I lost myself in fear of losing you. I wish I didn't do... But I did.

Um sorriso tomou meus lábios quando vi a figura do Drácula se aproximar de mim, alguma coisa estava errada na face dele, seus olhos variam toda a extensão da festa a procura de uma fada, mas ele não a encontrava.

– Desculpe te decepcionar, caro Drácula, mas ela foi consumida pelas trevas — ele me encarou pasmo por um segundo, depois acabou rindo junto a mim — Na verdade, nem pense em me perguntar se eu sei aonde aquela fadinha esta, por que nem do meu namorado eu sei.

– Eu sei disso, Percy saiu — disse me estendendo um copo vermelho. Peguei e agradeci com um sorriso — Ou melhor, ele ainda nem chegou.

Não respondi, sabia muito bem disso. Nico e eu mal tínhamos contato com ele agora, Nico o via na faculdade e eu o via na hora de dormir, porém era por tão pouco tempo devido ao cansaço extremo de ambos. Ele por causa dos trabalhos da faculdade e por causa da empresa. Eu por causa da escola e por causa dos treinos dobrados de tênis, com o campeonato nacional chegando, meu treinador não queria dar mole.

– O que acha de uma dança? Não vamos passar o Halloween procurando nossos pares não é? — arqueei a sobrancelha. Nico pareceu pensar na proposta e acabou me puxando para o centro da pista de dança — Sabia que não.

– Você é bem convencida sabia? — ele disse no momento em que a música remixada mudou para algo com um ritmo diferente. Levei meio minuto para descobrir que se tratava do ritmo da lambada, a dança proibida — Posso te fazer uma pergunta?

Nico havia me puxado para mais perto e, para ser sincera, ele era ótimo com a lambada, eu acompanhei seu ritmo, sabendo que isso era proibido. Mas estávamos em uma festa, na casa do Apolo e fora dos ouvidos de Hera, já que toda a casa era aprova de som.

– Sim — ele girou meu corpo e depois me puxou para perto novamente. A dança era quente e exitante, por isso era proibida. Seus movimentos eram sensuais e abusivos.

– Realmente ama o Percy?

Parei para pensar um minuto, ele jogou meu corpo para trás e, antes que eu pudesse respirar, já estava novamente com o rosto próximo ao de Nico. Ofegante e assustada com o movimento rápido.

– Não — admiti. Ele não pareceu ficar surpreso.

– Então por que falou o contrário para ele?

– Eu estava apavorada... Ele havia dito tudo o que ele havia feito para me encontrar e eu não sabia o que falar, eu pensei que naquele momento dizer "Eu te amo" não seria mal, mas eu me arrependi logo em seguida — falei olhando para tudo, menos para os olhos de Nico — Eu sei que estou iludindo ele, não precisa dizer isso.

– Não ia — ele deu um sorriso, me virando de costas e me puxando em seguida para o seu corpo, fazendo minhas costas ficarem coladas ao seu peito. Ri daquilo e reparei que algumas meninas rebolavam para seus parceiros, Nico não era meu parceiro, mas repeti o gesto e ele riu. Não estávamos levando isso na malícia, eramos apenas dois amigos vendo o lado bom da vida — Percy merece ser iludido, para ver se ele ver o tão quão doloroso é ter o coração partido e ter sido iludido, porque ele faz isso com as garotas imaginando que isso nunca vai acontecer com ele... Percy leva o fato de não acreditar no amor, de transformar tudo o que ama em cinzas a sério demais. É por isso que ele não permite que você quebre as muralhas... O quanto ele sabe de você? O quanto você sabe dele? Tenho certeza que nada, a não ser a história contada da boca de outras pessoas, sendo que a mesma tem versões diferentes.

A música havia acabado e começado algo com o ritmo do tango. A nossa conversa não havia acabado, por isso ele continuou a me conduzir no ritmo do tango. Ártemis se divertia mais do que ninguém quando o assunto era a playlist das festas, Apolo deveria estar maluco com isso.

– O quer que eu faça? Continue dizendo que o amo? — arqueei a sobrancelha. Ele suspirou e me puxou para o canto da sala.

– Annie, eu quero que faça o que você achar certo — ele acariciou a minha bochecha — Você é a garota mais legal que eu já conheci e que eu não quis transar, você é a única garota que eu consigo confiar e tudo mais... Não quero que se magoe, ainda mais com o Percy, não por que ele é meu primo, mas por que eu sei sua capacidade de ser frio e sem coração.

Me lembrei do que o Percy fez com Nico, das facadas nas suas costas por causa de uma garota que o havia traído. Será que Percy seria capaz de matar por causa dos seus demônios?

