Unconditionally
30 Just The Two Of Us.
Don't care what they say baby. 'Cause it's just us against the world. Feels too right to ever be wrong baby. So love like you've never been hurt.
– Já posso abrir os olhos? — ela perguntou e eu me controlei para não rir. Tinha que prestar atenção no caminho que estava fazendo.
– Não, Annie, já estamos chegando — disse enquanto guiava seu corpo, já que havia vendado seus olhos quando saímos do condomínio.
Era uma surpresa minha para ela. O clima do fim de primavera estava perfeito, o dia estava lindo na verdade, com o céu azul e o sol brilhando. Annabeth estava ganhando todos os jogos das mundias e agora estava quase mas eliminatórias, ela merecia tudo isso que havia planejado.
Podia parecer gay, mas não era. A alguns meses ela me pediu para conquistá-la e desde aquele dia tenho me esforçado mais que o necessário para mostrar a ela que estou disposto a conquistá-la, custe o que custar. Mesmo que doa e que meus demônios se agitem dentro de mim toda vez que a vejo rir e jogar com Will, mas eu me controlo, pois ele é quem a ajuda a melhorar suas táticas e a sua força na bolinha de tênis. Não me deixo levar por uma gargalhada de algo bobo, por ela.
– Perseu!
– Annabeth! — respondi no mesmo tom que ela, finalmente chegando ao lugar desejado. — Seja mais paciente com surpresas.
– Não gosto de surpresas — ela resmungou, tropeçando no nada — E não gosto de vendas.
– Ótimo, já estamos chegando — girei seu ombro para a direita e ela me acompanhou por mais cinco passos, até que parei nós dois e tirei a venda do seu olho.
Devido a claridade levou um tempo para seus olhos se acostumarem com a imagem e um som abafado escapar dos seus lábios. Eu conhecia esse som, era um misto de alegria e surpresa.
– Não acredito nisso! Aonde estamos? — ela disse dando a volta em si mesma, para examinar o local.
– Uns dois quilômetros a frente da campina, não saímos de New York — disse cruzando os braços no peito — Gostou?
– Percy, eu sou fanática por leitura e encontrar uma cabana ao lado de uma cachoeira e um campo com flores azuis é o sonho de qualquer leitora sonhada e menina de colegial — ela me encarou sorrindo — Isso é incrível!
– Que bom que gostou, vamos passar a noite aqui — sorri, fazendo seus olhos se arregalarem de felicidade e antes que percebesse, ela já estava apertando meu pescoço em um abraço. Retribui.
Na primeira vez em que ela me abraçou, fiquei desconfortável. Não sou o tipo de pessoa que sabe dar abraços, diferente dela, que toda vez que passa os braços finos pelo meu pescoço e aperta seu corpo contra o meu, me faz sentir o calor dela passar pelo meu corpo.
– Você é incrível — ela sussurrou me encarando. O sorriso nos lábios e os olhos brilhando.
– Idem — coloquei ela no chão, deixando ela olhar para o lugar mais uma vez enquanto ia abrir a cabana.
– De quem é esse lugar?
– Meu pai deu a minha mãe depois que eles se casaram e depois que ela morreu ele manteu o lugar... Costumava a vir aqui sempre antes de ir morar em Boston.
Ela correu até a margem do lago e colocou a mão na água cristalina, soltando um gritinho animado e se sentando para encarar alguma coisa dentro do lago. Como fiquei curioso para saber por que ela havia gritado, me aproximei e me agachei ao seu lado, olhando na mesma direção que ela.
– Por que gritou?
– Nada — ela disse me olhando. Depois esticou o corpo para frente e submergiu todo o braço na água, até a sua mão alcançar algo e logo ela puxou — Era isso aqui, cego.
Encarei a corrente de ouro com um pequeno pingente de cristal em forma de gota, ele estava com uma mancha vermelha na ponta, mas não deixava de ser bonito.
