Unconditionally
17 True
You think you know me so well. How could you know what it feels like to be outside yourself? I just want you to realize I blame, I blame myself.
Dei outro passo para trás, tentando me afastar o máximo possível de Thalia, porém o medo me fazia dar uns tropeços e eu não queria tirar meus olhos dela em momento nenhum. Senti algo gelado contra a minha coluna e pelo canto do olho vi Serena, ela tinha uma arma contra as minhas costas e Thalia tinha uma apontada para a minha cabeça. Arfei ao ver Clair — a doce garota que levou um bolo de aniversário para Percy em Moutauk — sair da direita com outra arma apontada para mim e da esquerda saiu Leslie, também com uma arma apontada para a minha perna.
Por que as quatro queriam me matar?
– ANNABETH! — Lana gritou de algum lugar. Queria gritar de volta, porém o sorriso de Thalia me apavorava e eu não encontrava minha voz, estava perdida em algum lugar — ANNABETH! — ela gritou de novo, aparecendo atrás de Thalia com o braço sangrando e com o rosto machucado. Luke apareceu atrás dela e deu um tiro certeiro na cabeça da ruiva, que caiu para frente com sangue saindo do local que a bala e escorrendo pelos longos fios.
Luke estava com Silena, a segurando pelo cabelo. A morena tinha os olhos arregalados e o choro recente era visível, tinha um corte profundo na testa e o nariz também sangrava. A arma que recentemente fora a causa da morte de Lana, agora estava colada a testa dela e com o gatilho puxado.
Gritei quando Luke o soltou e a bala atravessou a cabeça da minha melhor amiga, ele a jogou com brutalidade contra o chão e Silena caiu ao lado de Lana. Thalia ampliou seu sorriso.
Luke sorriu paranoicamente, eu estava mais apavorada ainda. Um soluço alto escapou de minha garganta e ele riu, sumiu por alguns segundos e quando voltou, arrastava Nico e Percy. Ambos estavam mais pálidos que o normal e sangue ainda saia da cabeça de Percy, assim como também saia de sua perna. Nico sangrava no braço direito — o mesmo braço que Lana sangrava — e tinha outros dois tiros. Um no peito e outro no meio da testa.
Percy estava morto. Luke jogou os dois ao seus pés e eu pude ver a imensidão verde na qual eu sempre me perdia sem vida... Sem demônios.
– Arrependa-se babaca — ela falou e as quatro garotas atiraram ao mesmo tempo.
♡
Eu ainda estava atordoada, não era nada fácil sonhar tão nitidamente com quatro garotas estavam atirando em você — sendo uma delas a sua própria prima — e era menos fácil ainda ver sua melhor amiga eu a garota que você já considera uma serem mortas pelo seu ex-namorado sem dó ou piedade. Era menos fácil ainda ver o garoto que você jurou amar incondicionalmente morto.
Silena me obrigou a acordar as sete da manhã — eu já tinha ido dormir as quatro da madrugada — para ir buscá-la no aeroporto. Por ter chegado tão cansada e se paciência que tirei o vestido e me joguei diretamente na cama, consequentemente por causa do horário que fui dormir, eu acordei atrasada e vesti a primeira coisa que vi na minha frente: uma legging grafite e um suéter rosa da Forever 21, peguei meus coturnos e minha mochila. Ainda usava a maquiagem da noite anterior — que graças a um ser divino não estava borrada — e deixei para comer algo no aeroporto mesmo.
– Meu deus! Aonde você vai com essa sombra? — Silena perguntou segurando meu rosto e me fazendo encará-la. Eu merecia essa vida?
– A resposta correta é aonde eu fui com essa maquiagem. Te respondendo antes que me pergunte de novo: Aniversário de dezoito da Rachel Elizabeth Dare. Sim a modelo famosa e blablablá.
Ela tampou os lábios para abafar o grito. Continuava a mesma garota de um més atrás, os longos fios castanhos escuros e os olhos hora azul e hora verde, era difícil de definir a cor dos olhos dela, porém seu estilo era o mais fácil, Silena era a maior It Girl de São Francisco, agora roubaria o lugar da Blair Waldorf — a verdadeira, não a Thalia — em Nova Iorque.
