Unconditionally
33 Could It Be Another Change?
The only time I feel good sinking. Is when I'm sinking fast and deep for you. You caught me as I was winking. Now I think my winking days are through.
– Feliz aniversário! — minha mãe, Posêidon e um Declan de sete meses entraram risonhos no meu quarto. Ou no que ainda existia dele.
Mais três meses havia passado. Já era julho. Já estava completando meus dezoito e ele não estava aqui. Ele realmente havia ido embora, o destino realmente havia tirado ele de mim.
Virei na cama, tendo certeza que a minha maquiagem estava borrada por causa de ter chorado a noite inteira e que eu ainda usava as roupas de ontem. Lana e Silena tentaram me animar, me levando para uma noite de compras e boliche... Mal sabiam elas que eu desabei quando cheguei.
Com o tempo eu parei de chorar na frente das pessoas, guardava para mim e quando a noite caia e eu me via no mesmo labirinto de sempre, me permitia chorar até dormir. E acordar com minha mãe ou Posêidon me tirando de um pesadelo.
– Assopra as velas, querida — minha mãe disse com um bolo na mão. Ela não teria feito aquilo, estava bonito demais e bem decorado demais para ter sido feito por ela.
Me sentei na cama e apaguei as velas. Abraçando meus joelhos em seguida e encarando o lado de fora da sacada. O sol brilhava e o seu estava mais azul do que nunca, como se à tempestade só rolasse dentro de mim, que ela apenas deixasse a mim alagada com suas gotas ácidas.
Ouvi o suspiro da minha mãe e senti sua mão acariciando o meu cabelo, com ternura e carinho. A maconha não havia resolvido muita coisa, me dava o prazer do gosto dos beijos dele, mas não me dava a sensação dos seus lábios tocando os meus.
– O que você deseja fazer hoje? — Posêidon perguntou com o Declan nos braços.
Não respondi. Quase não falava com ninguém, era apenas o básico e o necessário, quando realmente achava necessário. Não via motivos para falar, ou para sorrir, ou para jogar tênis. Desisti das mundias no primeiro jogo das eliminatórias, podia ganhar da garota, mas não queria.
Hércules ficou bravo comigo, me xingou e chamou de idiota e inconsequente, mas Will não, ele me abraçou e deu um beijo na minha testa, dizendo que tinha feito o certo. Como iria viajar o mundo nessas circunstâncias? Eu adoro o tênis, mas não como uma obrigação, antes era apenas uma distração.
Me afastei da minha mãe e me deitei novamente, deixando as lágrimas pesadas caírem lentamente, silenciosas e pesadas. Eu havia desistido de tudo, havia perdido tudo.
Hoje saia coisas sem sentido da minha boca, meus pés não tocavam mais o chão e eu estava perdida, Percy era o meu farol e eu havia me perdido dele. O meu sofrimento vinha ao anoitecer, sem pudor algum... Nem mesmo o sono amenizava mais o meu sofrimento. Eu estava sem ar.
As madrugadas geladas... Era tão difíceis. Era difícil de aceitar que ele realmente se fora, não conseguia aceitar o fato de que ele nunca mais tocaria a minha pele e me causaria arrepios.
Respirei fundo e me sentei novamente, encomodada comigo mesma. Ignorei todos ali e rumei para o banheiro, deixando a banheira encher enquanto removia minhas roupas. Encarei a Annabeth no espelho, vendo uma menina magricela e com olheiras profundas, com os fios dourados secos e os lábios rachados.
Balancei a minha cabeça e me afundei na água morna, me submergindo e ficando lá, encarando o mundo embaçado sobre a água até o meu ar faltar. Não tinha coragem para me suicidar, mas também não queria me suicidar... Era covardia.
Eu iria para a faculdade no fim do verão... Isso me lembrou que precisava conversar com alguém e me fez deixar meu momento de estupidez de lado.
❤
– Admito, me surpreendi quando ligou — Justin deu um sorriso, puxando a cadeira e se sentando de frente a mim. — Qual é o assunto tão importante assim que te fez deixar a depressão de lado e voltar a viver?
– Engraçadinho você, seu pacote com novas piadas chegou? — questionei, levando o copo com suco de laranja até meus lábios. Olhar para o café da manhã do Starbucks me deixou esfomeada, a meses eu não comia aqui.
– Desculpa — ele falou pegando um dos meus bacons. Revirei meus olhos e cortei um pedaço da panqueca quente com calda de chocolate, foi fácil convencer a minha mãe a me deixar sair, é o meu aniversário e eu havia dito que iria encontrar com Justin — Soube que foi expulsa do tênis.
– É — dei de ombros, não querendo lembrar de quando o exame de sangue deu alto nível de drogas no meu organismo. Eram remédios para dormir, para enxaqueca e outros que eu havia misturado.
Eu me sentia caindo em um abismo quando isso aconteceu. Um abismo infinito e que aos poucos me matava, para que quando o meu corpo se choquasse brutalmente com o fim, assim nada sobraria de mim.
– Fui aceita em Stanford, na Colúmbia, em Harvard e na.... Na Pratt — murmurei limpando o canto dos meus lábios e levantando meus olhos para ele. Justin estava assustado.
– Apenas nessas?
