Unconditionally
16 Bad Day
And that moment was so hard for me to breathe. 'Cause you took away the biggest part of me. Life is so unpredictable
– Annabeth, você pode fazer o favor de se vestir logo? Ou então eu vou te foder aqui mesmo! — Percy falou pela milésima vez, revirei meus olhos e encarei os utensílios pratas a minha frente. Formal chique... Eu não sabia se conseguiria ser formal chique em uma festa do porte do da Rachel.
Me levantei da cadeira tão confortável da minha adorável penteadeira e caminhei pelo closet, procurando algo formal e chique para vestir. Segundo a adorável Lana, aquela festa estaria rodeada de modelos com as últimas peças da alta costura francesa. Não seria eu a fazer vergonha para o Percy, que tinha se dado o trabalho de tentar organizar os fios negros.
– Olha eu adorei essa lingerie branca com renda azul e essas pedrinhas brilhantes, são lindas e caem muito bem em você, porém seria uma dó eu ser obrigado a rasgá-la!
– Não vai rasgar meu Victória Secrets — disse finalmente achando o que queria. Eu me lembrava que a minha mãe tinha mandado fazê-lo exclusivamente para mim usá-lo na minha festa de dezessete anos, que acabou não ocorrendo já que minha mãe estava ocupada demais com a mudança e eu ainda tentava superar os primeiros meses do meu término com Luke.
Eu esperava que ele ainda me servisse, não havia passado tanto tempo assim desde o meu aniversário e eu tinha absoluta certeza de que não havia engordado ou emagrecido desde tal.
– Me ajuda aqui — pedi olhando para o espelho maior do closet. Percy caminhou em passos largos e fechou o zíper discreto do vestido, que ainda servia perfeitamente.
Ele era todo branco com brilho dourado e prata até a metade da minha coxa, depois o glitter começava a se espalhar pelo seu comprimento e revelava o branco quase transparente da saia. Optei por saltos brancos, com a famosa sola vermelha.
– Está linda, Annie — sorri em resposta, abrindo uma gaveta alta e pegando as joias que combinavam com o resto do look.
Optei deixar meus fios dourados soltos e Leslie já havia feito uma maquiagem "simples", destacando meus olhos com a sombra preta e com um pouco de glitter espelhado pelas pálpebras e deixando minhas íris cinzentas destacadas. Meus lábios estavam marcados pelo batom vermelho escarlate fosco.
– Eu acho que vou me trocar — mordi a parte de dentro dos meus lábios. Percy bufou — O que?
– Por que quer se trocar?
– Estou me sentindo aqueles pisca-pisca de árvore de Natal — suspirei encarando o meu reflexo e encarando seus olhos.
– Você está linda! Agora podemos ir?
– Não sei... Não está brilhante demais?
– Não, Annie, não está.
Controlei minha vontade de morder o meu lábio e pequei minha bolsa/carteira com tudo que precisava ali dentro, a ideia de usar esse vestido foi da Leslie e eu estava em dúvida entre ele e um preto com transparência muito foda, tanto que obriguei ela a fazer uma maquiagem que desse para usar com qualquer um dos dois.
Leslie estava jogada no sofá gigante da minha casa com o celular na cara e mascando de forma nojenta um chiclete, as vezes não a considerava como um membro da família, tinha certas dúvidas se ela era ou não adotada.
– Estou indo, Leslie. Nada de festas aqui — falei e a morena soltou um muxoxo desanimado. Revirei meus olhos e decidi me colocar logo para fora de casa, antes que o moreno ao meu lado começasse a se estressar.
O silêncio no carro era confortável, nenhum de nós dois realmente se importou em comentar algo, eu não me importei de contar a má notícia que a minha mãe havia me dado mais cedo.
Graças a Deus — ou a qualquer ser divino -, o local da festa não era tão longe do condomínio, na verdade, ambos ficavam no Upper East Side.
– Eu ainda acho que deveria ter ficado em casa com a Leslie — resmunguei e corrigi minha frase mentalmente. Eu devia ficar em casa fazendo as malas.
– Tarde demais — ele sorriu de maneira sarcástica, um sorriso que eu não via a semanas. Revirei meus olhos e encarei o local da festa, com direito a tapete vermelho, fotógrafos de várias revistas e a holofotes.
Eu reconheci algumas modelos que caminhavam pelo tapete vermelho em direção a entrada, muitas estavam acompanhadas de outros modelos incrivelmente lindos. Não duvidava nada que a Rachel já não tinha ficado com algum deles.
