Unconditionally
33 Seven days without you-part II
Crystal Ball-Keane
Tudo ficava vazio, a cama, a música, os livros, os quartos, minhas blusas jogadas no chão. Elas tinham o cheiro dela junto ao meu, por causa de todas as vezes em que ela as vestirá, que ela dormira com ela apos de fazermos amor, apos agarrar meu corpo e enterrar sua cabeca no meu pescoco, todas elas tinham o seu cheiro.
Tudo que eu fazia não fazia sentindo, era um vazio intenso, um buraco no meu peito que eu sabia que só ela poderia preenchê-lo.
Ver todas aquelas fotografias espalhadas pelo quarto era doloroso demais, a casa que ela havia construído para nós toda destruída, como eu havia sido capaz de fazer aquilo? Como eu havia tido coragem? Elena era minha mulher, minha alma gemia, o amor da minha vida como eu havia sido capaz de fazer aquilo?
Entrar no quarto era mais doloroso do que tudo, vê aquela cama toda bagunçada me fazia lembrar de uma semana atrás quando Elena brigava comigo por ter falado aquele absurdo para a coordenadora de Liv, aquela lembrança me fez rir. Mas ela parou quando a beijei, envolvi meus braços nela, quando ela riu entre meu beijo e passou a mão em meus cabelos.
Minha vida.
A morena chata misteriosa entrou nela, e me fez apaixonar desesperadamente por ela, e não só eu dei a ela um amor que a consumisse e paixão, ela havia me dado aquilo, e muito mais, ela havia me dado a vida.
Quando deitava na cama e via a aliança dela em cima da cabeceira, me fazia querer chorar, havia a colocado ali para me lembrar todos os dias o que eu havia feito, de que a culpa era totalmente dele. Ver aquela aliança o dava de volta a dor intensa de reviver aquela memória em que Elena a jogava contra mim.
Entrar no quarto de meus filhos me dava uma dor intensa por saber que Elena tinha que cuidar deles e ainda aguentar aquela dor agonizante.
Havia ligado para Stefan várias vezes que me dera a notícia de como Elena estava terrível e como meus filhos não entendiam nada.
Viver sem ela era agonizante, naquela hora, não poder contar tudo para ela, me ajoelhar nos seus pés e secar suas lágrimas foi um dos momentos mais difíceis da minha vida.
Eu não pude impedir ela de ir embora.
Quando Elena foi embora, eu fiquei parado olhando para a aliança que ela jogará em mim, no chão, apenas minutos depois eu sai da casa correndo em direção a seu carro mas vi que já era tarde demais, pôs ela já havia partido.
Charlotte tivera pena de mim ou talvez aquele sexo tivesse feito ela me deixar finalmente em paz com minha dor.
No segundo dia fiquei encarando o telefone me esforçando para não ligar para ela e dizer toda a verdade , fiquei deitado na cama até tarde. Minha mãe me forçou a levantar quando me ligou e gritou comigo.
Passei o dia inteiro resolvendo assuntos chatos da Itália, sem estar realmente lá, pois estava realmente com Elena, em minha cabeça.
No segundo dia, terceiro, quarto, e quinto se repetiu as mesmas merdas, aguentava pessoas do governo e discutia assuntos sobre o país. No segundo dia estava tão cansado que apenas dormi.
No terceiro dia fui para academia, fiz flexões, abdominais, levantei peso e passei horas espancando um saco de pancadas.
No quarto dia acordei de madrugada gritando, os pesadelos, eles voltaram, nunca mais haviam acontecido desde que Elena e eu dividíamos a cama juntos, separados eu apenas acordava de madrugada, suado e gritando seu nome, olhava para o lado e não via seu rosto, o alívio que eu deveria sentir desaparecia, e eu ficava em claro o resto da noite inteira.
Eu estava no meu quarto, eu tinha 17 anos, ligava para Elena sabendo que cairia na caixa postal, esperava dizer:
–Oi! Você ligou pra Elena no momento eu não posso atender ou eu posso estar te ignorando-ela soltou uma risada fofa-mas de todo jeito, deixe um recado que aí eu te ligo se eu quiser falar com você, então fale depois do bip-eu riu de novo.
E eu respondia:
–Oi amor, senti tanta falta da sua voz hoje, tinha prometido a mim mesmo que não te mandaria mais mensagens de voz, mas eu senti tanta falta da sua voz que não me aguentei. As garotas continuam a se atirar em mim, e você acredita que eu ainda não consigo nem olhar pra ela mensagens de voz, mas eu senti tanta falta da sua voz que não me aguentei. As garotas continuam a se atirar em mim, e você acredita que eu ainda não consigo nem olhar pra elas que já fico com nojo, e quanto mais delas vem atrás de mim mais eu sinto sua falta..Bem, boa noite Linda, e...espero que você me ligue, eu espero, quanto tempo for necessário, mas me liga. Te amo
Eu começava a chorar, desligava o telefone, pegava o porta retrato com nossa foto e chorava mais.
