Unconditionally

29 Somebody To You.


I got your photograph. But baby I need more than that. I need to know your lips. Nothing ever mattered to me more than this.

– Argh! — Percy resmungou quando pressionei o algodão no corte na sua testa. Ele deveria ter ido à um hospital, mas o corte era superficial.

– Ninguém mandou você espancar o Luke! De novo! — retruquei irritada.

– Ele estava tentando de agarrar! Annabeth, ele estava tentando de beijar a força!

– Nada que um chute nas bolas dele não resolvesse, Perseu! Não precisava se intrometer.

Não mesmo. Luke havia tentando me agarrar na porta de casa mais cedo e o Percy viu, tentou dar um de super herói, mas seus demônios o controlaram e ele acabou quebrando o nariz do Luke e, possivelmente, o braço também. Além é claro de ter cortado os lábios do loiro, arrancado um dente e deixado um dos seus olha roxo. Mas o moreno não estava melhor, além do corte na testa e o lábio inchado, Luke lhe deu um soco forte demais no estômago.

– Não vou discutir com você — ele disse minutos mais tarde. Suspirei vendo que já havia limpado todo o sangue do pequeno corte na testa, mas precisamente na têmpora esquerda.

Eu queria ter um dia de paz. Um dia sem os demônios dele rondando e o fazendo temer cada gesto dele... As coisas seriam tão mais simples assim, dessa maneira nossas vidas seriam menos tensas e ele não corria o risco de matar alguém quando ficava cego por causa dos seus demônios.

– Nem eu — disse por fim, fechando a maleta de primeiros socorros e estendendo a ele os comprimidos e o copo da água que havia deixado separado.

– Isso vai me fazer apagar! — ele exclamou e gemeu ao mesmo tempo, encarando os comprimidos na minha mão. Estendi mais uma vez e ele soltou um suspiro, pegou e engoliu com a ajuda da água — Por que quer me fazer dormir?

– Para que o nosso irmão não nasça antes da hora — dei de ombros, colocando o copo na pia e vendo o sol da primavera brilhar. O ano estava passando rápido demais.

– Annie, ele nasce daqui uma semana — Percy riu, mas depois resmungou de dor e eu o encarei furiosa — Ele vai ser tão lindo quanto eu.

– Cala a boca, Perseu — ri me aproximando dele novamente. Seus braços se encaixaram na minha cintura e me puxaram mais para perto dele. — O Declan vai ser lindo como eu. Aposto que ele terá olhos cinzas.

– E cabelos dourados?

– E cabelos dourados — confirmei mordiscando seu queixo.

– Então ele será perfeito — ele me beijou, porém não durou muito devido aos lábios inchados — Só que ele terá o meu gênio.

– Coitadinho! — exclamei soltando uma risada — Ele terá sérios problemas se tiver seu gênio.

– Por que?

– Você é teimoso, complicado e é muito chato!

Ele arqueou a sobrancelha negra, confuso e ao mesmo tempo incrédulo. O máximo que pude fazer é soltar uma gargalhada da sua expressão e sentir seus braços ficarem mais firmes em volta da minha cintura.

Nunca ninguém seria como ele. Nunca ninguém teria o seu olhar e as suas expressões. Nunca ninguém teria seu modo de falar ou andar. Nunca ninguém teria seus demônios...

Para falar a verdade, eu até gosto dos seus demônios, são eles que fazem o Percy ficar tão super-protetor. No fundo, algumas vezes, são eles que me passam a sensação de segurança.

– Se eu fosse você, não me provocava — ele sorriu. Mesmo com os lábios vermelhos e inchados ele tinha o sorriso perfeito e bonito, aberto e elegante.

– Ou então o que vai acontecer... Teimoso?

– Não queira nem saber — ele inclinou a cabeça para o lado, ainda sorrindo — Vai por mim.

– Não sei... Talvez eu queria — falei vendo ele bocejar. Eu realmente queria ver o que iria acontecer — Mas não agora, você precisa descansar e parar de sonhar que é um lutador profissional de UFC.

– Acho que daria certo nessa carreira — ele disse se levantando e me puxando junto a ele para o andar superior. Desde o "casamento" dos nossos pais e a morte do Tritão ele tem morado conosco, mas passa mais tempo no meu quarto do que no dele.

Ele queria me puxar para o meu quarto, mas não deixei, virei ele na direção contrária e o encaminhei para o seu quarto. Não era muito diferente do seu antigo, mas também não era nada igual, não existia os grafites nem a bagunça, era organizando e cheio de livros da faculdade e papéis de desenho.

Deixei ele me beijar mais algumas vezes e depois cair no sono sobre efeito do remédio que havia lhe dado. Com cuidado me soltei dos seus braços e me sentei na beira da cama, vendo os milhares de desenhos de prédios, casas e outras coisas espalhados pela sua escrivaninha.

O Mac estava aberto e ligado e, por mais que achasse errado, fiquei tentada a mexer nele. Dito e feito, assim que a curiosidade me venceu eu o peguei e arfei ao ver a nossa foto ali, a mesma foto que eu tinha no meu painel no espelho, a foto de onde tudo entre nós tomou um ritmo. Era a foto da festa da empresa, de nós dois dançando juntos.