A porta do carro foi aberta e eu controlei a vontade de soltar um muxoxo quando os flashes se viraram para mim, me cegando por alguns minutos e se não fosse Percy me guiando até o centro do tapete, eu teria caído.
– Ela precisa de tudo isso mesmo? — murmurei tentando dar o melhor sorriso falso da minha vida para o fotógrafo, melhor, para os fotógrafos. Eram tantas câmeras que eu estava ficando perdida, tentando descobrir qual encarar.
– É a noite dela não?
– Eu devia ter ficado em casa — conclui pegando com cuidado a saia do meu vestido e a levantando um pouco para não cair ou pisar nela.
– Não, não devia — ele falou no mesmo momento que a grossa porta foi aberta para a nossa entrada. Apenas uma palavra sobre a decoração: Indescritível.
As paredes eram escuras e por três delas apareciam a cada minuto a foto de um lugar famoso do mundo, no momento em que entrei aparecia a Torrei Eiffel toda cor de rosa. Os vários lustres de cristais atingiam um tom aroxeado por causa das luzes negras e a quantidade de gente espalhada era grande e a maioria tinha mais que um metro e setenta, se equilibrando perfeitamente no salto vinte.
Pétalas de rosas azuis cobriam todo o carpete e no andar de cima o DJ tentava animar a festa, porém festas com pessoas egocêntricas e famosas costumam ser chatas e paradas.
– Percy! — eu me lembrava de conhecer a voz de algum lugar, porém só quando a dona dela se colocou a minha frente que eu reconheci. Rachel abraçou Percy, que retribuiu tirando os pés da ruiva do chão — Oh! Você deve ser a Annabeth, saiba que o Percy fala muito de você.
– Fala? — arqueei minha sobrancelha para ele, sentindo o abraço apertado de Rachel me sufocar.
– Sim! Por sinal, amei seu vestido, é tão a sua cara! — ela tinha a mania de falar tudo como se fosse uma exclamação, isso a fazia legal.
– O seu também é lindo — sorri com a minha sinceridade, ela de fato estava linda.
Seu vestido continha pedras de diamantes até o quadril, depois abria em um saia rosa meio rodada e longa. Seus fios ruivos estavam lisos e a franja presa para trás com apenas alguns fios soltos e uma pequena tiara em forma de coroa. Diferente de mim, ela não usava nada extravagante para deixar os olhos verdes marcados.
– Obrigada — ela ampliou seu sorriso. Sorri de volta.
– Ambas estão lindas — Percy falou recebendo um beijo rápido na bochecha. A única coisa que pude ver da pessoa que o beijou foram seus fios balançando para longe, eram negros com mechas brancas e estavam cacheados.
– Thalia — Rachel revirou os olhos — Acredita que fui obrigada a convidar ela! Sua avó fez chantagem para os meus pais.
– Que horror — resmunguei e Percy pareceu não ligar.
– Tem batom na minha bochecha? — ele perguntou e eu me adiantei para torar a marca roxa, porém acabei piorando a situação.
– Vem, vamos ao toalete — falei dando um sorriso para a Rachel e o puxando para qualquer lugar, passei meu olhar pelo largo salão e achei uma falha que eu deduzi ser o corredor dos toalete. De fato era, minhas deduções raramente falavam — Por que ela tem que passar batom cor de açaí? Não podia ser algo menos ruim de tirar?
– Vermelho é pior não? — ele arqueou a sobrancelha. Revirei meus olhos e joguei o papel no lixo.
– Por que pergunta? Está pensando em ficar com uma marca vermelha na bochecha? — cruzei meus braços. Ele riu e me puxou para perto, colando seus lábios nos meus e passando sua língua no meu lábio inferior, como um pedido que eu neguei — Não vou borrar meu batom no início da festa.
– Porém eu vou.... PUTA QUE PARIU, ANNABETH! — ele gritou curvando seu corpo para frente. Já era o segundo chute que eu dava nas bolas do moreno, tinha que parar com isso.
– Me perdoa! Foi impulso — falei rindo. O moreno se levantou o rosto com um olhar indecifrável, me empurrou para trás e me prensou contra a parede, atacando meus lábios. Correspondi de imediato.
♥
Lana falava algo no qual eu não fazia a mínima questão de ouvir, a única coisa que eu me recordava de prestar atenção era sobre como ela preferia Nova Iorque à Vancouver, depois disso distrai minha mente com o ambiente ao meu redor.
– Você sabe como são organizadas as plantas das casas dos condomínios?
– É que mesma planta para todas as casas, a única coisa que muda é a cor de faixada que infelizmente ou felizmente, realmente não sei, Réia está tentando colocar apenas uma.