– Eu não sei o que eu acho certo — disse, mas para mim do que para ele — Nico, eu quero acabar com os demônios dele, quero que ele seja normal... Que ele ame e seja amado! Mas ele não colabora com nada, ele continua com as mesmas atitudes e não me deixa amá-lo... Eu estou fazendo tudo isso, mas depois do que a Silena me falou eu parei para pensar e cheguei a uma conclusão: Eu aceitei tudo muito fácil, eu estou fazendo tudo muito rápido e não estou dando tempo ao tempo. Mas se eu terminar com o Percy, a chance dele se casar com a Thalia só aumenta. Mas se eu continuar com ele vou acabar me machucando ou machucando alguém.

Encarei o teto alto. As luzes negras deixavam o lustre com cores diferentes, a cada trinta segundos uma cor nova passava sobre ele e fazia os cristais espalharem elas por toda a sala não mobiliada.

Não iria chorar. Eu passei duas semanas pensando nisso, duas semanas refletindo sobre as consequências dos meus atos e palavras.

Toda ação tinha uma reação. As minhas ações iriam gerar reações de Percy, provavelmente o deixando atordoado e multiplicando o número dos seus demônios... Multiplicando.

– Nico, já parou para pensar que os demônios de Percy aumentam a cada decepção que ele passa? Como se eles se multiplicassem cada vez que ele é machucado, magoado ou decepcionado? — perguntei surpresa com a minha possível descoberta.

– Será? — ele arqueou a sobrancelha. Refletiu sobre as minhas palavras por alguns segundos e logo seu rosto se iluminou, mas não durou meio minuto — Se for isso, teremos que parar de magoá-lo? Desculpe, Annabeth, mas isso não é possível.

– Eu sei que não é! Ele sempre terá decepções e sempre irá sofrer por algum motivo, mas eu quero que ele aprenda a lidar com isso... Como se seu controle contra os demônios fossem a sua cura, ele não pode simplesmente explodir a cada decepção ou a cada vez que alguém provocar ele.

– Você é genial! — ele me abraçou. Ele queria o bem do Percy, eu também queria o bem dele e o bem das outras pessoas, era muito simples para que o Percy explodisse como uma bomba nuclear.

Nico era um bom amigo. Eu não sentia vergonha de chamá-lo assim, ele me ajudou com Tritão, ele também me salvou do sequestro fracassado e ele me levou ao hospital quando Percy me agrediu na festa de Rachel. Eu tinha medo de que Percy o machucasse de novo, não iria aguentar, ele era meu melhor amigo, era o irmão que eu nunca tive. Apesar de Percy ser meu namorado e eu ter a impressão de que tenho sentimentos fortes por ele, seria capaz de terminar com ele por machucar ao Nico, ou a Lana e até mesmo a Silena.

Eles eu conhecia verdadeiramente, Percy não, eu conhecia sua face e o seu corpo, não sua história e seu verdadeiro eu.

Afundei meu rosto no pescoço de Nico, sentindo seu cheiro forte misturado com o perfume. Não tive tempo para tentar descobrir, Nico foi arrancado com brutalidade do meu abraço e eu fiquei sem reação por algum tempo, até me dar conta de que Percy havia feito isso e que agora ele estava acabando com o rosto de Nico.

Engoli em seco. Eu não sabia o que fazer, não queria me colocar lá no meio de novo, mas não podia deixar Percy machucar Nico por minha causa, eu havia abraçado ele.

Gritei no momento em que Percy jogou o moreno no chão e começou a chuta-lo, não foi um grito baixo. Meu grito foi estridente, alto e apavorado. Havia gritado por cima da música alta e por incrível que pareça, chamado a atenção de muita gente, menos a de Percy.

Lágrimas caíram nas minhas bochechas quando o olhar de Nico encontrou o meu, ele iria desmaiar, não iria aguentar muito tempo, Percy era maior que ele e estava dominado por seus demônios. Quando isso acontecia, ele parecia se transformar em um monstro, em outra pessoa.

Charles e o Chris apareceram e puxaram o Percy para longe do Nico. Eu podia correr para ele, mas encontrei Lana no outro lado e vi Thalia me encarar esperando um movimento meu, esperando que eu corresse até Percy.

Olhei para ele, com a visão embaçada e com a maldita vontade de esmaga-lo, mas eu tinha raiva de mim mesma. Aonde eu estava com a cabeça? Nunca seria capaz de amar o Percy, não com ele sendo assim... Eu tenho sentimentos fortes por ele, mas no momento, a distância seja o certo.