De repente a porta de meu quarto abriu subitamente, meu pai entrava, ele estava segurando Elena pelo pescoço, ela chorava, tentei me levantar na mesma hora, porém meu corpo estava preso na cama, não conseguia me mexer, falar, gritar ou mexer qualquer músculo, eu só conseguia ver aquela cena.
Meu pai jogava Elena no chão, a violentava, a batia enquanto ela chorava e implorava por minha ajuda gritando meu nome.
E eu não podia fazer nada.
Meu pai então fazia o que eu temia, ele abria zíper de sua calça e então se abaixava e ficava por cima de Elena, que chorava e tentava se levantar, meu pai levantava o vestido dela e então abusava dela, enquanto Elena chorava e gritava.
Eu gritava seu nome, e ela não me ouvia, eu tentava me mexer, levantar e lutar contra aquela força que me proibia de tocar no meu anjo.
Acordava aos berros com as seguintes palavras repetindo em minha cabeça:
Eu não consegui salvá-la
Você não conseguiu salvá-la
Covarde.
Os pesadelos voltaram naquela noite.
No quinto dia fui até a casinha que Elena havia construído para nós, sabendo que ela havia estado lá.
Ela havia destruído tudo.
No sétimo dia, comecei a me perguntar o que havia levado Charlotte a sumir daquele jeito, ela sempre era petulante e quando não havia Elena por perto ela não perdia o tempo em vir atrás de mim, era um alívio não a tela por perto.
Mas meu alivio acabou no dia seguinte:
Estava frustado novamente havia pegado um discussão com o ministro espanhol e eu só queria os lábios e os braços de Elena, seu beijo me acalmava de uma maneira que era inacreditável, quase instantânea, precisava tanto dela.
Era geralmente nesse momentos que ela mais fazia falta, além de ver seu rosto preguiçoso e seu mal humor de manhã, ou os olhares que trocávamos no café da manhã, seu sorriso ao pôr Liv ou Henry no colo, mas suasnão estarem lá pra alisar meia rosto, ou sua voz suave dizendo que vai ficar tudo bem ou apenas a sensação do seu beijo, era a base de tudo.
Eu precisava dela.
Abri a porta do quarto mal humorado, chutei de volta o sapato jogado no chão ao qual havia tropeçado, comecei a tirar a estúpida gravata azul marinho que eu sabia que ela tanto gostava o que só me fazia lembrar ainda mas dela e ter ainda mais raiva por não poder contar a ela a verdade. Acendi a luz quando finalmente tirei o nó da gravata imbecil, chutei novamente o sapato que eu havia tropeado, tirei meu terno e quando elevei meia olhos para pôr na cadeira, lá estava ela:
Com saltos de 20 centímetros, vestido de decote "V" que mostrava boa parte de seus seios, cabelos presos em um coque, cigarro entre os dedos das unhas pintadas de vermelho, um vestido de franja estilo ando vinte colado em sem corpo mostrando todo o corpo que os homens deveriam amar...menos eu, porque só tinha olhos para apenas uma.
–Charlotte...
–Sentiu minha falta lindo?-disse soltando um sorriso sádico. Ela fumou e soprou a fumaça para trás fazendo eu tossir e revirar os olhos ao lenbrar que esse cheiro ficaria no quarto.
–Só pra você me dizer se pode contar para ela-insisti.
Charlotte entortou a boca e olhou de lado frustada, se levantou da cadeira e caminhou em minha direção, finalmente parando para apagar o cigarra em um daqueles vidros para esse serviço.
–Ah Damon que negócio chato, vê se esquece essa mulher, lembra? Ela não te quer-sorriu ela sentindo prazer de dizer aquelas palavras-"Eu te odeio seu cachorro miserável, eu não quero ver você nunca mais, seu estúpido. Morra enterrado na Charlotte"-riu ela sádica parafraseando as palavras de Elena, tive que segurar os punhos para não bater nela-Parece um louco deplorável.
–E o que você é?-Charlotte serrou os olhos e se aproximou de mim com raiva.
–Uma louca assumida, porque caso você não lembre eu estava no hospício e seu querido papai me tirou de lá-disse ela tocando na ferido com a maior cara de cínica-Pega logo seu celular manda logo a porra da mensagem para aquela vagabunda, está na hora de bagunçarmos esta história.
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