Unconditionally
24 Shouldn't Come Back.
Maybe you shouldn't come back to me. Tired of being so sad, tired of getting so mad. Stop right now, you'll only let me down.
Ele me puxou mais para perto, correspondendo o beijo com emergência e voracidade. Qualquer espaço que existia entre nós dois, foi quebrado.
Eu estava em estado de choque, ainda abalada por causa do breve e indiferente discurso ameaçador que meu pai havia feito. Ou eu passava o dia com ele, ou eu passava a minha vida com ele... Se bem que, ele nunca para em casa, sempre viajando a procura de antiguidades.
– Obrigada — murmurei contra os lábios de Percy. Seu cheiro era como morfina para os meus músculos e seus lábios para a minha mente — É a primeira pessoa que consegue me tirar do meu... Estado de choque.
– O que aconteceu? — ele perguntou quando deitei minha cabeça em seu ombro, sentindo seu cheiro forte.
– Não quero me lembrar agora... É doloroso — suspirei passando a ponta do meu dedo indicador pelo seu pomo de Adão.
Queria que Percy fosse sempre assim: relaxado, paciente e amoroso. Não era pedir muito, mas em circunstâncias como as nossas, era complicado aceitar tudo.
– Então não me amava? — ele perguntou minutos mais tarde, passando o dedo pela minha coluna — Mentiu para mim?
– Não é isso, Percy, não é assim — o encarei — Eu queria te amar, eu queria te agradecer de alguma forma que não fosse um "Muito obrigada"... Eu estava atordoada, havia sido chicoteada e torturada por horas... Acho que até fui estuprada.
Saiu como um sussurro, era difícil reviver tudo aquilo, mesmo que fosse apenas na minha memória. Sinto falta de quando meus únicos problemas eram os de matemática. De quando minhas únicas dúvidas eram por que 2+2 é 4 e não 5. De quando eu sabia que quando crescesse queria ser princesa, não qualquer outra coisa.
Minha infância foi comum, porém dolorosa. Meu pai havia parado de ser presente aos meus quatro anos, as suas múmias e coisas velhas eram mais importantes do que a filha. Minha mãe lutava para trabalhar e ainda me dar atenção, nunca julguei isso dela e, as vezes, quando tinha meus oito ou nove anos, a peguei assistindo vídeos documentários sobre sua gravidez até o momento que nasci. Quando fiz doze anos descobri na dificuldade que ela tinha para engravidar, e agora ela estava grávida de Posêidon. Ela estava feliz, eu sabia que estava.
– Nossos pais vão se casar — mordi meu lábio, pouco petulante sobre levar minhas mãos aos seus fios negros e macios — Minha mãe está grávida.
– Eu sei disso — ele deu um sorriso tímido — Vamos morar juntos.
– E vamos ter um irmão — sorri aproximando nosso rostos — Uma vez eu sonhei que um dia me casaria com você, nos teríamos um apartamento a beira mar em algum lugar e teríamos um filho... Ele teria os seus olhos e o cabelo seria dourado, como o meu... Não me lembro do nome dele.
– Faz tempo isso? — ele acariciou meu lábio com o polegar, exibindo um sorriso.
– Umas cinco ou seis semanas — mordi o interior da minha bochecha — Pouco tempo depois sonhei que a Thalia me matava... Não só ela, mas a Serena, a Leslie e a Clair também... Todas elas atiraram em mim ao mesmo tempo, porém, antes disso Luke matou a Lana e a Silena a queima roupa e depois mostrou o corpo do Nico e o seu, também mortos... Seus demônios haviam morrido.
– Talvez essa seja a única maneira de acabar com eles, levando-os para o caixão junto a mim.
Não queria acreditar que essa era a única solução, porque eu tinha certeza de que não era. Percy poderia controlar eles caso achasse um motivo para lutar e decidisse que eles apenas iriam atrapalhar seu desempenho na luta.
Quem me dera que eu fosse esse motivo.
