In Case

In case you don't find what you're looking for. In case you're missing what you had before. In case you change your mind, I'll be waiting here

Eu achei que o primeiro dia de aula iria ser o pior da minha vida aqui em Nova Iorque, afinal eu não conhecia ninguém e em São Francisco eu tinha a Silena e a Zoë. Mas não foi... Não totalmente, já que a Thalia tinha praticamente todas as aulas comigo e eu estava começando a achar que isso era perseguição.

Tinha a Serena que estava arrasada com o que tinha acontecido na sua festa no sábado. Segundo ela, o Nico depois de deformar o rosto do garoto foi e pegou a primeira menina que apareceu na frente dele. Parece que depois disso os dois foram para um motel.

Ela não parava de falar no quão arrependida estava por ter ficado com aquele menino e se pudesse voltar no tempo, nunca teria dado aquela "maldita" festa. Eu dei graças a Deus por isso não poder acontecer.

Eu não tinha conseguido ver ou falar com o Percy ontem, segundo o pai, ele tinha ido com Nico ao Campus da universidade, já que, as aulas dele também começavam hoje. Seriam longos meses sem ele... Ou não.

– Por que diabos essas garotas estão soltando gritinhos histéricos e ridículos? Isso é ridículo! — Serena falou ajeitando a mochila no ombro enquanto passávamos pela porta de saída.

– Acho que sei — Thalia cantarolou. Olhei rapidamente para ela e senti inveja, não mais por que ela podia ter o Percy a hora que quisesse, mas sim porque ela era incrivelmente linda com qualquer tipo de maquiagem. Hoje ela não usava a maquiagem marcante, apenas tinha os olhos destacados com um fino delineador gatinho preto por cima da sombra branca e o batom vermelho. Sua roupa não era vulgar, apenas a calça jeans escura e colada com rasgos na coxa e a T-shirt branca com a letra de uma música do Green Day, por baixo da jaqueta de couro com sprikes. Os coturnos dela eram pratas.

– Vai falar ou fazer a misteriosa? — Serena perguntou revirando os olhos. O humor dela não estava dos melhores e isso era visível demais. O cabelo não estava tão arrumado como sempre, ela não usava batom preto e sim um gloss incolor e suas roupas eram simples demais para ela. Calça legging camuflada e botas que quase chegavam aos joelhos, o suéter preto com os três primeiros botões abertos e uma jaqueta que ela tinha dito ser do ex-namorado do time de futebol da antiga escola.

– É só você prestar bem atenção nos dois gatos bem ali na frente — Thalia apontou com o queixo, enquanto batia as unhas na tela do celular preto — Nico di Angelo e Perseu Jackson são bem gatos e acho que é impossível eles não chamarem a atenção aonde vão.

Eu parei de ouvir quando ela falou o nome dele, olhei para mim mesma e acho que soltei um suspiro aliviado por não ter me vestido de qualquer maneira como a Serena. A calça de couro e a segunda pele vermelha eram coladas ao meu corpo, sendo que as mangas da segunda pele estavam erguidas até os meus cotovelos e ela era com um decote em V bem grande, mostrando parte a parte exposta pelo sutiã dos meus seios. Meus coturnos pretos eram cheios de taxas douradas e eu estava com uma blusa xadrez variada entre o vermelho e o azul amarrada no meu quadril. Não estava tão mal assim, só que Thalia estava bem melhor.

– Vamos falar com eles! — Serena pegou a mão de nós duas e começou a nós puxar em direção a eles, até parar rapidamente, á seis metros dos garotos — Eu estou horrível! Acordei mega atrasada e peguei qualquer roupa! Nico não pode me ver assim...

– Oi meninos — Thalia deu ombros para aquilo e se aproximou deles, soltei um "desculpe" mudo para a Serena e também me aproximei.

– Olá — Percy falou me puxando pela cintura. Thalia bufou bem alto.

Eu não liguei, apenas sorri para o moreno a minha frente e também notei que ele usava o uniforme da universidade. Ele ficava lindo com a gravata folgada e o terno aberto, parecia combinar perfeitamente com seus cabelos desgrenhados e com seus olhos verdes mar.

– Desculpe por não te ligar ontem, o Pratt é incrivelmente grande — ele deu um sorriso torto.

– Tudo bem — mordi meus lábios — Seu pai me falou mesmo...

– Meu pai?

– É, ele estava lá em casa ontem sabe... Acho que ele estava pegando a minha mãe ou visse versa — revirei os olhos, enquanto ele colocava uma mecha do meu cabelo que estava caída no meu rosto atrás da minha orelha — Por que está todo fofo? Isso realmente não é do seu feito.