– Você conhece ela?
– Ela é amiga e ex-namorada do Percy... Cadê seu pai e a sua madrasta?
– Não sei, desci primeiro do avião só para não ter que olhar para a cara da Violet.
– Você vai morar com ela!
– Shii! Não me lembre.
– Não te lembrar do que? — Peter perguntou atrás da filha e eu tentei dar o meu melhor sorriso animado para ele, porém eu estava com sono demais e eu acho que tinha glitter caindo da sombra. Violet não era nada feia e nem se parecia com um monstro, ela tinha os fios loiros platinados de salão, isso era visível por causa da raiz escura, e seus olhos eram violetas. Seus peitos era gigantes.
– Nada, Pai, bobeira — Silena deu de ombros.
– Olá — tentei ser animada, para livrar a tensão e o meu sono.
Porém não deu certo. Violet olhou com nojo para mim e depois bufou, Silena mostrou a língua para a madrasta e depois virou o rosto. Sim, essa garota tinha dezessete.
– O que acha de irmos? O carro que aluguei deve estar lá fora...
– Vamos sim... Eu dormi tarde e acordei cedo.
O caminho só não foi silencioso, por que eu precisei indicar as ruas até o condomínio para o Peter, sendo que havia um GPS no carro e o babaca não queria utilizar ele para facilitar a minha vida. Já dentro do condomínio, entreguei as chaves que minha mãe havia me dado ontem antes de ir viajar com o Posêidon para o Peter e desci assim que ele parou na casa que eu indiquei ser a minha, pela calçada pude ver Percy encostado no batente da porta do seu quarto.
– Tchau, Si... Desculpe não poder mostrar a casa a vocês, porém eu tenho uns problemas a resolver — mandei um beijo para ela — A da esquina no fim da rua, a esquerda.
– Minha ou sua?
– Minha, Peter — sorri. Acenei para eles e comecei a me afastar do carro correndo, entrei na minha casa e subi as escadas de dois em dois, abrindo e trancando o meu quarto em seguida. Sai já sacada e vi Percy ainda ali, no outro lado.
Sorri para ele e me certifiquei de que ninguém estava vendo o que fazia. Me sentei no parapeito e coloquei minhas pernas no parapeito do quarto dele, deslisando sem olhar para baixo até estar com os pés no chão. Corri até ele e agarrei seu pescoço.
Ele não correspondeu meu abraço. Apoiou as mãos na minha cintura e me empurrou para trás. Bufei.
– Volta para a sua casa, Annabeth — ele pediu sem me encarar, ele olhava o céu fechado — Pela escada.
– Não vou — segurei seu rosto e o fiz me encarar. Seus olhos estavam calmos, limpos, sem os demônios. Ele encarou o machucado — É isso? Está assim comigo por causa disso? A errada fui eu ta legal? Eu fui tentar te acalmar sem saber como e isso aconteceu... Não sou a Thalia okay? Eu não sei controlar você como ela.
– Não é apenas isso... Meus...
– Não tenho medo deles — acariciei sua linha do maxilar — Não tenho medo deles, não tenho motivos...
Ele passou o dedo sobre os pontos, tirando uma pequena careta minha por causa da dor pontiaguda que esse toque causou. Ele arqueou as sobrancelhas.
– Não é nada, Percy... Foram apenas alguns cortes simples — dei um sorriso. Ele suspirou e desceu sua palma pelo meu rosto, acariciando meus lábios com a ponta do dedo.
Beijei a ponta do mesmo e dei um sorriso sincero para ele, deslizei minha mão pelo seu pescoço e peitoral e abracei sua cintura, aconchegando minha cabeça no seu peito e ouvindo a batida acelerada do seu coração. Ele acariciou meus fios e deu um beijo no topo da minha cabeça.
Fiquei na ponta dos pés e colei meus lábios nos dele. Seu beijo tinha gosto de nicotina.
– Tenho umas coisas para te contar — suspirei, olhando para o lado de dentro do quarto.
