Some say I'll be better without you. But they don't know you like I do. Or a least the sides I thought knew. I can't bear this time.

Cruzei meus braços, vendo a terra cair sobre o caixão de Tritão. Nenhuma lágrima, nenhum sorriso, nenhuma emoção tomava conta de mim, eu apenas queria sair do cemitério o mais rápido possível e esquecer que um dia eu pensei que ele poderia se casar com a Thalia.

Talvez deixá-lo no mundo dos mortos deveria ser o certo desde o início.

Encarei Percy então, vendo que ele estava tão entediado quanto eu, o que já era de se esperar, afinal, tanto eu quanto ele não gostávamos nem um pouquinho do Tritão.

Senti olhos queimando sobre mim no mesmo segundo em que Percy deu um sorriso discreto e então procurei quem era, então me assustei, pois não era apenas a Thalia que me fuzilava com aqueles olhos congelantes, mas também a Leslie com seus olhos azuis sombrios e Serena, com seus olhos tão escuros quanto a noite.

Quando foi que eu fiz tantos inimigos, afinal?

– Lana... É impressão minha ou as três estão me olhando como se fossem me matar? — murmurei no ouvido da ruiva — Só que olha discretamente!

Ela me encarou e desviou os olhos para as Meninas Super Poderosas, depois voltou a me encarar e soltou um suspiro entediado. Ninguém queria estar aqui, ninguém gostava do Tritão.

– Não, não é impressão sua — disse então voltou a prestar atenção na terra cobrindo o caixão. Bufei e encarei a minha mãe, suplicando com o olhar para que ela me encarasse e entendesse que eu estava entediada, não aconteceu.

Olhei em volta e decidi que não faria a menor falta naquele posso de falsidade, então me virei e sai andando em direção a saída do cemitério, iria esperar a minha mãe no lado de fora, quem sabe no Starbucks que tinha no final da avenida ou até mesmo pegava um táxi para casa.

Nunca gostei do cemitério, ele mostrava o lado negativo da vida, mostrava aonde você estaria após sua morte. Seria adorada e idolatrada no início, após algum tempo, seria esquecida.

– Hm... Garota? — levantei minha cabeça para encarar a dona da voz. Seus fios eram negros, assim como os seus olhos e a sua pele era bem bronzeada, deixando claro que ela não era de Nova Iorque — O enterro do Tritão Olympus já acabou?

– Não — revirei meus olhos — Mas é só seguir reto e virar a segunda a esquerda, é impossível não reconhecer o posso de falsidade que está aquele lugar — disse passando por ela e voltando a minha trajetória para o Starbucks.

Seu rosto não me era estranho, pelo contrário, eu tinha a impressão de tê-la visto em algum lugar... Vídeo, fotografia, reportagem...

Encarei ela e percebi que ela me encarava, com o cenho franzido e os olhos castanhos intensos cerrados. Arqueei a sobrancelha para ela, incrédula.

– Como se chama?

– Annabeth Chase — cruzei meus braços, vendo por cima do ombro dela Lana se aproximar com Nico — E você?

– Não importa — ela deu de ombros, virou as costas e saiu andando como se nada estivesse acontecido. Louca.

Mordi meu lábio, encarando as costas da morena misteriosa e depois desviando meu olhar, dando conta de que o Nico e a Lana também encaravam a mulher. De onde mesmo eu conhecia ela? Aonde eu havia visto essa mulher?

Mordi meu lábio, sentindo um arrepio na espinha. Havia algo de errado nessa mulher, algo não parecia certo nela. Algo no seu olhar, no seu jeito ou até mesmo no seu modo de falar me lembrava alguém.

– Nico...?

– Vamos embora — Lana agarrou meu braço e começou a me puxar para fora do cemitério. Se ela não fosse à minha amiga, diria que ela estava me sequestrando e gritar seria uma boa, mas a ruiva não era capaz de fazer isso... Muito menos Nico.

– Minha mãe vai ficar preocupada...

– Vamos para o condomínio — Nico respondeu destravando o carro. Posso ser sincera? Ele e a Lana estavam escondendo algo.

Não estava nevando, ou chovendo, apenas o vento gélido pós natalino... Foi um exigência de Réia, não queria cancelar toda a ceia por causa do assassinato e, na minha opinião, isso era ser muito sangue frio em relação a memória de Tritão, mas por outro lado havia a polícia, que ainda não havia liberado o corpo.

O assassino de Tritão ainda estava solto e, talvez fosse apenas um detalhe que eu sabia que passaria em branco, ele continuaria. Assim como à mãe, como Sally ou qualquer outra pessoa que se envolveu com os Olympus.

Será que era de família? Será que todos eles estavam destinados a perder aqueles que amam ou adoram?

Mas ninguém amava ou adorava Tritão... Então quem iria querer ele morto? Será que alguém achava ele uma pedra no sapato, como eu acho?

Nico não iria me falar, caso soubesse. Lana era mais impossível ainda, ela era a favor de proteção, se isso fosse necessário. Silena não devia saber de nada, a última vez que conversamos ela disse que estava com problemas em casa, parecia que o Pai e a Violet estavam se separando. Percy estava confuso demais naquela noite em que falei do assassinato, em que invadi a casa dele desesperada pensando na possibilidade de quem matou Tritão também ter machucado ou feito algo pior com o Percy... Thalia estava com os pais na hora do assassinato de Tritão, mas eu pensava na possibilidade dela ter mandado alguém matá-lo, para não ter que sujar as mãos. Não restava ninguém quem eu me lembrasse! Eu tinha medo, eu estava com medo...

