Unconditionally
26 Catch Me
I can't set my hopes too high. 'Cause every hello ends with a goodbye. But you're so hypnotizing.
Me sentei na cama, passei os dedos pelo meu cabelo e encarei o lado de fora da janela da sacada. A lua cheia estava bem alta e o céu com uma cor acinzentada, indicando que faltava pouco para amanhecer, a neve caia em flocos pequenos e tranquilamente, indicando a paz da véspera natalina.
Cansada de me revirar na cama por causa de alguns pesadelos, me levantei e calcei minhas pantufas quentinhas, coloquei um casaco bem pesado e desci as escadas com passos leves e silenciosos.
O vento atingiu meu rosto em cheio, fazendo com que aquela fumacinha chata de inverno saísse dos meus lábios quando meu corpo inteiro se arrepiou. Era burrada sair as quatro da manhã.
Fechei os olhos, respirando o ar congelado da madrugada fria e não deixando de pensar sobre o que ocorreu ontem comigo... Percy tinha ciúmes de mim e, a cada vez que eu estava conversando com outro garoto, lutava contra seus demônios para não se descontrolar e fazer um desastre acontecer.
Por que eu não havia reparado nisso antes? Antes de tudo acontecer, antes de cada burrada que cometi.
Cair. Levantar. Recomeçar.
Errar. Aprender. Tentar novamente.
Amar. Perdoar. Compreender.
Coisas tão simples e tão complicadas ao mesmo tempo, como se tudo isso não tivesse algum sentido. Eu não tinha mais essa certeza toda de que iria conseguir amar o Percy... Principalmente amá-lo incondicionalmente! Onde eu estava com a cabeça quando me fiz essa promessa?!
Eu não era capaz de amar alguém, não mesmo! Eu já tinha dificuldade para confiar nos meus "amigos" e quem dirá amar um garoto... Eu era louca.
Louca... A palavra se encaixava tão bem e ao mesmo tempo tão mal. Não era comigo, era com outra pessoa.
Thalia.
Ela era louca, estava hipnotizada pelo Percy, com um amor incondicional que realmente teria dado certo se a burra aqui não tivesse se entrometido.
Remember that night underneath the stars. For a minute I thought the world was ours.
O colar pesou, indicando que não era apenas ela... Era nós duas, um triangulo duvidoso com várias brechas perigosas. Perigo... Thalia era perigosa, capaz de matar para ter o que queria.
– Annie? — me virei para encarar Posêidon. Seus rosto indicava o sono e que ele havia acabado de acordar — O que está fazendo aqui? Vai ficar gripada.
– Já vou entrar, Posêidon — sorri para ele — Noite difícil.
– Por que?
– Pesadelo — murmurei me abraçando — Daqui a pouco eu entro, ar puro me faz relaxar... E pensar.
– Quer conversar? — ele arqueou a sobrancelha, com um sorriso terno. Será que se eu contasse meus medos para ele, ele entenderia?
Pode ser que sim, pode ser que não. Era complicado, mas só havia uma forma de descobrir, então concordei e indiquei com a cabeça o sofá da sala, ele concordou e me deixou entrar, fechando a porta em seguida.
Me sentei e abracei as minhas pernas, de maneira apertada e desconfortável, mas me aquecendo com o meu próprio calor. Ele se sentou a minha frente e me encarou, esperando que eu começasse.
– Eu tenho medo de me... De não me apaixonar pelo Percy — meus olhos no mesmo momento lacrimejaram e meu corpo se arrepiou — Eu sinto que a única maneira de ensiná-lo a amar é amando ele, por que assim eu sinto que saberei por onde começar e as lacunas que devo preencher.
Ele franziu o cenho e eu entendia o porque. A maioria dos adolescentes evitam de apaixonar e é ai que eles acabam se apaixonando, foda, por que quando se quer amar, você não consegue.
– Tem medo de não se apaixonar? — concordei e ele arregalou os olhos — Não é medo dele?
Mordi meu lábio já bem rachado, sentindo que se precionasse um pouco mais ele seria cortado. Mas é, Posêidon talvez tivesse razão.
