Unconditionally
25 Future
So just think of your future. Think of a new life. Don't get lost in the memories. Keep your eyes on a new prize.
Assinalei a última alternativa e passei meus olhos pela prova de literatura, vendo se não havia deixado nenhuma questão em branco. Quando percebi que estava completa fechei o caderno do gabarito e me levantei, lançando um último olhar para a Thalia — que estava com os fios presos em um coque frouxo e concentrada na sua prova. Era a última do semestre.
– Bom feriado, Srta. Chase — Belona falou puxando o caderno da minha mão. Por trás dos óculos, seus olhos negros brilhavam de felicidade — Espero que se saia bem no próximo jogo, deve ser complicado jogar com esse frio.
– O corpo se aquece rapidamente — dei de ombros, apertando mais minha mochila nas costas — Bom ferido, Belona.
Não quis resposta, apertei meus passos até a porta e sai daquela saia o mais rápido de consegui. O corredor estava vazio, era o último dia de aula antes do feriado de fim de ano e sinceramente, só compareci por causa de duas provas semestrais.
O tempo estava passando muito rápido, tudo estava passando despercebido pelo meus olhos, eu estava quase agindo no automático.
Ganhando jogos, tirando notas altas em trabalhos e avaliações escolares, ajudando Leslie a conseguir entrar em uma faculdade sem a ajuda do pai, ajudando minha mãe pois a gravidez era complicada e acima de tudo: esquecendo que Frederick morria mais a cada dia, isso não me machucava, mas a dor era pontiaguda a cada mensagem que ele deixava na secretária eletrônica, minha mãe tentava esconder de mim, mas sempre que ouvia tinha um surto.
Não tinha mais o Percy para me ajudar, ele estava morando no Campus da Pratt e só aparecia duas vezes ao mês no condomínio.
Existia o Justin — o príncipe que havia me impedido de cair no Halloween -, ele era um ótimo amigo e as vezes me pegava trocando mensagens com ele, já que ele estudava em Harvard e raramente aparecia para visitar os pais. Eu havia pegado a mania de chamá-lo de príncipe, tanto que ele estava salvo assim nos meus contatos.
E o Will... Ele era mais que um amigo para mim, mais que um irmão. Ele além de estar treinando comigo todos os dias, tem me ajudado a esquecer Percy, esquecer o Frederick e a me focar nos jogos, pois se eu ganhasse esse campeonato iria para o mundial no início do ano.
Perder não estava nos meus planos.
O trânsito não estava terrível como sempre está, mas estava bem denso, nada que me impedisse de chegar a tempo no clube de tênis. Mesmo com a densa neve caindo, o jogo de hoje não havia sido cancelado. Era a final.
– Finalmente, estava quase indo te buscar na escola — Hércules falou me puxando pelo braço e me deixando na porta do vestiário — O jogo começa daqui uma hora, a sua adversaria ainda não chegou e você vai se aquecer na quadra isolada com o Will... Por favor, fique bonita, o clube precisa de patrocinadores e se você ganhar o jogo de hoje, também irá precisar. Então até a aparência importa nesses momentos .
– Will venceu? — arqueei minha sobrancelha, puxando meu braço da sua mão. Seu sorriso orgulhoso deixou claro que sim, mas a carranca voltou e a ameaça também, teria que vencer.
Entrei no vestiário e abri meu armário, pegando tudo o que precisava e tirando a roupa que a minha mãe havia escolhido para o jogo de hoje. Ela prometeu que viria, de todas as fazes, ela não conseguiu comparecer na maioria.
A saia era preta e com duas faixas grossas de glitter nas suas laterais, tendo na barra uma linha vermelha sangue. A blusa era regata, colada e da mesma maneira, achei que o glitter iria encomodar, mas não e a linha vermelha não ficava na barra da blusa e sim na sua gola. Ela se encaixava na saia com se fosse uma peça só.
