só os soluços, só a garganta se cortando e me arranhando, apenas meus lábios doendo.
–Eu sei, também amo você. Estou aqui aqui agora, vai ficar tudo bem-ele falava aquilo com tanta convicção e eu estava tão frágil tão pequena em seus braços que acreditava em tudo que ele dizia, acreditaria até se ele dissesse que trouxe a lua para mim sem duvidar nem por um segundo-Vamos conseguir, no final vai dar tudo certo, Megan vai nascer num lar com a família bem e unida eu prometo-sussurrou ele mostrando mais uma vez que ele sempre teria a resposta pra tudo, sempre teria as respostas certas, sempre saberia dizer o que eu precisa ouvir, sempre.
Continuei a agarrar seu pescoço, mas agora eu o lhe observava conseguia ver seu rosto intacto apenas por olheiras intensas e evidentes. Sabia que Damon acordava de madrugada, sempre era eu a acalma-lo quando Charlotte ligava para Derek que bufava e reclamava com ela e comigo, mas era sempre a voz de Damon que eu escutava por último, voz que eu escuta antes de finalmente começar a sonhar, porque antes era apenas escuridão.
Além de suas intensas olheiras havia também os olhos vermelhos e inchados Damon chorava todas as noites comigo ao telefone, chorava feito uma criança querendo o colo da mãe. Também sabia que seus pesadelos na adolescência era com o pai, mas depois quando ele me conheceu tudo gerou em torno de mim, assim como na minha vida tudo girava em torno dele. Ao meu lado ele conseguia dormir em paz, mas sem, era apenas acordar de madrugada gritar e depois quando ele mal percebia estava chorando.
Mas o olhando ali, com aquele sorriso doce e aqueles olhos azuis brilhantes, sentindo seu toque gentil e seu olhar cheio de saudade ele não parecia tão mal assim, nem mesmo eu parecia tão mal assim.
–Oh meu amor, o que fizeram com você?-ele contornou minha boca com cuidado e eu senti uma pontada de dor, mas simplesmente não consegui me afastar-Vou tirar você dessa, vamos sair dessa, vamos sair, é vamos-e então Damon começou a sussurrar várias e várias vezes a palavra "sair" como se estivesse em transe, como se apenas conseguisse falar aquela palavra.
Ele colocou a cabeça em meu pescoço e continuou a sussurra-la varias e varias vezes enquanto sua voz era abafada por meus cabelos. Ele me apertou forte, como se eu pudesse escapar de seus braços a qualquer momento, ele estava tão pequeno, tão frágil.
–Está tudo bem Damon, está tudo bem-falei alisando seus cabelos enquanto tentava acalma-lo.
Mesmo se saíssemos daquilo vivos, nunca mais seriamos os mesmos, mas pelo menos teríamos um ao outro para tentar esquecer de tudo de ruim que ocorreu.
–Você esqueceu de fazer uma coisa-sussurrei conseguindo forçar um sorriso, por mais que o que eu estava pensando naquele momento não era tão ruim assim, na verdade não era nada ruim.
–Não Elena, eu não esqueci de nada-ele tirou a cabeça de meu pescoço e no segundo seguinte sua boca estava pressionada, sua língua já pedia permissão e eu a dei instantaneamente sentindo a maciez de seus lábios pressionados nos meus e depois de meses consegui finalmente lembrar o que era beijar de verdade, beijar alguém que se ama, beijar alguém que lhe completa, beijar alguém que é parte de você.
O beijo dado foi intenso, forte e apaixonado, como nenhum outro, aquele beijo foi numa intensidade sem fim, o mundo poderia acabar naquele exato momento é nada mais importaria. Senti sua língua percorrer minha boca e os arrepios me invadiram de um modo como nenhum outro, passei o braço por seu pescoço e ele pela minha cintura, sinceramente, não queria fôlego, não precisava de fôlego, ele era meu motivo de respirar, ele e apenas ele.
–Eu amo tanto você-ele falou encostando a testa na minha.
Eu ainda tinha os olhos fechados e sentia seus braços subirem e alisarem minhas costas, enquanto minhas mãos subiam e alisaram seu rosto.
–Também amo tanto você-abri os olhos e então Damon sorriu pra mim é então segurou minhas duas mãos e deu um beijo em ambas.
–Onde estão as crianças?-perguntou Damon encarando o palácio vazio.
–Dormindo-falei olhando o antigo relógio grande ao lado-Ainda são 7h, e por algum motivo é feriado.
–Hoje é ação de graças, Elena-Damon esclareceu com um sorriso triste.
–É?
A expressão de Damon era de puro desespero, acho que até um pouco de pena, mas não o culpava se, até eu sentia pena de mim mesma às vezes.
Ação de Graças meu feriado favorito, desde pequena, até quando Derek me sequestrara havia sido meu feriado favorito, ele havia me levado para algum local longe de Londres e por algum motivo ele sempre deixava eu olhar pela janela no dia de ação de graças então eu passava o resto do dia olhando a neve cair, quer dizer, quando ele não estava comigo dentro de um quarto.
Depois que eu e Damon havíamos casados eu falei o quanto que amava a neve e como sentia falta dele desde que havia voltado de New York e todos os anos íamos para lá no dia de ação de graças e desde que Liv havia voltado para casa e Henry nascido havia se tornado um feriado muito mais fantástico do que era antes. Era nosso dia do ano favorito.
–Vamos acordar às crianças e aproveitar esse dia o máximo que pudermos, nosso primeiro dia de ação de Graças em Londres, juntos-sorriu apertando no queixo rapidamente e consegui sorrir pela primeira vez em semanas.
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