– Dos demônios dele — concordei com a cabeça — E medo da Thalia... Ela fez isso comigo a alguns meses atrás.
Mostrei a ele minha cicatriz no quadril, seus olhos se arregalaram e assumiram o mesmo tom de verde do Percy, quando estava preocupado, um verde musgo intenso.
– Há alguns anos atrás Thalia teve alguns "Apagões"...
– Oi?
– Ela fazia coisas sem saber... Como se estivesse em um transe, normalmente, quando acordava deles, não entendia nada ao seu redor — Posêidon continuou a explicar — Como se fosse sonambula, mas na verdade é a mente dela a obrigando a fazer coisas sem que ela saiba. Ela conversa com você, come normalmente e faz tudo normalmente, porém quando acorda desse transe não se lembra de nada disso.
Arregalei meus olhos, me lembrando de quando Percy me contou que Thalia havia se feito de desentendida quando ele perguntou o porque das chicotadas, depois quando ela me agrediu na escola, logo depois que terminei com Percy, a mesma coisas aconteceu. Então, sempre que algo acontece e a Thalia não sabe, é por causa do transe.
– Como se sabe quando ela está em transe ou não?
– É complicado, normalmente é o comportamento estranho ou agressivo, mas a Thalia é sempre estranha e agressiva — ele responde se inclinando para frente e apoiando os cotovelos nos joelhos — Talvez isso explique o motivo pelo qual ela deixou a cicatriz em você... Mas também pode ter sido por raiva ou vingança, já que ela é maluca pelo meu filho.
– E Tritão? O que sabe sobre ele?
– Ele tinha transtornos mentais na adolescência, por causa de ter presenciado um assassinato na escola — ele respondeu se interessando pelo assunto — Mas qualquer resquício de que isso estava continuando foi negado pelos médicos.
Encarei o teto, me lembrando da Leslie... Mas ela não era paranoica, ela era louca de amor pelo Nico e queria me castigar pois fui eu quem apresentou a Lana a ele.
– Posêidon... Eu vou dormir — falei assustada o suficiente para não fechar mais meus olhos. Caminhei até a cozinha para pegar um copo d'água e gritei ao ver o corpo dele ali, ensanguentado e mórbido.
O copo escapou da minha mão e se quebrou em mil pedaços no chão. Posêidon veio correndo ver o que havia acontecido comigo e eu só consegui levantar meu dedo e apontar para o lado de fora da janela, onde, coberto de neve e sangue o corpo de Tritão se encontrava largado encostado a parede da casa de Posêidon.
Ele arregalou os olhos e me encarou, depois encarou o filho morto e começou a procurar o telefone, acho eu, mas estava atordoado o suficiente para não encontrá-lo.
Apenas um pensamento percorreu a minha mente quando olhei novamente para o copo quebrado e depois para os olhos verdes de Tritão, sem foco e sem vida.
Percy.
Meu corpo raciocinou antes da minha mente e quando dei por mim já batia loucamente na porta do quarto de Percy. Sem saber aonde consegui a chave para abrir a casa e como eu conseguir atravessar o jardim para chegar lá.
Quando seus olhos verdes e sonolentos me encararam, eu pulei no seu pescoço e afundei meu rosto ali, inalando profundamente seu cheiro de maresia misturado com o perfume.
– Annie... — ele resmungou me apertando mais, porém eu me soltei, olhando bem para o seu rosto e para o seu corpo, procurando alguma mancha de sangue ou qualquer coisa que indicasse machucado. Nada — O que foi?
– Só me abraça apertado e promete nunca me deixar — pedi abraçando ele novamente. Ele me abraçou também, me puxando para dentro do quarto e depois me soltando — Promete?!
– Prometo, eu sempre vou estar aqui — ele acariciou meu rosto, limpando as lágrimas de desespero — O que aconteceu? Por que está acordada?
– Tritão...
– O que tem o Tritão? — ele revirou os olhos, escurecidos pelos seus demônios.
– Ele morreu — engoli em seco.