– Você vai encontrar outra maneira — murmurei roçando nossos narizes. Isso era bem gay, mais eu precisava de carinho. Percy precisava aprender a dar carinho.
O beijo foi lento o suficiente para fazer com que os nosso corpos se tornassem um só, ele se inclinou para trás até estar deitado na cama, comigo sobre ele e com os nossos lábios emitindo estralos do beijo calmo. Fazia tanto tempo que eu não o tinha para mim.
Sem separar nossos lábios suas mãos levantaram a minha camiseta do pijama até a metade da minha barriga, depois ele terminou o trajeto até meus seios descobertos por qualquer sutiã. Antes disso tudo, meu objetivo era dormir e eu odiava dormir com sutiã.
Dedilhei até a barra da sua camisa e a puxei para cima, separando nossos lábios para retirá-la e para recuperar o ar. Nessas horas seria bom não necessitar de ar para viver, seria bom ser imortal como um vampiro, quem sabe.
Ele sorriu para mim e, em seguida, nos virou na cama, com o meu corpo sob o dele e a minha camiseta deslisando pelos meus braços. Eu o queria... Não o amava como queria amar, mas eu o queria como uma mulher. Sexualmente, amigavelmente e sinceramente. Sem mais nem menos, sem porquês e sem o "E se... ". Apenas o queria.
– Não queria que você tivesse terminado comigo... Acreditava em você.
– Ainda pode acreditar — sorri tirando seus fios que ousavam cair sobre a testa. Ele me encarou sem entender — Você não namora com uma pessoa para depois amá-la, Percy, você primeiro é amigo dela... Companheiro e confidente — pisquei me lembrando das palavras de Luke — Quando descobre que realmente confia nela, que pode contar com ela para tudo, tudo mesmo, que se o mundo acabasse naquela noite ela estaria do seu lado falando: "Acredite que o amanhã existe, não importa o que aconteça, não importa que o mundo esteja acabando, ainda vamos fazer muitas loucuras juntos!"... É quando você percebe que ama essa pessoa e faria de tudo para fazer dela sua, não importa o que custe ou o quanto doa...
Minhas palavras foram abafadas por seus lábios. Suas mãos acariciaram as laterais do meu corpo e pararam em cima da pequena cicatriz que eu havia adquirido como lembrança das chicoteadas, pouco acima do quadril direito. Seus dedos acariciaram ela e depois voltou o trajeto até o cós da minha calça, a tirando junto com a minha calcinha.
Aproveitei o máximo possível dos seus lábios, logo eles desceram pelo meu pescoço e trilharam até a cicatriz, deixando uma linha de fogo pinicante na minha pele.
Percy não estava se importando com a excitação, nem em deixar minha pele marcada com seus chupões... Ele só queria me fazer sentir amada, ele só queria me amar.
Foi questão de minutos — ou até mesmo horas — para nossos corpos estarem se chocando um contra o outro, para que dos nossos lábios acabasse escapando gemidos de diferentes tons, para que minhas unhas marcassem suas costas com arranhões e que suas mãos deixassem marcas de dedos nas minhas coxas e nos meus seios.
Não eramos duas pessoas. Ou dois corações. Ou até mesmo dois corpos. Eramos um só, com nossos medos, desconfianças, dúvidas e desejos. Com nossos sonhos e segredos, com os nossos corpos se tornando apenas um.
Não precisava de gritos e coisas quentes, apenas de toques, beijos e palavras curtas, porém significativas. Não precisava de controle, não precisava se preocupar com o mundo lá fora. Era só nós dois e a nossa bolha.
Não existia Thalia, Luke, Tritão ou Frederick para nos colocar medo. Não existia demônios ou monstros. Nada existia além de nós dois, como se o mundo estivesse acabado e fossemos os única sobreviventes indo a caminho do paraíso.
❤
Entrelacei meus dedos com os do Percy enquanto desciamos degrau por degrau, lembrando-me o infeliz aviso de Frederick e com a ajuda do moreno percebendo que passar o dia com ele seria melhor do que causa um possível aborto espontâneo na minha mãe, havia revelado a ele a dificuldade dela para engravidar e o seu amor por crianças. Ou filho ilegítimo de Posêidon.
