Unconditionally
15 Just A Kiss
Just a kiss on your lips in the moonlight. Just a touch in the fire burning so bright. And I don't want to mess this thing up. I don't want to push too far
– Hm... Oi? — a voz era doce e calma. Levantei meu olhar do livro e encarei a garota a minha frente, ela me encarava com apreensão e dúvida.
– Olá — dei-lhe um sorriso sincero. Ela tinha os mesmos fios ruivos alaranjado da Rachel, porém seus olhos tinham uma tonalidade castanha escura, como chocolate derretido. Lindos e cintilantes como tal.
– Prazer, sou a Lana — ela se sentou ao meu lado, realmente não se importando com a fina camada de neve que começava a cair — E eu sei que você é a Annabeth, ultimamente a maior inimiga de Thalia Grace — ela fez uma careta de nojo ao falar o nome da morena, que por conhecidencia, queria meu namorado — Acabei de me mudar para cá... Na verdade já morava aqui, porém meus pais precisavam se livrar da filha não tão perfeita assim para cuidar da filha com o futuro prometido nas passarelas da Chanel — ela revirou os olhos.
– Você é irmã da Rachel Dare?
– Infelizmente sim e como eu não sou a perfeição como ela, eles me despacharam para um colégio interno em Vancouver... Ai agora eu fui expulsa — ela jogou as mãos para o alto, me tirando um riso.
– Por que foi expulsa?
– Aqueles babacas me pegaram dando uns amassos no filho da diretora e tudo se ferrou sabe? Ai eu que fui embriagada por aquele canalha que me ferrei — ela bufou e depois me encarou — Homens são todos idiotas, eles aprontam e nos mulheres que nos ferramos no lugar daqueles canalhas com pacto com o diabo!
Revirei meus olhos ainda com o sorriso brincalhão nos lábios, parece que aquela garota apreensiva que me deu um "Oi" a cinco minutos atrás não existe, porém eu gosto dessa que acabou se soltando.
Me levantei e ajeitei o suéter cinza no meu corpo, descendo meus olhos para a meia fina preta e logo depois para as minhas botas sem salto de veludo preto e com sprikes. O comprimento do suéter me fez escutar um monte do Perseu, porém só revirei meus olhos e bufei, eu adorava os suéters da Forever 21.
Lana se levantou também e eu tive uma visão melhor da sua roupa. A saia plissada vermelha com a blusa de cetim rosa bebê e o fino casaquinho quase no mesmo tom da saia, ela usava as famosas meias brancas e o sapato de boneca, o que fazia ela ficar alguns centímetros mais alta do que eu.
– Nunca te vi por aqui... Está desde o início do semestre?
– Sim! Eu já vi você aqui andando com a Blair Waldorf do Goode — ela revirou os olhos novamente e logo em seguida soltou um suspiro — Eu passo a maior parte do tempo na biblioteca... Não sou muito fácil com amizades, não consigo mantê-las.
– Você é super simpática, Lana — dei um sorriso sincero. Ela retribui da mesma forma — Blair Waldorf do Goode?
– Sim! Muitos a chamam de Thalia Grace... Porém sempre odiei aquela garota, ela é muito falsa!
Não respondi, não gostava de julgar as pessoas sem conhecê-las e, definitivamente, eu não conhecia a Thalia Grace, ela não me deu tempo para isso. Porém todo respeito que eu tinha por ela, ou que acreditava ter, se foi quando ela me chamou de puta.
– Então, falou que não é fácil com amizades, mas a sua irmã é uma super modelo dos EUA! Teria pelo menos alguns amigos interesseiros não?
– Eles não sabem que sou irmã dela... Você é a única que sabe além dos professores.
– E o seu sobrenome? — arqueei a sobrancelha encarando ela. Era impossível ninguém saber que a Rachel Elizabeth Dare tinha uma irmã, não tão parecida com ela, porém ainda sua irmã.