Puxei todo o meu cabelo para trás e para o alto, não deixando nenhum fio solto e passando o elástico brilhoso para prender o rabo de maneira firme. Mordi meu lábio tentando saber o que iria fazer com o meu rosto, lembrando que Hércules havia me obrigado a caprichar na aparência.
As duas figuras, uma morena e a outra ruiva, me chamaram a atenção pelo reflexo do espelho.
– Eu sabia que ela iria ficar perfeita nessa roupa, caiu perfeitamente e ainda marca cada curva dela — Silena disse tampando os lábios com as mãos. Revirei meus olhos e abracei as duas, sentindo o gelo da neve que cairá sobre elas.
– Annie, você tem uns peitos... Enormes! — Lana disse encarando eles, automaticamente os cobri com os braços.
– O que fazem aqui — dei as costas para as duas, abrindo a mala que a minha mãe havia separado para mim e pegando as minhas meias brancas. Bem, pelo menos nem ela nem o tênis tem glitter, caso contrário iria roubar o brilho das estrelas essa noite.
– Viemos cuidar do seu rostinho lindo — Silena colocou uma maleta prata sobre o banco e sorriu para mim.
Não pude revidar, Silena iria saber o que fazer com o meu rosto sem que o suor deixasse a maquiagem toda borrada. Fiquei sentada enquanto as duas mexiam e conversavam trocando toda hora de pincel ou de produto por quase meia hora, sabendo que daqui a pouco Hércules iria invadir o vestiário feminino para saber o motivo da minha demora.
Valeu a pena. Quando me encarei no espelho vi meus cílios bem marcados com muito rímel, minha pele mal parecia estar com tanto produto e o lápis de olho era branco. O batom era rosa forte, apenas isso de forte.
Retirei meus brincos, eram proibidos por poder machucar o jogador e coloquei minhas munhequeiras pretas. Algo na mão da Silena brilhou e chamou a minha atenção.
– O que é isso?
– Percy pediu para colocarmos em você — Lana falou se colocando atrás de mim e passando o colar pelo meu pescoço. Em seguida ela prendeu ele e o soltou.
Era lindo. Um coração de ouro branco com várias safiras azuis, brilhantes e pequeninas. Ele não era grande, era um pouco maior que o meu polegar e sua corrente comprida vazia ele acabar no centro do vale entre meus seios, bem onde meu coração batia.
– Abre — os olhos azuis escuros de Silena brilharam e seus olhos se emocionaram enquanto levava minhas mãos até o coração, vendo a pequena falha aonde a minha unha se encaixava e eu conseguia abrir o coração.
Uma foto chamou a minha atenção, não fazia muito tempo que havia sido tirada pela própria Silena. Em um final de semana que fomos a Coney Island e durante a queima de fogos o Percy roubou um beijo meu, a foto foi batida bem no momento em que nossos lábios se separaram e nossas testas foram grudadas, com um sorriso em ambos os rostos.
Me lembro do gosto da nicotina em seus lábios, bem forte devido as várias vezes que ele havia fumado aquele dia. Tínhamos ido até lá para comemorar meu primeiro jogo vencido, foi a última vez que consegui ficar com Percy.
Do outro lado da foto minúscula que fez meus olhos lacrimejarem tinha uma frase simples e tão significativa para ambos.
Remember that night underneath the stars. For a minute I thought the world was ours.
Duas lágrimas caíram e eu fui obrigada a respirar fundo, já estava atrasada e não queria um Hércules furioso. Fechei o coração e o levei aos lábios, dando um beijo nele e depois o deixando cair sobre a blusa negra.
– É lindo — sorri para as meninas — Bem, tenho que me aquecer... Obrigada pela ajuda e pelo colar...
– Que isso, só vença esse jogo por nós e por ele — Lana falou limpando minha bochecha úmida — Vai lá.
Dei um beijo em cada uma delas e finalmente sai para a quadra fechada, Will já me esperava jogando a bolinha verde fluorescente para o alto. Corri até ele e agarrei meu pescoço em um abraço apertado.