❤
Tudo estava confuso, presa em meu quarto com dois policiais me fazendo perguntas a quase duas horas era patético. Tudo baseado em quando foi a última vez que vi Tritão com vida, ou quando foi a última falei com ele ou se eu fazia alguma ideia de quem poderia ter feito isso com ele.
Eu respondi todas, mas não parecia ser o suficiente para eles, eles sempre queriam mais e mais. Eu só queria saber se o Percy estava bem também.
– O que fazia acordada as quatro da manhã, Srta. Chase?
– Já respondi! Eu tive um pesadelo e desci até o lado de fora para respirar melhor, Posêidon chegou e me perguntou se estava tudo bem, eu respondi que não estava conseguindo dormir e que ar puro era bom para me acalmar e para me fazer pensar melhor... Ele perguntou se eu queria conversar e eu concordei, então entramos e começamos a conversar.
– Sobre o que conversaram?
– Sobre demônios, sobre meu ex-namorado, sobre a prima dele e sobre o Tritão, eu perguntei se ele tinha algum problema mental.
– Por que?
– Por curiosidade! Ele era bem estranho — murmurei, não querendo contar a verdade para eles.
– E depois?
– Decidi voltar para a cama, então fui até a cozinha pegar um copo da água e vi o corpo do outro lado...
– Quem quebrou o copo?
– Eu mesma, ele escorregou da minha mão e caiu no chão — suspirei.
– Como foi parar na casa ao lado? Que era habitada pela vítima.
– O irmão dele é meu ex-namorado, fiquei preocupada com ele e fui ver se ele estava bem.
Ambos arquearam as sobrancelhas, surpresos pelo meu gesto nada exemplar de ir atrás do meu ex-namorado depois que descobrir a morte do seu irmão mais velho. Que culpa eu tenho se odeio Tritão?
– Você não é a garota quer ganhou a Liga Juvenil de Tênis? — um dos policiais perguntou. Concordei com a cabeça — Não foi ela, estava jogando na hora do assassinato.
– Assassinato? — indaguei.
– Sim, tudo corresponde a um assassinato — Carl, o policial da pergunta sobre o tênis falou — Obrigada por responder e colaborar com a investigação, Srta. Chase.
– Por nada — dei de ombros, aliviada.
Terminei de amarrar meus cadarços do tênis enquanto eles saiam e finalmente segui o meu caminho até o andar de baixo, evitando olhar na direção da cozinha, para não lembrar do corpo morto de Tritão.
Eu havia encontrado ele, depois de perguntar sobre seus monstros e fantasmas para Posêidon...
– Annie, está tudo bem? — a voz de Percy me fez dar um pulo, por conta do susto, mas eu concordei me virando para encará-lo. Ele pousou a mão na minha bochecha e acariciou com o dedo a mesma — Assustada?
– Nunca havia visto um cadáver — mordi meu lábio. Ele sorriu e me puxou mais para perto, usando sua outra mão para acariciar minha cintura — A promessa...
– Não foi da boca para fora — ele me abraçou, apoiando o queixo na minha cabeça e acariciando meus fios — Não vou te deixar, Annie, nem que você peça.
Sorri, acho que era isso que eu queria ouvir dele, que ele não iria me deixar nem mesmo se eu pedisse. Agora a dúvida surgia, ele estava falando isso por que me amava ou por que ele me via como uma irmã?
Tinha medo de perguntar, mas não tinha medo de desafiar o moreno, já havia feito isso uma vez, mais uma não iria fazer diferença para ele, se ele realmente me amava ou se ele estava disposto a me amar.
– Prove então... Prove que não vai me deixar — encarei ele, ficando na ponta dos pés para ter uma melhor visão dos seus olhos. Os olhos são espelhos da alma, mas também são traidores das emoções.
– Como posso te provar? — ele arqueou as sobrancelhas, me desafiando com o olhar.
Sorri, inclinando a minha cabeça para o lado e ficando na ponta dos pés novamente para sussurrar em seu ouvido.
– Me conquistando — mordi seu lóbulo e sai do seus braços, sorrindo vitoriosa.
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