Unconditionally
8 Stay Strong
I need to change my ways. Instead of always being weak. Cause' everyone's perfect in unusual ways. You see, I just wanna believe in me
Depois de horas conversando, a energia voltou e nós decidimos ir dormir. Eu estranhei o Nico e a Leslie não terem chegado, já era bem tarde e parecia que a queda de energia tinha acontecido na cidade inteira. Dei ombros e deitei na cama, me escondendo entre os edredons brancos e quentinhos, a cama macia e os travesseiros fofos.
Quando amanheceu, o sol brilhava lá fora e os raios invadiam o quarto, praticamente me obrigando a levantar e ir tomar um banho. Quando desci, a Leslie mexia no seu café da manhã sem muita animação e o Nico estava apenas com uma bermuda, exibindo os músculos não tão grandes e bem definidos.
– Bom dia — murmurei, pegando um copo e colocando o líquido alaranjado no mesmo.
– Só se o dia estiver bom para você — Leslie respondeu mal humorada. Típico dela.
– Bom dia, Annabeth — Nico deu ombros, colocando o copo vazio dentro da lavadora e depois saindo da cozinha.
Leslie bufou e voltou a mexer no seu café da manhã. Eu apenas tomei meu suco e comi algumas torradas, fora que roubei um bacon do prato da Leslie e ela não reclamou, como sempre reclamava e eu cheguei a conclusão de que ela não estava nada bem.
– O que aconteceu? — falei colocando o copo no balcão.
– Nico me levou para uma boate ontem e a energia acabou, mas como era noite das velas, o lugar estava todo iluminado por velas e era tudo bem romântico sabe? Ai uns garotos pegaram o violão e começaram a tocar umas musicas fofas e eu pensei que ele ia me tirar para dançar como a maioria dos meninos estava fazendo com as meninas...
– Ele não fez isso? — perguntei e ela negou com a cabeça, se levantando e jogando o café da manhã fora.
– Ele foi até uma menina que tinha a lateral do cabelo raspado e as pontas com californianas loiras e a tirou para dançar — ela se encostou na pia — Duas músicas depois eles estavam se beijando e ele chamou ela para vir aqui hoje.
Me surpreendi ao ouvir isso dela, afinal, a Leslie não era desse tipo. Ela normalmente iria ver aquilo, dar ombros e procurar alguém para atacar no mesmo minuto.
– O pior de tudo, Annabeth, foi que ninguém nem olhou para mim naquela boate sabe? Eu estava parecendo uma puta e ninguém me olhou, nem mesmo o barman.
Voltei a minha mente para a roupa que ela usava ontem. Saltos enormes, um bustiê vermelho sangue e um short hiper pequeno preto de couro. Realmente parecia uma puta.
Olhei para suas roupas de agora e me surpreendi. O vestido branco ia até os joelhos e cobria o sutiã rosa fluorecente que ela usava, fora que ele não era nada vulgar e os seus cabelos azuis estavam presos em uma trança lateral bem fofa.
– As pessoas daqui são diferentes, Leslie... Ou você é você mesma, ou você é como elas — murmurei colocando meu copo na lavadora e ligando ela.
– Eu não gosto de ser assim — ela murmurou — Em Miami as coisas são diferentes sabe? Você tem que ser assim para ser popular... Tem que ser a gostosona e a que não liga para o amor. Eu ligo para o amor, pois eu quero um amor... Meus pais não se importam comigo, tanto que me mandaram para cá só por que me pegaram com o Stefan e que se isso saísse do meu quarto ia ficar chato para a porcaria da reputação deles... Então eu pensei nisso e achei que conseguiria ser a gostosona em NYC, só que eu não consigo ser assim aqui! É mais complicado do que eu imaginava... Eu odeio ser assim.
Respirei fundo me recuperando da pequena declaração da Leslie e pisquei algumas vezes, para ter certeza que não estava alucinando ou sonhando acordada com isso. Mas não estava mesmo, ela realmente tinha se aberto para mim.
– Seja você mesma, não precisa de nada disso aqui — foi o melhor que consegui dizer. Ela concordou e deu um pequeno sorriso — Leslie, você tem que gostar de você pelo o que é, não pelo o que as pessoas querem que você seja... Eu aprendi isso da maneira mais complicada.
– Tudo bem, acho que já tenho planos para essa semana em Nova York — ela riu e eu acompanhei ela, tendo uma ideia do que seria esses planos.
– Aonde os meninos foram?
– Percy acordou e foi direto para o mar surfar e Nico acabou de ir fazer o mesmo, coisas de meninos — ela falou enquanto caminhavamos para a praia — Então, pegando bastante o Jackson?
