Unconditionally

32 Show Me Love.


I could've shown you America. All the bright lights in the universe. Could have reached, the highest heights. A different place. A different life.

Abri a porta do quarto dele meio receosa, com um aperto no peito incontrolável e que a cada segundo parecia prender ainda mais meu coração dentro de uma caixa minúscula, que ia diminuindo e que iria transformá-lo em nada.

Tinha esperanças de o encontrar ali, com seus headphones e com o seu óculos de grau, lendo um dos livros de faculdade. Mas isso não iria acontecer, nunca mais iria ter essa visão dele, nunca mais iria ver ou ouvir a voz dele... O nunca doía tanto.

Estava idêntico a última vez que estive aqui, tudo no mesmo lugar e a mesma bagunça de papéis de sempre. O desenho deveria estar em algum lugar ali, no meio daqueles papéis ou talvez no lixo.

Sua cama estava a mesma bagunça de cobertores que sempre fora e o seu cheiro parecia tão mais vivido do que nunca. Me joguei na cama, afundando meu rosto no seu travesseiro e sentindo o seu cheiro único, trazendo um turbilhão de lembranças a tona com apenas o seu cheiro, com o toque do lençol da sua cama e com a sua forte presença ali.

Passei os braços por baixo do travesseiro, para apertá-lo mais a mim e senti algo grosso ser precionado ao meu braço. Limpei minhas novas lágrimas e puxei o travesseiro para cima, vendo que abaixo dele existia uma agenda preta e bem usada. Peguei ela e analisei, antes de abrí-la e me deparar com a caligrafia fina e leve dele.

Annie.

Deveria ter dito mais vezes o que eu realmente sentia por você mais vezes, mas estava sempre deixando para amanhã e quando o amanhã chegava eu adiava mais uma vez.

Queria não ter adiado tantas vezes assim, deveria ter dito desde a primeira vez que soube disso... Deveria ter dito desde a primeira vez que tive certeza o que eu sentia por você.

Fui fraco, eu admito.

Sei que se um dia você perder vai entrar no meu quarto e encontrar isso, mas eu prometi que não te deixaria e detesto quebrar as minhas promessas, então terei que encontrar coragem suficiente para dizer isso em clara e perfeita voz, sem gaguejar... Mas eu espero que você seja curiosa e entre no meu quarto em um momento que eu não esteja e encontre isso.

Só tem um problema: você é diferente das outras garotas. Acho que nunca iria mexer nas minhas coisas sem que eu pedisse... É, terei que dizer isso em voz alta mesmo.

Annie, juro que já tentei mil vezes... No parque, na sua quadra de tênis, na porta da sua escola, depois das nossas transas e até mesmo no Pub do Dionísio.

Eu te amo, Annabeth. Eu não tenho medo de amar você, meu único medo é de você não me amar... Mas quando me disse naquela noite que me amava, eu fiquei assustado e aliviado ao mesmo tempo, só tinha medo de dizer que também te amava.

Vou ser homem e dizer para você que te amo, pois sei que isso você nunca irá encontrar... Você é diferente e é isso que eu gosto em você, além de amar a sua coragem. Amar a sua voz. De amar o modo que você vê o mundo. Do modo em que você desconfia nas pessoas...

Eu agradeço todos os dias por ter derrubado sua caixa de livros, a sei lá quantos meses atrás. Bem, acho que já vai fazer um ano.

Deveria ter te ajudado a recolher os livros, teria encostado na sua mão e visto como seus olhos são lindos. Mas isso é gay, e é coisa de filme.

Valeu a pena aquela noite com os garotos, vi que você não era tão mesquinha quanto aparentava ser. Disse que nunca mudaria o que eu era, mas por você eu iria me tornar até um príncipe do século XVII.

Você descobriu meus demônios, não se afastou de mim, pelo contrário, se aproximou e tentou me fazer seu amigo. Enquanto eu lutava para te afastar de mim, você lutava para me manter por perto...

Obrigado, você me ensinou a amar, me fez acreditar e lutar pelo amor. Eu te amo.

Eu te amo.

Percy.

– Eu também te amo, Percy. Agora eu sei que alguma coisa entre nós dois valeu a pena, eu te ensinei a amar uma pessoa, assim como você me ensinou a amá-lo e amar o seus demônios — apertei o caderno no meu peito, percebendo que nas outras páginas existiam diferentes desenhos, cada um mais perfeito do que o outro.

Guardei o caderno no seu lugar, coloquei o travesseiro sobre ele e me levantei da cama, secando as lágrimas que ainda molhavam as minhas bochechas, derivadas da carta que havia acabado de ler.

A algum tempos atrás descobri que ele estava apaixonado por mim e agora que ele me amava, que a tempo estava tentando dizer isso para mim, mas nunca conseguia... Percy me amava, eu amava ele.

Isso não pareceu fazer a minha dor melhorar, só a piorou ainda mais e me faz querer morrer também. Se eu morresse iria encontrar ele no paraíso, pois ele merecia ir ao paraíso, mas não podia morrer.

– Vou na casa do Nico, mãe — disse quando passei pelo quarto do Declan, ela resmungou alguma coisa e voltou a cantar a música de ninar.

Limpei meu rosto e desci as escadas correndo, evitando olhar para Posêidon. Eu estava evitando ele desde o início da semana, quando ele chegou em casa no fim na tarde sem sua atual animação.