– Lana Mary Dare... Muita gente tem o sobrenome "Dare" — ela deu de ombros. Resolvi não ir adiante com isso.
Ao cruzar o estacionamento da Goode pude ver a Marserati preta tão conhecida por mim e encostada nela estava o garoto que eu prometi a mim mesma que iria amar incondicionalmente, e junto a ele estava a "Blair Waldorf do Goode", o Nico e a Serena — que estava a quase um metro e meio do moreno.
Ergui um pouco meu olhar e ele se cruzou com os olhos azuis escuros dele. Pisquei querendo saber se aquilo era uma alucinação, mas o fato dele continuar ali e estar sorrindo sinicamente para mim me fez acordar para a realidade.
– Lana, vem cá — sorri pegando sua mão e a puxando para o pequeno grupo. Ela bufou quando se deu conta de onde estava levando ela.
– Está de brincadeira não é? — ela falou e eu ri, negando e dando um sorriso largo para meu namorado. Luke continuava lá e ainda me encarava com aquele maldito sorriso.
Soltei a mão de Lana e abracei o pescoço de Percy, afundando meu rosto no seu pescoço e inalando seu cheiro de maresia e de perfume masculino forte. Ele passou os braços na minha cintura e deu um beijo na minha cabeça, quando levantei meu rosto ele me deu um beijo casto e profundo nos lábios.
– Oi — dei um sorriso e me afastei um pouco dele. Tentando manter meu olhar nele e no Luke ao mesmo tempo — Gente essa é a Lana!
– Olá — Nico foi o primeiro a dizer, dando um sorriso torto para ela. Seus olhos eram pura luxúria.
– Ela é irmã da Rachel — Thalia falou e as bochechas pálidas da Lana atingiram um tom rosado e ela torceu as mãos. Lana tinha um sério problema com timidez.
– É tão linda quanto a irmã — Percy deu um sorriso amigável, percebendo o desconforto da ruiva — Prazer, Percy.
Eu deveria tentar ter ciúmes disso, porém não consegui, pois eu sabia que ele só estava fazendo isso para ser legal com a garota e por que já havia pegado a irmã dela. Ele não estava sendo falso, porém também não estava sendo totalmente sincero.
Encarei Luke novamente e vi seu movimento simples com a cabeça, indicando para mim segui-lo para algum lugar. Eu não deveria ir, porém a minha curiosidade de saber o que ele queria comigo era maior, as vezez eu odiava ser curiosa, esse era um defeito e tanto para o meu currículo.
– Hm... Aonde tem um Starbucks aqui por perto? Estou com fome — mordi meu lábio, já sabendo a resposta pois já tinha passado por um.
– É só seguir aquela rua e virar a segunda a direita — Lana respondeu se desviando da conversa com Nico e Percy — Vai achar ele facilmente.
– Quer que eu te leve lá?
– Nhá! Não precisa, prometo que não demoro — falei jogando minha mochila dentro do carro e levantando o celular para mostrar a Percy, peguei algumas notas para disfarçar e dei um rápido selinho nele. Depois sai caminhando rapidamente até o Starbucks, sabendo que quando passei pelo Luke, ele me seguiu.
Caminhei em passos rápidos até saber que estava fora da visão de Percy e depois diminuí para tentar ter uma conversa civilizada com Luke, mesmo tendo plena consciência que isso seria praticamente impossível, as chances dele aceitar uma conversa civilizada eram mínimas.
– O que você quer?
– É bom te rever também, Annabeth — por mais que não olhasse par ele, tive a certeza que ele sorriu. Isso era tão dele — Percebo que já achou outra presa.
– Eu não sou um animal para ter presa, Luke. Eu não sou você! — revirei os olhos, entrando no ambiente tranquilo e adorável do Starbucks — O que você quer?
– Senti sua falta, loirinha — ele disse se sentando a minha frente, em uma das mesas mais afastadas do lugar. Como se eu tivesse fazendo algo errado.