Eu contei até dez antes de responder, além da pergunta me pegar de surpresa a Thalia estava sentada na prancha junto com o Percy e ela não parecia nada brava por ele ter mentido para ela.
– Ele também está pegando a Thalia, então digamos que sim — dei ombros, encerrando o assunto.
A areia estava morna em comparação ao tempo quente. A água era convidativa e calma, com pequenas ondas e a água era tão verde quanto os olhos do Percy quando ele estava de bom humor.
Me sentei em uma espreguiçadeira e retirei meu vestido soltinho, exibindo o biquíni azul que tinha colocado. Abaixei os óculos e deixei o sol banhar a minha pele por algum tempo, vendo a tranquilidade da praia e a pouca movimentação de pessoas que as vezes andavam por ali.
Nico apareceu com uma garota incrivelmente linda. A pele era tão branca quanto a dele, fazendo com que os cabelos castanhos escuros com as pontas descoloridas entrasse em contraste. Os olhos estavam cobertos por óculos bem escuros e os lábios não eram tão cheios. Ela estava usando um biquíni preto e um short de caveiras.
Thalia iria se simpatizar com ela no mesmo momento, na minha opinião.
Nico apresentou a garota para a Leslie e para mim. Ela se chamava Serena McCartney e ela muito simpática, Nico tinha deixado ela comigo e com a Leslie enquanto ia pegar a prancha para os dois, só que a Leslie virou o rosto e colocou os óculos novamente enquanto eu fiquei conversando com a Serena.
Ela contou que era da Upper East Side também, que ia entrar esse ano da Goode e que a mãe era arquiteta de exteriores, já o pai era empresário e sócio em uma empresa de marketing digital. Eu contei para ela que a minha mãe também era arquiteta e que eu ia seguir essa profissão, já ela disse que ia trabalhar com química ou seria criminalistas forense, ainda não tinha certeza.
Depois ela e o Nico foram para o mar e eu decidi que já estava vermelha o suficiente. Então entrei para dentro e liguei para a Silena, hoje era aniversário dela.
– Feliz aniversário, Si — falei quando ela atendeu — Eu realmente queria estar ai.
– Eu também queria que você estivesse aqui, Annie, hoje simplesmente está dando tudo errado! Não sei o que fazer e só queria você ao meu lado, tipo, você é a minha melhor amiga e é quase minha irmã... Eu queria você aqui.
– O que aconteceu, Silena? — perguntei colocando o celular no viva voz, deixando ele em cima do balcão e começando a preparar o almoço.
– Meu pai me apresentou a sua noiva, eu nem sabia que ele tinha uma namorada! Isso é tão surreal, ele é famoso e nunca vazou ou saiu nada sobre ele ter uma namorada... É simplesmente surreal.
– E como ela é?
– Uma babaca! Ela chegou para mim e falou que eu ia ser a mãe que eu nunca tive! Não é só por que minha mãe me deixou com o meu pai que eu precise de uma nova e também não é só por que eu nunca vi a minha mãe ou nunca ouvi a voz dela nos meus dezessete anos que eu queira uma mãe nova!
– E já falou isso para o seu pai?
– Ele só tem olhos para a Violet– ela falou com nojo na voz — Ela está aqui desde o café da manhã! Eu estou quase esmurrando a cabeça dela na parede.
Eu ri do sei tom de voz, abrindo a geladeira e vendo o que tinha para fazer o almoço. Acabei por decidir fazer um strogonoff de frango.
Leslie entrou na cozinha junto com a Thalia e eu me assustei ao ver as duas juntas e conversando normalmente, sendo que a Thalia me odiava.
– Se controla, Silena, você sabe que isso não vai durar — falei abrindo os armários é ignorando as duas — Sabe aquele filme "As Namoradas do Papai"? Então, usa dele uma inspiração.
– Annabeth, Nova Iorque está comendo seus miolos ou o que? ELES VÃO CASAR!
– Você tem até o casamento para separar os dois... Ou para encontrar a sua mãe.
– Eu já desisti de pedir para o meu pai falar da minha mãe para mim, é sempre a mesma porcaria. "Foi um amor de inverno, querida, ela estava aqui por trabalho e eu trabalhava aqui... Ai nos relacionamos e ela descobriu você logo depois". Eu já estou cansada dele falar isso, parece que ele não quer que eu saiba quem é ela.
– Não precisa perguntar para ele, tenta descobrir de alguma outra forma — falei pegando uma panela — Eu te ajudaria se ainda morasse ai, mas sabe como minha mãe é e ela diz que NYC é o melhor para nós duas.