Peguei o colar e o limpei na água, tirando até mesmo a mancha, e depois o passando pelo pescoço da Annabeth. Prendi o colar ali e dei um sorriso para ela, percebendo que esse era uns centímetros menor do que o que eu havia lhe dado no dia da final.
– E se tiver dono?
– Ele teria voltado para buscar — acariciei sua bochecha com um sorriso gentil no rosto. Então me levantei e peguei ela no colo, fazendo-a soltar um grito surpreso e ser seguido pela sua risada adorável.
Levei ela para dentro da cabana e a joguei no sofá, inclinando meu corpo para frente e tomando seus lábios para mim. Eles tinham gosto de gloss de morango, como sempre tiveram e se encaixava perfeitamente aos meus, como sempre se encaixaram.
Desci os beijos pelo seu pescoço, enquanto ela ria e passava os dedos pelo meu cabelo. Ela era diferente de todas as garotas que já conheci, o que havia de diferente nela é o que me fazia temer a perda, eu tinha medo de perder isso nela, de perder ela.
– Você é um maluco inconsequente, mas eu adorei o colar — ela disse acariciando meu rosto com um sorriso largo — Na verdade, adoro todas as suas maluquices.
– Você me adora, admite — disse roubando um beijo dela, para abafar sua resposta.
– Quais os planos para hoje?
– Ser nós mesmos — respondi me apoiando nos cotovelos, para não deixar todo o meu peso cair no seu corpo — Sem Réia, Thalia, Zeus e Luke... Apenas nós dois sendo nós mesmo no nosso refúgio. Por falar nisso, aqui será o nosso refúgio, como era dos meus pais, okay?
– Okay — ela disse entrelaçando as mãos no meu pescoço.
Lhe dei um selinho e levantei, vendo seus fios dourados espalhados pelo couro branco do sofá espaçoso e um sorriso iluminado se formar em seus lábios. Nunca havia visto ela sorrir tão abertamente assim.
– Pedi para o assistente do meu pai trazer as roupas que roubei do seu closet, e antes que me chame de folgando, pedi porque estava em reunião — disse apontando para o corredor e depois indo em direção a cozinha.
Ela tinha pegado essa mania de me chamar de folgado e de preguiçoso, era um dos males de morar juntos e ter um irmão de dois meses. Não que o Declan não fosse legal, mas ter que cuidar dele era um saco as vezes e também era trabalho dos nossos pais, porém eles também tinham outros trabalhos.
– Essa é a sua mãe? — ela perguntou e eu me virei para vê-la, segurando um porta-retrato com a foto da minha mãe e da minha irmã, Chanel.
– Sim... A foto foi tirada uns meses antes do acidente — dei de ombros, era doloroso ver a foto das duas, com elas sorridentes e escondendo toda a dor por baixo daquele sorriso e daquele olhar iluminado.
– Elas eram lindas... Você é meio parecido com a sua mãe — ela colocou o retrato no lugar enquanto bebia um copo d'água. Ela nem sabia o quanto que eu era parecido com a minha mãe, digo, era no passado.
Elas morreram junto com aquele canalha com quem a minha mãe tinha sido idiota ao se casar. Em uma noite tempestuosa ele cismou em ir para a cabana da colina com elas e o carro deslizou colina abaixo com eles lá dentro, o freio estava quebrado e ninguém sobreviveu.
Minha irmã passou meses em coma no hospital. Não foram meses, foram quase três anos em coma, os médicos desistiram dela, os sinais não voltavam e ela parecia que não ia voltar. Era tão linda, tão pequena e indefesa... Ele a matou, os médicos desistiram dela e eu desisti de amar alguém.
– Sim, elas eram — murmurei balançando a minha cabeça. Não iria estragar tudo, não mesmo. — O que acha de trocar de roupa e a gente fazer uma caminhada pela floresta que rodeia a campina?