– Não mesmo, isso é bem gay — ele riu virando meu corpo para frente e depois me abraçando por trás — Lia, cara feia para mim é fome sabia? Quer que eu te compre algo no Starbucks?

– Não, Jackson — ela falou enfiando o celular no bolso da frente — Eu vou embora.

Ninguem respondeu a ela, o que fez ela bufar novamente e depois sair batendo os coturnos no chão até o seu carro.

Olhei para o lado e revirei meus olhos, o Nico e a Serena estavam em uma cena muito mais gay que a minha e a do Percy. Ela chorava e o Nico limpava suas lágrimas enquanto falava algo que não podia escutar e também não queria. Algo que ele falou fez ela rir.

Olhei em volta e pude notar que as meninas olhavam para cá com inveja, não é sempre que se pode pegar um universitário gostoso e lindo como o Percy. Eu era uma puta sortuda.

– O Nico me dá nojo as vezes — Percy falou com nojo na voz. Eu soltei um gargalhada gostosa — Sério! Aquilo ali é muito gay, cara!

Olhei para o lado novamente e revirei os olhos, o Nico de fato estava sendo bem gay tentando controlar o choro da Serena e ao mesmo tempo dizendo coisas de amor para ela.

– Ele é assim sempre?

– Sim... Acho que isso não vai durar mais que uns três ou quatro dias — ele falou apoiando o queixo no meu ombro — Quem sabe amanhã mesmo ele consiga levar a garota que ele conheceu na universidade hoje para a cama e esqueça da Serena...

– Ele ainda não levou a Serena para a cama? — arregalei os olhos. Ele levantou o rosto e balançou a cabeça — Por que? Até nos dois já fomos para a cama!

– Ela é virgem, segundo ele — ele deu ombros. Encarei Serena e depois a ele, que riu — Não estou mentindo, ela falou para Nico em Moutauk que não queria perder a virgindade com um completo estranho.

– Aquela festa foi para ele!

– Eu sei... Vem, vamos dar uma volta — ele passou o braço no meu pescoço.

– Estou com o meu carro...

– Nico — ele virou o rosto rapidamente e olhou para o menino — Já sabe o que acontece...

– Eu já sei — o menino falou pegando as chaves no ar — Valeu.

– Vamos — ele me puxou até o meu carro. Como ele sabia qual era o mesmo carro? Eu não sei — Me dá as chaves.

– Não.

– Eu não estou pedindo — sua voz era fria e baixa. Puxei minha mochila e tirei as chaves dali, entregando a ele em seguida.

Eu já imaginava que ele não iria abrir a porta como um verdadeiro cavalheiro para mim — como realmente aconteceu — então abri a porta do passageiro do meu próprio carro e me sentei lá, jogando a mochila no banco de trás.

O caminho para qualquer lugar foi silencioso, na verdade, o único som que ambos ouvíamos era o das gotículas de chuva batendo nos vidros e no carro.

Eu detestava o outono com todas as minhas forças.

– Eu tenho certeza de que a Thalia não gosta muito de mim... — mordi meu lábio, sem olhar para ele.

– É muito provável, você chegou roubando o noivo dela... — ele deu ombros, como se à palavra "noivo" não fosse nada demais. Isso chamou minha atenção.

– Noivo?

Ele me olhou rapidamente e depois fez uma curva, eu não conhecia Nova Iorque e também não fazia questão de querer conhecer, não gostava dessa cidade por motivos de não ir com a cara dela. Eu só gostava de quem habitava nela por pura idiotice.

– Sim... Com certeza sabe que o pai e a mãe da Thalia são primos não? — neguei, fazendo ele mê encarar incrédulo — Não?

– Não costumo mentir para pessoas, Perseu.

Ele revirou os olhos e parou no semáforo, jogando a cabeça para trás e soltando um suspiro pesado. O trânsito era enorme.

– Então eles são primos e se casaram por livre espontânea pressão — ele me olhou segundos depois — Assim como o meu avô e a minha avó... Meu pai... Toda a família é assim, o filho mais velho se casa com a primeira prima.

– Então seu pai e sua mãe eram primos?

– Não, a prima que se casou com o meu pai morreu três anos antes dos meus pais se conhecerem — ele falou, acelerando o carro e depois entrando em uma rua.

Concordei com a cabeça e comecei a pensar sobre essa idiotice de se casar com a própria prima... Isso é coisa de outro século! Eu nunca, nem que minha mãe me ameaçasse a morte, me casaria com alguém da minha prima por pressão.