– Eu queria estar com vocês, sinceramente, qualquer lugar do mundo é melhor que a minha casa nesse momento– ela falou em um suspiro — Vou desligar, ok? Depois eu te chamo só Skype...
– Eu estou sem o Mac, Silena, quando voltar para casa eu te chamo ok?
– Onde você está?
– Moutauk — suspirei mexendo o strogonoff — Vai lá, Silena, até depois.
– Como assim? Estou curiosa... – eu desliguei antes dela continuar, Thalia e Leslie me olhavam curiosas.
Fiz o que de melhor sabia fazer: ignorar. Continuei a preparar o almoço e logo as duas me ajudaram em algumas coisas, depois foram chamar os meninos e quando eles chegaram, estavam rindo e a Serena tinha vindo junto, o que me deixou bem mais aliviada.
Thalia contou que iria embora depois do almoço, pois o irmão mais novo ia voltar do acampamento de verão e depois ia para um colégio interno na Filadélfia e ela não iria ver ele até o feriado de fim de ano, então ela almoçou conosco e depois de quase uma hora foi embora.
Leslie saiu depois do almoço e quando voltou, estava com algumas sacolas de farmácia e mal falou conosco, apenas subiu as escadas correndo e não desceu mais.
– Ei, Serena, está com quem aqui?
– Estou sozinha, meus amigos foram embora hoje de manhã e como o Nico tinha me convidado para vir para cá eu fiquei — ela falou quebrando um pedaço da barra de chocolate que tínhamos roubado da dispensa — Mas eu vou ter que pegar um táxi para casa amanhã de manhã.
– Pode voltar conosco — Nico falou mordiscando a bochecha dela — Não é, Percy?
Ele concordou com a cabeça, mudando de canal freneticamente e eu me perguntei porque Nico estava fazendo isso. Ele fez o Perseu terminar com Leslie para ficar com fogo no cú com a Serena? Ok que ela é legal e mil vezes mais simpática que a Leslie, só que isso é ridículo.
– Alguém sabe o que aconteceu com a Leslie? — mordi meu lábio e todos me olharam.
– A de cabelo azul? Cara ela parece ser bem legal, mas não falou comigo o dia inteiro e acho que não quer falar — Serena falou e Nico olhou em volta.
– As aparências enganam — ele murmurou logo depois — Não sei, desde que ela chegou com as sacolas de farmácia não desceu mais.
– Vou ver como ela está...
– Não precisa, Annabeth — ela falou descendo as escadas com suas malas — Eu liguei para a sua mãe e avisei que estava voltando... Provavelmente chego de madrugada lá, mas não tem problema.
– Por que vai voltar? — Percy franziu o cenho, eu também fiz isso pois os seus fios antes azul, agora estavam na cor natural. Preto.
– Eu detesto praia, só vim pra cá por causa da Annabeth — ela falou e eu me encolhi, recebendo um olhar curioso de Percy — Além do mais, ninguém vai sentir minha falta e eu tenho que resolver meus problemas em Miami.
– Vai voltar para Miami?
– Talvez, eu tenho que lutar pelo o que eu sou e pelo o que eu quero — ela falou puxando suas malas — Só que ainda vai demorar um pouco, já que os imbecis dos meus pais estão de lua de mel... Tenho sorte de não ter me matriculado em NYC e por ainda ter tempo para me matricular novamente em Miami.
– Vai voltar a ser toda bronzeada?
– Graças a Deus, vida de branquela não é para mim — ela sorriu e eu a abracei, ela era a minha prima ainda — Eu tenho que ir, e ainda te odeio sua loira oxigenada.
– Meu cabelo é natural! — reclamei me jogando para trás de novo.
– Tchau, Perseu — ela deu um beijo estralado na bochecha dele — Foi bom ficar com você.
– O que pretende fazer? Virar freira?
– Não, pois eu não sou mais virgem e tenho que contar uma coisa para uma pessoa — ela suspirou — Eu só acho que estou ferrada demais.
– O que você aprontou? — serrei meus olhos e olhei desconfiada para ela.
Leslie respirou fundo e colocou a mão no bolso da frente da blusa de moletom do Mickey — o que deixa ela mais estranha ainda — e olhou desconfiada para cada rosto, ignorando o rosto de Serena, tirando mão do bolso e me entregando o objeto branco.
Olhei para o teste na minha mão e me assustei ao ver que o resultado era positivo, depois olhei para ela e a mesma me entregou um rosa, com o mesmo resultado.
– Eu só acho que é do Stefan — ela mordeu o lábio e pegou os dois testes da minha mão — Não conta para ninguém.
– Por que pintou o cabelo então?