– Parabéns! Está no mundial — festejei dando um beijo na sua bochecha, quase no canto dos lábios — Você mereceu.
– Obrigada, loira — ele disse me soltando. Seus olhos brilhavam — Mas e você? Não merece ganhar?
– Merecer eu não mereço, mas se não ganhar, Hércules corta a minha cabeça e depois... Quer saber? Eu lanço a bola — disse pegando a bolinha da sua mão e correndo para o outro lado. Treinei junto a ele por vinte minutos, já estava acostumada com sua maneira de jogar. A bola vinha com força e velocidade e, quando a lançava para o outro lado, o estralo era alto.
Ele e Hércules me desejaram boa sorte, mas o boa sorte de Hércules era mais uma forma de me obrigar a ganhar. De fato, eu tinha que ganhar, não lutei tanto para perder agora.
Respirei fundo quando vi a minha adversaria, a garota que Hércules queria que eu derrotasse desde o início.
A fixa caiu, eu estava nas finais, diferente do ano passado, eu estava nas finais.
Olhei novamente para a garota, lembrando de conhecer seus lábios cheios, os olhos cor de amêndoa e os fios cor de caramelo... A festa da empresa, na qual Percy foi anunciado como o próximo presidente e nos dançamos juntos. Calypso.
Ela também me reconheceu e seus olhos se arregalaram. Sua roupa era cinza e rosa fluorescente, talvez para tentar me deixar cega, mas me forcei a sorrir de maneira ameaçadora e joguei a bolinha para o alto.
Dei uma olhada na arquibancada e vi Justin com um sorriso aberto, sorri de volta e girei a minha raquete. A adrenalina corria pelo meu sangue, a sede de vencer me deixava atenta.
Vi Percy ajudar a minha mãe a subir na arquibancada junto a Posêidon, que estava com o sorriso mais brilhante que eu já havia visto. Hoje minha mãe tenha feito ultrassom e possivelmente teria descoberto o sexo do bebê, já estava com cinco meses e digamos que as duas ultimas tentativas fracassaram.
Ela acenou para mim e eu pisquei, vendo como ela ficava radiante grávida. O pai do garoto que eu acho que amo a havia feito feliz de uma forma inacreditável.
Me virei para frente e encarei Calypso novamente, ela mordia o lábio. O apito soou e eu lancei a bola para o alto, rebatendo ela com toda a força possível. Ela se assustou e correu atrás da bola, rebatendo para mim.
O jogo foi complicado, ela deixou a bola bater na rede algumas vezes, me dando pontos extras enquanto eu não havia conseguido pegar algumas bolas suas, que ou vieram fortes demais ou vieram para a lateral demais.
Ver a Calypso com o joelho ralado e ofegante era ótimo, mas meu pé doíam e eu precisava de água novamente. Hércules percebeu isso e pediu tempo, respirei fundo e caminhei até o banco. Me joguei lá e agarrei a garrafinha da mão do Will, enquanto ele ria da minha vermelhidão.
– Vai jogar com ela para você ver — resmunguei baixinho, levando a água aos meus lábios novamente. Hércules me estendeu uma bolsinha de gelo e eu a coloquei sobre o tornozelo, sentindo seu latejar diminuí aos poucos.
– Annie foca, é a última rodada — Hércules segurou meu rosto entre suas mãos e me obrigando a encara-lo. Suspirei — Juro que não vai precisar treinar pesadamente...
– Não minta para mim — revirei meus olhos, tirando suas mãos do meu rosto. O colar estava dentro da minha blusa e eu estava suando, por mais frio que estivesse.
Bebi o último gole da água e joguei o gelo no Will, pegando minha raquete e voltando para quadra. Não ouvi, mas pelo movimento dos lábios da Calypso e pelo seu revirar de olhos ela não queria que eu voltasse.
Ela mandou a bola com força e eu corri para rebater e consegui em cima da hora, ela jogou de novo e lá fui eu para levar fundo da quadra, mandando a bola mais uma vez. A bola caiu do outro lado da rede, era minha vez de mandar, então caprichei na força e na direção.