Tudo bem que eu tinha mentido para o Percy e para todo o resto do pessoal, porém que não poderia simplesmente dizer: "Eu vou ali me encontrar com ex e já volto, não se preocupem, ele não costuma mê bater em público."
– Problema seu — mordi o lado interior da minha bochecha, me controlando para não rir com desdém — Eu não sinto a sua falta... Para falar a verdade, faz meses que nem penso em você — menti, pois não fazia tanto tempo assim que eu não pensava nele.
– Faz três meses que terminamos.
– Desde o dia que você falou: 'Acabou tudo' eu deixei de pensar em você, não era nada importante na minha vida — revirei os olhos, fazendo pouco descaso com isso.
Seus olhos azuis me analisaram tentando achar um falha em mim, algo que me entregasse. Porém eu estava tranquila, não tinha absolutamente nada a entregar ou esconder dele.
Bufei e analisei o cardápio a minha frente, não queria comer, porém sabia que eles iriam me questionar. Chamei uma garçonete e pedi apenas um chocolate quente e alguns marshmallows, depois encarei Luke novamente.
– Anda logo, estou com pressa.
– Eu quero você, simples e fácil.
Arregalei meus olhos primeiramente, depois soltei uma risada exagerada demais, o que fez os funcionários, os clientes e Luke me encararem com desaprovação. Cheguei a conclusão de que precisava acabar com isso de uma vez, peguei meu celular que estava repousado no meu colo e mandei uma mensagem para o Percy, pedindo para ele vir me buscar pois não estava afim de sair na neve.
– Me esqueça, Luke — respondi enviando a mensagem — Lembra de quando você gritava comigo até eu chorar? Me fazendo acreditar que era eu que errei? Já chegou ao fim, Luke, entenda isso, assim como eu entendi. Não existe mais nosso conto de fadas lembra? Eu não sou a "princesa" que você sonhou.
Eram essas palavras que ele uso comigo durante nosso relacionamento. Ele falava que nosso relacionamento era um conto de fadas, que eu era a princesa dele e que nós iriamos ficar juntos para sempre. Porém ele achou a pebléia e esqueceu que a princesa era "frágil". Sorte que eu mudei.
– Eu não consigo! Para sempre, lembra?
– O para sempre acaba assim, é só você parar de se importar — dei uma piscadela, no mesmo momento a tela do celular piscou indicando a resposta de Percy. Ele estava vindo — Não vamos voltar...
– Nunca diga nunca.
– Em momento nenhum eu falei isso, era sempre você — suspirei — Vá embora, Luke, esqueça que eu existo e eu farei o mesmo... O que tivemos foi apenas um namorico de adolescência.
– Como se o que você tivesse com aquele playboy não fosse à mesma coisa. Ele vai te trocar na primeira chance que tiver — ele falou se levantando — Saiba que estarei aqui quando ele te trocar... Você ainda vai ser minha novamente, Annabeth.
Mordi meu lábio indecisa, não sabia se falava ou não para ele. Era tentador e uma ótima aposta para ele me esquecer.
– Luke! — chamei elevando meu tom de voz para ele escutar. O loiro se virou e me encarou — Eu o amo... E é incondicional.
Ele me encarou com uma careta estranha por quase dois minutos, depois bufou e abriu a porta no mesmo momento em que Percy apareceu nela, soltei um suspiro aliviado quando o moreno fez descaso com o "esbarrar" de Luke nele e caminhou até mim, no mesmo momento meu pedido chegou.
Quando ele se sentou que minha frente me estiquei por cima da mesa e puxei sua gravata — que estava frouxa e fazia parte do uniforme da universidade -, colando meus lábios nos dele. O beijo era tão voraz, que nem me dei conta das duas figuras ao nosso lado.
– Não seria melhor fazer isso entre quatro paredes? Eu conheço um motel ótimo e aposto que a Annie vai amar ele — Nico resmungou se jogando na cadeira. Revirei meus olhos e enfiei um marshmallow na boca.