O inverno desse ano estava sendo como uma temporada de medo para mim. Demônios, fantasmas, loucos(as), ciumentos, possessivos. Chicoteadas, espancamentos e assassinatos... O que viria agora? Sei lá, ressurreição? Macumba?

Desci do carro assim que ouvi a porta bater, vendo a confusão que estava em frente a casa de Afrodite... Nunca havia visto ela, muito menos a filha dela, mas todos dizem que ela é perfeitamente linda, que nem a deusa.

– O que está acontecendo?

– Afrodite é a mãe da Silena — Lana disse cruzando os braços — Por isso o pai dela terminou o noivado com a Violet, ela ficava jogando na cara da Silena que a mãe dela estava tão perto e mesmo assim não ligava para ela, por que ela era uma ridícula que se acha bonita.

Fiquei preocupada com Silena, ela não aceitava as coisas tão facilmente, ela tinha alguns problemas com mudanças radicais na sua vida. Conhecer a mãe, saber que ela esteve tão perto de você nos últimos três meses, saber que ela esteve perto da sua melhor amiga nos últimos seis meses, deve tê-la deixado confusa e assustada.

Me aproximei de Silena, vendo seu pai conversar com Afrodite calmamente e vendo uma garota sentada no dregau da escada da casa, com os olhos entediados e a pena em uma das suas tranças desfiadas.

– Si... — toquei seu ombro, assustando-a com o toque inesperado. Meio segundo depois ela estava me abraçando apertado e eu retribuia o seu gesto, sabendo que o estado dela era pior do que eu imaginava.

Seus braços finos me apertavam cada vez mais, afrouxando toda vez que um soluço baixo escapava dos seus lábios. Acariciei seus fios escuros, querendo roubar a sua dor para mim, sempre foi doloroso ver a Silena — uma garota alegre e cheia de vida — chorar tanto que era capaz de perder o ar.

Seu pai e Afrodite se aproximaram ao ver o estado da Silena, mais eu a puxei para trás, olhando de modo acusador para os dois. Soltei um pouco a Silena e a fiz me encarar, limpando suas lágrimas com os meus dedos.

– O que acha de ir lá para casa? A Lana, você e eu vamos fazer brigadeiro e assistir qualquer filme de romance que você quiser! — sorri para ela e olhei para a Lana, fazendo ela concordar rapidamente. Silena soluçou novamente, mas balançou a cabeça, concordando.

Minha mãe estava saindo do carro quando cheguei a porta de casa e ao ver o estado de Silena me encarou esperando uma resposta, indiquei com a cabeça a casa de Afrodite e sorri fraco para Posêidon.

Silena desabou de chorar enquanto Lana fazia o brigadeiro e eu preparava um copo de água com açúcar para ela. Toda aquela determinação que ela tinha para encontrar a mãe havia desaparecido e no seu lugar apareceu a dor do abandono.

Eu não devia ter deixado ela ir tão longe com isso, sempre soube que a consequência seria essa.

– Bebe isso, Si. — ela pegou o copo com a mão tremula e levou aos lábios, ainda deixando as lágrimas barrarem a sua maquiagem enquanto ela bebia. Quando depositou o copo em cima do mármore, já tremia menos — Não devia ter deixado isso ir tão longe...

– Não foi culpa sua... Eu criei esperanças, eu corri atrás e não me preparei para algo assim — ela disse respirando e expirando, tentando se acalmar — O que doeu mais foi ouvir isso da boca da biscate da Violet, ouvir ela esfregar na minha cara tudo aquilo.

– Silena, talvez você devesse ignorar a Afrodite a partir de agora, como ela te ignorou por todos esses anos — Lana respondeu virando o rosto — Devia investir no Charles, nos seus estudos e nos seus croquis.

– Croquis? Por que a Lana sabe de croquis e eu não?

– Você só tem olhos para o Percy e quando não está com ele está com o Justin e quando não está com o Justin está treinando com o Will — Lana respondeu e Silena concordou, limpando as lágrimas teimosas — Ou seja: você prefere a presença de um homem a das suas melhores amigas.

– Ai! Isso dói sabia? É lógico que prefiro a presença de vocês a do Percy, ou a do Justin ou a do Will — exclamei — Não posso brigar com eles por me fazerem de boneca.

– Não te fazemos de boneca, você não deixa — Silena disse me encarando — Annie, você prefere um pênis à suas amigas.

Eu e a Lana ficamos com os olhos arregalados ao ouvir isso da boca da Silena, normalmente ela não falava dessas coisas, era correta e educada demais pada isso, até a Lana sabia disso.

– Tudo bem, a partir de agora vou querer vocês a um pênis, então — ri, sendo acompanhada pelas duas — Até porque o Percy está indo muito mal no desafio de me conquistar... Deixarei me fazerem de boneca, modelo ou escrava da moda

Notas finais
Ai meus deuses, um mês para o fim de Unconditionally! Vamos chorar comigo!!! Então, eu estou aceitando recomendações viu... E que tal 500 comentários???? Gente eu estou com cólica, muita cólica, então não vou escrever nada muito longo viu? Beijos e até quinta ou sexta ♥