– Então o noivo da Thalia é....

– Infelizmente, sou eu — ele revirou os olhos — É por isso que odeio essa família de idiotas.

– Já é oficial? — perguntei. Eu mê sentia suja por causa disso! Ele tinha uma noiva e eu tinha sido fácil para ele. Engoli em seco.

– Não, só se torna oficial depois que a Thalia fizer vinte...

Concordei com a cabeça, querendo ir para a minha casa e ao mesmo tempo querendo ficar com ele... Uma parte do meu cérebro falava que ele estava sendo obrigado a fazer isso e a outra — com certeza a mais correta — gritava que eu estava sendo uma puta, que eu era com uma amente dele.

Abaixei meu olhar e as imagens daquela noite viera a minha cabeça. Ao mesmo tempo que eu queria uma segunda e várias outras doses, eu também queria que aquela noite tivesse sido um sonho muito bom que realmente nunca iria acontecer, pois era praticamente impossível.

– Queria que isso não acontecesse... A Thalia merece coisa melhor do que eu, assim como você — ele falou baixo o suficiente para eu virasse o rosto para ele, não acreditando — Acho completamente ridículo essa história de manter a família em uma só... É coisa de outro século.

– Por que não muda isso?

– Começar uma revolução com a dona Réia? É suicídio.

– Tem medo dela.

– Não, não tenho.

– Então não se casa com a Thalia, se é isso o que você quer... Seja você o condutor dessa revolução, Percy, afinal, eu acho que todos temos direitos com as nossas próprias vidas — o Central Park estava praticamente vazio do outro lado da avenida — Aonde está me levando?

– Em um lugar especial — ela deu um meio sorriso — Sobre a revolução... Topa me ajudar com ela?

– Qual é, Perseu, chama a Rachel, ela com certeza irá ser melhor objeto do que eu.

Ele soltou um riso curto, porém, foi como sinos se batendo tranquilamente para o meu ouvido. Esse garoto era a minha perdição!

– Não estou pedindo para ser um objeto, apenas quero ajuda com ideias, loira — eu fiquei vermelha, isso era óbvio demais. Ele deu outra risada. — Não é nada fácil montar uma revolução, e como você faz do tipo nerd, pode mê ajudar não é?

Se eu estava com dúvidas? Que nada. Acho que o medo de tudo isso que ele está falando ser mentira e eu acabar me magoando no final desse filme não é nada demais...

Mordi meu lábio. Meu coração estava batendo devagar, mas com uma força incrivelmente forte. Minha respiração ficou acelerada e Percy pareceu notar meu desespero. Seu rosto divertido se transformou em uma mistura de preocupação e decepção.

– Annabeth? — sua voz saiu tremula, notei seus dedos apertando o volante com força.

– Está tudo bem — fechei os olhos e agradeci a deus por minha voz não sair tremula — Eu vou te ajudar.

Eu não tenho certeza, mas acho que ele relaxou ao meu lado e acelerou ainda mais o carro. Abri os olhos e encarei o borrão do lado de fora. Estávamos saindo da cidade.

Se o Percy quisesse mê sequestrar, esse momento não era nada bom, pelo menos para para mim. Só que, ele estava com o volante e acabou por entrar em uma estrada completamente deserta.

– Percy — chamei e ele não respondeu. Ele sorriu — Percy...!

– Não vou te sequestrar, se é isso que está pensando.

– Aonde está me levando então?

O carro parou em frente a uma campina aberta, com flores roxas e azuis. Elas estavam muchas por causa do início do outono, mas as árvores com grandes folhas e o pequeno, mas forte, rio que passava do outro lado eram perfeitos.

Notas finais
Abaixem as armas e metralhadoras, também podem abaixar os tanques de guerra. Minha demora e o fato desse capítulo não ter sexo tem uma explicação. Motivo da demora: Minhas aulas voltaram e isso fez com que as professoras ficassem loucas, parece que elas amam dar provas para nós '-' O fato de não ter sexo: O capítulo será um bonus, caso vocês mereçam ele. Se isso não acontecer, irei posta-lo apenas depois do epílogo. O que fazem para merecer? Bons comentarios e recomendações... Por falar nisso, dia 16 é meu aniversario e eu aceito recomendação como presente. Bem, um último aviso: Estou sem net, estou postando da casa da minha amiga e eu realmente não sei quando a net vai voltar... Então o próximo pode demorar um pouco, mas prometo tentar postar antes do meu aniversario ^^ Kisses ♥