– Não preciso me trocar e não quero ir muito longe... Está na cara que você não sabe nada sobre essa floresta.
– Está me chamando de burro? — arqueei a minha sobrancelha.
– Não, Percy, só de lerdo mesmo.
Arregalei os olhos, vendo o sorriso triunfante nos lábios da Annabeth. Ela estava brincando comigo, então eu iria brincar com ela também, nada mais justo nesse nosso jogo maluco.
Dei dois passos na direção dela, automaticamente ela deu dois para trás e fechou a cara. Com um sorriso brincalhão nos lábios sai correndo em sua direção, vendo ela correr de mim por reflexo.
Corremos por toda a casa, até que ela resolveu sair para a campina. Ela era rápida devido ao treino, mas eu também já havia jogado por tempo suficiente na minha vida para ser rápido o suficiente.
Agarrei sua cintura e nos dois caímos sobre as florestas, rindo feito bobos e ofegantes. Eu encarei seu rosto alegre e sorri, então ela me encarou também e sorriu de volta.
Havia virado nossos corpos antes de cairmos, então ela estava sobre mim e me encarava com afeto e alegria. Acariciei seu rosto, sorrindo, e puxei sua nuca em minha direção, tomando seus lábios para mim.
Nunca enjoaria deles, era meio que impossível se enjoar deles. Estava viciado na Annabeth, ela não era uma droga, pois as drogas tiram nossos sentidos e eu sentia tudo o que ela sentia. Dor, alegria, ciúmes e tranquilidade.
– Eu te odeio tanto, Perseu, que chego até a adorar esse ódio — ela disse apoiando as mãos no meu peito e se sentando sobre a minha barriga. — Você é infantil, um idiota e era um tanto galinha... Mas hoje eu não vejo mais esse seu lado galinha quando olho para você... Não faz nem um ano que nos conhecemos, quem sabe faça uns dez ou onze meses, mas para mim parece que foi a vida toda.
– Fico feliz em dizer que penso da mesma maneira que você — respondi, colocando uma das mãos atrás da nuca — Tudo aconteceu tão rápido, mas foi no seu tempo certo... Talvez tenhamos apressado algumas coisas, mas acabou dando tudo certo.
– Não necessariamente — ela suspirou — Você ainda vai se casar com a Thalia, o Luke ainda é um psicopata e a sua avó ainda me odeia... Aliás, ela odeia a minha família!
– É porque sua mãe quase impediu meu pai de se casar com Anfitrite — soltei um risada. Como havia me esquecido de contar isso a ela?
– Oi? Nossos pais namoraram na adolescência? — concordei com a cabeça — Então o destino é um babaca, nossos pais e agora nós dois?! Isso é...
– Quem sabe as nossas famílias devam se unir, quem sabe seja isso que vá acabar com essa maldita tradição — me apoiei nos cotovelos — Annie, o destino é traiçoeiro. Eles separou nossos pais no passado, para unir a gente agora, no presente... Que no passado era futuro.
Ela riu e me beijou novamente, depois se levantou e saiu andando em direção a cabana.
– Você é muito lerdo, Cabeça de Alga. É claro que no passado era futuro, eu sei disso.
– Ficaria surpreso se não soubesse — suspirei me levantando e seguindo ela. Bati a porta atrás de mim e me joguei no sofá, curioso para saber aonde ela havia se metido.
Ela tirava proveito das coisas, praticamente de tudo ao meu respeito. As vezes acho que ela quer que eu seja burro para que ela se sinta inteligente, porém ela não precisa disso, pois ela é inteligente de qualquer maneira.
– Já sei o que podemos fazer — ela se jogou em cima de mim, com a cabeça inclinada para o lado. Sorri e indiquei para que ela continuasse, então ela acariciou meu rosto e me beijou. Correspondi o beijo enquanto acariciava a lateral do seu corpo bem moldurado, eu sabia o que ela queria.