Abri a primeira página minimizada que tinha, não era nada mais e nada menos do que um trabalho de faculdade que ele devia estar fazendo quando ouviu meus gritos. A segunda guia era a galeria de arquivos, o que me chamou a atenção, pois existia muita coisa ali que não tinha nada haver com trabalhos de faculdade.

Eram frases ou poemas... Não sabia dizer ao certo o que era. Mas isso me chamou a atenção por que eram parágrafos sobre seu passado — não diretamente o seu passado, mas como se fosse flashes — dele contando como era a sensação de apanhar do seu padrasto e ver a sua irmã e a sua mãe apanharem junto, de como os finais de semana com o seu avô Cronos eram legais e ao mesmo tempo sombrios, pois a mãe dele e a irmã ficavam refém do padastro sozinhas.

Engoli em seco e devolvi o Mac de volta ao lugar da mesma maneira em que havia encontrado, vendo um desenho meu em cima da escrivaninha.

Era um desenho meu jogando tênis, com o colar que ele havia me dado indo na direção contrária da minha raquete. O desenho estava colorido de acordo com a minha roupa do dia da final, destacando meus olhos que pareciam focado no nada e nos cachos presos pelo rabo de cavalo. Percy havia desenhado cada detalhe meu, sem tirar nem colocar. Ele era bom no que fazia.

Look at me now, I'm falling. Can't even talk, still stuttering. This ground I'm on keeps shaking.

Me controlei para não rir, ele estava apaixonado por mim ou então apenas havia escrito a frase por escrever no final da folha, logo abaixo do desenho.

Se Percy estivesse apaixonado por mim... Se ele estivesse apaixonado por mim, tudo tinha dado certo! Isso era bom, ótimo na verdade. Eu era correspondida.

– Eu me apaixonei por alguém como você, Percy. Me apaixonei pelo seu humor bipolar e pelos seus demônios... É, eu estou apaixonada por esses demônios que você tanto odeia — disse rente ao seu ouvido. Dei um beijo na sua bochecha e deixei o desenho no lugar onde encontrei, apesar da vontade de levá-lo para mim.

Desci as escadas e me joguei no sofá, abraçando meus joelhos e querendo gritar de felicidade. Era bom demais para ser verdade, isso tudo era simplesmente muito bom... Não conseguia tirar da minha cabeça os gestos do Percy desde a noite no Pub, porque aquela noite me deu um motivo para não desistir dele, não desistir de nós dois.

Percy havia me conquistado de várias maneiras que nem ele sabia como, muitas vezes nem eu sabia como ele havia me conquistado... Esse era o jogo do amor, nos mostrar implicitamente como amar.

– Annabeth? — minha mãe disse curiosa, foi só que percebi as minhas bochechas molhadas por lágrimas. — O que houve? Por que está chorando?

– O que o Percy te fez? — Posêidon disse em um suspiro, carregando algumas sacolas.

– Se apaixonou por mim — disse jogando meu corpo para trás, sorrindo radiante.

Minha mãe e Posêidon se entre-olharam e depois me encararam para ter certeza de que eu não estava louca. Talvez eles achassem isso, talvez fossem apenas a minha imaginação.

– Cadê ele? — minha mãe questionou.

– Dormindo... Coloquei ele na cama dele — falei olhando para eles de novo, ela franziu o cenho e Posêidon coçou a cabeça. É, eles acham que eu sou louca ou algo do tipo — O que foi?

– O Percy não dorme a essa hora, a não ser que ele tenha passado a noite inteira transando com alguém, coisa que eu sei que ele não fez, ou que ele tenha ido a uma balada ou festa, coisa que eu também sei que ele não fez — Poseidon disse me encarando — Annabeth, cadê o Percy?

– Está dormindo! Dei calmante e analgésico para ele... Quer saber, esquece — vi que falei demais.

– Por que você deu analgésicos para o meu filho?

– Olha, vocês me perguntaram aonde o Percy está e eu já respondi. Ele está dormindo, se não quer acreditar em mim vá ao quarto dele e tire a prova — cruzei meus braços.

Eles soltaram um suspiro e Posêidon subiu as escadas para verificar enquanto a minha mãe se sentou ao meu lado e acariciou a barriga de quase nove meses, faltava apenas uma semana e meia para meu irmão vir ao mundo. Eu estava feliz, minha mãe estava feliz.

Ela estava linda com a barriga redonda e já que o tempo havia melhorado, ela podia se dar ao luxo de usufruir de vestidos longos e floridos, já que combinavam com a estação e com ela.

– Mãe... Ele está apaixonado por mim!

– Acha isso bom?

Não. Eu não acho. Tem a Thalia, que está muito tempo desaparecida e que vai se casar com ele. Existe o Luke, que está obcecado por mim. Existe os demônios dele, que mesmo amando cada um deles, ainda me causam um certo medo. E tem o lance da nossa família estar unida por que nossos pais se casaram. E também existe o fato da minha possível ida para Oxford na faculdade e...

– Acho isso ótimo, mãe... Ótimo.

Notas finais
Me ame, me amem. Eu deixo okay? u-u O que acharam? Eu ainda não tive tempo para responder a todos os comentários, mas vou tentar responder a maioria hoje. Digam o que achou, recebi comentários falando que está confuso e digo: Tudo vai fazer sentido, okay? Okay. Beijos ♥