Percy e eu chegamos a uma conclusão depois da noite de ontem, como ambos não estávamos cansados o suficiente e eu tinha medo de fechar os meus olhos e cair no abismo, ficamos conversando sobre nós dois, como seriamos daqui para frente. A resposta foi simples: amigos.
Amizade entre homem e mulher é uma coisa complicada, não inexistente. Pode surgir os beijos e as pegações, isso é algo que se torna inevitável, mas cabe a nós não deixarmos isso abalar a amizade. Afinal: antes uma amizade colorida do que um namoro preto e branco.
Antes que eu percebesse os braços da minha mãe já me envolviam em um abraço apertado e confortável. Ou meu pai havia ligado, ou ela havia mexido na secretária eletrônica.
– Não precisa fazer isso — ela murmurou apertando meus ombros. Encarei seus olhos e vi o brilho de felicidade ali, mais também existia a preocupação neles.
– Não, mamãe, está tudo bem... Vou por um fim nisso por mim mesma, ele não tem direito nenhum — Nunca teve, na verdade.
Ela me deu um último abraço e depois encarou Percy, com um sorriso materno e sincero. Ela nunca teve nada contra ele, pelo contrário, sempre quis o bem.
– Fico contente por saber que voltaram — Posêidon falou aparecendo no corredor, com o seu típico sorriso aberto. Era sua marca registrada, na verdade — Vocês fazem bem um ao outro.
– Não voltamos, pai — Percy deu de ombros, passando o braço pelo meu ombro e me puxando para o sofá. Por mais que a noite não tivesse sido bruta, minhas pernas doíam... Acho que podia culpar o tênis por isso, também — É apenas amizade...
– E sexo — fiz pouco caso. Nossos pais se entre-olharam e depois encararam a gente, como se tivéssemos acabado de falar uma besteira — Mudando de assunto, quando é o casamento?
– Mas um motivo para não ficarmos juntos, seria um mal exemplo para essa criança — Percy jogou o corpo para trás, colocando os braços atrás da cabeça.
Minha mãe abriu a boca para responder, mas a campainha tocou e meu corpo se arrepiou. Era a hora de colocaram um ponto final nessa história de terror que eu vivia com o meu pai, mas a dor continuaria ali, eu querendo ou não, seria a lembrança do abandono e eu poderia julgá-lo e culpa-lo por isso.
Encarei cada rosto e percebi que quem iria abrir a porta era eu. Mordi o interior da minha bochecha e caminhei até a porta, o que pareceu ser uma tortura, cada passo parecia um caco de vidro se enfiando na pele do meu pé. E lá estava ele com o sorriso debochado, os cabelos loiros ridiculamente arrumado para trás, de terno e gravata. É claro que ele havia vindo aqui para trabalhar, por que ele viria apenas por mim?
Engoli em seco e tentei sorrir, todavia, ele pareceu perceber o meu esforço.
– Olá, Frederick — disse tentando parecer firme. Respirei fundo e me encostei no batente da porta, não estava nem um pouco preocupada se ele poderia pegar uma gripe por ficar na neve — O que você quer?
– Não vai me convidar para entrar? E aproposito, não é Frederick, é pai.
– Não, pai, não vou te convidar para entrar — sorri sinicamente.
Ele franziu o cenho e depois olhou por cima do meu ombro, revirou os olhos e passou por mim, entrando na minha casa sem qualquer convite. Pela lei, isso era invasão domiciliar.
Respirei fundo e bati a porta de casa, alternando meu olhar entre a minha mãe, Frederick, Posêidon e por fim, Percy. Ele deu um sorriso discreto e balançou a cabeça, como um incentivo.
– Não permiti que você entrasse, Frederick! A casa não é sua e eu posso muito bem te denunciar por invasão de domicílio — cruzei meus braços rente aos meus seios — Então faça o favor de ir embora e esquecer que eu existo? Até por que isso é super fácil para você, sempre me tratou como um nada.