Chris sussurrou algo no ouvido dele, que fez ele me encarar e por incrível que pareça, seus olhos ficaram claros em questão de segundos, seu olhar passou de raiva para preocupação. Limpei minhas bochechas com as costas da mão e caminhei até a Lana e o Nico, ela ajudava ele a se levantar.

– Quer ajuda? — perguntei, olhando para o rosto pálido de Nico. Boca cortada, bochecha com hematoma e o olho roxo, parecia pouco, mas quando ele se levantou e gemeu de dor, pensei na possibilidade da costela quebrada. Ártemis também percebeu isso e correu até nos, ajudando Lana.

– Annie — Nico me chamou e balançou a cabeça negativamente — Eu vou ficar bem... Mas e você? E se ele fizer isso com você? — sua voz não passava de um sussurrei, então o máximo que fiz foi concordar com a cabeça.

Dei um beijo na sua bochecha boa e dei uma última olhada para o Percy, que assistia tudo sem entender. Respirei fundo e caminhei para a porta, sentindo a brisa fria do outono contra o meu rosto .

Não queria ir para a casa, mas não iria ficar ali, amanhã iria fazer uma visita ao Nico, mas agora eu queria entender a mim mesma. Olhei para os dois lados da rua e ao fim do lado direito vi uma densa quantidade de árvores, nunca havia explorado aquele lado.

Comecei a caminhar para lá, mas não cheguei a dar dois passos. A mão forte de Percy segurou meu braço e me obrigou a parar.

– Me solta — pedi virando meu rosto para encarar ele, mas evitando seus olhos.

– Não! Você você prometeu, você prometeu para mim! — sua voz estava embriagada e eu podia sentir o cheiro do álcool. Ele esteve bebendo antes da festa — Annabeth você prometeu que ia me ensinar a amar!

– Eu não posso te ensinar a amar desse jeito... Não posso ficar com você enquanto seus demônios estiverem ai, enquanto você não colocar um basta neles, enquanto você não aprender a se controlar! — gritei a última parte — Você viu o que fez com o Nico? Pensa que eu não sei das facadas? Viu o que fez com o Luke, com a Rachel e não está vendo o que está fazendo com a Thalia? Percy, ela tentou me matar por sua causa... Enquanto você for mais irresponsável que só pensa no seu próprio ego, enquanto não conseguir dominar os seus demônios, me perdoe, mas não vou conseguir ficar com você.

Encontrei seu olhar. Era verde no cinza e fim, não tinha o por que nem o mas, não existia o "E se" nem a dúvida. Eu não sabia se o amava, mas sabia que me amava o suficiente para não deixar ele me transformar em pólvora. A Silena sempre teve razão, afinal.

– É o fim?

– Talvez não, Percy, mas eu preciso de um tempo para me recuperar... Tudo aconteceu muito rapidamente, foi errado, não dei tempo ao tempo — passei meus braços no seu pescoço — Eu gosto de você, eu quero o seu bem... Porém eu tenho que começar a pensar mais em mim — dei um selinho rápido — Quem sabe um dia, a gente se encontra, e talvez seja tudo diferente.

Não esperei resposta, dei-lhe um último beijo, um beijo carregado e diferente de todos. Dei um pequeno sorriso para ele e comecei a fazer meu caminho para a floresta que havia no fundo do condomínio, não me preocupando com a asa de anjo que se prendia nas minhas costas que, as vezes, me encomodava.

Encarei o céu de estrelas e fiz um pedido secreto a Deus ou a qualquer outro ser divino, deuses; anjos e guardiões. Só queria que alguém deles, ou todos, o aceitassem e tornasse realidade.

Fechei os olhos e respirei fundo. Dando dois passos e tendo a impressão de que estava tudo bagunçado, tudo fora de ordem, tudo embaralhado e de ponta cabeça, como se o mundo tivesse parado de girar.

– Ei, cuidado — uma voz grossa falou próxima ao meu rosto, enquanto suas mãos seguravam meus ombros para que eu não caísse. Encarei o garoto de olhos azuis brilhantes e cristalinos, com cabelos castanhos claros e fantasiado de príncipe encantado — Prazer, me chamo Justin — ele falou de forma sexy.

Notas finais
Primeiramente: Obrigada Nathi pela recomendação, eu adorei, esse capítulo foi para você. Em segundo lugar: Mil perdões pela demora, minha mãe levou o PC para formatar e eu fiquei sem um meio de postar, então caso eu consiga me livrar dos trabalhos e atividades para a nota até quinta, posto outro ainda essa semana... Porém, não é nada concreto. Agatha, eu amor, obrigada por me inspirar nesse capítulo, ele também é para você. Beijos da Petta... Aka Lolla ♥