Nos girei no sofá, aprofundando mais o beijo e sentindo suas unhas arranharem a minha nuca. Desci os beijos pelo seu pescoço e pela pele exposta, procurando a barra da sua blusa com pressa enquanto ouvia seus suspiro e sentia seus dedos se apertarem envolta do meu cabelo.
Puxei a blusa para cima e a beijei novamente em seguida, enquanto ela passava a unha de maneira provocativa pela minhas costas, puxando a minha camiseta para cima e a tirando.
Puxei seu corpo para cima e a carreguei até o quarto, deitando ela na cama e descendo os beijos pelo seu corpo até chegar ao cós do short, abri ele com pressa e o tirei, junto com a sua calcinha. Subi os beijos novamente e abocanhei um dos seus seios volumosos, excitando o outro com a mão enquanto chupava, mordia e puxava o outro com a boca. Troquei de seio quando alguns gemidos começaram a escapar dos seus lábios.
– Maldito — ela gemeu empurrando meus ombros para trás. Soltei uma gargalhada da sua cara e a beijei, sabendo que ao provocá-la corria sérios riscos de ficar estéril.
Seu corpo relaxou no decorrer do beijo. Ela tentou tirar a minha calça, mas precisou da minha ajuda e acabou trocando as nossas posições com um sorriso triunfante nos lábios.
Puxei sua nuca e a beijei, abrindo o fecho do seu sutiã com a outra mão e o deslizando pela sua pele quente e macia. Mordisquei o lóbulo da sua orelha e beijei sua pescoço, deixando junto um chupão que provavelmente ficaria roxo na manhã seguinte. Então, troquei nossas posições roubando em seguida seus lábios para mim, evitando que ela falasse.
– Posso te dizer uma coisa?
– Não — ela respondeu me beijando de novo. Separei nossos lábios outra vez — Diz.
– Obrigado por tudo — lhe dei um selinho e à encarei novamente — Você é a melhor pessoa que já conheci, não desistiu de mim quando tudo o que eu queria era que você fizesse isso.
Ela sorriu e me beijou novamente, correspondi o seu beijo com fevor. Era apenas nós dois contra o mundo, não importava o que havia acontecido no nosso passado, era passado, tínhamos que pensar no agora, no presente e planejar um futuro para nós dois. Eu a queria tanto.
Penetrei ela e com movimentos calmos nos fiz um só, movendo nossos corpos com ritmos corretos e sem pressa para acabar. Aumentando e diminuindo o ritmo sempre que percebia que ela iria se entregar a mim, não queria que isso acabasse nunca, para ela parecia ser tortura, mas para mim era como manter gravado na memória esse momento.
Se eu a perdesse iria sentir falta dos seus lábios nos meus, das suas unhas deixando aquela ardência gostosa na pele das minhas costas, do seu toque me causando aquela corrente elétrica e do som da sua risada preenchendo os meus ouvidos como a música mais perfeita do mundo.
– Eu te amo — ela disse acomodando sua cabeça no meu peito talvez horas mais tarde — Eu te amo como nunca amei e nunca vou amar alguém na minha vida, Percy, eu te amo.
Beijei o topo da sua cabeça, apertando mais seu corpo nu ao meu e sentindo meu coração disparar. Fiquei acariciando sua pele e refletindo suas palavras até perceber que ela dormia como um anjo abraçada a mim, como se tivesse vindo a terra para me tirar do inferno.
Agora eu sabia o que eu realmente sentia por ela. Talvez eu sempre soube, mas nunca tive a certeza disso e não queria dizer isso e para depois descobrir que era mentira, eu estaria iludindo ela, talvez eu estaria machucando ela. Nunca suportaria vê-la machucada fisicamente ou emocionalmente, aquelas chicotadas foram a prova que eu me importava demais com ela para vê-la daquela maneira.
– Eu também te amo, Annabeth.. Eu te amo — sussurrei a apertando mais.
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