– Cornell também — sussurrei dando um suspiro. Com Will competindo pelo mundo inteiro, me sobrava o príncipe... Mas Justin era bem mais velho do que eu, havia finalizado a faculdade em Harvard e nunca me entenderia. Nunca me entenderia como Percy me entendia.
O delicioso café da manhã do Starbucks não parecia mais tão delicioso assim, mas mesmo assim me forcei a comer algo a mais... Silena havia me falado algo sobre anemia a algum tempo atrás, então sempre que comia algo, ou beliscava ou comia em excesso.
– E por que me chamou? — ele perguntou, dando um sorrisinho.
– Ajuda? Não tenho a mais ninguém para perguntar — ignorei sua risada baixa. Ele as vezes era um perfeito príncipe, em outros era um ogro.
Harvard. Columbia. Stanford. Cornell. Pratt... Todas eram ótimas faculdades, na verdade não havia escolhido a Pratt, joguei fora o papel da inscrição e preenchi todos se outros. Pratt me procurou com meu histórico escolar, dizendo que era ótima demais para ela, mas seria uma honra ter uma aluna como eu lá.
Não queria ser aluna de Pratt... Mas lá existia um pedaço dele, um pedaço dele podia talvez me ajudar a encontrar o pedaço que havia perdido. Porém não, nunca deixaria a mim mesma ir até lá.
– Sou um amante de Harvard, mas lutei para entrar em Stanford também... Já a Columbia e a Comell, hmm, não sei — ele falou inclinando o corpo para trás. Ele não havia mencionado Pratt, pois não era uma opção — Annie, por qual você mais lutou para entrar?
– Não sei — fui sincera. Ele soltou um suspiro pesado — Justin, eu estou confusa, não consigo chegar a uma conclusão concreta para nada e eu preciso devolver a minha resposta para algumas dessas faculdades... E não me peça para seguir o meu coração, pois ele está parado no meio do caminho e se recusa a continuar.
– Deve ser por isso que está tão confusa, Ann — ele respondeu se inclinando para frente — Você parou no tempo... Se recusou a continuar a viver por causa da morte do Percy. Pare e pense: ele gostaria de te ver assim? Você perdeu muito peso, mal sai de casa, está se drogando e não sabe nem para qual faculdade quer ir! Ele gostaria disso?
Ano ele não iria gostar disso, mas eu não sei mais o que fazer, perdê-lo foi como perde a mim mesma em uma ilha deserta e com nenhuma chance de resgate. Só que Justin tinha razão, não poderia ficar minha vida inteira lamentando a perda.
– Annie, segue em frente. Ele ficaria orgulhoso de você se fizesse isso, então faça.
Ficaria mesmo ou ele só está falando isso para me consolar? Podia ser os dois motivos ao mesmo tempo... Queria seguir em frente, mas se seguir em frente significa deixar o Percy para trás, eu dispenso.
– Tenho que esquecer o Percy para isso?
– Não, Annie! Para seguir em frente só é preciso deixar o que nos prende no passado para trás, não esquecer deles — Justin disse passando a mão não rosto, isso me fez soltar um risinho baixo, ele ficava fofo irritado. Isso fez ele me encarar. — Mudanças, Ann, é disso que você precisa.
– Mudar o que?
Ele arqueou suas sobrancelhas, não acreditando que havia feito mesmo aquela pergunta. Foi quando percebi eu deveria mudar a mim mesma, não a qualquer outra coisa... Minha mentalidade precisava ser mudada para que eu conseguisse seguir em frente.
– Feliz aniversário, falando nisso — ele disse me estendendo uma caixinha de veludo azul marinho. Era pequena demais para um colar e grande demais para um anel.
– Obrigada... Mas como sabia? — disse pegando a caixinha e abrindo ela com delicadeza. Era uma pulseira toda trançada com ouro e ouro branco, no centro dela tinha um coração em ouro com um símbolo do infinito envolvendo ela em ouro branco. Esse presente tinha sido caro.
– Sua mãe — ele sorriu puxando meu braço pálido e colocando a pulseira ali. Eu já duvidei sobre o Justin ter um sentimento diferente e além de amizade por mim.
Claro. Atena estaria planejando algo sem dúvida alguma, ou apenas falou por falar depois que sai de casa... Mas ela ainda estava planejando algo nada bom, tinha a impressão disso.
– Tenho uma coisa para te contar — ele falou e como minha boca estava ocupada com um pedaço maravilhoso de waffle, indiquei com a cabeça para que ele continuasse — Vou me mudar para a Alemanha, consegui um estágio na maior empresa de la.
– Parabéns, Justin! Isso é incrível — falei sentindo um aperto no meu peito e novamente amaldiçoando o destino. Ele percebeu que não sincero e me olhou perguntando o porque. — O destino está tirando todos de mim... Will vai para a Suécia depois que a temporada acabar, você para para a Alemanha, Leslie está Copenhague e o Percy morreu... Quem será o próximo?
Ele parou para refletir e depois puxou uma nota de dez dólares do bolso e puxou a minha mão. Peguei minha bolsa as pressas e o segui até o lado de fora do Starbucks. Estava curiosa e ele me puxava rapidamente pela rua.
– Vamos comemorar seu aniversário. Não é sempre que se faz dezoito.

Fale com o autor