– Eu já tinha tirado a tinta quando fiz o teste e ela não tem amônia — ela deu ombros — Não vou deixar meu cabelo ficar uma porcaria por causa...
– É a vida de um bebê, Leslie! — exclamei e ela deu ombros — Não acredito quem não se importa com isso, tem tanta gente querendo ser mãe e você está simplesmente jogando isso para o ar!
– Annabeth, eu já vou ouvir isso da minha mãe e meu táxi está me esperando ok? Então sinta minha falta e vá me visitar em Miami — ela me deu um beijo na bochecha e pegou as malas — Adios.
Ela saiu e Percy me olhou no mesmo segundo, com aquele sorriso sarcástico e idiota dele, como se dissesse "Eu venci!" e com se estivesse rindo por dentro de tudo aquilo. Eu só queria cavar a minha cova e me enterrar lá.
Olhei para Nico e percebi que ele estava de boca aberta — literalmente — e que a Serena não parecia entender nada, eu provavelmente estava vermelha e morrendo de vergonha por causa de tudo isso. Primeiro o Perseu descobre que a Leslie só veio para cá por minha causa e depois minha prima revela que está grávida na frente deles. Tem como esse dia ficar pior?
É, realmente tinha.
Nico saiu com Serena, eles foram para o hotel dela já que o Perseu obrigou a garota a ir buscar as coisas dela, pois amanhã não iria ficar esperando menina se arrumar e o Nico com bom cavalheiro — ou como um safado — foi junto, me deixando completamente refém dos olhos verdes e curiosos do Perseu.
– Eu... Eu vou tomar banho — me coloquei em pé com um pulo.
– Primeiro vai me explicar o que foi aquilo que a Leslie disse, Annabeth — ele sorriu de forma desafiadora e eu engoli em seco — Eu sabia que você gostava de mim.
Eu ri, não só pela frase idiota dele, mas também pela maravilhosa ideia que surgiu na minha cabeça. As vezes eu adorava ser genial.
– Ela só falou aquilo para que ninguém desconfiasse que, na verdade, ela está indo embora por causa do Nico, afinal, ela foi trocada — cruzei meus braços no busto — Você é muito lerdo... Agora eu vou tomar banho.
Caminhei para as escadas de madeira e comecei a subir de dois em dois degraus, ouvindo o bufar do Perseu e como sempre: ignorando por completo.
Eu acho que era isso que eu precisava fazer com ele: ignorar. Talvez fossem uma forma de mostrar que ele não poderia ter o que queria na hora que queria, ou talvez fosse o melhor para mim, me afastar dele e voltar a ser como era antes.
Ser como era antes, quem vê pensa que eu mudei muita coisa depois que eu me mudei para Nova Iorque.
A água quente da ducha relaxou meus músculos e fez minha pele avermelhada arder, mas eu realmente não me importava nem um pouco com isso, era só a minha pele queimada do sol e que daqui uns dias iria descascar. Acho que me importar com isso era fútil demais, e uma coisa que eu me obriguei a não ser é fútil, pois acho que o orgulho; o egoísmo e a possessão já são defeito suficientes para uma pessoa só.
É, eu tinha conseguido perder aquilo o que eu mais gostava por causa do meu orgulho idiota e por causa de uma reputação que não existe mais, ela tinha ficado junto com a casa abandonada de São Francisco.
E, sinceramente, não sei por quanto tempo fiquei debaixo d'água, mas quando desci as escadas escovando meus fios cor de areia encontrei a Serena e o Nico se engolindo e acabei por ouvir um estrondo da cozinha. O casal não fez questão de se separar por causa disso.
– O que você está tendo fazer? — disse quando cheguei a cozinha e encontrei o Perseu com uma panela na mão.
– Macarrão? — ele arqueou a sobrancelha, de forma incrédula.
– E o que foi o barulho?
– A panela que caiu?
– Por que não me responde normalmente?
– Por que ser normal é chato — ele deu ombros e eu bufei, deixando a minha escova em cima do balcão de mármore e tirando a panela da mão dele.
– Some daqui.
– Essa casa é minha.
– Fodas-se, eu mandei você sumir — revirei os olhos, colocando água na panela e depois a colocando no fogão aceso.
Ele bufou e deu dois passos para trás, possivelmente se encostando na bancada e com certeza me encarando fixamente. Eu podia sentir seu olhar queimar nas minhas costas.
– Você é muito mandona.
– Já me falaram isso — dei ombros, pegando o macarrão pronto e jogando na água fervente — mordi meus lábios, me virando para encará-lo.
E então, suas mãos grandes pegaram a minha cintura e me puxaram para ele.
Fale com o autor