– Então todas as casas contém o mesmo padrão por dentro?
– Sim... Porão, térreo, segundo andar e o sótão — ela deu um sorriso. Seus lábios carnudos estavam bem marcados pelo batom rosa — As mesmas quantidades de quartos... Tudo o que contem na sua casa contém nas outras, até mesmo a ordem das portas.
– Entendi — dei-lhe um sorriso largo. Eu precisava daquilo — O que sabe sobre Anfitrite?
– Muito pouco... Ela se casou com Posêidon aos vinte e engravidou seis meses depois, no parto o bebé morreu e ela acabou por falecer dois meses depois — ela soltou um suspiro — Por que?
– Apenas curiosidade — menti, porém meu sorriso saiu mais verdadeiro do que eu esperava que saísse.
– Porém o corpo de Anfitrite nunca foi encontrado, ela caiu do iate que estava com os pais e o culpado é procurado até hoje... Bem, eles fingem procurar não é? Já se passaram anos e isso já é meio que um assunto esquecido.
Abri minha boca para responder, porém um grito no centro do salão chamou e a de Lana e a minha, fazendo ambas corrermos até a roda que os convidados para ver o que acontecia, esquecendo a minha educação ao empurrar todos para chegar ao centro onde dois garotos brigavam. Um garoto era o Percy, isso era óbvio e o outro garoto — o que apanhava mais — era o Luke.
A briga virou, agora o meu ex-namorado tentava socar a cara do meu atual namorado, porém não conseguia e eu sabia que não poderia deixar assim, sabia que aquele não era o Percy, sabia que quem estava batendo no Luke eram os demônios do moreno. Dei um passo à frente para ir até eles, porém um par de mãos seguraram meus braços com força.
– Nem sonhe em se colocar ali no meio, Percy está totalmente fora de si — era Nico. Puxei meus braços novamente, porém o garoto é mais forte do que eu — Ele...
– Não é o Percy ali! — virei um pouco meu rosto, para tentar encará-lo. Ele era muito mais alto do que eu, assim como Percy — Eu tenho que ajudá-lo!
– O máximo que vai conseguir é...
– Ele vai matar o Luke!
– Conhece o loiro?
– Ele é meu ex-namorado — resmunguei baixinho, vendo Percy receber uma cotovelada de Luke nas costelas — Deixa eu ajudá-lo, Nico! Ele é seu amigo e você sabe o que está acontecendo... Olhe para a Rachel, eles estão estragando a festa dela.
– Os guardas irão resolver isso, Annabeth, ficar tranquila — ele falou franzindo o cenho. Segui a sua linha de olhar e de longe, quase invisível na escuridão do salão, Thalia sorria encarando a briga e falando ao telefone. Parecia contente por aquilo estar acontecendo.
Nico ficou tão distraído tentando descobrir por que a Thalia não estava fazendo nada, que nem se deu conta que soltou meus braços e eu aproveitei seu momento lunático para tentar acalmar os malditos demônios.
Luke recebeu dois socos no nariz e tentou socar Percy, mas sua visão provavelmente estava embaçada, pois errou feio o alvo. Todavia, Percy estava mais atento do que nunca, acabando com o loiro e totalmente descontrolado. Me aproximei mais.
– Percy, para! Chega — Luke olhou para mim e sorriu, com a boca cheia de sangue, logo deixou levou outro soco do Percy e foi jogado com força no chão. O moreno parecia não ter me ouvido e Nico havia dado conta que tinha me soltado.
Me aproximei mais e toquei o braço de Percy, vendo o realce das lágrimas de Rachel por causa das luzes negras.
– Percy, pare, sou eu... — ele me olhou e eu tinha que admitir, a escuridão dos seus olhos me apavorou. Ele bufou e deu um chute nas partes baixas de Luke, dando outro seguido nas costelas dele — Percy, você vai matá-lo! — gritei agarrando seu braço, porém o moreno para se livrar de mim, se virou e me lançou para longe. Minha testa bateu na perna da mesa que estava a dois metros da briga deles.
Nico correu até mim e Thalia correu até Percy, empurrando ele pelo ombro para longe de Luke e o fazendo olhar para ela. Nico me ajudou a levantar e eu senti o líquido grosso e meloso descer da minha testa pela minha bochecha.
– Eu te avisei! — ele falou tocando o corte. Gemi por causa da dor — Não pode chegar perto do Percy quando os demônios dele estão descontrolados!
– Ele ia matar o Luke! — gritei tentando enxergar o que estava conhecendo. Nico pegou meu braço e me puxou para o toalete.
