Unconditionally
36 Demons Part. Two
They say it's what you make. I say it's up to fate. It's woven in my soul. I need let you go. You eyes, they shine so bright. I want to save that light. It's where my demons hide.
Assim como à Thalia, fiz exatamente o que a Clair e o Luke — que tinha um olhar adoidado — mandaram. Só que eu fui mais esperta na hora de ir ao caixa com a Clair abraçada a mim e com a arma precionada a minha costela, quando tirei o dinheiro da bolsa, liguei para Nico, já que ele estava na chamada rápida.
– Espera — falei tanto para Nico que havia acabado de atender quanto para Clair que precionava mais a arma na minha costela, me apressando.
Eles entenderam, pois quando me sentei com Luke entre a Thalia e eu, pude ver que a chamada ainda estava ligada. Rezei para que Nico não deixasse o celular de lado.
– O que vai fazer conosco? — falei sentindo Luke colocar uma arma na minha costela novamente e uma na de Thalia. — Não precisa apontar uma arma para a minha costela! Não vou fugir, Luke.
– Você é meio mentirosa — ele deu de ombros.
Não percebi eles entrarem, Luke estava com um boné preto, que cobria seus fios cor de areia e a Clair usava um chapéu também preto e seus fios estavam bem mais curtos, pouco acima dos seus ombros. Bem diferente de quando eu conheci ela.
Bufei em resposta a ele, e senti a arma ainda mais precionada a minha costela, então estremeci e suspirei. Refém de dois loucos, e o pior, um é louco por mim.
Cruzei meus braços e olhei para Thalia pelo canto do olho, ela estava cabisbaixa e mexia as mais freneticamente. Voltei a pensar naquilo que ela havia me falado mais cedo, a pouco tempo atrás.
Ela foi corajosa ao admitir que era eu quem ela queria e não ao Percy. Ela não amava ele, ela amava a mim e eu nem ao menos lhe dei uma chance de ser minha amiga... Se alguma coisa acontecesse com ela hoje, me sentiria culpada pelo resto da minha vida, pois ela só está envolvida nisso por minha causa.
– Luke, não estou mentindo... Não sou louca de pular de um carro em movimento, pode tirar a arma da minha costela e da Thalia, pois sei que ela tem amor a vida é a avó dela — revirei meus olhos, tocando sua mão gelada e implorando com o olhar para que ele fizesse isso.
– Não confie nela, Luke — Clair falou no volante, aumentando a velocidade e nos levando para o Brooklyn.
– Não confie nela, Luke — murmurei encarando seus olhos azuis escuros. Ele parecia lutar para qual de nós duas escolher, Clair foi a escolha mais óbvia e ele precionou mais a arma na minha costela.
Um arrepio passou pela minha espinha quando o carro entrou em um prédio abandonado e nos cafundeus do Brooklyn. Esse prédio me parecia familiar por algum motivo, mas eu não conseguia me lembrar o por que, nunca havia vindo ao Brooklyn desde que me mudei para NYC.
Clair desceu primeiro e abriu a minha porta, pegando o meu braço e me puxando para fora do carro. Ela pegou uma das armas do Luke e a colocou na minha cabeça, dessa vez, me empurrando para um lance de escadas de concreto.
Foi ali que Tritão foi morto, dava para ver pela poça de sangue seco na beira da escada que eles não fizeram questão nenhuma de limpar. O sangue continuava na escada, como se ele estivesse sido baleado ali e caído o resto do lance, parando lá embaixo.
Mas uma pergunta não queria calar na minha cabeça: Se eles estavam me sequestrando, por que não tiraram nem a minha bolsa nem a da Thalia?
– Por que está sequestrando a gente, sendo que o Percy morreu e nenhuma de nós três vai ficar com ele? A não ser que uma de nós seja louca o suficiente para empalhar o corpo dele e o colocar sentando em uma mesa de jantar — Thalia resmungou atrás de mim. — Ta bom, vou calar a minha boca.
Imaginei que Luke devesse ter precionado mais a arma na sua cabeça, então continuamos a subir as escadas até o topo, que era "fechado", fora algumas partes do telhado caído e as janelas quebradas.
Eles soltaram a gente ali e bateram a porta com força, então os dois se colocaram na nossa frente e esticaram a arma na nossa direção. Olhei para Thalia, então vi o que acontecia com ela quando tinha apagões, ela ficava um minuto paralisada e depois voltava toda diferente.
Era como se ela fosse um robô e que alguém estivesse controlando ela... Ela paralisava quando eles mudavam o comando e voltava totalmente diferente, programada para matar.
Por algum motivo me lembrei de demônios. Os demônios do Percy se multiplicavam a cada decepção que ele sofria, mas a partir de que momento ele ganhou eles? Quando foi que o primeiro demônio dele apareceu e começou a se multiplicar loucamente dentro dele?
Sempre me perguntei isso e agora eu sabia a resposta. Quando ele perdeu alguém que ele amava incondicionalmente e se viu obrigado a ser forte, ele não tinha os demônios dele como uma forma de mostrar que ele era diferente, ele tinha os demônios dele como uma forma de defesa.