– O que ele tem? — perguntei minutos depois para Percy, porém olhava para a timidez de Lana.
– Canddece deu um fora nele.
– Ai ele desconta isso em mim! Como se eu fosse culpada — Lana bufou enquanto cruzava os braços. Não pude deixar de rir.
Percy roubou um marshmallow meu e eu lhe encarei incrédula, eu era gulosa e simplesmente odiava que roubassem a minha comida. Apesar de saber que aquilo não era nada para ser chamado de comida.
– Não tem aula de Tenis hoje? — Percy perguntou e eu apenas balancei a cabeça negativamente, pois estava com a boca ocupada.
Luke entrou no Starbucks novamente, com Thalia ao seu lado e eu estranhei. De onde eles se conheciam? Se é que eles se conheciam.
Eu podia estar ficando louca, porém tenho a certeza absoluta de que Thalia me olhou por cima do ombro e me deu uma piscadela com um sorriso maligno estampado em seu rosto, depois encostou uma das mãos no braço musculoso de Luke e apontou para uma mesa vazia.
– Rachel pediu para entregar isso — Percy me chamou para a realidade, com um envelope dourado na mão.
– Se eu fosse você, recusava enquanto pode — Lana avisou e eu dei de ombros, é obvio que ela falaria isso sendo que é da irmã dela.
Peguei o envelope da mão de Percy e o analisei, depois o abri e vi um convite negro com letras douradas e elegantes. Era o aniversário de dezenove dela na próxima sexta e Percy provavelmente pediu para ela me convidar também, já que ele sem duvida era um convidado VIP.
– Eu não vou.
– Ah vai sim — Percy respondeu em menos de um segundo depois — Não aceito seu não e tenho certeza que a Rachel também não.
– A Rachel nem me conhece!
– Sorte a sua e você é esperta por não aceitar, lá só vai ter super-modelos mundiais, aquelas miss idiotas e um monte de gente metida — Lana falou com um sorriso no rosto.
– Cala a boca, Lana! — Percy falou e eu revirei os olhos, deixando uma nota de vinte dólares na mesa e me levantando da cadeira.
– Não vou, entenda isso — dei ombros, passando por Nico e caminhando para fora do estabelecimento, tendo a consciência que eles me seguiam. A neve tinha aumentado.
– Já falei que não aceito não como resposta — ele falou pegando meu cotovelo e me puxando rapidamente até o carro. Nico ria atrás de mim.
– Annabeth, ele vai te levar para aquela festa nem que seja pelos cabelos — Nico falou em meio a uma risada.
– Cala a boca! — rosnei fazendo o moreno cortar a risada — Não pode me obrigar a ir, não é meu dono — tentei soltar meu cotovelo, porém ele é mais forte que eu.
– Por que não quer ir? — ele falou me encarando. Por que ele queria tanto que eu fosse?
– Por que quer tanto que eu vá?
Ele não respondeu, abriu a porta do passageiro e soltou meu cotovelo, a bateu com força depois que eu entrei.
Eu sabia o que era isso, não sabia muito bem, porém sabia o que era. Seus demônios estavam falando mais alto que ele, fazendo ele agir assim, por que provavelmente nunca recebeu um "não" ou por que não aguenta mais receber "não".
– Eu apenas quero que vá — ele falou minutos depois, aparentando estar mais calmo.
– Vou pensar — falei encarando seus olhos escuros pela raiva e por causa dos seus demônios. Malditos demônios.
Me estiquei um pouco e selei nossos lábios, me lembrando da promessa que havia feito a mim mesma e me odiando por não estará fazendo isso direito. Eu ia ensiná-lo a amar e eu ia amá-lo incondicionalmente, custe o que custar.
– Eu... Me...
– Shi — pedi encostando nossas testas, dei-lhe um selinho e me ajeitei no banco de couro. Não devia ser tão difícil assim aprender a amar.
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