Isso só podia ser loucura! Luke volta e o Percy se descontrola, ai a Thalia assiste a luta inteira e só aparece para alguma coisa quando eu estou sendo arrastada para o lado oposto. É loucura.
– Ele sabe quando parar, ele já fez coisa pior do que essa e pode ter certeza, hoje o garoto está em perfeito estado — ele murmurou o final da frase passando pela porta e afrouxando o aperto do meu braço.
– O que foi que ele fez? — arqueei minha sobrancelha, percebendo que ele não me deixaria sair dali. Aproveitei e encarei o sangue que escorria pelo meu rosto, vendo que o corte não estava tão feio assim.
Para quem eu estou mentindo? Eu realmente acho que terei que levar pontos.
– Não importa — ele falou pegando uma das toalhas e a prensando contra o meu corte. Mordi meu lábio para não gemer de dor.
– Não mesmo? — arqueei as sobrancelhas. Sabia detectar mentiras.
Ele me fuzilou por alguns segundos, retribui seu olhar e ele por fim soltou um suspiro. Acho que ele sabia que eu não iria deixar isso de lado, pois não iria mesmo.
– Ele ficou bêbado e descontrolado, uma garota que ele gostava tinha traído ele e eu acho que ele precisava descontar a raiva em alguém — ele começou e pediu para que eu segurasse a toalha contra o corte. Fiz o tal — Então ele pegou uma faca e... — ele tirou o terno e abriu a camisa social branca. Por um momento achei que ele iria me estuprar, porém ele tirou a camiseta e se virou, mostrando as várias cicatrizes das suas costas. Uma... Duas... Quatro... Seis. Seis cicatrizes no total.
– Ele te esfaqueou?
– Sim — ele fez descaso, então vestiu a camisa novamente. Parecia não se importar mais — A gente tinha quinze anos, eu havia ido passar o verão na casa dele e isso aconteceu, os médicos disseram que eu fui sortudo por não receber nenhum corte na coluna.
– Os demônios dele já existiam?
– A muito tempo... Praticamente desde que o padrasto começou a bater nele e na mãe — ele pegou a toalha da minha mão e olhou para o corte, depois molhou a mesma e começou a limpar o sangue que escorria.
– Qual é a verdadeira história dele? — perguntei encarando os olhos negros de Nico. Eram lindos e diferentes.
– Só ele sabe — ele deu um meio sorriso — Não acredite em qualquer boato que te contam.
– Não devo acreditar em você?
Ele riu e depois revirou os olhos, arqueei minha sobrancelha sem entender o por que daquilo. Minhas suspeitas sobre ele ser maluco só aumentaram.
– Deve — ele falou deixando a toalha suja de lado — Vou levar você ao hospital, vai precisar de uns pontos.
– E ele?
– Thalia sabe acalma-lo.
– Não confio nela — murmurei quando ele colocou o terno negros sobre meus ombros.
– Devia, ela o entende melhor que muita gente — disse pegando minha mão e me puxando pelo longo corredor que dava acesso ao salão novamente. Tudo parecia ter voltado ao normal.
Achei melhor não responder. Ela não o entendia, ela o queria para ela de qualquer maneira e a mais rápida era fazer ele brigar com alguém e me machucar, pois sabia que conseguiria controlar seus demônios e fazê-lo se culpar por me machucar. Era tão ela.
Nico não soltou minha mão até eu estar dentro do carro dele, nem me tinha dado a oportunidade de fugir e ir procurar meu namorado, que nesse segundo podia estar com a desmiolada da Thalia em qualquer lugar.
Quando passamos por uma rua deserta pude ver Luke com Serena, eles estavam sérios e conversavam enquanto a garota limpava o rosto dele. Nico pareceu não notar nada disso.
– Acha ele um monstro? — perguntei minutos mais tarde, quando não estávamos mais na Upper East Side. Ele torceu os lábios e negou, me encarando por alguns segundos.
Nico estava certo, Percy não era um monstro, os demônios dele faziam com que ele parecesse um, mas ele em si era apenas um adolescente traumatizado pela vida e pela morte. Não iria deixá-lo realmente virar um monstro para todos.
– Não pense nele assim, ele é melhor do que você já viu — ele deu um sorriso para mim quando concordei. Dei-me conta que já estávamos parados no estacionamento do hospital e o sangue ainda descia do meu corte.
Nico entrou comigo — isso é obvio — e depois de assinar a minha entrada para fazer uns pontos, já que ele já tinha mais de dezoito, ficou do lado de fora enquanto o enfermeiro passava a agulha e a linha na minha testa. Foram cinco pontos no total e eu só queria ir para o Condomínio ver como Percy estava.
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