– Não é assim, Annabeth — ele me encarou. A mentira era visível nos seus olhos, ele era péssimo — Eu quero ser presente na sua vida! Eu voltei.
– Nunca pedi para você voltar — suspirei — Talvez não devesse voltar, você só me decepcionou, Frederick... Você só me destruiu, só me esnobou! Eu não sou como uma peça rara que você pode encontrar a qualquer lugar e a qualquer momento, eu sou humana! Eu sinto dor, eu choro e o meu coração bate, ele não é de vidro como o seu.
– O meu não é...
– É sim, Frederick — minha mãe se intrometeu. Encarei Posêidon apavorada, o bebê dela estava em jogo — Você já teve um coração, a anos atrás, antes de se tornar isso o que é hoje! Antes de colocar seu trabalho na frente da família e olha só o que aconteceu: perdeu tudo. Sabe o que deveria fazer? Ir para São Francisco e escavar a nossa antiga casa, quem sabe ache os restos do seu coração.
– Não vim para falar com você, vim para ver a minha filha.
– Sua filha? Você me ameaça falando que se eu não sair com você a minha mãe vai se ferrar na justiça, mas espera, quem se ferraria é você! Eu tenho a minha vida inteira ao meu favor, você fez parte dela e sabe de uma coisa? Eu não te considero como pai, para mim você é um nada.
Seu rosto perdeu toda a cor e ele ficou pasmo, não estava acostumado a ouvir verdades, estava tão confortável com a mentira que isso se fez parte dele. Ele era uma mentira.
– Eu vou morrer — ele falou minutos mais tarde.
– Não acredito em você.
– Annabeth não é mentira! Eu tenho um tumor no cérebro, vou fazer a cirurgia na próxima semana e queria passar um dia com a minha filha... Eu posso não sobreviver, pode acontecer muita coisa comigo — ele falou agarrando minhas mãos, com o pavor nos seus olhos.
Engraçado, ele não pensou em mim em momento nenhum. Ele não se importou com a minha dor em momento nenhum. Ele me causou dor a maior parte do tempo.
– Por que acha que vou me importar com isso? Você não se importou comigo em momento nenhum, nunca apareceu nos meus jogos, nunca apareceu nas apresentações de escola, nunca apareceu no meu aniversário... Você nunca apareceu na minha vida — soltei minhas mãos das dele, as cruzando. Não iria chorar, mas dizer que não doía era mentira — Por que acha que deveria me importar com você? Eu te odeio.
Encarei minha mãe e ela balançou a cabeça com um sorriso pequeno, mas orgulhoso. Ela estava orgulhosa de mim, orgulhosa por eu estar enfrentando o Frederick.
O que realmente levou eles a se separarem?
– Sua mãe te estragou tanto, você não era assim...
– Eu era como, então?
Ele não respondeu. Era óbvio que ele não iria responder, ele não me conhecia, ele não sabia nada sobre mim... Ele sabia a minha idade, pelo menos?
Soltei um riso de desdém, recebendo olhares surpresos de todos. Eles podiam mê achar louca, mas eu não era, eu havia acabado de descobrir que para o meu pai não fazia importância nenhuma se eu estava viva ou não. Mas eu deveria me preocupar e dar importância para a vida dele, patético.
Respirei fundo e encarei o cara que queria que eu me importasse com a vida dele, acho que até Posêidon foi melhor pai que ele.
– Não vou mentir para você, dizendo que me importo com a sua vida e falando que você vai sobreviver... Se Deus ou os deuses realmente existem, eles estão te castigando por tudo o que você fez, você me machucou demais, Frederick e agora quer que eu tenha pena de você — revirei meus olhos, passando os dedos pelo meu cabelo e o jogando para outro lado — Não vou ter. Eu não me importo com você e sua morte não vai fazer diferença na minha vida, mesmo vivo nunca fez.
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