Calypso rebateu, porém a bola bateu na rede e caiu. Eu venci.
O resto foi um borrão. Me lembro de cumprimentar ela, de receber um abraço apertado de Hércules que gritava loucamente, ganhei um beijo roubado de Will e me assustei, depois dei um abraço nele e recebi meu troféu. O primeiro troféu para o escritório da minha mãe.
Depois entrei no vestiário e enrolei o máximo possível em baixo do chuveiro, vesti uma calça jeans aperta e um suéter curto branco, coloquei botas de cano alto e um sobretudo preto. Desembaracei meus fios e coloquei uma touca preta, e por fim coloquei o colar que havia ganhado do Percy, deixando ele para fora.
Tranquei meu armário e peguei a mala pesada com a minha raquete, as minhas roupas e outras coisas. Do lado de fora, minha mãe me esperava junto a Posêidon e Percy, mais ao longe, Lana e Silena conversavam com Justin.
– Olá — mordi meu lábio, segurando o troféu na outra mão. Posêidon puxou minha bolsa pesada.
– Bom jogo, Annie — ele disse jogando sobre o ombro dele. Meu pé latejava.
– Ótimo jogo, minha filha — minha mãe me abraçou, porém a barriga atrapalhou um pouco. Ri e me virei para Percy, sentindo um sorriso dócil formar em meus lábios e meu coração acelerar. Antes que pudesse parar para pensar duas vezes, já avançava contra seu pescoço.
O moreno precisou se equilibrar para me abraçar também. Amigos... Eramos amigos, mas eu ainda sentir falta dos seus dedos se entrelaçando nos meus, se encaixando como se nossas mãos tivessem sido desenhadas para se encaixarem.
– Obrigada pelo colar...
– Era para dar sorte — ele falou tirando meus pés do chão. Afundei meu rosto no seu pescoço, inalando seu cheiro viciante.
– Ele deu — murmurei levando meus dedos para seus fios cedosos — E eu me lembro daquela noite, é impossível esquece-la.
Encarei ele, dando conta de que nossos pais não estavam mais aqui, estavam ao lado de Lana e de Silena. Justin não estava mais ali e sim Will, me encarando com dor.
Percy deu dois passos para trás, chocando minhas costas contra a parede e me levantando mais um pouco. Sorri para ele e para Will, abraçando o quadril do moreno.
Nossos lábios se encaixaram e eu pude sentir tudo se apagar e reacender novamente, mas apenas comigo e com o Percy, nossas línguas duelando e nosso beijo emitindo estralos. A quadra inteira podia ouvir esses estralos, pois eles ecoavam como o barulho da bolinha, ela foi criada para fazer o barulho da bolinha ecoar.
Mordi seu lábio e o puxei para mim, beijando ele novamente mais calmamente e acabando com ele mais cedo do que queria. Ele me deu um selinho e finalmente me colocou no chão, acariciando minha clavícula até o coração.
– Senti saudades dos seus lábios — ele falou acariciando meu rosto agora, passando levemente o dedão por cima do meu lábio inchado — Senti falta de você, de ir te buscar na escola e de odiar cada garoto que ficava encarando sua bunda, por que apenas eu podia fazer isso... E saiba que eu odiei ver aquele garoto te beijar mais cedo.
– Will? — arqueei minha sobrancelha — Eu tenho que ir falar com ele...
– Não, essa noite vou te roubar para mim — ele disse de imediato — O Pub do Dionísio nos espera.
– Eu só vou agradecer e se não quiser saber com você, não vou — afastei ele e comecei a caminhar até o Will, mas outra pessoa apareceu no meu caminho antes que pudesse olhar para o meu "treinador.
– Hei, parabéns pelo troféu — Justin me puxou para um abraço apertado. Me assustei, mas retribui, sabendo que era nessas horas que o Percy lutava contra...
Fale com o autor