Ele entendeu e me puxou para dentro, fechando a porta da sacada com o pé e dando um sorriso torto. Um minuto ele avançava até mim, não outro eu estava jogada na sua cama e ele deixava seu rastro quente no meu pescoço.
– Percy, não foi isso que eu quis dizer — falei puxando seus cabelos e fazendo ele soltar um muxoxo. O beijei de novo e depois o tirei de cima de mim — Eu ouvi uma conversa do seu pai com a minha mãe a alguns dias atrás... Eles falavam de Anfitrite e do filho que seu pai teria com ela.
– Eu soube dessa história.... O filho legítimo e com sangue puro — ele revirou os olhou, apoiando a cabeça na mão e o braço direito na cama. Ele era um sexy muito filho da puta — O que tem? O moleque morreu.
– Na verdade não. Ele mora com uma tia distante da família no Canadá e tem um fato interessante na história da Anfitrite — ele me encarou esperando a resposta, ele não estava acreditando — O corpo dela nunca foi encontrado, ela foi dada por morta após sumir do navio dos pais... E se essa tal de Anfitrite nunca morreu? Ela ainda pode estar viva, com uma nova identidade e em um outro lugar.
– Já teriam encontrado ela, minha família é putamente influente e conhecida no mundo... Se pegar jornais de vinte e três anos atrás, vai encontrar fotos dela com meu pai. Teriam reconhecido ela se estivesse viva, a imprensa vivia perseguindo ela.
– Para que mesmo existe as plásticas?
– Annabeth, isso é idiotice — ele bufou. Eu bufei também.
– Me empresta seu Mac — suspirei por fim, me sentando.
Ele me encarou, por fim se levantou e pegou o MacBook e entregou a mim com desdém, sem saber o por que eu estava fazendo isso. Dei de ombros e abri o meu Skype, agradecendo por Nico estar on-line a essa hora da manhã.
– Ontem enquanto eu Nico me trazia de volta para casa, nós conversamos e eu contei isso a ele, no início ele também não acreditou e fez a mesma cara que você, porém eu o convenci a me ajudar com seu talento de ser hacker e ele aceitou, pedindo algo em troca, é claro.
– O que ele te pediu? — Percy se sentou curioso e com seus olhos começando a escurecer. Eu ri.
– A Lana — sorri por fim. Liguei a chamada de vídeo e o moreno logo aceitou com a boca suja de chantili.
Arqueei minha sobrancelha ao ver o garoto me encarar incrédulo, o encarei da mesma maneira por longos minutos até que ele se endireitou na cadeira e limpou a boca. Melhor chantili do que outra coisa, se é que me entende.
– Bom dia, Annie — ele sorriu abertamente — Eai Percy.
Sorri para ele e senti meu estômago reclamar. Encarei Percy com um sorriso ala O Gato de Alice no País das Maravilhas e fiz meu melhor olhar de Gato de Botas do Sherek. Por que tudo é representado por gatos?
– Estou com fome, não como nada desde ontem na festa — ele me encarou incrédulo, porém levantou a bunda gostosa dele e saiu do quarto a procura de comida para a maravilhosa namorada dele. Conviver com o Percy estava me deixando tão convencida quanto ele.
Me virei para o Nico novamente e o moreno colocava mais chantili na boca. Se o Nico é o único hacker que eu conheço, terei que me controlar para não dar uns tapas nesse idiota.
Percy voltou com um pacote de biscoito e duas xícaras com aquela fumacinha cheirosa de cappuccino entrando no ar. Peguei a que ele me entregou e dei um longo gole, sentindo meu interior se aquecer.
– Então, Nícolas, o que descobriu? — perguntei por fim. Ele pediu um segundo ou minuto com o dedo e terminou de engolir o chantili que tinha na boca.
– Posêidon foi o Canadá... Mais precisamente em Winnipeg... Ele foi com Atena, saiu em um até de site de fofocas e ninguém sabe o que ele foi fazer lá, por que...
– A empresa não tem nenhum negócio lá — Percy completou e me encarou — Tem algum parente nessa cidade?
Não respondi, minha boca estava ocupada demais com alguns biscoitos e eu não queria ser sem educação, porém Nico respondeu por mim.