Ele havia percebido ao meu estado, havia tentado me animar e até mesmo comer alguma coisa. As vezes eu comia, as vezes o praticamente ficava intacto no pé da minha cama.

Toquei a campainha da casa do Nico algumas vezes e me assustei ao ver Bianca ali, com seus fios na altura dos ombros e com sua pele pálida saudável.

– Nico está? — cruzei meus braços na altura do peito, evitando encarar seus olhos negros. Eu evitava os olhos de todo mundo, simplesmente não queria mais encarar olho nenhum.

– Sim — ela respondeu normalmente, me dando passagem pela porta — Sabe onde fica o quarto dele?

– Sei — respondi colocando uma mecha rebelde do meu cabelo atrás da orelha e caminhando em direção a escada. Ela me parou.

– Sinto muito... Pelo, Percy, sei que você gostava dele de verdade. Não era que nem a Thalia, obcecada por ele, realmente o amava — ela me abraçou quando meus olhos encheram de lágrimas, me apertando gentilmente nos seus braços finos. — Eu entendo a sua dor... Posso não ter perdido um garoto que amo, mas perdi muitas pessoas queridas da minha vida.

Não respondi ela, apenas a abracei mais. Ficamos as duas ali, paradas no meio da escada enquanto eu chorava no seu ombro e ela acariciava meus fios.

Bianca sabia dar carinho a uma pessoa machucada, ela que estava sempre alegre e disposta a viver a vida como se cada dia novo fosse o ultimo, tinha habilidade para aconselhar as pessoas machucadas e respeitar o seu momento.

– Ele me ama... Amava — solucei me afastando dela. Bianca concordou com a cabeça e abriu a boca para dizer algo, mas a campainha estridente tocou e ela olhou para a porta com clemência.

– Annie minha casa está vazia e o Nico é um inútil, então estou sendo feita de mordomo e esperando uma prima minha chegar... Meu irmão está no quarto está no quarto dele, sabe onde é — ela acariciou meu rosto, indicando o topo da escada. Concordei com a cabeça e recebi um beijo dela na bochecha, então subi as escadas rapidamente enquanto secava em vão as minhas lágrimas.

Virei a esquerda e dei duas batidinhas na porta branca do fim do corredor, ouvi passos e um Nico atordoado, com olheiras fundas e o cabelo negros incrivelmente bagunçado. Esse não era o Nícholas di Angelo que eu conhecia.

Ele me encarou e eu encarei ele, antes de aceitar seus braços abertos para me abraçar olhei para o fim do corredor, então me apertei no seu pescoço, inalando onseu cheiro forte e amadeirado... Era tão diferente do cheiro do Percy. Nada era parecido com o cheiro do Percy, nada.

Nico deu dois passos para trás e bateu a porta do quarto dele, deixando nós dois presos na nossa bolha de sofrimento. Nico me entendia como ninguém, ele era meu amigo, havia deixado isso bem claro.

– Preciso de uma coisa... — murmurei me afastando dele. Nico me encarou curioso e assustado ao mesmo tempo. — Só você pode me ajudar.

– Se não for um pedido absurdo, te ajudo — falou se sentando na cadeira da escrivaninha. Eu me sentei no pé da sua cama bagunçada.

Minha cabeça latejava, devido ao choro em excesso, as noites cheias de pesadelos e a saudades que me causavam insônia e falta de fome algumas vezes. Talvez esteja ficando depressiva, talvez seja impressão minha mesmo, ou talvez eu seja apenas louca.

Mordi meu lábio, pensando na melhor maneira de falar e explicar a situação para o Nico. Ele iria recusar quando pedisse, mas eu tinha que insistir... Não era desejo, era necessidade.

Tinha consciência de que se não conseguisse com o Nico, iria conseguir em algum outro lugar e que esse lugar não seria o melhor para mim. Eu era a Chapelzinho Vermelho indo atrás do Lobo Mal, por prazer e por alucinação. Mas o lobo não seja tão mal assim.

– Maconha... Eu quero maconha — murmurei alto o suficiente para que ele ouvisse, encarando o chão e deixando meu cabelo cair como uma cortina no meu rosto.

Nico soltou uma risada irônica e balançou a cabeça, negando, quando o encarei incrédula. Achei que ele seria meu amigo, que iria me ajudar.

– Não vou deixar você se tornar uma viciada, Annie — ele falou passando as mãos no cabelo, agora preocupado — Maconha? Achou mesmo que eu deixaria você se drogar? Que eu iria deixar você se tornar uma viciada para esquecer o Percy? Um dia a maconha não será o suficiente para cobrir essa sua dor e você vai atrás de algo mais forte... Sei lá, cocaína ou crack. Não posso deixar você se acabar por causa do meu primo. Sei que ele era importante para você e que você o amava, mas não vou deixá-la ae drogar.

– Nico, você não entende — olhei para ele, sentindo meu coração se contrair — Não quero esquecê-lo. Eu quero lembrá-lo, o beijo dele tinha gosto de nicotina.

Notas finais
SHOW ME LOOOVE, SHOW ME LOOVE GENTE ESSA É A MUSICA DO TRAILER? QUEM SE LEMBRA? EU VOU CHORAR OKAY? OKAY. Gente esse capítulo tá tão choroso quanto o último... Imagina o próximo então! Mas calmem okay? Daqui a pouco as cenas de ação começam O.O Dedicado a Primrose e a Doinha que deixaram maravilhosas recomendações (aceito outras viu Agatha!) Bem é isso, beijos e venham chorar comigo