– Clair, o que você mais gostava no Percy? — perguntei olhando no fundo dos seus olhos. Era a primeira vez em meses em que eu olhava nos olhos de alguém dessa maneira, eu estava procurando demônios.
– Isso é simples — ela riu com desdém, rodando no meu eixo e parando atrás de mim. Ela colocou a arma nas minhas costas e falou no meu ouvido — Os olhos dele.
– Por que?
– Eram como faróis em uma noite tempestuosa — disse, eu podia sentir um sorriso se formar no seu rosto.
Ela não sabia dos demônios dele. Eu os conhecia, sabia por que eles existiam e ainda amava cada um deles... Era como se ele nunca tivesse morrido, que ele ainda estava aqui e que eu podia sentir como era dentro dele quando seus demônios acordavam.
Eu tinha os demônios dele. A partir do momento em que eu perdi ele e fui obrigada a seguir em frente para não deixar a vida passar, eu adquiri meus próprios demônios e juntei com os dele, pois eu sentia a dor dele de quando ele perdeu a mãe, a tia e o avô, para mais tarde perder a avó.
– Você tem coragem de olhar nos meus olhos? — perguntei para ela. Clair riu novamente e deslizou a arma pelo meu corpo, até esta de frente para mim e com seus olhos próximos aos meus. — Olhe bem, Clair. — falei sentindo a arma no meu estômago. — É ai que os meus demônios se escondem.
Seus olhos se arregalaram e ela deu um passo para trás. Eu ri, não me importando se isso iria acarretar em uma bala na minha cabeça, a Clair temer meus demônios era a prova de que ela não era tão corajosa assim.
Thalia me olhou assustada por um minuto, então depois caiu na gargalhada também. Ela havia entendido o que eu queria dizer, eu estava procurando fraquezas e a de Clair era demônios.
– Parece que você não é tão poderosa assim — disse desafiadora. A arma caiu das suas mãos e Luke estava tão atordoado quanto ela.
A porta atrás deles se abriu devagar e um policial pediu silêncio, eu e Thalia desviamos nossos olhares antes que os dois percebessem.
Era a mina vez de brincar. A Annabeth normal não brincava, mas a com demônios não tinha medo da morte. Dei dois paços na direção da Clair e ela deu dois para trás, então peguei a arma e apontei para ela, com um sorriso triunfante nos lábios.
– Então... O que acha de brincar de verdade ou desafio? Eu escolho verdade então, já que você fica com essa cara de tonta — falei para ela. Clair abriu a boca, mas eu puxei o gatilho e ela ficou muda. — Qual dos dois mataram o Tritão, em? Eu sei que foi um dos dois.
– Ele/ela — um apontou para o outro no mesmo segundo, ainda de costas para os policiais.
Suspirei dando dois passos na direção deles, Luke voltou a si e também puxou o gatilho, apontando a arma para a Thalia. Prendi meu ar, ainda apertando o gatilho com a arma apontada para Clair, mas para ele não ia fazer diferença, ela não era ninguém importante para o Luke.
– Qual dos dois?
– Nos dois — Clair falou decidida. O sorriso voltará por que se eu matasse ela, Luke mataria a Thalia. — Ele era uma pedra no nosso sapato, sempre reclamando de tudo e de todos... Quando falei para ele que estava fora ele não aceitou e ameaçou contar tudo para a polícia, sobre o seu sequestro e o masoquismo que fizemos em você... Sobre todas as vezes que obrigados a Thalia a te espancar e que havíamos trocado os remédios dela, então nada melhor do que calar a boca dele mantando-o, não? É exatamente isso que vamos fazer com vocês duas, agora, sabem demais, isso é perigoso para nós. E não, Annabeth, pode tirar esse sorriso babaca do seu rosto, não tenho medo de demônios.
Não tirei, como ela pediu, mas apenas sorri mais ainda. Ela havia feito um depoimento completo e nem sabia, isso é que era ser burra e tonta... Nunca gostei muito dela, mas acho que vai passar uns bons anos na prisão, já que é tão nova e que tem uma lista de crimes bem extensa.
Revirei meus olhos e caminhei até a Thalia, ainda com a arma apontada na sua direção. Clair estava me subestimando, mas não tinha por que ela fazer isso, sabia qual era o seu destino e, bem, ela estava desarmada, Luke não iria proteger ela.
– Acha mesmo que o Luke vai te proteger? — ri com desdém — Você é bem sonhadora, porém, fique sabendo que isso não irá acontecer por um fato bem simples: ambos vão para a prisão.
– Quem pode te garantir disso? — ela riu também — Escapamos dá prisão do Tritão, do assalto a casa do Nico, do acidente do Percy... Oh! Sim, nos matamos o seu amado, se ele não iria ser meu, ele não iria ser de mais ninguém... Foi fácil jogá-lo dentro daquele riu, ainda mais com a via toda molhada por causa da chuva e por que ele tentava loucamente te ligar.
Meu coração falhou e sem perceber, eu soltei o gatilho, fazendo a bala bater contra a parede atrás dela e os policiais correrem na direção para prendê-los. A bala de Luke acertou a parede atrás da Thalia, pegando de raspão o seu braço e a fazendo gritar por causa da dor.
Meus joelhos falharam e eu cai. Não soube o que aconteceu depois disso.
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