– Ela não, mas você... Ou Anfitrite, não sei direito sobre quem é parente de quem, tem uma tia lá... Deixa eu pegar o nome dela para vocês.
Ele saiu de frente da câmera por alguns minutos, eu podia ver roupa sendo jogada para trás e ele aparecendo hora ou outras caminhando de cueca pelo quarto a procura do nome dá mulher. Percy me encarou incrédulo ao perceber que eu olhava para a bunda marcada pela cueca de Nico — que por sinal era redonda e bem grandinha.
– Aproveita que está em pé, e veste uma calça, ninguém é obrigado a ver você de cueca, Nico — Percy resmungou tampando meus olhos. Ele ficava cada vez mais ciumento
Bufei e apertei mais a xícara nos meus dedos, seu material estava quente por causa do líquido e tentei levá-la até a minha boca com certa dificuldade, porém acertei na primeira tentativa e não derrubei o líquido. Percy tirou as mãos da frente dos meus olhos dois minutos mais tarde.
– Ela se chama... Héstia McCarl Olympus, tem cinquenta e sete e é viúva, totalmente sem filhos — Nico respondeu jogando um pedaço de chocolate na boca.
– Olympus é o nome de casada dela... Então ela não era da família antes, assim teria apenas um sobrenome.
– Talvez não, a mãe de Thalia tem o Grace no sobrenome, é da bisavó dela e foi passando... Ela não era da família, portanto a avó materna de Thalia não é legítima, assim como eu.
– E mesmo assim ela tem o sobrenome?
– É como uma honra para a memória da bisavó dela — ele deu de ombros. Encarei Nico novamente e me lembrei de algo... Hades não havia cumprido a crença de se casar com a prima... di Angelo.
– Nico, você e a Bianca não são legítimos, são?
– Não, minha mãe era uma vadia que meu pai conheceu na faculdade ai ela engravidou da Bianca e eles se casaram escondido dois meses antes do casamento oficial. Ai meu pai não compareceu ao casamento com Persefone por que minha mãe estava com complicações.
– Seu pai se casaria com Persefone mesmo casado com a Maria? Isso não é crime?
– Ele queria a empresa — o moreno deu de ombros — Porém eles descobriram o casamento escondido e Persefone se suicidou, ela era apaixonada por meu pai, não sei por que, o velho é feio pra porra... Ainda bem que nasci bonito, ao contrário de Bianca, puxei minha mãe.
– Vamos voltar a falar da Héstia? Não quero saber a quem o Nico puxou.
– Então — ele mudou de assunto — Ela cria um garoto desde que é bebê, segundo fontes, ela o adotou... Porém ele chegou muito pequeno para um bebê de orfanato... Ele se chama Tritão Olympus.
– Agora acredita em mim? Você tem um irmão, Percy, aceite isso e fique contente, ele é mais velho e é legítimo. Thalia tem que se casar com ele, não com você.
Ele levou uns minutos para raciocinar tudo, porém quando entendeu a verdade, respirou fundo e me encarou. Tentei sorrir, porém seus olhos estavam escuros demais, seus demônios estavam agindo dentro dele e dessa vez não seria a Thalia a apagar o fogo. Seria eu.
Engoli em seco e dei um sorriso rápido para Nico, fechei a tela do Mac e coloquei ele sobre o criado mudo ao lado da cama, me aproximei mais de Percy e apoiei minhas mãos em seu pescoço, sentindo sua veia pulsar. Deslizei elas pelo seu ombro e apertei seu braço musculoso, dei um sorriso e voltei a subir minhas mãos, me inclinei um pouco e mordisquei seu pescoço, repetindo o processo no seu maxilar e no seu queixo, depois me sentei no seu colo e entrelacei seu quadril com as minhas pernas, o beijei em seguida. Ele correspondeu tenso, porém começou a relaxar e levou a mão a minha cintura depois de um tempo, me puxando mais para perto. Sorri e lhe dei um selinho.
– Não vou conseguir te relaxar assim sempre — colei nossas testas. Ele sorriu.
– É só me beijar, sem medo — ele falou e o beijei — Agora vamos transar.
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